Táxis (e Uber) novamente…no Japão

Este é um interessante artigo sobre táxis no Japão. Táxis e Uber, claro. Há algumas interessantes informações sobre detalhes do sistema atual de regulação de táxis no país. Por exemplo:

(…) while taxis are regulated by the transportation ministry, individual companies have managed to adapt to dwindling ridership by coming up with their own means of indirectly increasing fares. For instance, in crowded urban areas where traffic congestion is common, meters in some taxis charge for time as well as distance. When the speed of the vehicle drops below 10 km/hour, the meter changes to a system that charges for time regardless of the distance traveled, usually ¥90 for every 110 seconds.

Terrível, não? Mas há mais.

Also, when a rider calls for a taxi, a surcharge is added, so there is already a fare on the meter when the taxi arrives to pick up the passenger. Many taxi companies in rural areas have expanded on this idea by allowing drivers to charge the passenger for the distance between the place where he or she received the call and the passenger’s location.

Imagine o problema que isso causa – para o consumidor – por conta do envelhecimento populacional. Mas eis o mais interessante da matéria: sua conclusão.

Many years ago, the taxi business was completely open. Companies could put as many cabs as they wanted on the roads and charge whatever they wanted. They competed for fares.
Some people feel that such a system is the best way. At the very least, fares should be adjusted depending on the region, which is usually the case. What makes money in Tokyo is not necessarily going to make money in Hokkaido.

Ou seja, vários consumidores preferem um sistema desregulamentado, com várias companhias de táxi competindo em tarifas. Teoricamente é fácil ver que o preço se aproximaria bastante do custo marginal (ah, aquelas aulas…).

Para mais detalhes sobre táxis no Japão, ver, por exemplo, isto. Modelos de carros? Veja aqui. Sobre o Uber? É, eu prometi no título e, embora haja algo na matéria, veja também esta matéria. Sobre a livre concorrência no mercado de transporte feito por táxis no Japão, ver este working paper (e veja também o artigo do mesmo autor sobre gorjetas para taxistas aqui ou, em versão anterior, aqui). Uma resenha sobre pesquisas de economistas sobre táxis está no ótimo EconJournalWatch de 2006.

IS-LM…para gente grande

islm_advanced

Você achava que sabia o modelo IS-LM, não é? Bem, você sabia…a versão didática para um curso de graduação. Entretanto, quando você quer, por exemplo, analisar um problema real como o caso da economia japonesa, é necessário um pouco mais de fundamentação.

Legal, né?

Por que não te casas?

fertilidade_japao

Como você já deve ter percebido, trata-se de um texto para discussão sobre a baixa fertilidade no Japão. Um pouco do resumo (gigantesco) do texto:

(…), we investigated attitudes toward marriage among never-married men and women between the ages of 25 and 39 (“Internet survey on the marriage and work conditions among never-married men and women”), aiming to obtain basic references for exploring the trend of not marrying in more depth. In the survey, we asked the same questions with the National Fertility Survey , compared the results while inquiring about the living environment (e.g., conditions of family members, work environment, respondents’ work style, and conditions of residential area), and analyzed the points that could not be clarified by the National Fertility Survey . Between July 2014 and May 2015, five meetings were held to complete this DP.

As conclusões? Parece que estou lendo algo da economia do casamento e divórcio de Gary Becker. Por exemplo:

Based on the finding that non-regular employees tend to show lower desire to marry than regular employees, we examined if the reason for this tendency was attributable to the “hypothesis of encountering (Deai Kasetsu),” derived from the hypothesis of marriage market mismatches. The results indicated that this hypothesis was applicable in general.

Ou isto:

We analyzed the factors preventing never-married men and women with desire to marry from encountering their potential marriage partners, considering the characteristics of each region while associating them with individual attributes and conditions they have for their marriage partners. In the case of women, they were not positive about finding their partners as they did not see many benefits in getting married when they lived with their parents. Parents’ better economic circumstances provided both men and women with more opportunities to encounter their potential partners. These results suggest resources are moving down the generations.

E isto:

It was also discovered that the sufficiency of social capital in family, workplace, and society strengthened both motivations toward marriage and having children. Good relationships with parents as a family-related factor and having opportunities for challenging tasks at workplaces as a job- and workplace-related factor had positive influences on the desire for marriage and having children, while continued employment of women at workplaces after marriage positively affects men’s and women’s desire to marry. It was found that high availability of regional child-care services had positive effects on both the desire for marriage and having children regardless of gender and employment status.

Infelizmente, não encontrei o artigo completo lá, mas isto é porque ele está todo em japonês (apenas o resumo está em inglês). De qualquer forma, pareceu-me um trabalho interessante. Surveys, quando bem usados, podem ser uma ferramenta útil na investigação de padrões de comportamento microeconômicos.

p.s. curiosamente, não encontrei Gary Becker, diretamente referenciado, no texto. Mas pode ser que ele está escondido nas referências. ^_^

Love Machine: a música da economia que não decolou nos anos 2000

A mulherada mandava no pedaço…e no otimismo.

Em 09 de Setembro de 1999, o grupo musical pop, Morning Musume, lançou um de seus maiores sucessos: Love Machine (eu não esperava por um verbete em inglês na Wikipedia, mas…). Como era o Japão da época? Bem, a economia tinha acabado de sair da bolha econômica (バブル景気 baburu keiki) e parecia ter um futuro promissor. O otimismo? Veja este trecho da música:

No matter how bad the recession is, love is inflation
It’s indecent be treated this well
My future is bright, I hope to find a job

The world envies
Japan’s future
Let’s fall in love
Dance! Dancin’ all of the night

Ah sim, sempre tem aquele que vai querer encontrar o trecho na música. Da mesma fonte:

Donna ni fukeiki datte koi wa infureeshon
Konna ni yasashiku sarecha midara
Akarui mirai ni shuushoku kibou da wa

Nippon no mirai wa (wow wow wow wow)
Sekai ga urayamu (yeah yeah yeah yeah)
Koi wo shiyou ja nai ka (wow wow wow wow)
Dance! Dancin’ all of the night

Pois é. Cita-se explicitamente a recessão, a inflação e, claro, o mundo que “invejaria o futuro do Japão”. Bem, como sabemos, os fios da história são tecidos de modo algo desconhecido por nós, mortais. Então…

Growth slowed markedly in the 1990s during what the Japanese call the Lost Decade, largely because of the after-effects of the Japanese asset price bubble and domestic policies intended to wring speculative excesses from the stock and real estate markets. Government efforts to revive economic growth met with little success and were further hampered by the global slowdown in 2000.[2] The economy showed strong signs of recovery after 2005; GDP growth for that year was 2.8 percent, surpassing the growth rates of the US and European Union during the same period.

Pois é. Todo mundo danced all of the night… A música está aí embaixo (versão resumida do clip aqui).

Gosto desta música porque, bem, sucessos pop são terrivelmente hipnóticos. Mas, além disso, no caso deste hit, há o aspecto econômico, literalmente cantado em prosa e verso. Como não sou um conhecedor da música brasileira, não sei se existem músicas assim, tão explicitamente contextualizadas. Imagino que existam e agradeço qualquer dica que me enviem em comentário.

