Goleiros e o paradoxo do poder: a Economia dos Esportes encontra a Economia do Conflito (e ninguém esperaria que isso não ocorresse, certo?)

soccernomicsO que vejo de mais legal, para mim, nesse estudo, é o que os autores destacam, eles mesmos:
 
The most interesting performance differential was that a goalkeeper of a high-level team had a higher number of Saves when playing against a low-level team than a high-level team or an intermediate-level team.
 
Ok, eu sei que há um problema de validação externa (ou seja, generalizar para outras amostras…), embora eu também seja levado a pensar que com maior globalização, times ficam mais mistos e estilos de jogo distintos tenderão a se homogeneizar no longo prazo (não estou dizendo que ocorrerá, é apenas um palpite irresponsável). Isto aparece também em alguns livros sobre economia dos esportes que citei aqui outro dia (e também em livros sobre história do futebol ou das táticas).
20160430_100143Voltando ao trecho acima, sem uma leitura mais detalhada, mas entusiasmado com o que li, fui levado a pensar em um resultado de Economia do Conflito que acho muito legal (embora não seja genérico o suficiente para quem curte Teoria Econômica): o paradoxo do poder (POP), descoberto pelo falecido Jack Hirhsleifer no contexto de conflitos (guerras, batalhas judiciais e, por que não, partidas de futebol?).
Os autores do texto acima provavelmente não se surpreenderiam se lessem o início do resumo do artigo. Senão, vejamos:
In power struggles, the stronger might be expected to grow ever stronger and the weak weaker still. But, in actuality, poorer or smaller combatants often end up improving their position relative to richer or larger ones.
No contexto do resultado destacado pelo artigo sobre futebol, eu diria que há momentos de uma partida em que isso acontece (o time pequeno “cresce” em relação ao grande) e o resultado é que o goleiro do time mais forte tem mais trabalho salvando seus times do que o normal.
Será que isso ocorre mesmo em divisões de acesso (segunda divisão) de campeonatos estaduais? Ou seja, seria este resultado uma regularidade empírica observável? Não sei. Não coletei os dados, mas, quem sabe? Vai que alguém resolve explorar este aspecto que, note bem, tem uma relação bem íntima com a boa gestão de uma equipe de futebol (afinal, você tem que saber escolher bons goleiros).
Será que a relação que proponho faz sentido? Comente por aqui. Gostou? Curte aí. Não gostou? Curte também. Ah, e se reproduzir, cite a fonte. Obrigado.

Breves Reflexões sobre o atentado em Orlando: instituições, liberdades, emporiofobia e violência (UPDATED)

Começo este triste texto lembrando que o fato é que, no século XXI, a religião campeã de intolerância contra os gays é…bem, provavelmente há um empate entre o Islã e o Cristianismo, mas não tenho dados sobre citações religiosas pró e anti-tolerância com homossexuais para apresentar aqui. Contudo, uma boa proxy do discurso (in)tolerante pode ser a prática social em favor da liberdade individual. Neste quesito, os dados sobre liberdades individuais nos mostram que o 41o (dentre 142 países) no ranking deste subíndice do índice de prosperidade é o Brasil, por exemplo. Já o Afeganistão é o 133o…

homicides_gunDe qualquer forma, não sei não, mas me parece que os seguidores do Islã vencem os cristãos em termos de homicídios (ou seriam “feminicídios”, Brasil?) de gays e lésbicas, pelo menos nos anos recentes (estes dados eu não procurei, mas devem existir e agradeço qualquer dica a respeito). Uma breve visita à página do Gunpolicy.org já é suficiente, contudo, para se ter uma idéia que, considerando-se que homossexuais e heterossexuais são, ambos, parte da população, o total de homicídios, por uso de armas de fogo, é bastante alto no Brasil, comparando-se com os EUA (ou, pior ainda, com o estado da Florida). Acredito (no sentido de “aposto”) – sem ter os dados – que dificilmente o padrão geral verificado acima mudaria em caso tivéssemos apenas homossexuais: o Brasil seguiria campeão.

Aliás, o gráfico é interessante também por mostrar a evidência – para os que gostam de termos nunca claramente definidos – de que “cultura das armas” parece ser um patrimônio do Brasil (cuja primeira medalha em Olimpíadas foi em…), não dos EUA.

Com todos os problemas de comparabilidade internacional de dados, ainda assim vale a pena ver o comparativo de total de homicídios.

