Economia dos Esportes – a divisão de acesso (continuação da continuação)

acordeibemEu sei, eu sei. Já beira ao “doentismo” do torcedor. Mas como ontem a vitória foi sofrida, lembro do que eu disse anteriormente: os adversários eram igualmente bons. Pelotas tinha 60% das vitórias em casa e Aimoré tinha 60% das vitórias fora de casa. E ambos vinham de uma derrota anterior, curiosamente pelo mesmo placar: um a zero.

A rodada não acabou ainda, mas com os resultados até ontem, até o momento, temos 91 partidas e, destas, 44 resultaram em vitória dos mandantes (48%). Sobre o Lobão (E.C. Pelotas), seu desempenho na minha medida – vitória do time em casa sobre o total de jogos em casa – aumentou de 60% para 67% (ou seja, aumentou sete pontos percentuais ou 7 p.p.). No grupo A da divisão de acesso, o Internacional de Santa Maria é o que tem, por enquanto, melhor desempenho em casa – nesta medida – com 80% de vitórias obtidas em casa. Já no grupo B, o Lajeadense é quem se sai melhor em casa, com 83% das vitórias nesta métrica (ou medida, se quiserem..são sinônimos).

O juiz, os acréscimos e tudo o mais…

Ah, sim, um caso que vale a pena comentar é que a vitória ontem foi de pênalti marcado nos acréscimos (aos 49 minutos do segundo tempo). Há sempre muito choro, muita paixão e emoção nestes momentos mas ontem eu vi um artigo (que ficou em algum lugar…) sobre o tema. Um resumo sobre o tema (não do texto específico cujo sumiço começa a me incomodar…) – com mais comentários – aparece neste post deste blog. Ah, claro, você pode se perguntar se isto é um tema de economia. Eu diria que sim, mas você pode checar este livro (e me presentear com ele) ou este texto para discussão do IZA, para citar apenas alguns poucos exemplos.

Agradeço sua leitura e eventuais comentários. Os textos anteriores estão aqui e aqui. Gostou e quer citar? Fique à vontade. Só não faça plágio, ok?

Economia dos Esportes – Mando de Campo ou “Por que você deveria ir ao jogo da próxima quarta-feira?”

20160601_215320-001A Economia dos Esportes é uma área estabelecida mundialmente (ver, por exemplo, as páginas da NAASE, da ESEA, ou da IASE) embora, curiosamente, pouco se fale do tema no Brasil. Artigos sobre aspectos econômicos do futebol brasileiro, contudo, já podem ser encontrados de vez em quando por estas bandas. Promissor? Com certeza.

Para motivar o tema, eis aqui um assunto caro ao pessoal das ciências (d)esportivas: o fenômeno do mando de campo (home field effect). Por que ele seria relevante para economistas? Bem, se este efeito existe, ele pode ter impacto sobre as receitas dos clubes e, portanto, no desempenho dos mesmos (conforme a tendência européia de se modelar o comportamento dos clubes nesta área de pesquisa) ou sua lucratividade (conforme a tendência norte-americana).

Será que existe mesmo este efeito? Ao invés de citar um ou dois artigos (na verdade, acho que existem uns três, sendo que um deles já foi aceito e será publicado em breve em periódico da área de Economia), vou apenas tentar medir o efeito sem me preocupar em explicá-lo (o que é, com certeza, o mais importante e interessante aspecto do problema).

Tomando como exemplo a divisão de acesso (A2) do Gauchão, onde se encontra o glorioso Esporte Clube Pelotas (que teve uma derrota vergonhosa ontem), vejamos como os times se saem jogando fora e dentro de casa. Neste ano, a divisão de acesso é composta de dois grupos numa lógica mata-mata. Estamos na 11a rodada de quatorze antes das quartas de final (seguidas das fases semifinal, final). Até o dia 22/04 foram 84 partidas. Grosso modo, quando os times foram mandantes (i.e., jogaram em casa), obtiveram 41 vitórias, o que nos diz que o mando de campo, medido desta forma, foi de 48.8%.

Podemos entrar em mais detalhes, contudo. Vejamos os desempenhos dos times em seus respectivos grupos (à esquerda o Grupo A).

Exemplificando, tomemos o caso do Lobão (Esporte Clube Pelotas) e do Aimoré, que jogarão na Boca do Lobo (a casa do Lobão) na próxima quarta-feira. Percebe-se que o Pelotas foi mais efetivo em vitórias jogando em casa (venceu 60% das partidas) do que fora (venceu apenas 17% neste caso). Já o Aimoré tem desempenho oposto. Vence mais fora (75%) do que em casa (33%).

Repare que muitas coisas aconteceram até aqui. Vários times trocaram de técnicos, jogadores foram contratados, dispensados, etc. De certa forma, os números já trazem em si mesmos estas alterações. O acumulado de vitórias é o resultado de todas estas mudanças.

Como falei inicialmente, há várias hipóteses que buscam explicar o mando de campo e estamos longe de uma teoria sólida sobre o fenômeno. Mas isso não significa que não devamos trabalhar para que o mesmo se efetive. Neste sentido, voltando ao exemplo do próximo jogo do Lobão, na quarta-feira, eu diria que a torcida deveria ir em peso ao estádio e, sem violência (sempre sem violência!), mas com firmeza, pressionar o seu time e fazer mais barulho do que a torcida do adversário. Por que? Porque os dados nos mostram que o mesmo apresentou, até agora, um desempenho muito melhor fora de casa e é aqui que enfrentará o Lobão.

Caso tenha se interessado por Soccernomics ou mesmo pela Economia dos Esportes, saiba que, ocasionalmente, encontrará algum material por aqui.

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