Uma dica boa para trabalhos com alunos de graduação (está em dois livros de teaching for undergraduates de Economia que tenho aqui) é usar músicas. Bom, a turma tem que ter interesse em aprender, senão vira bagunça. Bem, neste caso só nos resta…wow wow wow wow wow wow…

Ah sim, a economia japonesa…ei-la, resumida (dados atualizados) com minha tradicional utilização do R (no caso, RStudio, bons pacotes e um pouco de bom gosto para cores…ou não?).

new_Abenomics_GDP_dessaz

Abe, meu filho, leva esta economia para um futuro brilhante! Mais integração econômica, mais mercados flexíveis…vamos lá! Tá tudo lá, nos manuais!

Abenomics – confiança do consumidor

shouhi_julho

Clique na imagem para ampliar

Pois é, pessoal. O assunto – falo do consumo, em geral – voltou a ser pauta no início do novo semestre e, portanto, vale a pena falar destes indicadores por aqui. Para não correr o risco de ser demitido por ser pessimista – sabe como é, o governo não está nem aí para o plágio, mas não pode ouvir uma análise pessimista que fica nervoso, acha que 13 – 4 é 7 e apela – vamos falar da economia japonesa. Aliás, o Primeiro-Ministro esteve por aqui, no início de Agosto (dia 02 ou 03), então vale a pena voltar ao tema.

Repare que, em termos das expectativas do consumidor, as coisas não estão lá aquelas coisas. O aumento do imposto já se incorporou – imagino – na realidade dos consumidores e, agora, o que o Primeiro-Ministro necessita fazer é mostrar que sua meta de crescimento com inflação de 2% ao ano é factível. Diante disto, há um certo pessimismo quanto às reformas microeconômicas (o mesmo problema que todo governo enfrenta…ou seja, macroeconomista que despreza microfundamento precisa queimar o diploma, né?) para flexibilizar o mercado de trabalho.

O indicador, per se, ainda nos diz muita coisa. Uma boa análise descritiva pode ser feita com a série que está disponível aqui. Olha só o que vem acontecendo com o indicador ultimamente:

shouhi_julho2

Novamente, clique na imagem para ampliar. O que a tabela nos mostra é que o índice de confiança, já dessazonalizado, não sai muito do lugar desde 2013. O gráfico nos mostra isto. Ele parece estar estacionário em torno dos trinta e muitos e quarenta e poucos, não? Em uma escala logaritmica, provavelmente, teríamos uma visão melhor disto mas, veja só, tenho que entrar em sala daqui a pouco.

Ah, veja que tem mais colunas na tabela e você pode, obviamente, analisar os componentes do índice. Como dizem lá nos EUA, be my guest.

 

Política monetária

Sempre um tópico que me agrada. Quando se junta à economia japonesa então, nem se fala. Trechos:

Apart from the ‘textbook channels’ of monetary policy transmission via interest rates and exchange rates, monetary policy can potentially affect firm activities through its impact on firms’ and banks’ balance sheets. In a seminal study on this balance sheet channel, Bernanke and Gertler (1989) showed theoretically that negative shocks to borrowers’ net worth increase the agency costs of financing investment, and thus reduce investment. Following their theoretical model, Bernanke et al. (1996, 1999) further showed that monetary tightening leads to a decrease in borrowers’ net worth, and consequently reduces borrowing and investment. They also show that an economic downturn has a greater effect on the availability of credit, investment, and output for firms with lower net worth. This implies that the impact of an aggregate shock on firms differs depending on firms’ net worth.

Então, o que os autores encontram? Descubra lá no texto! Agora, cá para nós, não é fascinante como aquelas coisas que Milton Friedman (e outros) falava(m) (“gente, é importante entender o mecanismo de transmissão da política monetária”…) continua sendo uma fonte inegostável para que possamos entender melhor a realidade?

 

A Abenomics…

Deve-se ter cuidado com manchetes como esta pelo simples fato de que ela olha para o curto prazo apenas. Afinal, sabemos que: (i) há vários setores (desagregação) e (ii) a relação entre curto e longo prazo se dá pelas expectativas.

Os dados originais estão aqui.

Breve observação sobre a autocorrelação

Ao clicar na figura acima, que mostra o índice de condições econômicas do Japão, o leitor poderá consultar os dados originais. Este é o índice utilizado para se analisar os ciclos econômicos por lá. De qualquer forma, este índice é um composto de três sub-índices: o índice defasado (lagging), o coincidente (coincident) e o futuro (leading). Ok, traduções podem ser enganosas, mas você captou a idéia (ou vai dar um pulo lá na página original depois).

É interessante olhar para o aspecto de cada um dos índices no tempo. Repare, por exemplo, nas funções de autocorrelação da primeira diferença do logaritmo de cada um deles (com intervalos de confiança em α = 0.95). Ou seja, estou olhando para a autocorrelação da variação relativa mensal destes índices.

acf_coincident acf_lagging acf_leading

Não são nada parecidos, não? É interessante olhar para elas porque se você fizer o mesmo exercício para o nível do logaritmo de cada um deles, imaginará que são todos idênticos. Bem, as coisas nem sempre são o que parecem…

Depois a gente fala mais sobre isto.

Momento R do Dia – Gráficos (e Abenomics)

Fazia tempo que eu não falava da Abenomics aqui. Então, vou aproveitar para explorar alguns aspectos não-econômicos do tema. Ou seja, vamos falar um pouco da estética de apresentação de gráficos usando o R.

Primeiro, após ler este texto, eu pensei: por que não fazer um gráfico visualmente mais informativo e atraente para meus posts sobre a economia japonesa? Então, eu usei o método learning-by-doing (claro, com several mistakes) e cheguei a estas linhas de comando.

base <- read.table(file = "clipboard", sep = "\t", header=TRUE)
library(zoo)
Consumer<-ts(base$Consumer.Confidence.Index, start=c(2004,3),freq=12)
head(Consumer)
jp<-data.frame(time=index(Consumer), Co = Consumer)
library(ggplot2)
require(extrafont)
opts=theme(
  panel.background = element_rect(fill="darkolivegreen1"),
  panel.border = element_rect(colour="black", fill=NA),
  axis.line = element_line(size = 0.5, colour = "black"),
  axis.ticks = element_line(colour="black"),
  panel.grid.major = element_line(colour="white", linetype = 1),
  panel.grid.minor = element_blank(),
  axis.text.y = element_text(colour="black"),
  axis.text.x = element_text(colour="black"),
  text = element_text(size=14, family="xkcd"),
  legend.key = element_blank(),
  legend.position = c(.2,.75),
  legend.background = element_blank(),
  plot.title = element_text(size = 20)
)
ggplot(jp, mapping=aes(x=jp$time, y=jp$Co))+
   geom_line(color="green", size=1.5) +
  ggtitle("Indice de Confiança do Consumidor -com ajustamento sazonal") +
  xlab("meses") + ylab("Indice de Confianca do Consumidor") +
  geom_text(aes(max(jp$time), max(max(jp$Co)), hjust=1.2, family="xkcd", label="Leve recuperacao"), size=8)+
geom_hline(yintercept=45, linetype=2, size=1)+
scale_y_continuous(breaks=seq(0, max(max(jp$Co))+10, 10))+
  scale_x_continuous(breaks=seq(0, max(jp$time), 1))+
  opts

