Regulação mata?

Regulations of various kinds seek to reduce mortality risk. Typically, such rules relate to health, safety, security, and the environment. While it is obvious how regulations can reduce the risk of death, since reducing risk is often the primary aim of regulations, it is less obvious how rules might also increase mortality risk. Nonetheless, many regulations result in unintended consequences that increase mortality risk in various ways. These adverse repercussions are often the result of regulatory impacts that compete with the intended goal of the regulation, or they are direct behavioral responses to regulation.

Mais aqui.

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Choques tecnológicos em economia da saúde: obrigado!

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Tecnologia não é apenas uma sofisticada máquina eletrônica cheia de botões e painéis. Tecnologia está também nas pequenas coisas. A comparação de cores da água na foto acima mostra isto e, sim, eu acho que o cara que inventou este artefato de plástico com filtro fez mais pela humanidade do que muita gente que não lava um prato, mas se diz preocupado com os pobres.

Medicina preventiva = economia?

Sim. Veja o caso do Japão, por exemplo.

 The city of Amagasaki did a study from 2008 to 2011 that found during these four years the average amount of money spent by the health insurance system on a resident who had undergone the checkups “and received medical advice” — about 65,000 people — was ¥990,000 less than the money spent on a resident who didn’t receive the checkup. However, Kure, in Hiroshima Prefecture, managed to decrease its outlays for medical care by ¥160 million in 2011-12 by eliminating “unnecessary” examinations, meaning they actively discourage residents from seeing a doctor for routine matters, and didn’t promote the special checkups, either. 

 

Neste sentido, empresas de seguro-saúde privadas que adotam a mesma política estão promovendo um corte em seus custos com qualidade. Isso é poupar a saúde pública de gastos também. Vale no Japão e, você sabe, também vale no Brasil.

Ou você acha que o melhor é remediar antes de prevenir?

Pipocas e sua barriguinha

Com nossas pipocas atingindo o padrão norte-americano, talvez este video – e o livro – tornem-se mais relevantes por aqui. Aliás, senhores editores, ele já deveria ter sido traduzido faz tempo, né?

McKenzie também tem um ótimo livro sobre obesidade (inclusive, mostrando os problemas sérios existentes em se considerar o BMI (body mass index) como medida de obesidade. Estou lendo este livro junto com alguns outros e a propaganda dele está aqui (e eis uma entrevista com o autor).

Eis um trecho interessante da entrevista.

What do you think will be the biggest battle in the “fat war” in the next 5-10 years?
The likely biggest battle in the “fat war” will be over sugared soda taxes and taxes on one sort of fatty food or another. However, studies are showing that such taxes (and bans on sugared sodas) can cause people to gain weight by shifting people’s consumption to non-taxed sugared and fatty foods and by increasing their appetites. Then there will be legal battles over fat discrimination and fat accommodation. “Fat labeling” seems to have already become a done deal.

Aliás, complementando o que diz o autor, veja também este pequeno vídeo, de uma consultoria privada famosa, a Euromonitor mostrando que, no longo prazo, não é só a demanda que se mexe, mas também a oferta…

O bacana do McKenzie, na minha opinião, é que, há anos, ele vem fazendo o que, somente agora ficou popular por aqui: a análise econômica da vida. Bastiat falava das consequências não-intencionais dos incentivos (“o que se vê e o que não se vê”) e isto é uma característica central da Ciência Econômica.

Note que mesmo o mais sofisiticado dos econometristas não pode prescindir da teoria econômica e, portanto, deve estar sempre ciente destas consequências não-intencionais. Por exemplo, andar a pé para o trabalho pode poluir mais do que ir de carro, conforme nos ensina o autor. Quando ignoramos todas as consequências dos incentivos, corremos o risco de medir incorretamente seus efeitos. 
Isso significa que tá todo mundo errado?

Não e nem seu oposto. E também não está chovendo hambúrguer. Mas ao fazer análises de equilíbrio parcial, ou mesmo geral, sempre teremos limitações pois fenômenos sociais são bastante complexos. Lembre-se sempre do que disse Milton Friedman sobre a política monetária em seu clássico artigo, por exemplo. Eis um trecho:

I have put this point last, and stated it in qualified terms-as referring to major disturbances-because I believe that the potentiality of monetary policy in offsetting other forces making for instability is far more limited than is commonly believed. We simply do not know enough to be able to recognize minor disturbances when they occur or to be able to predict either what their effects will be with any precision or what monetary policy is required to offset their effects. We do not know enough to be able to achieve stated objectives by delicate, or even fairly coarse, changes in the mix of monetary and fiscal policy. In this area particularly the best is likely to be the enemy of the good. Experience suggests that the path of wisdom is to use monetary policy explicitly to offset other disturbances only when they offer a “clear and present danger.”

