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Medicina preventiva = economia?

Sim. Veja o caso do Japão, por exemplo.

 The city of Amagasaki did a study from 2008 to 2011 that found during these four years the average amount of money spent by the health insurance system on a resident who had undergone the checkups “and received medical advice” — about 65,000 people — was ¥990,000 less than the money spent on a resident who didn’t receive the checkup. However, Kure, in Hiroshima Prefecture, managed to decrease its outlays for medical care by ¥160 million in 2011-12 by eliminating “unnecessary” examinations, meaning they actively discourage residents from seeing a doctor for routine matters, and didn’t promote the special checkups, either. 

 

Neste sentido, empresas de seguro-saúde privadas que adotam a mesma política estão promovendo um corte em seus custos com qualidade. Isso é poupar a saúde pública de gastos também. Vale no Japão e, você sabe, também vale no Brasil.

Ou você acha que o melhor é remediar antes de prevenir?

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Vovô não quer BigMac. E agora, Ricardo?

Eis aí algo que é verdade aqui ou no Japão. O texto do casal de blogueiros é recheado de elementos que você pode usar para discutir com seus amigos, professores ou, claro, com seu avô. Eu ainda destacaria um ponto específico, além do demográfico: a questão ricardiana. Cito com negrito por minha conta:

If the central point of Abenomics is to boost prices and thus wages and consumption — the old “raise all boats” metaphor — then to a certain extent the plan has succeeded over the last year. Consumers don’t seem to be fixated on cheap goods and services any more, though, to be honest, it’s difficult to tell if this willingness to spend more is a function of anticipation for April’s consumption tax hike.

Pois é. A administração do Primeiro-Ministro Abe sabe que a política fiscal não é um saco sem fundo (até o do Papai Noel não tem buracos, vale lembrar…). Portanto, mesmo com o estímulo fiscal, a antiga promessa de aumentar o imposto sobre o consumo foi aprovada pelo parlamento.

E agora, para algo completamente diferente…ou pelo menos mais técnico.

A aprovação legal nos traz uma redução na incerteza jurídica, já que todos sabem que a lei, em um país desenvolvido (= civilizado) será cumprida sem maiores problemas. Mais ainda, o aumento tem data e foi anunciado. Então estamos diante de um clássico problema de Macroeconomia de se saber qual é o impacto de uma política anunciada em um mundo em que as expectativas racionais opera.

A proposição Barro-Ricardiana de livro-texto nos diz algo bem simples: se eu sei que vou ter que pagar impostos amanhã, eu poupo hoje. Já num mundo não-Ricardiano (ou não-Barro-Ricardiano), o reduzido imposto de hoje, sob a expectativa de aumento do mesmo amanhã, provavelmente me induzirá a consumir mais. Tudo isto, claro, ceteris paribus.

Mas quando se fala do Japão, é bom ter em mente um ponto muito importante que não tem nada a ver com aquela lenda de “cultura oriental”, mas sim com a demografia (o tal bônus demográfico que meus amigos Salvato, Ari e Bernardo explicam aqui, para o caso brasileiro). Os autores do post falam do desejo dos mais velhos em consumir produtos de qualidade maior (embora exagerem na ênfase). Não apenas isto, mas “mais velhos” no Japão significa que estamos falando de pessoas cujo padrão de consumo alimentar é bem distinto do moderno fast-food norte-americano que os jovens tanto parecem gostar.

Barro, na própria discussão de sua proposição, já havia discutido a questão demográfica ao falar do argumento do altruísmo (herança) que justificaria o efeito da equivalência no, digamos, longo prazo. No caso do post dos autores, a demografia não está tanto no longo prazo, mas no curto prazo (acho que se fala “coorte” lá em demografia). Estamos falando de um modelo de overlapping generations destes simples. Ou seja, no mesmo período de tempo convivem duas gerações distintas: a mais velha e a mais nova (estou supondo, por simplicidade, apenas duas gerações). Só que, ao contrário do modelo de livro-texto, estamos dizendo que o padrão de consumo das gerações é distinto: uma prefere consumir mais fast-food e outra prefere alimentos de maior tempo adicionado (é, eu pensei em algo como household production models que o Tyler Cowen, implicitamente, usa aqui).

A pergunta, portanto, neste caso, é a seguinte: em um modelo simples, com dois períodos, o que acontece quando tornamos o bem “consumo” (que é, lembre-se, estudante de graduação, sempre sinônimo de consumo de bens não-duráveis) heterogêneo? Primeiro, à la ciclos reais, temos duas gerações e, adicionalmente, agora, colocamos a heterogeneidade do consumo. Suponha que o restante do modelo funciona tal como antes. Ah sim, é importante fazer o destaque didático-científico: mantenha as expectativas racionais. Afinal, pode ser que algo mude (ou não) no modelo, mesmo que não haja nenhuma mudança no tipo de racionalidade dos agentes (esta é uma observação para os eternos apressados que desejam, loucamente, jogar fora a racionalidade sem antes relaxar outras hipóteses do modelo. Interessados vejam isto).

Será que a equivalência barro-ricardiana se mantém? Poderia ser uma questão de prova, mas fica para o espaço de comentários. Preferencialmente, gostaria de ver citações de papers que trataram do assunto com hipóteses semelhantes.