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Pois é. Já está claro que É, você já desconfiou, escrevo este pequeno texto inspirado no triste massacre de Orlando, certo? Aliás, antes de começar, pela mesma lógica que diz que nem todo negro é pobre, é óbvio que nem todo praticante de religiões islâmicas é assassino (a questão passa pela discussão das raízes do terrorismo), ou seja, pelo chamado radicalismo, um tema que, em si, vale um curso inteiro (Joseph Humire falou sobre isso na imprensa dos EUA recentemente: o problema é o islamismo radical).

Tá, mas quero ver alguns dados…correlacionados!

Claro, correlação não é causalidade e, portanto, não direi, inequivocamente, que Obama está errado ou que Sanders está errado. Provavelmente nem Trump está com a razão, claro, embora a cultura individualista – que Trump, sem entender muito bem o porquê, provavelmente defende – seja compatível com o modo de vida tolerante (veja também isto).

Quero mais! Dê-me pesquisas econométricas ou lhe dou um tiro!

Ok, Bergreen e Nilsson (2012) têm evidências de que a liberdade econômica é um fator pró-tolerância. Aqui está um trecho do resumo:

Stable monetary policy and outcomes is the area of economic freedom most consistently associated with greater tolerance, but the quality of the legal system seems to matter as well. We furthermore find indications of a causal relationship and of social trust playing a role as a mechanism in the relationship between economic freedom and tolerance and as an important catalyst: the more trust in society, the more positive the effect of economic freedom on tolerance.

Mais mercado…maior felicidade gay?

Quem quer que tenha visto os links anteriores perceberá que, com uma base de dados um pouco diferente, construí correlações que não atrapalham, de forma alguma, os resultados dos autores. Aliás, eles têm mais modelagem e as conclusões são essencialmente as mesmas (apenas quero dizer que se simples correlações nos mostrassem o oposto do que eles encontram, teríamos motivos para pensar em problemas, não que correlações sejam poderosas, ok?).

Mas há mais! Em 2015, os mesmos autores nos deram outro estudo, cujo resumo reproduzo.

Tolerance is a distinguishing feature of Western culture: There is a widespread attitude that people should be allowed to say what they want even if one dislikes the message. Still, the degree of tolerance varies between and within countries, as well as over time, and if one values this kind of attitude, it becomes important to identify its determinants. In this study, we investigate whether the character of economic policy plays a role, by looking at the effect of changes in economic freedom (i.e., lower government expenditures, lower and more general taxes and more modest regulation) on tolerance in one of the most market-oriented countries, the United States. In comparing U.S. states, we find that an increase in the willingness to let atheists, homosexuals and communists speak, keep books in libraries and teach college students is, overall, positively related to preceding increases in economic freedom, more specifically in the form of more general taxes. We suggest, as one explanation, that a progressive tax system, which treats people differently, gives rise to feelings of tension and conflict. In contrast, the positive association for tolerance towards racists only applies to speech and books, not to teaching, which may indicate that when it comes to educating the young, (in)tolerant attitudes towards racists are more fixed

Viu só, leitor? Aí você me pergunta dos EUA. Afinal, foi lá que ocorreu o triste fator que gerou este pequeno texto. Bem, não quero te deixar triste, mas me parece que, a despeito da polêmica sobre o uso de armas de fogo em atentados terroristas (e também da polêmica sobre se aquilo foi um ato terrorista ou não), não me parece que o Brasil seja um paraíso (você viu as evidências no início do texto). Pode até ser que não se matem pessoas por religião aqui (ainda) mas, em medidas internacionais, quem “ganha” em estatísticas de assassinatos? Brasil ou EUA? Já vimos no início do texto, mas eis outra dica de dados sobre o tema aqui (dica: você continuará tristenão ficará feliz).

A despeito do que aconteceu na Florida, ainda é melhor para um homossexual viver nos EUA ou na Suíça do que no Brasil ou no Quênia, não é? Sim, a discussão tem a ver com tolerância e esta é um exemplo cabal do que Douglass North chama de instituições informais. É por aí que a discussão passa e, de cara, não dá para aceitar argumentos bizarros que jogam a culpa no “mercado” ou no “capitalismo” pela intolerância contra homossexuais, como nos lembra o sempre recomendável blogueiro Guy Franco e, creio, este meu breve texto sobre a emporiofobia.

Filas e violência: uma análise básica

Um ótimo – e didático – artigo usando a oferta e a demanda que você viu no primeiro período do seu curso para entender o fenômeno das filas e da eventual violência que elas geram.