A primeira parte do comando apenas importa os dados e constrói a matriz com duas colunas: o índice de tempo e a série de dados em si. Isto porque quero explorar o ggplot2, não apenas fazer um gráfico. Em seguida, preparamos alguns elementos opcionais do gráfico (título, borda,fonte das letras, tamanho, etc). Além disso, eu resolvi estabelecer, arbitrariamente, uma linha de confiança no nível “45” do gráfico, apenas para ter uma referência. Também resolvi ver como ficaria a inclusão de um pequeno texto no gráfico chamando a atenção para a “leve recuperação” que, parece, ocorre no final do gráfico. Veja o resultado.

abenomics_junho

 

Não está tão bonito quanto o gráfico dos três porquinhos (veja o link indicado!), mas ficou mais bonito do que o gráfico da fonte de dados. Obviamente, faltam elementos no gráfico para que ele fique mais informativo, completo (como as notas de rodapé e tal), mas tudo depende do público-alvo e do tipo de meio de comunicação que você usa. Por exemplo, ninguém se queixa muito de um gráfico simples como o que aparece nesta aula rápida da McCloskey. Em algumas ocasiões, a gente só precisa de um gráfico simples porque podemos comentá-lo em uma aula ao vivo ou gravada.

Bom, é isto. Espero que tenha gostado. Eu, particularmente, gostei da visualização acima. Pode não ser tão útil para artigos em periódicos, com as normas da ABNT, etc, mas é muito simpático no que diz respeito a discussões online. Caso eu tenha tempo, aproveitarei para fazer algo similar com o PIB japonês aqui. Quem sabe não volto à discussão da Abenomics com uns gráficos mais simpáticos?

As dificuldades de sair da deflação e o peculiar “custo de menu” japonês

Interessante texto do Yen for Living, acerca do problema de se aumentar preços na economia japonesa. O brasileiro médio está acostumado a não saber quanto paga de imposto (e, curiosamente, também está acostumado a não reclamar com o governo, embora fique como uma criança se remoendo em casa todo amuadinho quando o leão lhe bate à porta…) e pode não entender bem o problema. Afinal, o Brasil ainda tem uma outra diferença com relação ao Japão neste aspecto: nós precisamos sair da inflação fora da meta (mais alta, no caso) e eles aumentaram a meta.

Mas veja que interessante:

The media is reporting that some retailers are taking advantage of the tax hike to carry out price-gouging (binjo neage), but it’s often difficult for the consumer to tell because there is no regulation at the moment that says what retailers have to indicate on price tags and advertisements. That’s because the 3 percent tax hike may be followed in October 2015 by another 2 percentage point increase, thus making the consumption tax 10 percent, so it was thought that it would be too much of a burden on retailers to force them to follow one pricing indication system right away. However, in April 2017 they will all have to indicate prices as totals that include the tax.

O problema não é tanto o aumento do imposto, mas a diversidade na forma de se comunicá-lo. Claro, entra o empreendedorismo até na hora de mostrar este problema (invertido) de custo de menu:

As for indication, most of the stores we visited showed the zeikomi somewhere on the price tags, but enough went the hontai-only or hontai-prominent route to make comparative shopping more of a chore. One particular supermarket, the relatively upscale Yaoko, implemented a novel system. Yaoko indicates the hontai in large print, with the zeikomi in smaller print and in parentheses, complete with decimal point, meaning that the price with tax has been calculated to the hundredth of a yen. Normally, retailers round the fraction down to the nearest ¥1 (unless you sell your wares or services through vending machines, which round the amount up or down to the nearest ¥10), but Yaoko calculates the final price as the total of all the items you purchase at one time.

O autor fala de zeikomi, o que significa o preço já com o imposto incluso e hontai, que é o preço livre de imposto. Interessante? Bem…

In a sense, this may sound more rational than rounding every price up or down on the price tag itself, but when we looked at our Yaoko receipt afterward we discovered that the fraction remaining after the items were totaled was then rounded up to the next yen. It doesn’t sound like much for one customer, but we’re talking thousands of customers a day. It isn’t price-gouging, but it’s definitely something.

Geralmente falamos de custos de cardápio (ou de menu) para falar de rigidez de preços em cursos de Macroeconomia. Lá, a idéia é a de que há custos em se mudar o cardápio e, portanto, preços demorariam a se ajustar a choques monetários.

Mas o cardápio aqui é um pouco diferente. Há um aumento de imposto e uma diversidade de formas de se comunicá-lo às pessoas com espaço para arredondamentos, digamos, distintos (e para o alto, claro). Aparentemente, os menus não estão gerando rigidez alguma, senão o contrário. ^_^

Voltando…

Oi pessoal. Foram dias de férias, então eu não consegui colocar nada aqui. Ainda há coisas por fazer (estes dias vão me exigir um pouco), mas fiquem com notícias da civilização.

É isto aí. Clicou na imagem, vai para a notícia. Aproveite para ver como vão as coisas no Japão.

É isto aí. Novamente: clicou, foi para a página original. Divirtam-se. Acho que o Thomaz estará mais presente aqui do que eu nestes dias.

Inflação calculada com dados em tempo (quase) real?

Pois é. Um dia destes um sujeito me falou que iria fazer isto. Segundo ele, seu aplicativo para celulares iria permitir o cálculo de uma inflação diária. Entretanto, sua arrogância e seu desprezo pelos métodos quantitativos (que ele chama, ignorantemente, de “métodos acadêmicos”) não o levaram a nada. Deve ser o aplicativo mais fracassado de todos os tempos.

Mas eu não perco a esperança na humanidade: há gente que faz. Vejam só que sensacioal o resumo deste trabalho:

We construct a Törnqvist daily price index using Japanese point of sale (POS) scanner data spanning from 1988 to 2013. We find the following. First, the POS based inflation rate tends to be about 0.5 percentage points lower than the CPI inflation rate, although the difference between the two varies over time. Second, the difference between the two measures is greatest from 1992 to 1994, when, following the burst of bubble economy in 1991, the POS inflation rate drops rapidly and turns negative in June 1992, while the CPI inflation rate remains positive until summer 1994. Third, the standard deviation of daily POS inflation is 1.1 percent compared to a standard deviation for the monthly change in the CPI of 0.2 percent, indicating that daily POS inflation is much more volatile, mainly due to frequent switching between regular and sale prices. We show that the volatility in daily inflation can be reduced by more than 20 percent by trimming the tails of product level price change distributions. Finally, if we measure price changes from one day to the next and construct a chained Törnqvist index, a strong chain drift arises so that the chained price index falls to 10 of the base value over the 25-year sample period, which is equivalent to an annual deflation rate of 60 percent. We provide evidence suggesting that one source of the chain drift is fluctuations in sales quantity before, during, and after a sale period.

Sensacional mesmo, não é? Enquanto alguns continuam chamando parte do conhecimento humano de uma simples “questão acadêmica”, criando um clima de obscurantismo, outros desprezam este bullshit talk e fazem o trabalho. O pessoal chegado em nacionalismos vai até notar que há um paper de uns brasileiros citados na bibliografia do artigo.

Taí um trabalho que eu gostaria de ter feito. Mas foi feito por dois autores lá do Japão, um deles da famosa Toudai, o professor Watanabe. Como é um trabalho em andamento, fiquei curioso para saber dos próximos passos. Tentarei acompanhar as publicações do pesquisador daqui para frente. Aliás, um outro trabalho, muito interessante, do autor é este, que mostra a diferença de choques monetários e reais na economia japonesa com alguns microfundamentos bem legais.

