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A qualidade do ensino no Brasil

Está fazendo muito sucesso na internet um video, no mínimo triste. Aparentemente, o professor parece mais preocupado em doutrinar do que em ensinar e, não, não vou entrar neste debate de que “ensinar é uma doutrina”. Nós sabemos muito bem do que estamos falando quando assistimos um video como este. Perturbador? Para muitos pais totalmente despreocupados com os filhos, não. Para outros, sim.

Após assistir o video, eu me lembrei de um artigo (que foi publicado em algum journal) do Lott, na época em que ele ainda tinha um pouco mais de brilho (ele perdeu credibilidade em um caso lamentável que você pode pesquisar por aí, na internet).

Mas seu trabalho anterior era muito bom. Aliás, o artigo é este aqui. Veja um trecho da introdução para saber do que se trata.

The standard public goods argument for education assumes that a better educated populace is more likely to support democracy. This presupposes that either more educated people are inclined to make decisions for themselves or that education inherently instills the belief that democracy is desirable (Cohn, 1979, p. 206 and Solmon,
1982, p. 8). These arguments largely depend on the level of marketable human capital, such as literacy and reasoning ability, and ignores the question of methods: subsidies versus public provision. Yet, politicians in more totalitarian countries should wish to avoid creating a more independent and critically reasoning constituency. Hence, the public good explanation would imply a consistent negative relationship between totalitarianism and expenditures on public schooling. I will provide evidence that this is not the relationship that we observe.

John Lott Jr. pode ser acusado de muitas coisas, mas não se pode negar que ele tinha excelentes idéias sobre como testar hipóteses. Também mostrou ser inteligente no argumento central deste artigo. Afinal, alguém acredita que educação tem que ser subsidiada se o objetivo é aterrorizar as pessoas? Acho que não, né? Então, mais devagar com esta história de que devemos gastar mais no ensino público.

Mais um pouco do texto.

Governments have gone to great lengths to instill desired values in children. Yet, it is not just Germany during the 1930’s and 1940’s or communist countries like the former Soviet Union that have actively tried to influence children’s views. A good example is Sweden, which aggressively instituted a very costly system of nursery school care. When Ingvar Carlsson (the current Prime Minister) was education minister he said: “School is the spearhead of Socialism” and “pre-school training is essential ‘to eliminate the social heritage’” of undesirable parental views (Huntford, 1972, pp.222 and 233). Swedish educational theorists even advocated tax and government employment policies “to get both parents out of the home, so that children are forced out as well” (p. 222, and see also
Rosen, 1996).

Pois é. Não se trata apenas de ditaduras. Claro, Lott é economista e, portanto, seu argumento é inspirado em um outro modelo, mais famoso na literatura de Regulação, do Sam Peltzman.

Building on Peltzman’s (1976) work, my model showed that public educational expenditures should increase with “totalitarianism” as well as government transfers (Lott, 1990, pp. 201-8). The model assumes that totalitarianism has two effects: 1) it increases the cost of organizing opposition groups but 2) it restricts the opportunity set of individuals and hence lowers their real wealth, and this works to increase the level of opposition.

Interessante, não? Vou te ajudar nesta. Trechos da conclusão e negritos por minha conta.

A consistent relationship exists between the form of government and the level of investments made in public education. Totalitarian governments and governments with high transfers spend a lot on public education and are likely to own television stations. This cannot be explained simply by greater involvement in all sectors, as data on health care show. The finding is borne out from crosssectional time-series evidence across countries. A similar relationship was also found for public educational expenditures during Eastern Europe’s and the former Soviet Union’s recent transition from communism. In addition, this paper examined a broad array of phenomena that are consistent with more totalitarian and socialist governments raising the costs of parental involvement in shaping their children’s values. Examples ranged from raising the female labor participation rate, the illegitimate birth rate, and divorce rates, as well as lowering the school age for the public school system.

Eu não tenho nada contra a mulher no mercado de trabalho (nem Lott tem), mas o fato é que as evidências empíricas do artigo corroboravam a tese de que governos com tendências autoritárias buscam moldar o pensamento das pessoas. Não é novidade, eu sei, mas duvido que alguém já tenha visto evidências empíricas antes. O discurso é sempre uma retórica bonita, mas inútil, com memes de Marx ou Mises, frases de efeito, etc.

O que Lott apresenta no artigo é muito mais interessante e sofisticado do que a retórica que tanto encanta o brasileiro que acha bonito ver um poema na sentença de um juiz, mesmo que ele calcule as indenizações de forma totalmente errada. Mas o leitor médio deste blog não faz parte desta parcela do Brasil.