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Eis o resumo:

Abstract Queuing in response to prices below market-clearing levels increases the potential for conflict and violence among consumers. We consider how the potential for violence in queues varies with differences in demand and supply characteristics of the goods being considered, and the cause of submarket-clearing prices. In general, the potential for queue-related conflict and violence is greater when the price elasticities of demand and supply for the good are smaller and higher, respectively. Also, the potential for conflict and violence is greater when the queue results from government policy than when it results from private-sector activity.

Muito legal, não é? Aprecio artigos com este tom didático que nos mostram, de forma simples, como podemos aplicar os conceitos básicos a problemas do dia-a-dia sem, como eu disse outro dia, precisarmos apelar para modelos mais complexos.

Obviamente, como eu também disse outro dia, vale repetir, quem quiser ir além da análise insightful deve estudar mais e fazer disciplinas intermediárias ou avançadas em Economia. Entretanto, note, os pontos básicos de Economia, intuitivos, continuam sendo a base sólida sobre a qual construímos modelos mais sofisticados.

De qualquer forma, fila é um negócio chato, não?

Criar um conflito externo ou criar/fomentar divisões internas no país?

Digamos que você é um(a) presidente de um país e quer se manter no poder enfraquecendo a oposição. Digamos que você conseguiu enfraquecer o balanço de poderes entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário em algum grau. Então, seu problema é, em outras palavras, alocar seus recursos para conflitos externos ou internos.

Ocorre que recursos são escassos e, portanto, você tem que escolher onde alocá-los conforme as restrições que enfrenta (veja, por exemplo, este texto). Para alguns, é mais fácil criar um inimigo externo e partir para um conflito (potencial ou não, conforme o custo…este cálculo é dinâmico, intertemporal). Para outros, com restrições distintas, a melhor forma é fomentar divisões internas (o conflito interno) para enfraquecer seus adversários e, sim, esta é uma questão econômica (para um exemplo, ver este texto).

A idéia que me ocorre não é nova e qualquer estudante de Economia já deve ter pensado em algo assim. Dá para ver que o problema envolve o cálculo racional e períodos de tempo, sem falar na interreleação entre as ações do governante do país bem como as da oposição ou do país que será ‘provocado’ com o conflito externo, né?

O artigo, cujo trecho ilustro abaixo, trabalha o básico destas questões.

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Interessante, não é? Mas eu sinto falta de um artigo que ilustre melhor o que observamos na América Latina: em prol de um objetivo qualquer, alguns governantes buscam enfraquecer as instituições de seu país. Quando esgotam, ceteris paribus, esta possibilidade, criam inimigos externos. É mais do que apenas uma literatura sobre “democratização”. Na verdade, é o inverso. Não sabemos se isto é apenas uma “etapa” em um suposto processo de democratização, mas sabemos que o trade-off será mais ou menos duradouro conforme o grau de democratização do país, por assim dizer (formulo, aqui, uma hipótese de forma irresponsavelmente superficial, só para estimular o debate).

Vejo um modelo com dois tipos de democracias. Uma, tradicional, na qual a economia de mercado interage de maneira eficiente com a política e outra, na qual os incentivos são na direção de uma sociedade rent-seeking, ou, como se diz hoje, uma sociedade de capitalismo de compadres.

Este último caso englobaria seriam caracterizadas por sociedades que perderam o controle institucional e abriram espaço para que: (a) alguns populistas transformem teses sobre a desigualdade no país (ocorre-me o antigo dois Brasis de Jacques Lambert…), por exemplo, em planos para se perpetuarem no poder. Isto fica mais barato quando estes populistas não possuem forte ascendência sobre os militares por conta, digamos, de escassez de recursos econômicos e políticos que possam baratear seu acesso aos círculos militares); (b) outros populistas que já ultrapassaram esta etapa, mas encontram-se sem recursos (por exemplo, porque sua pauta de exportação não mais sustenta privilégios concedidos a grupos, páramilitares ou não,que o apóiam) e, então, passam a mirar em inimigos externos (imaginários ou não).

Seria interessante ver um modelo destes em algum artigo, preferencialmente com algum tipo de hipótese testável e, de preferência, com testes feitos para discutirmos. ^_^

Violência no campo, governos e conflito

Um bom texto para discussão do Barros, Araujo Jr e Faria.

