Corrupção, Crime e Crescimento Econômico

Que tal este artigo?

A theory of organized crime, corruption and economic growth
Keith Blackburn, Kyriakos C. Neanidis, Maria Paola Rana

Abstract – We develop a framework for studying the interactions between organized crime and corruption, together with the individual and combined effects of these
phenomena on economic growth. Criminal organizations co-exist with law-abiding productive agents and potentially corrupt law enforcers. The crime syndicate obstructs the economic activities of agents through extortion, and may pay bribes to law enforcers in return for their compliance in this. We show how organized crime has a negative effect on growth, and how this effect may be either enhanced or mitigated in the presence of corruption. The outcome depends critically on a trade-off generated when corruption exists, that between a lower supply of crimes and the probability these crimes are more likely to be successful.

A referência? É esta: BLACKBURN, K.; KYRIAKOS, ·; NEANIDIS, C.; MARIA, ·; RANA, P. A theory of organized crime, corruption and economic growth. Economic Theory Bulletin, 2017. Springer International Publishing.

O artigo é de acesso aberto. ^_^

Economia política dos conflitos de terra

Há muito tempo eu escrevi em algum lugar (ou disse para algum amigo) que esta histeria dos sem-terra contra o capitalismo tem dois lados. Um, bobo mesmo, é o ideológico. O outro, mais disfarçado, é o do rent-seeking explícito. Muito desta destruição de laboratórios – eu dizia – tem a ver com o desejo de eliminar a competição.

O falecido Jack Hirshleifer, ao falar de economia do conflito, dizia em seu livro-texto que firmas competem com estratégias, muitas vezes, violentas. O que foi aquilo em 1930 em Chicago?? Nem Marx explica, né? Afinal, Marx não tinha o mesmo arcabouço analítico de um Mancur Olson ou um Jack Hirshleifer. Mas vamos lá às evidências. O esforço deste pessoal para maximizar o lucro tem sido evidente. 

Ah sim, eu e o Ari já falamos sobre isto antes. Veja aqui. Mas o especialista, mesmo, nisto, é o Bernardo Mueller, um sujeito para lá de inteligente.

Aulinha de Escolha Pública aplicada

Trecho de mais uma certeira do Marcelo:

Há cinco anos, muito a contragosto, a Câmara dos Deputados topou começar a divulgar os gastos totais com verba indenizatória. Nuncatopou divulgar nota por nota quanto nossos representantes gastam com esses, hoje, R$ 16.500 mensais. Teve uma ajudinha nisso da parte do ministro do STF Celso de Mello, que voltou atrás numa liminar que ele próprio concedera.

Pois agora, graças ao recém-renunciado corregedor castelão, quegastou um monte de verba indenizatória pra pagar serviços de segurança (sendo que ELE tem uma empresa de segurança), a coisa ficou feia. Com o vexame, primeiro cogitou-se divulgar só as do Edmar, mas ficaria mais feio ainda. Agora, a Mesa Diretora decidiu passar a abrir todos os gastos. Sob a sombra do vexame, Milton Temer teve uma epifania:

    — A transparência é importante em face do princípio constitucional da publicidade

Perceba: a Constituição foi editada em 1988. Temer foi um dos constituintes. Ele também já havia sido presidente da Câmara entre 1997 e 2000. Só agora, 21 anos após a Constituição e 12 anos após seu primeiro mandato como presidente, ele chegou a essa conclusão no tocante aos gastos com verbas indenizatórias. 

Leia tudo aqui.

A teoria da fraude do seu amigo CEO

A Monopoly Model Of Accounting Fraud
Laura Ebert, Margaret L. Gagne

ABSTRACT A monopoly model is used to show why a CEO would engage in accounting fraud, high risk behavior given the severe negative consequences, should the fraud be exposed. A monopoly model of the market transaction between the buyer of the fraud, the CEO, and the seller of the fraud, the accountant, demonstrates the motivation behind the CEO’s willingness to engage in the fraud. The accountant (seller) receives a monopolist profits while the CEO (the buyer) pays a price equal to the perceived net marginal benefit. The CEO wants the accountant to believe that the net marginal benefit equals the price when in fact the actual net marginal benefit to the CEO is much lower than the monopolist’s price. The resulting cost to the CEO for fraud is relatively low because of the CEO’s ability to shift a substantial portion of the cost to the company.

