Hangout sobre a PEC 55 (a famosa) com Adolfo Sachsida, Thais Waideman e Guilherme Stein

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Está tão pesado que segurar é difícil mesmo…

Hoje, às 20:00 h, por meio da ferramenta de hangout do Google, terei o prazer de mediar/moderar a conversa de três pesquisadores com qualificado conhecimento na área de Economia: a professora Thais Waideman (UDESC), o pesquisador Guilherme Stein (FEE-RS) e o grande Adolfo Sachsida (IPEA).

Pela lógica da ferramenta e pelos meus limitados conhecimentos, funcionará mais ou menos assim: usarei meu canal no YouTube e divulgarei o link no Facebook alguns minutos antes da transmissão. Assim, se você não tem conta no último, fique de olho no canal. Caso contrário, acho que não será difícil se informar.

Você pode se perguntar: por que mais um debate? Pela insatisfação. Fico insatisfeito quando vejo pessoas mentindo de forma deliberadamente sobre a PEC. Não me chateia a ignorância – por isso a gente gosta de debates com regras mínimas e honestidade e não de “debates” nos quais a platéia (e membros da mesa, como me relatou um colega de uma federal aqui do RS) passam o tempo todo xingando o palestrante. Não é possível chamar isso de diálogo ou debate.

Que alguma desinformação seja gerada pela nossa ignorância, ótimo, é parte da vida. Agora, que alguns mintam para que você pense que a PEC é o que ela não é, isso tem que ser veementemente combatido. Talvez o hangout nos dê a chance de falar um pouco mais sobre a PEC. Aí você vai lá, assiste, estuda um pouco e tira suas próprias conclusões. Não sei se haverá espaço para muitos debates ou perguntas. Estamos com três especialistas e uma hora de transmissão em pleno domingo à noite. Veremos o que podemos fazer neste tempo, mas espero que seja um debate informativo e interessante para economistas e não-economistas.

Aguardamos vocês lá.

p.s. caso isso funcione, quem sabe o blog não inagura uma seção de hangouts? Ah sim, prometo colocar o link para a discussão aqui posteriormente.

Fiscalismo excessivo é ruim? O caso do Império Romano

O fiscalismo excessivo do Baixo Império foi, como se sabe, uma das causas da decadência e da queda do Império Romano, tão magistralmente descritas por Gibbon.

Assim termina um artigo sobre os tributos no Direito Romano. Aparentemente, o artigo mostra uma evidência histórica interessante sobre o problema da obesidade governamental (que nunca é alvo de estudos pelo pessoal que adora falar em “nudges”, né?) que é ilustrado em bons livros de introdução à Economia quando se comenta sobre as perdas de peso morto.

É interessante, claro, mas fica a pergunta: por que um governo aumenta sua carga tributária? Segue-se do aumento da população e da demanda decorrente de bens públicos? Ou é fruto de uma irresponsabilidade do lado dos gastos e de uma incapacidade de se endividar?

Além disso, foi mesmo o fiscalismo excessivo a causa do fim do Império Romano? Não faço idéia, mas sei que gente boa já tentou estudar este período tão distante e há um verbete na Wikipedia sobre o tema.

Economia é tudo de bom: mais um artigo interessante

Veja só o resumo de um dos artigos da última AER.

The Caloric Costs of Culture: Evidence from Indian Migrants

Article Citation

Atkin, David. 2016. “The Caloric Costs of Culture: Evidence from Indian Migrants.” American Economic Review, 106(4): 1144-81.

DOI: 10.1257/aer.20140297

Abstract

Anthropologists have documented substantial and persistent differences in food preferences across social groups. My paper asks whether such food cultures can constrain caloric intake? I first document that interstate migrants within India consume fewer calories per rupee of food expenditure compared to their neighbors. Second, I show that migrants bring their origin-state food preferences with them. Third, I link these findings by showing that the gap in caloric intake between locals and migrants depends on the suitability and intensity of the migrants’ origin-state preferences. The most affected migrants would consume seven percent more calories if they possessed their neighbors’ preferences. (JEL D12, I12, O15, R23, Z12, Z13)

Sensacional, não?

A economia do sumô

A partir de 12:55 até o final (vale a pena, assista, é a última luta entre o provável campeão desta temporada e o da última temporada…e é brevíssima) você encontra a explicação de como são pagos os lutadores de sumô. Incentivos importam? Descubra assistindo este curto trecho.