Abenomics e o ilusório poder do governo de mudar as elasticidades

Vejam como são as coisas, conforme esta ótima (para sala de aula, nem se fala) matéria do Japan Times:

Akihiko Matsui, who works at the Economics Research Center in the University of Tokyo, explained in Asahi how the “addition to price” (kakaku tenka) that reflects the tax hike works. At every stage of distribution, the seller has to collect a tax from the buyer and eventually hand it over to the government. A retailer who pays the levy to the supplier of a given product or service in turn adds that amount to the price of the product when he sells it. But demand for that product may decrease as the tax goes up, thus pushing the price back down. Matsui says that in the real world the retailer and the consumer split the tax since the seller offsets the hike with a slight discount in the price. He cites a survey by a Tokyo merchants association which found that only 60 percent said they would pass on the tax hike in full to consumers. Many also said they would probably make adjustments by increasing frequency of bargain sales or rates of discount for those bargain sales, or by offering bonuses for membership point programs.
Businesses, in order to maintain sales volumes, will likely absorb at least part of the consumption tax hike themselves, meaning consumers may not see as much of a dent in their buying power as they’ve been led to believe by the media, at least in the retail sector. It is a natural market phenomenon.

Nada de novo, certo? Mas espere. Tem mais.

Last October, the government implemented the Act Concerning Special Measures for Pass-on of the Consumption Tax Increase, which endeavors to compel businesses to add the increase directly to prices, with no adjustments. In carrying out this directive, the Fair Trade Commission has hired an army of 600 “G-men,” retired businessmen and bureaucrats who will patrol commercial districts to make sure companies are complying.

É isto mesmo que você leu. Depois a notícia segue dizendo que não há penalidades para quem descumpra a lei (leia-se: para quem faça o que consegue fazer, dadas as elasticidades-preço da demanda e da oferta). Então, além do desperdício de dinheiro público, o que mais poderia ser dito sobre esta estranha lei?

Apparently, it has to do with being responsible. As one of the G-men told Asahi, “It’s important to make consumers understand” that they have to pay their full share. The government’s justification for a consumption tax is that everyone, rich and poor, pays it equally, but that’s a delusion, because capitalism, especially the free-market type ostensibly worshipped by the ruling Liberal Democratic Party, favors those with the most economic power.

Um tanto quanto bizarro, não é? Então eu fui lá ver a legislação. Eis um trecho:

1 Compliance Rules on Specific Enterprises [Specific enterprises shall not conduct the following practices to specific supply enterprises.]

i. Price reduction/slashing
ii. Coerced purchase/coerced use of service, unfairly coerced offering of benefits
iii. Rejection of negotiation based on net-of-tax price
iv. Retaliate practices

Além disso aí, a mesma – ao contrário do Brasil – é sintética e breve. Isto me deixou curioso: como seria o sistema tributário japonês? Aí eu encontrei isto e isto. Nada muito diferente do que eu esperava mesmo: alguns impostos, um certo grau de federalismo fiscal, nada demais. Mas por que é que o governo resolveu lutar contra a realidade? Como visto acima, somente por uma questão de discurso político. Afinal, não há como escapar: as elasticidades-preço da oferta e da demanda é que darão o tom da sinfonia.

Quer escrever “Economist” em letras japonesas? Olha o título da garota aí.

Que ótima notícia

Esta aqui.

April 2, 2014
The time-series data of responses to the regularly asked questions in the Opinion Survey on the General Public’s Views and Behavior are now available in English on the Bank’s web site.

Infelizmente, a série é curta (você consegue abrir o link do arquivo csv direto no Excel). Mas já é alguma coisa. ^_^ Só para você ver uma parte da pesquisa (no item: Present Economic Conditions Compared with One Year Ago)

abenomics6

Aparentemente, o otimismo voltou à economia japonesa. Então são duas ótimas notícias: mais uma base de dados disponível e a felicidade da população de um país com a economia. Vamos ver até quando vai durar este casamento com a Abenomics.

Abenomics (Brookings Institution)

Aproveite e leia mais aqui. Eu sei, eu sei, a gente tem que responder uma questão básica antes para satisfazer alguns colegas que é a seguinte: choques monetários importam? Eles têm impactos reais? E isso tudo funciona…no Japão?

Não é fácil, empiricamente, responder porque a política em curso no Japão está dentro de um pacote de reformas que, com maior ou menor grau de simultaneidade, ocorrem ao mesmo tempo que o estímulo monetário.

Os autores dizem mais (segundo a resenha):

It is possible that Abenomics may work better than current estimates suggest if the Bank of Japan can give more credibility to its inflation target. Politics may partly explain this lack of credibility and could cause the Bank of Japan to have to reverse course, given that rising inflation could lower retiree incomes as well as the take-home pay of current workers. Time will tell if credibility improves and Abenomics outperforms current projections.

Então, veja só, a credibilidade do Banco Central está novamente em jogo no debate. Claro, isto não é tão estranho assim. Afinal, se você está falando de choques monetários (permanentes), então é inevitável falar de expectativas e, portanto, da credibilidade da Autoridade Monetária (AM) japonesa.

O rascunho (draft) do artigo tem outras discussões legais para quem estuda Economia. Vou destacar dois pontos.

Hiato do produto

Primeiramente, o hiato do estimado para o Japão é, nas medidas tradicionais, pequeno:

Official estimates of Japan’s output gap are small. In its October 2013 World Economic Outlook, the IMF estimated that Japan’s 2013 output gap would be -0.9 percent. In its November 2013 Economic Outlook, the OECD estimated that Japan’s 2013 output gap would be positive 0.1 percent. These measures suggest that there is little role for demand side policy in Japan: neither fiscal stimulus nor lower real interest rates will raise output if supply constraints are binding. In this case, the only arrow of Abenomics that matters is the third.

Como se percebe, estimar o hiato com as melhores técnicas é muito importante, certo? Um hiato pequeno significa que a política econômica terá um custo elevado. Mais ainda, uma prolongada estagnação pode não ser bem captada pelo uso do popular filtro HP ou, como dizem os autores, pelo método da estimação da função de produção (há anos orientei um excelente aluno que fez uma monografia sobre o tema, para o Brasil).

Como estimar o hiato do produto? No caso do Japão, os autores nos dizem que:

The CBO and the IMF measure potential output conditional on all resources being employed at their current capacity. But for the purpose of evaluating the potential effects of a prolonged demand side policy, we believe the correct measure of potential output conditions on resources having been close to fully-employed for some time.

Mas, ora bolas, que medida seria esta? Eles seguem Paul Krugman (que, quando não fala de política, é uma boa leitura) e usam a lei de Okun.

Krugman estimates Japan’s natural rate of unemployment as 2.5 percent. This was Japan’s average unemployment rate in the decade from 1982 through 1991. Again using data from the 1980s, Krugman argues that Japan’s Okun’s law coefficient is roughly six. These two estimates, combined with Japan’s 2013 unemployment rate (4.0 percent), suggest that the output gap in 2013 was roughly 6 (4 2:5) = 9 percent.

