Animalis Economicus

Psychonomic Bulletin & Review, 2002, 9 (3), 482-488

Self-control by pigeons in the prisoner’s dilemma
FOREST BAKER and HOWARD RACHLIN 

Pigeons played a repeated prisoner’s dilemma game against a computer that reflected their choices: If a pigeon cooperated on trial n, the computer cooperated on trial n +1; if the pigeon defected on trial n, the computer defected on trial n + 1. Cooperation thus maximized reinforcement in the long term, but defection was worth more on the current trial. Under these circumstances, pigeons normally defect. However, when a signal correlated with the pigeon’s previous choice immediately followed each current trial choice, some pigeons learned to cooperate. Furthermore, cooperation was higher when trials were close together in time than when they were separated by long intertrial intervals

Ficou difícil reclamar do paradigma do homo economicus de uns tempos para cá. O melhor é, realmente, deixar os preconceitos e os livros de auto-ajuda e partir para análises mais detalhadas dos comportamentos humanos e não-humanos.

p.s. (mal-humorado) Tem muita coisa interessante por aí mas pouca gente querendo pesquisar. Fazer política, gazetear e se fazer de vítima dá mais ibope entre os amiguinhos (como sempre foi). Sim, por isso vamos patinar muito nos testes mundias de educação.

Economia Comportamental: o encontro na USP (brevíssimas notas)

20141111_130541Há muito o que falar. Mas, antes, vou deixar aqui algumas das dicas que consegui, sem muita habilidade, pegar das apresentações da tarde. Primeiro, este vídeo sobre incentivos e uso da água (algo que o nosso governo poderia usar, se fosse eficiente…na verdade, é irônico que uma carta com “nossos governos vizinhos estão fazendo melhor do que você” escrito nela não nos levaria a um lugar melhor, mas…).

Outra dica são estes blogs: o da CVM, sobre economia comportamental, e o do pessoal do encontro. Este portal já deve ser conhecido de alguns e, claro, a história do Katona é uma curiosidade “arqueológica” única.

A idéia de vender o peixe como Ciências Comportamentais, discutida, parece-me legal. Não pude ficar até o fim do encontro, para o momento do debate, ou perderia meu vôo, mas imagino que esta tenha sido uma das idéias mais interessantes do encontro, para livrar as pessoas dos preconceitos e afins.

Outro ponto legal é ouvir que lá, na Psicologia, o pessoal não tem preconceito ou problema com a racionalidade. Há quem ache que as pessoas agem irracionalmente, mas não é a leviandade que ouço da boca de gente que critica sem ler. Claro, ainda há muito o que ser feito antes de sair por aí dizendo que pessoas são estúpidas.

Ah sim, a idéia de que elasticidade-preço da demanda e a própria demanda são mais do que conceitos exclusivos da humanidade é algo que sempre achei interessante e, claro, aparece em experimentos com animais (sim, isso mesmo). Bom, eu nunca vi dialética marxista entre formigas, mas lei de demanda…(fascinante, não?).

Pela manhã, alguns painéis foram apresentados e eis um resumo visual.

20141111_123810 20141111_123754 20141111_123744 20141111_123736Pois é. Muita coisa, não? Espero que o pessoal do encontro publique algo lá no blog (vídeos, fotos ou mesmo transparências apresentadas, quando possível) porque, quem já conhece um pouco, vai adorar.

 

Valores sociais, trocas e experimentos

Why do internet business people exhibit more other regarding behavior than students? Common wisdom suggests that pro-social characteristics would be selected away from in the anonymous online world. However, it is precisely in semi-anonymous situations where trust is at a premium suggesting the opposite selection.

(…)

We fi nd sparse evidence to support the Levitt and List (2007) selection hypothesis. While our priors were that internet business people would exhibit less pro-social behavior than students indeed we expected that the purely self-interest homo economicus models would o er excellent predictions we wanted to see the evidence for ourselves.

We were surprised by what we found. Across dimensions of trust, altruism, monitoring, and lying, internet business people were more pro-social than students. Moreover, the di erences were not small. Compared to students in the lab, internet business people were twice as likely to both be trustworthy and over 50% more likely to trust in a trust game. Internet business people contributed
over 250% more in dictator games. They lie one-third less often than students. The e ffects are more muted compared to students in the fi eld, suggesting that fi eld settings, in part, promote pro-sociality; however, even here, internet business people were, on the whole “nicer” than students.

Não sei não, mas acho que o pessoal de Economia Experimental é que vai gostar deste working paper.

Racionalidade, Vernon Smith e alguns pitacos raivosos sobre uma selva inóspita

William Easterly faz uma resenha do novo livro de Vernon Smith que, apesar de ter ganho o Nobel em Economia Experimental e estudar questões da racionalidade, é olimpicamente ignorado pela pterodoxia brasileira. O interessante é que, usando o dilema dos prisioneiros, Smith encontra:

An example is the well-known two-player game, the prisoner’s dilemma, when each player gets a higher payoff by cheating if the other doesn’t. The payoff is still very high if neither cheat, and it is the lowest if both cheat. Rational behavior predicts that both players cheat and hence wind up with the lowest payoff. Yet laboratory experiments with real human subjects and real money find that both refrain from cheating surprisingly often.