Neste trecho, Friedman recomenda que a política monetária seja feita sem solavancos, mas com mudanças marginais, precisamente porque sabemos pouco sobre a natureza dos choques na economia. Vale dizer, ele percebe claramente as limitações de nosso conhecimento sobre a realidade, algo que, inclusive, deveria ser mais considerado em proposições que envolvam a vida de terceiros.

A lição, se é que podemos dizer que alguma há, é a de que devemos ter muito cuidado ao falar do impacto de incentivos sobre as ações dos indivíduos. É por isso que você deve estudar com muito cuidado a microeconomia em sua graduação. Nas linhas – e às vezes nas entrelinhas – dos exercícios com matrizes e condições de segunda ordem você encontrará a fonte de perguntas e de respostas sobre questões de efeitos, digamos, de segunda ordem ou indiretos. Ok, o preço diminui a demanda destes dois bens, mas o que posso dizer sobre a demanda de trabalho? E o risco? E as expectativas?
Saber reconhecer as limitações é minha resposta para o “certo ou errado”. Ninguém está totalmente certo ou errado. Apenas a análise é mais ou menos limitada. O que muitos economistas não percebem é que é muito importante destacar estas limitações. Aí sim, eu diria, você tem uma análise econômica ruim. McKenzie sabe muito bem como explorar o poder dos incentivos e os livros citados neste post são um bom começo para quem se interessa pelo tema.

Alimentos orgânicos

O custo-benefício não parece ser grande coisa, segundo esta matéria. Trecho:

Os alimentos orgânicos não apresentam benefícios nutricionais ou para a saúde superiores aos alimentos comuns, concluiu um estudo grande divulgado nesta quarta-feira. 

Pesquisadores da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres disseram que os consumidores estão pagando preços mais altos por alimentos orgânicos devido a seus supostos benefícios para a saúde, criando um mercado global de orgânicos que movimentou 48 bilhões de dólares em 2007. 

Mas uma revisão sistemática feita de 162 artigos científicos publicados nos últimos 50 anos não constatou diferença significativa entre os alimentos orgânicos e os outros.

Revisão de artigos científicos é a forma correta de se começar a pensar em algum esboço de política pública decente. Muito melhor do que atender a berros de grupos de interesse pró ou contra este tipo de alimento. Aprendam, selvagens.

Mais frases que eu gostaria de ter dito

Rizzo vai ao ponto em mais uma demonstração de que a pterodoxia pluralista está nuazinha, nuazinha:

I have been fascinated for a long time by the advocacy of  left-liberals of pluralism in the realm of ideas, but not in the realm of action. They seem to think of freedom as a matter of pure intellect alone.  In my view, acting and thinking are two-sides of the same coin. We are not pure intellect.

Leia todo o texto para entender melhor este excelente trecho.

Depois da antropometria, tudo mundo usa altura nas regressões!

Eis a saudável novidade: a altura das pessoas vem se tornando uma variável mais utilizada entre pesquisadores brasileiros (veja, por exemplo, este Machado (2008 )). Meu contato inicial com o tema veio com o Leo Monasterio.

Obesidade sínica

Sem erros de português.

Obesity and Risk Knowledge

Kamhon KAN – Academia Sinica, Taipei, TAIWAN
Wei-Der TSAI – National Central University, Chungli, TAIWAN

Obesity is an epidemic health problem in many developed countries, and it is an emerging public health concern in developing, transitional, and newly-developed countries. The purpose of this research is to investigate the relationship between individuals’ knowledge concerning the health risks of obesity and their tendency to be obese (as measured by the \body mass index”). Instead of assuming that obesity is a pure physiological problem as in previous studies, we allow an individual’s cost/bene¯t evaluation to play a role. Based on survey data from Taiwan, we investigate the relationship with the quantile regression technique.
The results suggest that such a relationship does exist and it is different for males and females.