Veja o resumo:

This paper analyzes conflicts and violence in Brazil involving landless peasants occupying privately-owned land, for the period 2000-2008. It is the first study to be undertaken at a national level, with a contemporary data span, using a count data model that allows for heterogeneity, endogeneity and dynamics. Results from the estimated model show that the violent land occupation grows with left-wing political support for land occupation, rural population density, and agricultural credit, and decreases with poverty, agricultural productivity. The study discusses the interconnection of land reform, poverty and conflict.

Fascinante, não? Se você gosta do assunto, veja também este outro texto, para Minas Gerais e vários dos textos do Bernardo Mueller (com seus bons co-autores) que se encontram aqui.

O que o governo brasileiro tem feito de errado com nossa reforma agrária?

Quer pensar sobre a pergunta? Leia o texto abaixo:

De Facto and De Jure Property Rights: Land Settlement and Land Conflict on the Australian, Brazilian and U.S. Frontiers – Lee J. Alston, Edwyna Harris, Bernardo Mueller

—- Abstract —–

We present a conceptual framework to better understand the interaction between settlement and the emergence of de facto property rights on frontiers prior to governments establishing and enforcing de jure property rights. In this framework, potential rents associated with more exclusivity drives “demand” for commons arrangements but demand is not a sufficient explanation; norms and politics matter. At some point enhanced scarcity will drive demand for more exclusivity beyond which can be sustained with commons arrangements. Claimants will therefore petition government for de jure property rights to their claims – formal titles. Land conflict will be minimal when governments supply property rights to first possessors. But, governments may not allocate de jure rights to these claimants because they face differing political constituencies. Moreover, governments may assign de jure rights but be unwilling to enforce the right. This generates potential or actual conflict over land depending on the violence potentials of de facto and de jure claimants. We examine land settlement and conflict on the frontiers of Australia, the U.S. and Brazil. We are interested in examining the emergence, sustainability, and collapse of commons arrangements in specific historical contexts. Our analysis indicates the emergence of de facto property rights arrangements will be relatively peaceful where claimants have reasons to organize collectively (Australia and the U.S.). The settlement process will be more prone to conflict when fewer collective activities are required. Consequently, claimants resort to periodic violent self-enforcement or third party enforcement (Brazil). In all three cases the movement from de facto to de jure property rights led to potential or actual conflict because of insufficient government enforcement.

Entender corretamente os incentivos é o primeiro passo. Depois você propõe algo. No caso brasileiro, pelo visto, a história ainda não nos permite muito otimismo.

René Girard, o terrorismo e o comércio mundial

Este pequeno artigo – Artigues & Vinolo (2009) – apresenta um jogo interessante entre países no qual pode emergir uma espécie de terrorismo por conta das desigualdades econômicas em um mundo economicamente integrado. Chamou minha atenção o fato de que a teoria modelada é de René Girard, eventualmente citado textos do Pedro Sette Câmara.

Entretanto, algo que não fica claro no artigo é: o terrorismo é oficial ou não? O modelo usado é um jogo entre países, não entre agentes individuais ou minorias (grupos). Assim, talvez o resultado do modelo teórico é que o terrorismo oficial (aquele apoiado por governos) emerge em um ambiente globalizado economicamente no qual existem desigualdades (econômicas) significativas.

Posso estar enganado – li apenas uma vez o artigo – mas creio que estes são os principais resultados. Bacana mesmo é ver que o argumento de Girard pode ser pensado como uma interessante hipótese – inclusive testável.

Conflitos e cultura

Cultures, Clashes and Peace

Erin Fletcher & Murat Iyigun

Ethnic and religious fractionalization have important effects on economic growth and development, but their role in internal violent conflicts has been found to be negligible and statistically insignificant. These findings have been invoked in refutation of the Huntington hypothesis, according to which differences of ethnic, religious and cultural identities are the ultimate determinants of conflict. However,  fractionalization in all its demographic forms is endogenous in the long run. In this paper, we empirically investigate the impact of violent conflicts on ethno-religious fractionalization. The data involve 953 conflicts that took place in 52 countries in Europe, Africa and the Middle East between 1400 CE and 1900 CE. Besides a variety of violent confrontations ranging from riots, revolts and power wars between secular sovereigns, the data cover religiously motivated confrontations. We document that countries in which Muslim on Christian wars unfolded more frequently are significantly more religiously homogenous today. In contrast, those places where Protestant versus Catholic confrontations occurred or Jewish pogroms took place are more fractionalized, both ethnically and religiously. And the longer were the duration of all such conflicts and violence, the less fractionalized countries are today. These results reveal that the demographic structure of countries in Europe, the Middle East and North Africa still bear the traces of a multitude of ecclesiastical and cultural clashes that occurred throughout the course of history. They also suggest that endogeneity could render the relationship between fractionalization and the propensity of internal conflict statistically insignificant. Finally, instrumenting for conflicts with some geographic attributes and accounting for the endogeneity of fractionalization with respect to ecclesiastical conflicts shows that religous fractionalization likely has negative effects on economic growth.