Filas e violência: uma análise básica

Um ótimo – e didático – artigo usando a oferta e a demanda que você viu no primeiro período do seu curso para entender o fenômeno das filas e da eventual violência que elas geram.

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Eis o resumo:

Abstract Queuing in response to prices below market-clearing levels increases the potential for conflict and violence among consumers. We consider how the potential for violence in queues varies with differences in demand and supply characteristics of the goods being considered, and the cause of submarket-clearing prices. In general, the potential for queue-related conflict and violence is greater when the price elasticities of demand and supply for the good are smaller and higher, respectively. Also, the potential for conflict and violence is greater when the queue results from government policy than when it results from private-sector activity.

Muito legal, não é? Aprecio artigos com este tom didático que nos mostram, de forma simples, como podemos aplicar os conceitos básicos a problemas do dia-a-dia sem, como eu disse outro dia, precisarmos apelar para modelos mais complexos.

Obviamente, como eu também disse outro dia, vale repetir, quem quiser ir além da análise insightful deve estudar mais e fazer disciplinas intermediárias ou avançadas em Economia. Entretanto, note, os pontos básicos de Economia, intuitivos, continuam sendo a base sólida sobre a qual construímos modelos mais sofisticados.

De qualquer forma, fila é um negócio chato, não?

Economia de mercado e você

Esqueça o “Tradutores de Direita”. O rótulo “Direita” não significa nada aqui porque a tradução não foi alterada ou adaptada. Dito isto, para quem chega na faculdade acreditando em mitos criados por vídeos superficiais, este é um vídeo que serve como bom contraponto.

Obviamente, sabemos que há vários detalhes importantes que podem qualificar um ou outro ponto exposto no vídeo. Entretanto, a boa didática nos diz que primeiro devemos aprender o básico e, depois, em um curso intermediário (ou avançado), seguimos adiante.

Soa estranho para você? Não deveria. Ou você que, por exemplo, engenheiros aprendem sobre ondas gravitacionais antes de aprender as leis newtonianas da Física? Ou, digamos, os estudantes de medicina aprendem sobre exceções às regras antes da  regras?

Portanto, ligue seu áudio e divirta-se com este ótimo vídeo.

Prêmios

Olha que notícia legal! Uma competição da IAES, anual, com o que seria o melhor trabalho final (mas não precisa, pode ser um artigo derivado apenas da vontade do estudante de explorar um tema). Digo, os quatro melhores. Vou deixar em negrito o nome dos autores e os títulos dos trabalhos.

It is our pleasure to announce that the winner of the International Atlantic Economic Society’s 11th annual Best Undergraduate Paper Competition is:
Hameem Raees Chowdhury, Joint-liability in microcredit: Evidence from Bangladesh, University of Warwick, UK

Mr. Chowdhury received a $500 check and will have his paper printed in an upcoming issue of the Atlantic Economic Journal. In addition, each of the three finalists, listed alphabetically below, received $100 from the Society and will have 800-word summaries of their papers published in the Atlantic Economic Journal. All of the students also received handsome commemorative plaques to mark the occasion.

Alexander Billy, Granger-causality testing within the Eurozone: Policy analysis of the efficacy of the European Central Bank’s policy tools, St. Vincent College, U.S.

Evelina Lazareva, Do rating agencies confirm or surprise the market? Market efficiency hypothesis vs conspiracy theory, Nottingham Trent University, UK

Virginia Minni, Can greater bank capital lead to less bank lending? An analysis of the bank-level evidence from Europe, University of Warwick, UK
The IAES and the http://www.EconSources.com underwriting sponsor would like to extend our congratulations to all of the students who entered the competition and submitted so many fine papers. While it is not possible to acknowledge more than one winning entry in a competition such as this, we would like everyone to know that all of the students did an outstanding job!
In addition, we would also like to extend our appreciation to the universities and colleges that promised to provide the financial support that enabled their students to enter the competition and travel to Boston where the final stage of the competition took place. Finally, we would also like to thank all of the judges for the many hours they spent reading the many fine entries.

Acho que todo mundo que faz monografia sabe que a diversidade de temas nunca foi um problema, não é? Claro, a famosa econometria (que muitos acham que não serve para nada) está sempre presente nestes prêmios, seja diretamente, no título, ou indiretamente, no artigo.

Muito legal mesmo deve ser o cara ganhar um prêmio assim. Meus parabéns a todos.

Não deixe um economista te receitar uma dieta (exceto se você for um escravo)!