De verdade mesmo, eu queria era ver um estudo similar, aplicado ao Brasil. Queria ver o quanto estas tentativas de doutrinar com sociologia, filosofia, história geram em ganhos monetários para o futuro trabalhador. Gostaria de saber como os defensores da doutrinação explicam os nossos resultados em testes como o PISA. Bem, eu sei que sou curioso, mas só estas duas perguntas já seriam suficientes para eu entender um pouco a cabeça de quem pensa e também a de quem não pensa.

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Mais de nossa polêmica

Leo, Tyro, Claudio (meu xará), Juliano e, se esqueci mais alguém, desculpe-me, tiveram uma boa polêmica aqui, sobre quem deve ter o direito de nos ensinar o que. Tivemos argumentos sobre criacionismo e darwinismo, jihadistas, nazismo, socialismo e…bem, onde chegamos? Talvez não muito longe. 

Eis talvez algo para se pensar: um dos artigos deste periódico trata do papel da educação na prevenção da doutrinação radical islâmica.

Nota final: não acho que o autor tenha conseguido avançar tanto quanto nossos comentaristas…

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Novo herói do bolivarianismo

O bolivarianismo tem um objetivo e duas estratégias: a direta e a indireta (ou gramsciana). Mas o símbolo máximo da revolução calhou de ser um atleta cubano e sua ensandecida (para os não-bolivarianos) atitude diante da derrota.

Claro, sem rancores. Duke disse bem. Aliás, babaquice mesmo é ter tantos assessores supostamente sérios e fazer um discurso imbecil. Pelo menos eu não faço isto (mas também nunca tive assessor, he he he). Por falar nisto, você se lembra de quando comecei o debate sobre matemática em economia, aqui? Transbordou para um debate entre economistas austríacos e não-austríacos. Mas o ponto principal virou pauta de revista de circulação nacional. Veja aí a situação a que chega um ensino médio sem matemática de qualidade. Lamentavelmente, a administração da Silva não tem feito nada para combater isto. Medidas como obrigatoriedade de música, filosofia ou qualquer outro afago para gente que não arruma emprego facilmente (pelo visto nem emprego público) nas escolas privadas não ajudam o aluno. Ajudam apenas os profissionais.

O final disto, claro, é o início deste texto: educaremos meninos mimados pelo patriotismo tacanho. Patriotismo, aliás, que gente como os assessores do sr. da Silva sempre disseram ser ruim para o povo. Como qualquer governo, ao chegarem ao poder, apenas tomaram posse do ufanismo Costa-e-Silva a seu favor. Isto não se pode negar: eles sabem governar.

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Uma sutil diferença

Reinaldo Azevedo explica de maneira muito didática – sem se deixar levar pelo desrespeito de alguns – a diferença entre ensinar e pseudo-ensinar (que, veja bem, INCLUI doutrinar). Embora os doutrinadores bolivarianos (e seus blogueiros que enxergam liberalismo até atrás do armário) falem de “isenção”, bem lembra Reinaldo, eles aproveitam para, sem qualquer isenção, vender gato por lebre. Mais ou menos assim: ele quer que você abdique de seus valores para “fazer um julgamento equilibrado da realidade” (onde arrumam os pesos é outro problema) enquanto ele pode, amando o bolivarianismo, expor o ponto de vista dele.

A armadilha é a seguinte: o fato de você expor de forma realmente isenta, digamos assim, algo, não significa que você não tenha uma posição pessoal sobre o assunto. Mas os bolivarianos distorcem o argumento dizendo que é disto que você precisa: jogar fora seus valores. Inevitavelmente, como não são idiotas, sabem que você precisará, pela sua individualidade (esta que não existe porque o que importa é o “social”, “o coletivo”), de uma posição pessoal. Aí, claro, os mascateiros vendem o produto deles cuja história é bem suja de sangue como um perfeito detergente.

Sutil, mas faz toda a diferença.

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Porque é (de certa forma) estupidez insistir em uma carga de leitura relativamente maior de “clássicos” do que de “manuais” em Economia

Eu ia elaborar um texto sintético para responder a pergunta que, claro, vai de encontro ao argumento oposto, muito querido da pterodoxia nacional, de que as pessoas devem ler mais “clássicos” do que “livros-texto” nos cursos de Economia. Eu sei, eu sei. O leitor sabe que um CAPM não se entende com facilidade lendo o “Fetichismo da Mercadoria” n’O Capital ou com o capítulo XXXI da Riqueza das Nações. Mas, leitor médio deste blog, entenda que o conhecimento é algo custoso e muita gente que vem aqui ainda insiste em fazer comentários em português sofrível sobre, sei lá, receitas para engordar. Eis, portanto, o argumento:

The history of economics has in the main ceased to be a full-time occupation. One powerful rationale for this decline is that economics has become a hard science. It is a plausible characteristic of scientific enterprise that, subject to transactions costs, all old knowledge is embodied in current knowledge. This hypothesis, which we shall call the efficient market model of scientific research, tells us that there is as little to be gained scientifically from reading old texts as there is from prowling old bookstores for undervalued rarities. The odds of finding a true, but unknown, theorem in The Wealth of Nations are comparable to finding a first edition of Malthus’s Principles for $25. Such a thing might happen, but not twice in the same lifetime. [Anderson, G.M.; Levy, D.M. & Tollison, R.D. “The half-life of dead economists”, Canadian Journal of Economics, Feb/1989]

Como meus leitores – os poucos que existem – sabem, sou um entusiasta da história do pensamento econômico. Por exemplo, em diversas ocasiões citei aqui muitos economistas brasileiros que falaram coisas realmente esquisitas (ou notáveis). Faz parte da cultura geral você conhecer a história de sua ciência. É bom, é bacana e, eventualmente, você até ganha mulheres no boteco com este papo (sim, como disse Barzel várias vezes, um bem possui várias dimensões de uso…).

Mas há que se ter bom senso. Ninguém sai mais preparado para o mercado de trabalho porque leu Marshall, Mill ou Marx, exceto se estiver pensando no trabalho acadêmico nesta área que, sabemos, é bem mais restrito. É bom ter muito cuidado com este papo pterodoxo sobre alguma suposta superioridade dos clássicos. Ele lembra muito o dos que defendem o aumento da sociologia e filosofia no colégio sem que se resolvam problemas graves na mente do menino que sequer consegue entender raciocínios mais simples como os da lógica matemática ou mesmo do sentido de algumas regras gramaticais. Se eu pudesse escolher – como seria bom ter mais liberdade, né, leitor? – eu priorizaria algumas matérias no ensino do meu filho, caso tivesse um. Certamente tentaria fazê-lo ser o melhor possível em português, inglês e matemática antes de submetê-lo a um raciocínio, digamos, hegelianao, kantiano ou mesmo popperiano.

Pode ser que eu, que não sou iluminado como os burocratas do governo ou os pedagogos que transformaram o Provão em teste amostral, protegendo a incompetência de certas faculdades, seja realmente muito burro e esteja parcial ou totalmente errado quanto a isto. Admito, educação de meninos não é exatamente minha área – embora a medicina reconheça um mané de 21 anos, hoje, como adolescente – mas eu suspeito que não estou tão errado assim… Aliás, não são “eles” que tanto diziam ser necessário “debater” a qualidade e não apenas a quantidade da educação? Então, por que pulamos o debate e fomos logo para o decreto?

Palpites?

p.s. Vamos fazer um teste simples: o aluno do ensino médio que for submetido a um professor de filosofia/sociologia que seja tão raivoso na sua crítica a Hayek quanto Marx (supondo, claro, que ensine os dois) realmente poderá dizer que teve uma educação plural e não-doutrinária. Quantos alunos poderei observar sob este aspecto?

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Proposição testável e algumas observações sobre os fundamentos da aversão filosófica dos burocratas não-liberais à matemática

Distribuição de renda: uma via apropriada e a via inadequada

Aqui é possível visualizar (a partir do site do Ministério da Fazenda) a apresentação do Ministro Guido Mantega, intitulada Economia Brasileira: avanços e desafios, realizada na semana passada no 20º Fórum Nacional, na sede do BNDES, no Rio.

Atentem para o slide 7: “Distribuição de renda e mercado de consumo de massa”.

Aponta que uma das causas da melhoria na distribuição de renda no Brasil, o que contribuiu para o aumento da classe média, foram as “melhores condições de crédito”.

Comentário:

O que podemos inferir?

O Judiciário, ao revisar os contratos de mútuo (na tentativa de fazer a distribuição de renda protegendo o mais faco), estará piorando, não melhorando, as condições de crédito. Se revisa os pactos, retira (não adiciona) um fator capaz de melhorar a distribuição de renda.

Conclusão já sabida (certo?):

O Judiciário não é a via apropriada para redistribuir renda, vez que o seu intento “justiceiro” faz o crédito perecer. Fazendo o crédito perecer, menos pessoas terão acesso ao mesmo e estas que o fazem pagam mais caro do que se mais pessoas pudessem acessá-lo… A renda se concentraria, não se redistribuiria…

Esta hipótese veio daqui. Eu queria era ver os números. Será que, como diz o blogueiro, o Judiciário é, predominantemente, “justiceiro”? Se é, será que o efeito citado ocorre?

Se aprendêssemos mais matemática no colégio, certamente esta pergunta já teria sido respondida. Mas, como diz o Adolfo:

O Brasil é um país arrogante, para mascarar nossa mediocridade educacional criamos disciplinas para dizer: somos analfabetos, não sabemos fazer contas, mas somos politizados.