Economia do crime, corrupção, CEO’s…tudo isto em um pequeno artigo interessante para uso em sala de aula. Pense na crise atual e em como este modelo pode ser melhorado, é o que sugiro.

A onda regulatória e seus incentivos

O governo analisa uma minuta de projeto de lei, de autoria do Ministério do Trabalho, que regulamenta o pagamento da gorjeta de 10% aos trabalhadores de determinados setores como hotéis, bares e restaurantes. A cobrança não é obrigatória, mas pretende evitar que esses estabelecimentos deixem de repassar a gorjeta aos empregados.

É preciso um pouco de inteligência para se perceber que é uma besteira uma regulamentação como esta. Não é só questão de burrice, é questão de pensar nas consequências de uma regulamentação assim e como a mesma se enquadra na onda regulatória da segunda administração da Silva.

A pergunta é: por que o desejo de servir tanto aos sindicatos em detrimento do bem-estar de todos? O Cristiano Costa certamente explicará a lógica simples desta regra em seu excelente blog, mas fica uma pergunta no ar: por que um projeto de lei irracional – e cheio de um discurso ideológico bobinho – pode se transformar em realidade? Em outras palavras, por que a vontade súbita de regulamentar a gorjeta? Talvez queiram criar jurisprudência para resolverem casos incômodos como os que assombram o poderoso partido do sr. da Silva.

ABIN

A pergunta do Coronel é perfeita. Pena que a imprensa tenha medo de levar seu papel investigativo até as últimas consequências. Se tivesse coragem, chegaríamos à pergunta do Coronel e aos fatos. Afinal, a quem serve a ABIN e como o bolivarianismo light da administração da Silva se propõe a construir uma política de inteligência vinculada à democracia, não ao coronelismo?

Perguntas para os militantes responderem. Opa, eles são alugados (quando não ganham sucessivos cargos na administração da Silva…).

Eis aí um bom problema para os fanáticos defensores da administração da Silva e seus blogueiros chapas-branca. Vejamos o festival de argumentos falaciosos que surgirá na blogosfera nos próximos dias, na tentativa de conciliar democracia, iluminismo dos operários e violação dos direitos individuais. Só não vale comparar ao George Bush porque, afinal, nós não somos imperialistas, né?

Humm….

Pulverizadas por todos os Estados, as principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão concentradas em poucas empreiteiras. Levantamento realizado pela ONG Contas Abertas, especializada no acompanhamento da execução orçamentária da União, mostra que desde o ano passado três construtoras permanecem na lista das seis maiores beneficiadas com repasses de recursos federais: a Delta Construções, a SPA Engenharia Indústria e Comércio e a CR Almeida – Engenharia de Obras.

Pode não querer dizer muita coisa, mas eu fico sempre desconfiado destas imensas concentrações de mercado…

Mais uma evidência de que urnas eletrônicas, sob instituições brasileiras, não funcionam

Esta notícia que o Marcelo reproduz é de dar medo. Trecho:

A polícia da Bahia descobriu numa fazenda de propriedade do ex-prefeito de Rio Real (BA), a 204 quilômetros de Salvador, Raimundo Guimarães (PSC), 10 mil documentos públicos relativos aos períodos dele à frente da prefeitura, além de uma urna eletrônica.

O negrito é por minha conta. Pergunto a você: em um país no qual o mensalão não gera prisões, no qual cartões corporativos são usados sem critério por tudo quanto é gente, etc, você realmente acha que uma urna eletrônica protege sua privacidade e não serve para gente safada fazer chantagem com você?

A resposta está no trecho acima.

Sempre fui crítico destas urnas, a despeito da enxurrada de gente que me criticou com argumentos, inclusive, xenófobos (“você defende o sistema americano-primitivo, blá blá…”). Curiosamente, estes críticos, defensores da tecnologia a despeito das instituições fracas, não defendem que a pessoa tenha um revólver em casa (tecnologicamente mais avançado do que os punhos) para se defender de bandidos.

Toda esta discussão, com certeza polêmica, não pode ignorar o problema das más instituições brasileiras, na minha opinião, em fase degenerativa nestes últimos anos. Mas gente que não faz o dever de casa como o Marcelo Soares ou o Ph Ácido ou o Tambosi fazem, acha que já discutiu tudo em 2000 caracteres com espaço, em um cantinho de jornal.