Em 1945, George Stigler, em um artigo interessante, aplicou o princípio simples da minimização de custos para resolver o seguinte problema: qual a quantidade de nutrientes diária necessária para o ser humano? Como esperado, a dieta obtida foi bem desagradável, como se vê no trecho abaixo, extraído de seu artigo.

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Terrível, não? Bem, até que dá para comer farinha de panqueca com espinafre, mas é uma dieta baseada apenas na minimização de custos, não olha muito para o lado da demanda.

O tema foi retomado, em 1985, por Eugene Silberberg (autor de um ótimo manual intermediário de Microeconomia), atacando, justamente o problema da demanda. Tal como Stigler, Silberberg supõe que os nutrientes seguem a lei dos rendimentos decrescentes (isto é, eles te beneficiam, mas a cada dose adicional de um nutriente, o benefício obtido é menor, até zerar, em algum ponto. Em português: não tome megadoses!). Teoricamente, temos:

Since the marginal products of nutrient elements fall as consumption of these inputs increases, we should expect a corresponding fall in consumers’ marginal values of vitamins and minerals. More specifically, as nutrient intakes increase, the marginal values of tastiness, aroma, texture, and so forth, that is, the qualities of goods relating to palatability, should rise relative to the marginal values of inputs to pure nutrition. We should therefore expect that, as income rises, consumers will spend a decreasing fraction of their food budget on pure nourishment. As income increases, consumers will defer relatively more toward the pleasurable aspects of eating and relatively less toward the production of nourishment.[Silberberg, E. Nutrition and the Demand for Tastes. Journal of Political Economy, Vol. 93, No. 5 (Oct., 1985), p.882]

Para quem já estudou programação linear, é exatamente o que Silberberg faz. Ele minimiza o gasto do consumidor de uma classe de renda sujeito à restrição de que a quantidade de nutrientes nos alimentos tem que ser, no mínimo, igual ou maior do que a quantidade de nutrientes demandada.

Os resultados de Silberberg? Prepare-se:

The minimum-cost diets presented in this paper are the kinds of diets that would be provided to slaves, although the calorie level might be elevated. In fact the diet of American slaves in the antebellum South resembled these solutions. [Silberberg, E. Nutrition and the Demand for Tastes. Journal of Political Economy, Vol. 93, No. 5 (Oct., 1985), p.897]

Pois é por este motivo que somos economistas, não nutricionistas. ^_^

p.s. a referência do artigo de Stigler é: Stigler, George J. The Cost of Subsistence. Journal of Farm Economics, Vol. 27, No. 2 (May, 1945), pp. 303-314

UPDATE: p.s.2. Para a dieta dos escravos, uma abrangente resenha é esta. Esqueça boa parte do que leu em blogs porque há muita coisa estranha por aí. O artigo em questão faz um bom resumo dos problemas encontrados por pesquisadores na investigação do tema.

É, faltou um gostinho…

A economia está no ar – o caso das vendas pós-Natal

Tá, estamos longe do Natal. Eu sei disso. Mas eu estava aqui folheando um livro e me deparei com esta ótima explicação sobre como você, leitor, em geral, adora uma discriminação de preços. Por exemplo, no caso do Natal, é uma festa quando nos afastamos do feriado, não?

Isto porque, depois do Natal vem…a liquidação do pós-Natal. Explica-nos McKenzie (em tradução livre minha):

Antes do Natal, muitos consumidores precisam dos bens que eles compram para serem capazes de gerar a (muito mais imaginada do que real) alegria de seus entes queridos e amigos na manhã do dia de Natal, quando recebem os presentes. Antes do Natal, muitos consumidores estão trabalhando e têm elevados custos de oportunidade do tempo; eles também poderiam ter baixos custos de estocagem. Eles ainda não encheram seus armários e guarda-roupas com incontáveis presentes, a maior parte deles desejada e alguns apenas mantidas por respeito com os que dão presentes. Após o Natal, muitos compradores estão frequentemente com um estoque imenso de presentes, mais do que o desejado ou o necessário. Muitos estão, frequentemente, em seus dias de descanso do Natal, com baixos custos de oportunidade.
Indo direto ao ponto, antes do Natal, as demandas dos compradores são altamente (preço-)elásticas. Após o Natal, elas são altamente elásticas porque eles têm tempo para pensar mais cautelosamente sobre os preços cobrados por um sem número de vendedores, e eles somente encherão seus armários e guarda-roupas com mais produtos se observarem significantes reduções de preços. [McKenzie, R. Why Popcorn Costs So Much at the Movies – and other pricing puzzles, Springer/Copernicus, 2008, p.71]

Sabe aquele seu professor que falou de elasticidade-preço da demanda? Ora, uma curva mais preço-elásticas em todos os seus pontos (relativamente a outra curva) é aquela em que uma mesma redução de preço, digamos, 10%, causa um aumento maior na quantidade demandada do produto nesta curva (mais preço-elástica) do que em uma curva menos preço elástica. Por exemplo, pode ser que a quantidade demandada aumente em 12% na curva mais elástica, enquanto, que, na menos elástica, o aumento poderia ser de 10%.