Os autores, corretamente, alertam que esta medida pode não ser a melhor dados os possíveis problemas que se pode ter em um mercado de trabalho. Uma outra opção, dizem, é usar o método de se olhar a tendência pré-depressão e projetá-la, conforme um artigo de Christina Romer. Finalmente, também citam a estimação do hiato pela previsão de especialistas.

Exportações e Yen

Os autores nos lembram que a relação da taxa de câmbio com as exportações nem sempre é óbvia.

An important reason why the effects were not larger is the behavior of net exports. Despite the 20 percent depreciation of the yen in spring 2013, real net exports deteriorated over the year (figure 5(b)). Of course, that nominal net exports fell is unsurprising. Whether a currency depreciation raises nominal net exports depends on the Marshall-Lerner condition. Assuming that net exports are initially zero, the sum of import and export elasticities must exceed one in order for depreciation to raise nominal net exports. This condition is unlikely to be satisfied immediately, but is generally assumed to hold in the long-run. Initially there is little response of quantities, so price effects dominate and the trade balance deteriorates. But long-run elasticities are larger, so eventually quantities adjust and nominal net exports rise above their pre-depreciation value. This is the so-called J-curve (Magee, 1973; Bahmani-Oskooee and Ratha, 2004).

Então, o problema da condição de Marshall-Lerner e a curva J voltam ao debate (keynesianos adoram isto…). O aluno mais familiarizado com os cursos de Macroeconomia -e que gosta de Macroeconomia Aberta – já tem algo para pensar aqui.

Para não ficarmos apenas na resenha parcial do texto, eis um gráfico para fazer inveja aos brasileiros: o da inflação mensal japonesa.

Ok, não fique com tanta inveja…exceto se você for pterodoxo de esquerda.

Ah, quer para meses mais recentes? Ok. Eu sou um cara justo. Vamos expurgar as políticas heterodoxas e ampliar o gráfico para que você possa visualizar melhor.

Pois é. A estabilização da moeda – esta que o governo atual está botando a perder lentamente para que ninguém sinta muito até as eleições – deu-nos uma inflação bem menos selvagem do que aquelas que nos foram fornecidas pelos choques heterodoxos.

Enquanto a meta da AM japonesa é chegar a 2% de inflação ao ano, a do Banco Central do Brasil (quando o Tombini se lembra de seus velhos tempos, claro) é a de tentar sair dos 6% e voltar para a meta: 4.5% ao ano.

Muita Abenomics por esta manhã, né? Então, até mais.

Consumo (de novo)

A Abenomics funcionará?

Desta vez, uma rápida passada de olhos nos dados oficiais japoneses e sem nada de expectativas, mas sim o que de fato ocorreu. Eu poderia fazer uma análise de elevador (subiu, caiu, caiu, subiu), mas aí seria muita moleza, né?

Repare que tem uma propensão média a consumir na tabela. Quem já estudou Macroeconomia básica já viu a Propensão Marginal a Consumir e, se deu sorte com o professor e também se pesquisou um pouco, já deve ter topado com a Propensão Média a Consumir. Sim, há um debate antigo envolvendo estes termos e a análise do consumo, mas fica para depois. Aproveite a dica para explorar as bases e dados do site.

Como o sistema tributário é um incentivo em si?

O blog Yen for Living tem um ótimo post hoje, sobre como o governo japonês afeta a produção de cerveja daquele país por meio de sua estrutura tributária. Acho uma lição interessante a do texto. Embora eu conheça gente que insiste em dizer que empresários são enganados pelo governo porque não são racionais e tudo o mais, a notícia mostra que, na verdade, é um pouco diferente: justamente por serem racionais, eles aprendem e reagem.

Não existe almoço grátis, meu caro e há um bom motivo para isto.

Abenomics ou não?

Domingo de manhã é um bom dia para falar de dois assuntos interessantes: língua japonesa e economia. Bom, pelo menos eu achei que era. De qualquer forma, vamos ao nosso pequeno texto (com desenho…digo, mapa!).

abenomicsornotDia 28 último saiu o relatório sobre a situação econômica regional do Japão. Não houve muitos comentários porque pouca gente fora do Japão se interessa pela questão regional…do Japão. Rapidamente, vamos para nossa prática de língua japonesa com meus comentários para ajudá-lo.

Na legenda do mapa, temos o que está acontecendo na economia japonesa conforme as regiões. Na ordem:

・着実に回復している - 沖縄
Chakujitsu ni kaifuku shite iru – Okinawa

Em outras palavras, a região de Okinawa vem se recuperando gradualmente, progressivamente (chakujitsu ni = progressivamente, kaifuku suru = recuperar. No caso, está em forma de gerúndio “-shiteiru”).

・回復している - 東北、東海
Kaifuku shite iru – Tōhoku, Tōkai

Para região de Touhoku (que sofreu com o tsunami de 2011) e Toukai (que não sofreu com o tsunami e, no mapa, é a área rosa menor, mais no centro do arquipélago), temos recuperação (kaifuku).

・緩やかに回復している - 北陸
Yuruyaka ni kaifuku shite iru – Hokuriku

Recuperação mais lenta (yuruyaka ni) na região de Hokuriku.

・緩やかに回復しつつある - 北関東、南関東、中国、四国、九州
Yuruyaka ni kaifuku shitsutsu aru – Kitakantō, Minamikantō, Chūgoku, Shikoku, Kyūshū

Para toda estas regiões mais centrais, recuperação lenta.

・持ち直している - 北海道、近畿
Mochinaoshite iru – Hokkaidō, Kinki

As regiões do extremo norte, Hokkaidou (a grande ilha lá no norte) e Kinki (já no centro sul do arquipélago) estão melhorando (no sentido de “improve”, “pick up”). Repare que, curiosamente, a legenda é um amarelo que, no mapa, está mais para um bege ou algo menos intenso.

Pois é. Você achava que o Japão era apenas um pedaço (ou vários pedaços) de terra com um monte de japoneses lá, não é? Bem, ainda é isso, mas a diversidade regional é notável. Você tem um norte e um sul bem menos desenvolvidos do que a parte central. Também há uma diversidade linguística que poucos parecem conhecer ou apreciar (hoje em dia, por conta da imensa comunidade de descendentes da região de Okinawa no Brasil, já se conhece um pouco sobre a questão da língua falada por lá antes da anexação lá em algum momento passado da história japonesa). Mas há muito mais do que isto e pesquisar sobre o tema é relativamente fácil.

Mas voltando ao tema da economia, muita calma antes de dizer que a economia está se recuperando por causa da política econômica do Primeiro-Ministro Abe. Como citei aqui outro dia, há um interessante artigo (Hayashi, T. “Is it Abenomics or Post-Disaster Recovery? A Counterfactual Analysis”, International Advances in Economics Research, 2014, v.20, p.23-31) que discute exatamente este problema de discernir, estatisticamente, uma coisa da outra.

Para onde vai a economia japonesa? Bom, por enquanto, tudo o que eu posso dizer é que a expectativa do aumento no imposto sobre consumo (citada no relatório, segundo meu pouco conhecimento da língua japonesa) é uma preocupação. Como já comentei antes por aqui (use a caixa de pesquisa lá no alto e busque “Abenomics”, caso queira ver o que eu disse), o problema está não apenas na questão intertemporal do impacto do aumento do imposto, mas também no problema dos salários nominais cujo aumento, caso haja, certamente (“certamente” é um tanto quanto forte, mas vamos lá…) não será generalizado para todos os setores da economia japonesa.