Péssima forma de argumentar…

Propaganda gratuita

A Transparência Brasil (www.transparencia.org.br) anuncia o estudo “Orçamentos do Poder Legislativo”, em que se analisa a evolução do orçamento deste ano em relação a 2007 nas principais Casas legislativas brasileiras e destaca o comportamento dos parlamentares de algumas dessas casas.

 

Algumas constatações do estudo:

 

·         O mandato dos vereadores na Câmara Municipal do Rio de Janeiro é mais caro do que o mandato de deputados estaduais em 20 Assembléias Legislativas.

 

·         O mandato na Câmara Municipal de São Paulo é mais do caro do que o mandato em 19 Assembléias Legislativas.

 

·         Cada mandato de senador consumirá este ano R$ 34 milhões dos cofres públicos, e cada mandato de deputado federal custará R$ 6,9 milhões.

 

·         Em quatro Casas legislativas — Câmara do Distrito Federal, Assembléia de Minas Gerais, Assembléia do Rio de Janeiro e Assembléia de Santa Catarina —, o custo por parlamentar é maior do que na Câmara dos Deputados.

 

·         Em 2008, três quartos das Casas legislativas em âmbito federal e estadual e de capitais de estados terão mais dinheiro em caixa em relação a 2007.

 

·         Entre os Legislativos com orçamento maior este ano, onze Casas têm mais de 30% de seus parlamentares punidos por Tribunais de Contas ou citados na Justiça em processos criminais.

 

A íntegra do estudo em formato PDF pode ser baixada no sítio da Transparência Brasil (www.transparencia.org.br).

Pronto, cumpri meu dever.

Economia Política das Empresas de Pesquisas de Opinião Pública

Esta do Coronel (Coturno Noturno) está ótima. Sou obrigado a reproduzir:

Clésio Andrade, da CNT: nem precisa pesquisar muito.

A CNT, Confederação Nacional do Transporte, é dirigida por Clésio Andrade, que foi vice-governador na chapa de Eduardo Azeredo, foi sócio de Marcos Valério nas agências de propaganda do Mensalão e do Caixa Dois do PT e foi vice-governador do primeiro mandato de Aécio Neves. No final do ano passado, Clésio Andrade, junto com Walfrido Mares Guia, Azeredo, Marcos Valério e os demais acusados do “valerioduto tucano” foram denunciados pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. Os dois crimes podem ser punidos com até 22 anos de prisão. O grupo só escapou do indiciamento por formação de quadrilha porque, segundo o procurador-geral Antônio Fernando, o crime está prescrito. A denúncia, de 89 páginas, foi apresentada ao STF, depois de dois anos de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Aqui outra matéria muito interessante, para conhecer bem quem é o manda-chuva da CNT.
A conclusão do relatório da CNT/Sensus, vindo de quem veio, deve entrar para o anedotário político nacional:
“O presidente Lula continua blindado. A sua avaliação positiva mantém-se alta em função dos bons resultados da economia e dos programas sociais, além do fato de ele ter um discurso de fácil assimilação popular. Porém, como mostram os números da pesquisa referentes à avaliação do impacto na população do caso dos cartões corporativos, é importante que o Governo aproveite o bom momento exigindo uma conduta exemplar de seus funcionários e ministros”.

Há de se pensar não apenas no aspecto científico que este post suscita, mas também no que, não remediado, assim o está. Ou algo assim.

Parece até piada…

Falha de governo é isto

Eis o link (inexplicavelmente bloqueado na faculdade):

Não foi a mídia golpista e nem os blogs alternativos: foi o TCU. Descobriram notas frias na prestação de contas de viagem do Lula para visitar um assentamento da guerrilha rural do MST. Governo Lula lançou R$ 206 mil em aluguel de carros. Proprietário da locadora cobrou apenas R$ 40 mil. Uma pequena “falha”, um pequeno “erro” de R$ 166 mil. Está na hora de dar o boné para Lula. Leia aqui.

Falha de governo é isto. O resto é papo para militante dormir. Aliás, isto é difícil porque militante gosta é de patrulha.