Faz todo o sentido do mundo, não? Ninguém prevê o futuro com perfeição, mas é razoável imaginar que um empresário saiba que as demandas não sejam idênticas antes e depois do Natal e, mais ainda, que elas sigam este padrão: menos elástica antes do Natal (“preciso comprar o presente, não tenho tempo para pesquisar muito”) e mais elástica depois (“tenho tempo livre, o feriado já passou, agora posso pesquisar com calma por preços menores”). Ora, se o empresário percebe isto e deseja maximizar seu lucro, não há porque não fazer a famosa promoção pós-Natal.

Perceba, leitor, que o que obtivemos aqui foi uma previsão qualitativa sobre o futuro. Claro que saber mais exatamente – quantitativamente  o impacto disto é um trabalho mais denso, que exige coleta de dados e tudo o mais (tudo o que se aprende em um bom curso de Economia)…e é por este motivo que você, consumidor-leitor, adora a discriminação de preços. Afinal, você adora uma liquidação pós-Natal, não?

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Ho, ho, ho.

Dia dos Finados: lembrando Olavo Rocha

Foi mais ou menos em um destes outubros que Olavo Rocha decidiu que não iria mais viver conosco e tirou sua própria vida. Seus vídeos ajudaram muitos a aprenderem um pouco de Economia e também sobre o Liberalismo. Tudo de uma forma muito engraçada.

Sentimos sua falta, Olavo. Talvez este seja um de seus vídeos mais emblemáticos.

Metodologias: quanto mais, melhor

No último número da Economia, da LACEA, temos vários artigos sobre sistemas de metas de inflação na América Latina. Um deles me chama a atenção por conta de três parágrafos. Trata-se de Garcia-Cicco & Kawamura (2014) e, por sorte, o mesmos (parágrafos) encontram-se no site da revista, na minúscula parte não-paga da transcrição do artigo. Ei-los, comentados.

Deviations from conventional policies were observed in Latin America even before the recent global financial crisis (and before the central banks implemented inflation-targeting frameworks). Most notably, central banks have often engaged in sterilized exchange rate interventions to smooth the effects of capital inflows (due in part to commodity price booms) and the resulting nominal exchange rate appreciation. Some countries, like Peru, have used these interventions quite frequently, whereas others have implemented these policies only after extreme movements in the nominal exchange rate (for instance, in Chile), even after the inflation-targeting policies were already in place.

Então, existe um problema a ser estudado e este diz respeito aos desvios praticados pelos banqueiros centrais relativamente ao sistema de metas. A bem da verdade, dizem-nos os autores, desvios sempre ocorreram. Na sequência:

In this regard, one important policy discussion is the relationship between inflation-targeting regimes and liquidity management responses. In particular, it is not obvious whether the application of such liquidity management policies implied some type of threat to the “good implementation” of the inflation-targeting framework. Ishi, Stone, and Yehoue highlight the difficulties of using econometric time-series techniques to evaluate the impact of liquidity management policies implemented in an inflation-targeting framework, because it requires disentangling the impact of each type of policy, as well as the impact of the external shocks that presumably triggered the implementation of such policies. The fact that such policies were usually in place for just a few quarters further complicates the application of the time-series-based impact evaluation.

Bem, o problema existe e tratar dele exigiria mais do que uma análise de séries de tempo poderia nos dar. Ok, todos nós gostamos de Econometria (ou pelo menos alguns de nós…) e queríamos resolver isto com o que aprendemos na faculdade. Mas não vai dar. Então, podemos ir para casa chorar ou tentar algo diferente. Os autores, obviamente…

This paper contributes to the evaluation of such policies by constructing, solving, and simulating a dynamic stochastic general equilibrium (DSGE) model that explicitly includes the central bank’s balance sheet as a key modeling input. The model can explicitly predict the impact of selected unconventional monetary policies on the major macroeconomic variables, including gross domestic product (GDP), consumer price index (CPI) inflation, and the real exchange rate, and it pays special attention to the role played by the specific facilities used by the central bank to manage market liquidity. This paper uses Chile as the main case for the application of the model, providing a detailed account of its experience with these alternative tools since the introduction of the flexible inflation-targeting framework in 1999 and calibrating the model to then analyze the effects of some of the policies implemented.