Um ex-aluno meu, o Igor, perguntou-me na terça-feira, sobre o porquê desta minha insistência (tara, fascinação, obsessão, etc) pela Abenomics. Olha, a resposta mais simples é que o Japão. Como não se sentir atraído por uma economia tão interessante? Ou pode ter a ver com alguma busca de raízes (freudianos, trabalhem!). Ou, simplesmente, porque eu escolhi o tema para praticar um pouco e aprender a usar alguns comandos do R. Talvez tenha sido o tema em uma das aulas de língua japonesa e e eu resolvi praticar. Realmente não sei como comecei com isto. Mas uma coisa eu sei: não vou parar tão cedo.

Os consumidores percebem mudanças no ciclo econômico? (pensamentos sobre a Abenomics)

Tenho falado muito por aqui sobre a Abenomics. Hoje vou usar os dados da economia japonesa para outro exercício que, basicamente, é uma aplicação econométrica popular e, digamos, muito útil para iniciar uma análise de dados. Em outras palavras: pode até ser que você não siga com os resultados depois mas, bem, alguém tem que começar a pesquisar as relações para, depois, poder descartá-las ou criticá-las, certo?

Encare, pois, este texto, como um exercício de Econometria Aplicada. A pergunta que se pretende responder é a do título (obviamente). Então, em primeiro lugar, vejamos um pouco sobre o ciclo econômico.

Ciclo Econômico

O ciclo econômico é o objeto de desejo do economista, par excellence. Melhor dizendo, o economista ficaria muito feliz se entendesse os ciclos econômicos, detalhando seu (e nosso) conhecimento sobre suas causas, efeitos, etc. Uma das formas de fazer isto é por meio da criação de variáveis que possam ter alguma correlação com o ciclo. Estes índices, por assim dizer, podem ser testados afim de se verificar sua efetiva utilidade como previsores neste divertido, mas difícil exercício.

Em primeiro lugar, vejamos esta didática – mas não necessariamente simples – explicação sobre os índices de ciclos econômicos da economia japonesa nos dá o tom.

The indexes of business conditions are summary measures for aggregate economic activity. They are designed to be a useful tool for analyzing current conditions, and for forecasting future economic conditions. They are indexes that combine the behavior of key cyclical indicators that represent widely differing activities of the economy such as production, employment, and many more.

The composite indexes are used to identify the volume of overall business activities by composing percentage changes of selected indicators. On the other hand, diffusion indexes are used to determine turning points of the business cycle, among other purposes, by counting changes in directions of selected indicators.

Ok, sem muitas novidades. Em resumo: quer-se identificar ciclos econômicos. Os mais velhos devem se lembrar do livrinho do Claudio R. Contador, de 1977, no qual o meu xará calculava indicadores como este para a economia brasileira. É, foi publicado pelo IPEA lá nos tempos de inflação alta.

Bom, mais um pouco.

  There are three types of composite indexes:

1) The leading CI
This tends to precede the coincident CI by a few months, and is used to anticipate changes in the direction of the economy.

2) The coincident CI
This coincides with the business cycle, and is used to identify the current state of the economy.

3) The lagging CI
This tends to lag behind the coincident CI by about six months,and is used to confirm turning points and business cycle phases.

Então temos três tipos de índices. Um que precede o ciclo econômico (ou que pretende precedê-lo), um que coincide com o mesmo e, finalmente, um que vem com algum atraso, geralmente  seis meses, depois do ciclo. Em outras palavras, digamos que há uma queda na atividade econômica (medida pelo PIB, por exemplo). Então, o primeiro índice indicará uma queda antes da mesma, o outro deverá cair no mesmo momento e, finalmente, o último índice mostrará a queda com algum atraso.

Em 1977, o IPEA publicava este útil estudo sobre ciclos econômicos...

Em 1977, o IPEA publicava este útil estudo sobre ciclos econômicos…

Temos três formas de medir a atividade econômica, portanto e, sim, defasagens são importantes! Eu sei que você já leu isto no livro de Econometria e se esqueceu. Bem, dê uma olhada lá. Vamos em frente.

A confiança está no fio do bigode…

…dizia o seu avô, não? Mas vamos falar da confiança relacionada ao futuro da atividade econômica? É possível que um aumento no sentimento de confiança da população seja sinônimo de aumento de consumo hoje? Ou seja, ainda que não saibamos ao certo o que ocorrerá ao futuro (que a Deus pertence, para lembrar outro dito popular), seria possível que já nos antecipássemos ao aumento futuro do PIB que esperamos (e, portanto, antecipamos) e já aumentássemos o consumo neste instante?

A resposta, veja, é um sonoro “sim”. É possível que o futuro incerto – porém estimado por qualquer um – possa afetar suas decisões de consumo hoje. Caso alguém espere um filho para daqui a seis meses, ainda que as chances de complicações na gravidez existam, é provável que já comece a ajustar seu consumo hoje. Isto não quer dizer que não haverá aborto e nem que a criança nasça com problemas ou que a mãe venha a falecer no parto alterando, em todos os casos citados, o consumo médio do pai azarado. Mas a simples expectativa quanto ao futuro já alterou o consumo presente.

O tema não é novo em Economia e, claro, há quem ganhe dinheiro construindo índices de confiança ou fazendo pesquisas de opinião. Em nosso caso, temos o índice de confiança do consumidor japonês já ajustado sazonalmente. Um pouco sobre este índice:

  • Consumer perceptions of the following four categories are surveyed: overall livelihood, income growth, employment and willingness to buy durable goods. Respondents are asked to evaluate on a scale of one to five what they consider the prospects to be for the four subjects over the next six months.

  • Points are then allotted in accordance with the one-to-five scale for each category based on the anticipated effects on consumption. The consumer perception index is calculated by computing the weighted average of the points of the results (component ratio).

Consumer perception index:
 The following evaluation points in the five response categories are multiplied by the component ratio(%) and totaled: positive responses (improve +1), (improve slightly +0.75); neutral response (no change +0.5); negative responses (worsen slightly+0.25), (worsen +0).
  • The consumer confidence index (original figure) is then calculated by simply averaging four consumer perception indexes (original figures).

(note) Before the April 2004 survey, the consumer confidence index was the symple avarage (simple average) of five consumer perception indexes including perception of price. From the April 2004 survey, price expectation was introduced as a quantitative questionnaire.

Pronto. Fiz uma pequena correção no texto acima, mas você pegou a idéia, não? Faz-se uma pesquisa amostral com algumas perguntas e constrói-se o tal índice. As dimensões envolvidas no cálculo são basicamente relacionadas a aspectos do ambiente econômico.

Será que o ciclo econômico é importante para os consumidores?

É de se esperar que a resposta seja positiva, pelo que já foi dito acima. Estudar esta relação tem vários aspectos importantes, mas vou me ater ao aspecto didático-pedagógico do mesmo. Meu objetivo aqui é falar um pouco sobre como iniciar a pesquisa desta relação entre as duas variáveis.

A hipótese que me vem à cabeça é a seguinte: será que um aumento ou uma queda (enfim, variações) do ciclo econômico tem algum impacto (ou seja, causa variações) na confiança dos consumidores?