So players are behaving “irrationally,” yet Smith points out that they have managed to get a better outcome than what “rational” behavior would achieve. He argues that players have unconscious social norms of “fair” behavior (and also they may find ways of “socially” signaling to each other these norms, since one thing we know about humans is that their social skills are highly advanced). Unconscious sociability allows humans to realize gains from social exchange that cannot be captured by the explicit “rational decision” model. He finds more evidence for this idea by subtle variations in the social context of the experiment.

Em outras palavras, para o desespero dos “torcedores contra a racionalidade”, a racionalidade parece ser algo bem mais presente em nossa vida do que apenas nas preferências dos indivíduos. Se Smith estiver correto – e vamos supor que está, apenas para exercício – então os economistas poderiam aprender muito sobre o comportamento individual se se unissem a psicólogos e sociólogos que não têm medo, nem preconceito ideológico (ou demente) contra coleta e análise de dados que vão além das médias e desvios-padrões. O ganho, aliás, seria mútuo.

Mas, claro, isto é só o começo. Se quiser conhecer mais sobre o tema, veja algumas das publicações de Vernon Smith.

p.s. nota pterodoxa: sejamos justos, na selva brasileira, todo mundo que é da torcida citada fala que ou a teoria dos jogos é uma “reação contra a malvada economia neoclássica Darth Vader” ou que “Axelrod mostrou que na prática não era bem assim”. Esclarecendo: toda mudança no formato de um paradigma científico (mesmo que alguns achem que ele foi trocado por outro) começa com inovações e, segundo, Axelrod é muito citado, pouco lido e, pior ainda, Vernon Smith é apenas um dos que começaram onde Axelrod parou…e a pterodoxia sequer se deu o trabalho de ler porque estava preocupada em gritar na arquibacanda seu mantra contra a “racionalidade”…

A picaretagem universitária

Excelente texto (pequeno, mas cheio de informações) do Al Roth sobre a picaretagem dos cursos universitários que vendem gato por lebre. Melhor trecho:

In the United States, the focus seems to be on degrees. (If you type “college degrees” into Google, you find a number of intriguing options, including one that offers a degree in a week. Of course, maybe they have discovered a teaching and learning technology that we should all emulate…)

O negrito é por minha conta. Realmente é de uma picaretagem sem tamanho, não?

Hobbes tinha razão?

Anarchy, Groups, and Conflict: An Experiment on the Emergence of Protective Associations

Adam C. Smith, David B. Skarbek, Bart J. Wilson

Abstract: This paper examines group formation in a setting in which participants are endowed with a commodity that can be used to either generate earnings, plunder others, or protect against plunder. In our primary treatment, participants are allowed to form groups for the purpose of pooling resources. We also conduct a baseline comparison treatment that does not allow group formation. We find that allowing subjects to form groups endogenously does not lead to more cooperation and may in fact exacerbate tendencies for conflict.

Eis um experimento, para mim, contra-intuitivo (exceto se você disser que o aumento do número de membros em um grupo, em um mundo com vários grupos, aumenta o custo de transação de comunicação entre eles e, assim, pode haver menos cooperação). Mesmo com este longo parênteses, eu ainda me sinto desconfortável com o resultado.

Interessante trabalho, não?

Ilusão Monetária

Este trabalho mostra que estudantes de economia provavelmente escolhem o curso porque têm boa intuição dos fenômenos econômicos como a ilusão monetária. Se assim o é, diz o autor, trabalhos de economia experimental que usam amostragens de estudantes universitários deveriam levar isto em conta. Interessante.

Será que alunos de Sociologia, Psicologia, Medicina, etc, também se comportam assim? Eu aposto que estudos similares revelariam resultados similares…

Economia Experimental

Meu irmão me envia esta interessante reportagem de como um empreendedor esperto usa a Economia Experimental para maximizar sua utilidade. Economia Experimental é coisa séria. Em países nos quais empresários ganham mais tentando descobrir o que desejam os consumidores do que puxando o saco dos burocratas “PACacete”, para ver se arrancam dinheiro dos mesmos consumidores mas sem terem que se preocupar com eles, há um incentivo claro para que se use o que há de melhor em conhecimento.

A Economia Experimental é algo que merece a atenção de quem busca mais conhecimento (quantos Ph.D.s brasileiros aprenderam o mínimo sobre isto?) e mais lucro (quantos empresários da selva brasileira conseguem pensar adequadamente em como aproveitar recursos como este em sua busca pelo lucro?). Claro, claro, o governo nunca considerou os estudos em “Economia Experimental” como um “setor estratégico”. Pensando bem, melhor assim. Ou este se transformará em mais um campo morto de conhecimento, mas cheio de enganadores e rent-seekers…