Mais uma pesquisa de história econômica no longo, longo prazo que mostra a importância da cultura e do conflito em qualquer modelo econômico mais ambicioso.

Sem-terra, mas Com-poder

É o que concluo disto. Incrível mesmo é o “controle” da imprensa (“não existe liberdade de imprensa, mas sim liberdade de grupos fortes e apoiados pelo governo”, né?) pelo grupo de interesse que se auto-denomina (não legalmente, claro) “sem-terra”.

Economia Política da Disputa de Terras em Minas Gerais

Após muito tempo de espera, finalmente…

Economia política da disputa por terras em Minas Gerais

Ari Francisco de Araujo Junior; Claudio Shikida; Patrícia Silva Alvarenga

RESUMO O artigo estuda os determinantes da probabilidade de ocorrência de conflitos de terra, ocupações e assentamentos nos municípios mineiros. Os resultados apontam para a importância de fatores econômicos e políticos. Aparentemente, militantes pró-reforma agrária se adequam ao ciclo político, causando menos conflito em municípios governados por aliados. Por sua vez, a pobreza e o elevado crescimento arrefecem o ímpeto desses militantes.

Palavras-chave: desenvolvimento agrário, economia política, economia regional

Classificação JEL: D72, D74, O43

ABSTRACT The article analyzes the determinants of the probability of dispute over land (conflicts, occupations and settlement projects) in the Brazilian state of Minas Gerais. Through the use of a logit model, we found that the main influences are political and economical ones. Apparently, the behavior of the agrarian reform’s supporters follows the political incentive, with fewer occurrences of conflicts in towns governed by political allies. By other hand, the economical determinants – degree of poverty and the economic growth – have negative impacts on it.

Key words: agrarian development, political economy, regional economics

Este foi um dos artigos mais difíceis que já fizemos. Talvez o mais interessante seja a interpretação correta de variáveis de interação em modelos logit-probit.

Eu havia dito antes…

Quando os bolivarianos do MST invadiram e destruíram um laboratório de pesquisa transgênica, eu avisei aqui: isto nada mais é que competição econômica usando a violência (no caso, com anuência de muitas autoridades públicas). Agora, após ler isto, eu só reforço minha opinião.

p.s. por falar em hipocrisia da esquerda bolivariana (a mesma que pintou as caras e foi às ruas contra a corrupção na era Collor), leia isto.

Tora Tora Tora

Passou batido para mim, o dia de ontem, 07 de dezembro. O mais interessante do conflito entre Japão e EUA na II Guerra Mundial talvez seja a batalha de Midway. Recentemente adquiri um documentário – em banca de jornal mesmo – que me mostrou que aquele clássico filme com Charlton Heston e Toshiro Mifune foi, basicamente, fiel aos fatos.

Sendo assim, o que sempre imaginei ser um roteiro fiel, mas bem incrementado, tornou-se, na verdade, uma das mais fascinantes lições de logística, teoria dos jogos e conflitos que já vi. A batalha, pelo que já percebi, foi recontada na clássica primeira temporada de Uchuu Senkan Yamato (aqui conhecida como Star Blazers), só que com os japoneses no papel de vencedores. O almirante Domel, de Gamilon, é o próprio Yamamoto – só que com a honra de escolher sua própria morte – e a perda da frota de porta-aviões não poderia ser mais clara.

Deixando de lado o desenho animado, a história de Pearl Harbor não é tão interessante quanto Midway. Pearl Harbor, para quem conhece um pouco, é uma versão modernizada da estratégia japonesa para se defender da ameaça russa no Pacífico em 1904-5 em um conflito que envolveu a Coréia e a China como territórios e a Rússia pré-bolcheviques e o Japão como atores. O engraçado é que, naquela época, o ataque-surpresa japonês foi saudado pelo seu maior aliado, a Grã-Bretanha, como um sucesso, uma boa estratégia ou algo assim enquanto que, no ataque a Pearl Harbor, que também foi deflagrado sem aviso formal de guerra, foi condenado. Coisas da diplomacia…

Fica aí a recomendação. Compre o DVD deste documentário e/ou o filme e repare no impacto das diferentes tecnologias nas duas frotas e no terrível problema de reconhecimento aéreo do almirante Nagumo e nas consequências do mesmo para todo o restante da guerra.