Com todas as limitações metodológicas, as variáveis escolhidas foram o índice coincidente e, claro, o índice de expectativas. Transformá-los em variações é muito simples. Os comandos, em R:

dlconf=diff(log(cons_confidence_index))
dlcoin=diff(log(coincid))

Pronto. Temos as variações relativas de ambos. É fácil ver – neste texto de internet, apenas visualmente, sem testes, ok? – que ambas as séries não apresentam tendência.

abe_consumo

Vamos fazer um exercício aplicado em R com o pacote lmtest, ideal para uma bateria de testes econométricos daqueles que seu professor adora pedir, por exemplo, o teste de causalidade de Granger. Basicamente, o conceito envolve a idéia de que uma série de tempo pode “Granger-causar” a outra se existirem evidências de que defasagens desta ajudem a prever aquela.

A amostra foi delimitada para 2006.01 – 2013.12 (dados mensais) por pura conveniência (as amostras têm comprimento distinto no tempo). Feito isto, fiz primeiro o teste de causalidade de Granger para diferentes comprimentos de defasagem (de 1 a 6), para ver se a confiança do consumidor “Granger-causa” o índice de confiança. Minha hipótese é que isto não deve ocorrer, mas sim o oposto. Então, como diria Dexter, vamos por partes.

No R, o comando abaixo foi alterado apenas no “order”. Fiz de 1 a 6.

library(lmtest)
grangertest(window(dlconf,start=c(2006,1)),window(dlcoin,start=c(2006,1)), order=4)

Vejamos os resultados para a hipótese nula de que defasagens da confiança “Granger-causam” o ciclo econômico.

grangertest(window(dlconf,start=c(2006,1)),window(dlcoin,start=c(2006,1)), order=6)
Granger causality test

Model 1: window(dlcoin, start = c(2006, 1)) ~ Lags(window(dlcoin, start = c(2006, 1)), 1:6) + Lags(window(dlconf, start = c(2006, 1)), 1:6)
Model 2: window(dlcoin, start = c(2006, 1)) ~ Lags(window(dlcoin, start = c(2006, 1)), 1:6)

Res.Df    Df        F     Pr(>F)
1      77
2      83   -6   1.1819   0.3248

Os resultados nos dizem que dificilmente a inclusão das seis defasagens da confiança “Granger-causam” o ciclo (embora haja toda aquela polêmica, estou pensando no p-valor).  Claro que devemos comparar estes resultados com o teste oposto, ou seja, o de se o ciclo “Granger-causa” a confiança. Usando seis defasagens:

grangertest(window(dlcoin,start=c(2006,1)),window(dlconf,start=c(2006,1)), order=6)

Granger causality test
Model 1: window(dlconf, start = c(2006, 1)) ~ Lags(window(dlconf, start = c(2006, 1)), 1:6) + Lags(window(dlcoin, start = c(2006, 1)), 1:6)

Model 2: window(dlconf, start = c(2006, 1)) ~ Lags(window(dlconf, start = c(2006, 1)), 1:6)

Res.Df    Df             F    Pr(>F)
1             77
2             83    -6 4.5306   0.0005529 ***

Signif. codes: 0 ‘***’ 0.001 ‘**’ 0.01 ‘*’ 0.05 ‘.’ 0.1 ‘ ’ 1

Bem diferente, não? Aqui temos que o passado do índice coincidente (que estou usando como proxy do ciclo) ajuda a explicar a confiança atual. Agora que você já viu como se faz os comandos em R, veja um resumo dos resultados para todas as defasagens.

H0: Confiança não-Granger causa Atividade Econômica

Defasagens    P-Valor

1                    0.23
2                    0.49
3                    0.43
4                    0.56
5                    0.46
6                    0.32

H0: Atividade Econômica não-Granger causa Consumo

Defasagens    P-Valor

1                    0.1469
2                    0.0006786
3                    0.00003838
4                    0.0001213
5                    0.0005903
6                    0.0005529

Temos vários resultados e, a maioria deles, diz-nos que a causalidade é da atividade econômica para a confiança. O único resultado mais incerto é da primeira defasagem, no qual esta relação de causalidade parece tornar-se mais fraca, no sentido de que nem a confiança Granger-causa a atividade econômica e nem o contrário.

Algumas limitações e…

O leitor mais versado em Econometria certamente vai levantar alguns pontos. Há os que preferirão discutir a questão dos resíduos destas doze estimações e eles têm minha simpatia: sim, para se aprofundar mais a análise é necessário checar isto. Outros preferem usar algum daqueles critérios de informação (como o de Akaike (AIC) e afins). É outra opção e a literatura é cheia de referências sobre quando eles são ou não úteis.

Há quem queira ver a necessidade de se incluir dummies sazonais e isto pode ser feito no teste (mas, no R, teríamos que fazer isto de outro jeito). O teste de Granger comporta a inclusão de termos deterministas como dummies. Entretanto, eu não fiz nenhum exercício de monitoramento destas séries cujo comprimento é, convenhamos, bem reduzido para que os resultados valham a pena todo o trabalho.

…pontos teóricos para se costurar e…

Digamos que este exercício tem alguma validade empírica – e eu acredito que, sim, ele tem – e que queiramos explorar um pouco mais este resultado em termos de nossas teorias sobre como o consumo varia ao longo do tempo.

O resultado acima nos diz que a expectativa do consumo é uma variável relacionada com a atividade econômica. A pergunta seguinte seria: como se formam estas expectativas (uma pergunta bem diferente de “como se constrói um índice de expectativas do consumidor”). Qual o processo subjacente desta expectativa de consumo na cabeça do indivíduo? É um processo estocástico? Não? Como ele deveria ser modelado?

E o que dizer da influência da atividade econômica sobre a expectativa do consumo? É importante? Como é que ela opera? Qual a explicação destes resultados? E aquela história de choques temporários e permanentes (e, portanto, da renda permanente)? Como ficam estes conceitos nesta nossa análise? E a expectativa de inflação? E a taxa de câmbio? O pós-guerra faz diferença? Daí por diante são diversas avenidas que se pode tomar para a empreitada da pesquisa.

…nossa conclusão

A discussão sobre a política do primeiro-ministro Abe envolve, sim, a questão das expectativas quanto ao futuro da economia. A perspectiva de queda do consumo devido ao aumento do imposto que se aproxima (em Abril) não deve ser desconsiderada. Quanto disto já se traduz em queda de consumo atual é algo que eu gostaria de pesquisar.

Há quem pense que meu tempo em pesquisa seja apenas um estorvo e que eu deveria esfregar o chão da sala de algum outro professor ou que eu deveria me dedicar ao delicado exercício de tirar o pó de cadeiras. Pode ser. Mas ainda acho que a maior eficiência está na divisão de trabalho utilizada de forma inteligente. Qual é esta melhor forma, bem, vocês, leitores, podem me ajudar a descobrir. Acho que é um problema hayekiano bem típico. Espero que, no final de tudo, você tenha percebido mais um pouco como a Economia pode ser interessante.

Mais Abenomics

A política econômica da administração Abe é-me um mistério. Bom, nem tanto, mas algumas coisas soam contraditórias. Hoje descobri um pouco mais sobre isto. Veja esta entrevista com o que estão chamando de “braço direito” do primeiro-ministro, o prof. Etsuro Honda. Ele pertence à Universidade de Shizuoka, mas não parece ser um acadêmico no sentido estrito do termo (pesquisador).