Ou seja, quando você não consegue usar um modelo de séries de tempo (digo, de econometria de séries de tempo), você pode optar por um modelo DSGE. Gostou?

Repare que, ao contrário da dicotomia que aparece em livros-textos mais simples, entre novos-clássicos e novos-keynesianos, o fato é que a convergência científica – e, talvez, o tempo em si – transformaram modelos DSGE e modelos econométricos muito menos ‘substitutos’ e mais ‘complementares’ como métodos de compreensão de problemas econômicos.

O leitor mais avançado não vai achar isso muito interessante, mas o que está no meio do curso da faculdade pode ser surpreendido. Bem, o fato é que a realidade da pesquisa é bem mais interessante do que você, muitas vezes, imagina.

O último recurso e o brasileiro que inventou a máquina de fabricar água

Julian Simon chamava o “côco” de último recurso. Não, não me refiro ao côco do bem ou da água geladinha e sim ao cérebro. Pois é. Aí eu leio que um brasileiro inventou uma máquina que tranforma ar em água.

É de bater palmas, né? Pois é. Aí ele fala que boa parte dos componentes de sua máquina são importados (custos), a escala é pequena (“não tem linha de produção”) e a demanda aumentou. Já sabe para onde vai o preço de equilíbrio, não sabe? Para o alto (e avante). Basta brincar com as curvas de oferta e demanda que você aprendeu no curso.

Tivesse o governo feito o trabalho que lhe cabe de baratear a infra-estrutura e aumentar o grau de abertura da economia nestes últimos anos (vamos ser mais explícitos: nos últimos 12 anos), muito provavelmente (mesmo) o inventor conseguiria atender sua demanda a um custo menor.

No momento em que a água é um problema para o país não apenas por causa de um tempo seco, mas também porque uma conta de luz artificalmente barateada estimulou o consumo de energia elétrica e aumentou a demanda por uso de energia hidrelétrica, invenções como esta seriam uma ótima notícia.

Mas falta parar de demonizar o empreendedorismo nas escolas, olhar com seriedade para os problemas do chamado custo Brasil e também abrir mais a economia. Nada que passe perto da cabeça de gente que manda o povo comer ovo quando o preço sobe, eu sei, mas é o que eu esperaria…

Atravessar a faixa de pedestre com o sinal fechado para você, pedestre, é racional. Não atravessar…também.

Olha que acabei até falando um pouco de psicologia evolutiva, mesmo sem querer (e até citei o glorioso Esporte Clube Pelotas!). ^_^

Mercados geram cultura? A resposta é inequívoca: sim!

Leia esta ótima matéria para ver como o comércio gera cultura. Trata-se de uma das matérias de um especial do Asahi Shimbun sobre o chá verde e a trajetória de um piloto kamikaze (que, ironicamente, sobreviveu à guerra).

Eu sei que muita gente é emporiofóbica e acha que mercado destrói cultura. Trata-se de um preconceito bem sedimentado em muita cabeça de meninos e meninas que andam por aí, pelos colégios, desarmados diante da ignorância. Mas o fato é que trocas voluntárias (sim, este é outro nome para trocas de mercado, a despeito do que te disseram nos “supostos” livros de história do ensino médio) geram cultura.

Claro que é verdade que o advento do Caminho do Chá (esta arte japonesa inventada a partir do chá verde trazido da China), uma vez admirado, roubou público do que quer que existisse antes, mas aí não é uma destruição de cultura, mas a criação de uma nova forma de se agregar valor ao chá (o prazer de se beber chá não precisa ser preservado em sua pior forma, a não ser que alguém o queira…e se o quer, que não obrigue os outros, mas faça-o para si).

A diversidade cultural vem do fato de que sempre há quem discorde deste ou daquele aspecto de uma determinada forma de se fazer algo – no caso, tomar chá – e é por isto que a arte nipônica do chá não é unanimidade mas, nem por isso, deixa de ser admirada.

A propósito, pode ser que você queira mesmo é fazer uma super-panqueca de chá verde, esquecendo-se desta conversa toda. Bem, isso não é difícil e a receita está aqui.