Por que?

Tornar obrigatório o ensino de sociologia e filosofia no ensino médio tem vários pontos negativos. Primeiro, é evidente a doutrinação que irá ocorrer: MARX será o grande filósofo a ser estudado. Popper nem pensar, Von Mises, Hayek ou Bastiat de jeito nenhum. Segundo, sobra menos tempo para o estudo de matemática e português. Ou seja, os alunos ficarão ainda piores em leitura e matemática. Terceiro, os mais pobres estarão em situação pior. Afinal, nas escolas privadas a carga horária de ensino irá aumentar para acomodar mais matérias. Já nas escolas públicas, impossibilitadas de aumentar a carga horária, o ensino de matemática e português será ainda mais sacrificado. Quando a desigualdade aumentar não culpem o mercado, culpem a falta de preparo educacional agravada por essa medida. Quarto, o estudo de filosofia demanda uma maturidade que dificilmente se tem na puberdade. Quinto, por que sociologia? Por que não economia? Novas demandas irão surgir, novas matérias serão incluídas nas grades curriculares do ensino médio, e menos nossos alunos saberão sobre português e matemática.

Parece-me óbvio, pelo que já vi dos supostos manuais de filosofia para carne-fresca-para-pedófilos-doutrinadores, que Mises, Hayek ou Popper jamais aparecerão nas supostas discussões em sala de aula nas quais, supostamente, não haverá doutrinação marxista (da pior qualidade, já que poucos doutores em filosofia existem no país e menos ainda vão se dispor a trabalhar pelo salário ofertado).

É sob estes governantes que os nossos pais e empresários terão que educar seus filhos. Baldur von Schirach deve estar alegre sob a terra. Aliás, sabe para que serviam os internatos do moço (supostamente bissexual, segundo a tal Wikipédia)? Para o mesmo objetivo dos bolivarianos que têm tesão por ilhotas governadas por barbudos sob uma (nem um pouco) suposta democracia de partido único:

No nazismo como um todo, não havia oportunidade de expressar suas opiniões como num Parlamento. Os moços acostumados ao movimento da juventude não conseguiam se adaptar a essa forma rigorosa de nacional-socialismo.

Óbvio, não? Hitler poderia ganhar, digamos, um terceiro mandato. Depois, digamos, teria aliados com pendores sexuais…digo, políticos afins, todos amantes do regime do partido único justificado sobre o peleguismo comprado (com impostos sindicais ou com dinheiro “sujo de óleo”?) e, claro, para os meninos desabafarem suas mágoas, já que os pais deveriam ser vigiados (lição da Gestapo para Mao Ze Dong conhecida na história como “Revolução Cultural Chinesa”), nada melhor do que escolas públicas que, aos poucos, doutrinariam a meninada.

Humm…parece até um plano discutido em alguma reunião de líderes latino-americanos…será?

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Educação privada e pública

A pergunta do autor deste interessante texto sobre “tutores” vale para nós, brasileiros, que nos submetemos de bom grado à regulação filosófico-sociológica do ensino médio de forma acrítica:

A big question remains—will governments treat these businesses with benign neglect, promote them as a useful complement to the public sector, or attempt to legislate them out of existence, as has occurred in Cambodia and elsewhere?

Pense nisto. É a educação do seu filho – e os valores que você pensa serem os melhores para ele – que estão em jogo. Não é só seu dinheiro não, cara.

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A doutrinação da fé

Paulo R. Almeida logo, logo, será chamado de “conservador cristão”, aposto. Só porque concordou que é ridícula a doutrinação da fé dos amigos do sr. da Silva, frequentemente manifesta em seus gramscianos elaboradores de provas de vestibular.

O fato é que os pais são muito lentos em protestar contra isto. Se eu doutrinasse cada aluno meu, aí sim, teríamos um consenso neoliberal neste país. (In)felizmente, embora sempre exponha meu ponto-de-vista, ressalto que é importante que cada um pense por si mesmo. Opa, “pensar por si mesmo”? Não é isto uma tremenda doutrinação individualista, segundo esta gente tacanha? Até é. Mas o que esperar de quem nunca leu mais do que os manuaizinhos da Editora Mir e se baseia em filmecos que viu no centro universitário para fazer sua crítica social?

A esquerda já foi mais inteligente. Hoje, é maniqueísta, cínica e não aceita as desgraças que foram reveladas ao mundo após a queda do muro. Insiste em “modelos alternativos” de “homem socialista” (tal como Frankenstein) nem que, para isto, seja necessário dizer que as FARC não são um grupo criminoso e terrorista de narcotraficantes.

Esta é a doutrinação da fé, em ação. Como disse alguém: “teoria e práxis“.