Mas vamos à entrevista. O trecho que gostaria de destacar é este:

A Abenomics é uma política de crescimento baseada no estímulo ao consumo e aos salários ou, como alegam seus críticos, baseada no aumento das exportações pela via da desvalorização do iene?

O Banco do Japão fixou no ano passado a meta de inflação de 2% e adotou uma política de afrouxo monetário como meio de atingi-la em abril de 2015. A Abenomics, com seus estímulos monetários e fiscais, é o meio de mudar a mentalidade empresarial ainda apegada à deflação. Nos últimos 15 anos, o mercado de trabalho e as instalações industriais não se renovaram. A desvalorização do iene é necessária para alcançarmos a meta de inflação de 2%. Em dezembro de 2013, o índice de preços subiu 1,3%, principalmente por causa da desvalorização cambial. O alvo final do Abenomics é criar um círculo virtuoso de aumento de consumo, de preços e de produção. Quando a inflação alcançar 2%, o PIB potencial vai subir. O PIB real está agora bem acima do PIB potencial, de 0,5%, segundo o Banco do Japão. Para este ano fiscal, que se encerra em março, estimamos crescimento real da economia de 2,6%.

Honda se mostra bastante cuidadoso – e está correto – no que diz respeito ao assunto mais polêmico lá no Japão que é o aumento do imposto sobre consumo. Afinal a dívida pública japonesa é, realmente muito alta, em termos do PIB e, pelo visto, o governo não pensa que ela seja facilmente sustentável sem um aumento de receita ou não arriscaria uma medida tão impopular…

O aumento já foi decidido há mais tempo e, claro, o consumidor já se antecipou e certamente já se ajustou para o período das vacas magras. Acho que ninguém duvida disto. Podem me falar de economia comportamental, rigidez de preços, expectativas loucas, etc, mas eu aposto que os consumidores já se anteciparam.

Entretanto, e aí entra a política de Abe e Honda, o que se pretende é um crescimento da economia com inflação e, ponto difícil, aumento de salários nominais. Os sinais que o consumidor percebem, portanto, são distintos. Primeiro, há o crescimento econômico com inflação e, portanto, com corrosão do poder de compra. Para piorar, há o aumento de impostos.

Há aí, creio, um efeito barro-ricardiano, já que o aumento de impostos tem a ver com a saúde fiscal do governo. Ou seja, para quem já estudou isto em Macroeconomia, é possível que o aumento de impostos, por si só, não tenha muito impacto nos gastos de consumo. Suponha que seja este o caso, só para anularmos este efeito da análise. Ainda assim, há a inflação que, pretende-se, chegue a 2% ao ano. Caso isto ocorra, então como poderá a economia crescer com queda de poder real de compra?

Você pode estar pensando que eu vou dizer: há o setor externo! Desvalorize a taxa de câmbio e cresça “para fora”. Ocorre que o setor externo não representa uma parcela tão grande do PIB japonês. Aliás, o autor linkado merece ter um trecho citado aqui. Veja:

Myth #1: “Japan is an export-dependent country.”

Actually, exports are a smaller part of Japan’s economy (16%) than that of most rich nations’ (though bigger than the U.S.). Also, Japan hasn’t had a big trade surplus for a while.

Myth #2: “Japanese households save a lot.”

This used to be true, but isn’t true anymore. The household savings rate nearly hit 0% in 2008 and is only around 2% now (America’s is around 5%). 

Myth #3: “Japan is a top-down economy guided by industrial policy.”

This used to be true, but isn’t anymore. The influence of METI (formerly MITI) has been curbed substantially. The Ministry of Finance still has a lot of power over banks, but this is true in other rich countries too and is generally what happens after a big banking crisis.

Pois é. Não adianta crescer tanto para fora. A autoridade monetária japonesa (o BoJ) tem um relatório mensal (e o último está aqui, traduzido) que você deveria ler para se atualizar sobre a economia japonesa. Eu dei uma olhada rápida e, bem, ainda continuo pensando que esta política é um prato cheio para qualquer aluno interessado em Macroeconomia (alguém já disse que a economia japonesa é um caso atípico. Acho que foi Paul Samuelson…). Não é todo dia que você vê um governo lutar para sair da deflação. Entretanto, este é exatamente o caso da economia japonesa.

Vamos ver se eu consigo trabalhar um pouco melhor com estas notícias, relatórios e dados…nos próximos posts. Por enquanto fique com este grupo (街角景気 – Machikado Keiki – algo como: Condições Econômicas das Ruas) que prometeu encurtar as saias (isto mesmo!) conforme a economia japonesa melhore. Segundo o site:

The concept of the unit is that the length of the skirts worn at their concerts is determined by the economic situation and the evolution of the Nikkei stock average. It is based on an observation : in Japan, during the periods of economic growth, the miniskirts become more popular, and vice versa during the decline periods. From an initial amount of 10000 yens, the scale has been fixed to the following values :

  • 9000 – 9999 yens : long skirt

  • 10000 – 11999 yens : middle skirt

  • 12000 – 12999 yens : mini-skirt

  • 13000 – 13999 yens : no skirt!

  • 14000 – 14999 yens : ultimate version

  • 15000 – 15999 yens : cake mini-skirt

  • 16000 – 19999 yens : Japan Break

  • over 20000 yens : Shinzo Abe (prime minister) is invited to become the center of the idol group

Obviamente, o mais curioso é se alguém vai enxergar Abe no meio das meninas quando elas estiverem usando sabe-se-lá-o-que… (o pouco que eu entendi da letra é bem…digamos, econômica). Bom, não me parece que o grupo vá ter uma vida longa, mas eis aí uma amostra de sua música.

Dois curtos textos bem didáticos

O Bank of Japan (BOJ, a autoridade monetária deles) tem dois pequenos textos bem didáticos sobre a mensuração do produto potencial e também sobre os efeitos do terremoto/tsunami no Japão.

Não é tão difícil um aluno de graduação fazer coisa similar, né?

Rent-Seeking é isso aí

Como já falei antes, aqui mesmo, as relações entre a TEPCO e o governo japonês nunca foram, digamos assim, um bom exemplo de uma mercado privado funcionando em uma economia liberal. Além do amakudari, agora temos alguns dados sobre as doações feitas por executivos da TEPCO a certos políticos.

Claro que doar não é um problema em si. Há, por exemplo, partidos políticos, no Brasil, que até obrigam seus militantes que ocupam cargos públicos a “doar” (doar?) parte de seu salário ao mesmo. Mas quando as doações influenciam nas votações (um clássico problema de Public Choice), então a democracia se transforma em um motor anti-bem-estar-social e, portanto, anti-mercado.

p.s. veja uma análise interessante sobre o problema político e a energia nuclear no Japão aqui.

Mercados unem, guerras…não

Durante a IIa Guerra Mundial, os japoneses tentaram obter recursos com base na versão estendida da Teoria da Dependência: se és dependente, deixe de sê-lo, nem que seja na base da porrada.

Agora, veja só, chineses e coreanos estão felicíssimos de vender para o Japão e, claro, o Japão está achando ótimo que o país possa ser reconstruído. O melhor de tudo é que não há guerra e, quem sabe, não vão fazer o contrário do modelo bolivariano-atrás-do-armário (vulgo “brasileiro”) e não cortam uns impostos?