Taiwan sucumbirá à China?

Ausente da mídia nacional, os protestos em Taiwan têm incomodado os dirigentes da China bolivariana. A autonomia que normalmente o governo chinês aplica é a mesma utilizada no Tibet, o que não é nada promissor.

Quais as implicações para a economia mundial? Trata-se do velho exercício de utilizar modelo de Ramsey no qual dois países se unem. Acho que o Joaquim Toledo nos torturou com isto, na USP. Mas a economia política disto não aparece neste exercício simples…

Olinda Restaurada

Esta vai para os historiadores: é impressão minha ou Evaldo Cabral de Mello mudou radicalmente o texto da última edição de  “Olinda Restaurada”? O mais interessante, claro, está mantido: seu aspecto inovador em termos de historiografia econômico-militar, no melhor estilo “Economics of Conflict”.

Entretanto, o que era mais legal era sua citação de um trecho clássico escrito por Pareto sobre conflito e riqueza. Se minha rápida leitura não é falha, Cabral de Mello retirou a citação na última edição, a de 2007. É uma pena, porque se perde um vínculo inovador e original com a moderna teoria econômica.

Estou enganado e não li direito ou é isto mesmo?

p.s. alguém tem um exemplar da primeira edição para me vender? Se realmente não me enganei e lá está a citação de Pareto, podemos fechar negócio.

Economia do Conflito: novas bases de dados

O governo brasileiro, por pura ineficiência, acaba de nos fornecer novas bases de dados para estudantes de economia do conflito (c.f. Hirshleifer, Skaperdas, Grossman). Parabéns, governo. Fez jus aos nossos impostos sem a alocação de um único centavo para tal pesquisa.

Economia da Violência

Pesquisa em andamento. Trecho:

We draw several conclusions from our research so far. First, Israeli violence does not lead to an increase in realized Palestinian violence and has minimal effect on intended Palestinian violence. However, it also does not have any deterrent or incapacitation effect, with the exception in the short run of targeted killings of Palestinian leaders. Second, Israeli violence does make the Palestinians more hostile towards settling disputes at the negotiating table and less likely to support moderate parties, but this effect is short-lived. Third, Palestinian violence induces an Israeli response, leading to subsequent Palestinian fatalities, Finally, Palestinian violence has a small effect on Palestinian public opinion, leading at most to a reshuffling of support among radical factions, but to no shift between moderate and radical factions.

Bacana, não?

Duas perspectivas sobre a anarquia

Você gosta desta história de anarquia e mercados? Bem, aqui estão duas perspectivas sobre a anarquia. Powell & Coyne e Skaperdas. Trata-se de um desafio aos libertários brasileiros que, por enquanto, tratam o tema de forma muito suave, sem muito rigor.

Esqueça Syriana, o negócio agora é Venezuelana – a odisséia continua

Se você já se divertiu com isto, vamos continuar brincando de identificar interesses que lucram com um conflito potencial ou real entre a Colômbia e a Venezuela:

Venezuela deve recorrer ao Brasil para comprar comida

Ok, eu não vou dizer mais nada. Faça sua leitura inteligente separando o meu bom humor do ponto central aqui: a hipocrisia que não vê nos governantes e empresários brasileiros a mesmíssima motivação do restante de sua população e também a do resto do mundo. Sim, eu só estou dizendo que pessoas reagem a incentivos.

Por que será que a blogosfera só curte falar mal dos interesses dos outros países? Nós também temos governo, gente! Olha que divertido: há suspeitas de que vendemos armas para o governo venezuelano e agora temos gente muito interessada em uma relação ruim entre dois governos vizinhos.

Claro que não precisa resultar em um conflito armado, mas é fato: nosso DNA não é distinto do que se encontra no resto do planeta.

Eis algo que eu queria muito ver: um diretor falastrão e manipulador como Michael Moore, só que brasileiro e criticando o nosso presidente. Qual seria a reação do povo brasileiro? Provavelmente iria se divertir horrores. Obviamente os neocons latino-americanos pediriam por censura ou reclamariam de perseguição ao presidente-operário.

Qual a diferença entre o que estão acima e abaixo do Equador? Pouca coisa, creia-me.