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Coase Institute – 2017

Atenção mestrandos e doutorandos interessados na boa teoria econômica!

Dear Cláudio,
Our next Ronald Coase Institute workshop will take place
May 14-20, 2017 in Xiamen, China.
Co-sponsors are the Wang Yanan Institute for Studies in Economics
and the School of Economics,Xiamen University.
Application deadline: January 15, 2017.

Please forward this announcement to excellent young scholars
you know, and to interested faculty and organizations. Thanks!
Warm regards,
Alexandra

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Como usar a Nova Economia Institucional para entender a economia política da Lava-Jato?

Um exemplo é este texto do prof. Salama, que usa os conceitos que North desenvolveu nos últimos anos de sua vida (com seus co-autores, notadamente Weingast, Wallis e Summerhill) para entender os problemas da complexa relação entre economia e instituições. Cito um breve trecho:

In a country with a “limited access” social order, the political system manipulates the economic system so that elites can rent-seek and block access by non-elites to economic opportunity. In such countries, appearances can be deceiving. Formally speaking, there may be a tripartite distribution of power, professional state bureaucracies, and elections by private ballot. The restrictions to access, however, are largely informal, and arise because the dominant structure in society is personal interaction rather than impersonal laws. In these settings, stability is achieved through the collaboration and exchange of favours among the political elite and the economic plutocracy. Corruption small and large, both inside and outside bureaucracy, is pervasive. When everyone has an implicit glass ceiling, cooperation is better than competition.

Termine de ler por lá. Ótima dica do prof. Marcos Fernandes.

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A ética islâmica do subdesenvolvimentismo

Citando Timur Kuran em seu livro, Caplan nos dá uma ótima pista sobre o porquê de alguns países terem uma pedra adicional amarrada a seus pés, tornando-os eternos emergentes que nunca emergem. Assim, governos islâmicos seguem ao pé da letra a religião e proíbem a cobrança de juros. Por que?

The objective is not simply to make Islamic banking more accessible. It is to make all banking Islamic. Certain campaigns against conventional banking have succeeded in making ‘interest-laden’ banking illegal. In Pakistan all banks were ordered in 1979 to purge interest from their operations within five years, and in 1992 the Sharia court removed various critical exemptions. Interest prohibitions have gone into effect also in Iran and the Sudan. [Caplan, B. (2007). The Myth of the Rational Voter, p.33]

Perguntas que me ocorrem: suponha que os refugiados sírios que vieram ao Brasil recentemente não sejam predominantemente católicos. Como eles enxergam a questão dos juros? Como conciliarão sua oposição à cobrança de juros com a prática brasileira?

Interessante pensar nesta questão. Nós, cristão, também já tivemos este pensamento errado sobre juros. Errado, sim, do ponto de vista científico mas não necessariamente do ponto de vista religioso porque uma religião pode pregar o que quiser sem checar fatos empíricos (é questão de fé apenas).

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Armando cidadãos e elegendo oficiais: o que Douglass North diria?

Após confrontar-se com um motim de militares, Diogo A. Feijó…

Para garantir a ordem no Rio de Janeiro, a população foi armada para cuidar de sua própria defesa. Em todo o país, a recém-criada Guarda Nacional, formada por cidadãos, assumiria o papel dos demitidos. Naquele momento, um dos mais preciosos colaboradores de Feijó foi o major Luís Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias, que dividia seu tempo entre o Exército, o treinamento militar dos cidadãos, o controle dos motins que se sucediam e o apaziaguamento dos ânimos. [Caldeira (2015), 104]

Então, armar ou não a população não é uma questão filosófica ou humanitária para políticos. Trata-se, simplesmente, de uma questão pragmática. Primeiro ponto: defensores atuais do desarmamento dos cidadãos podem estar a serviço de uma agenda que lhes é oculta? Claro, é uma pergunta polêmica, mas a evidência histórica acima (e as milícias que Maduro incentiva na Venezuela) mostram que “desarmar ou não os cidadãos” é uma questão vista pelos governantes com muito menos, digamos, preocupações humanitárias.

Bom, esta foi a pergunta de economia política mas há também a outra pergunta: a Guarda Nacional foi mais eficaz na garantia da segurança dos habitantes do Rio de Janeiro do que a polícia (muitos policiais foram demitidos por conta do citado motim)? Como construir um experimento para verificar este impacto? Existem dados?

Ah sim, existem aspectos institucionais interessantes (há muita literatura ruim, em português, sobre Douglass North e sobre o que sejam as instituições em sua visão. Assim, sugiro apenas este texto, do próprio). Vamos a eles.

Os guardas nacionais deveriam ser repartidos pelas Câmaras Municipais em unidades dentro dos distritos de cada município. A principio, as unidades seriam da arma de infantaria, ficando a cargo do governo decidir sobre a criação de unidades de cavalaria e artilharia. [C]abia ao governo escolher os Coronéis e os Majores de Legião da Guarda Nacional. Os demais oficiais, inicialmente, eram escolhidos através de eleições em que votavam todos os guardas nacionais para exercerem um posto pelo prazo de quatro anos, porém tal fórmula foi modificada após a promulgação do Ato Adicional (1834), sendo substituída por nomeações provinciais, propostas das Câmaras Municipais e, mais tarde, por indicações dos comandantes dos corpos. [o citado verbete da Wikipedia sobre Guarda Nacional]

Eleições? Desperta a curiosidade sobre se a adoção deste mecanismo tinha algum impacto na eficiência no trabalho da Guarda Nacional, relativamente às forças militares tradicionais e, não, não penso apenas em uma conversa informal, mas em algum estudo com dados empíricos.

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A democracia em São Vicente, as instituições e o desenvolvimento

Diz Caldeira [Caldeira, Jorge. “Nem céu nem inferno – ensaios para uma visão renovada da história do Brasil”. Três Estrelas, 2015, p.41]:

(…) São Vicente – primeira vila criada no Brasil – era um local tão ermo que ninguém de ‘maior qualidade’ jamais aparecia. Passaram-se 21 anos até que outra autoridade real, o governador Tomé de Sousa, aportasse ali, em 1553. [Caldeira (2015) : 40]

O trecho acima me faz lembrar de meu primeiro contato com a ótima tese de doutorado do Fernando Zanella, lá pelos idos de 2002. Por conta dele é que escrevi um dos meus primeiros artigos, sobre as capitanias de São Vicente e Pernambuco. Ainda acho o tema interessante e merecedor de mais leituras e estudos. Um dia destes voltarei ao mesmo…

Ah sim, o trecho nos traz de volta a narrativa de que São Vicente, segundo a literatura, prosperou bastante na ausência dos burocratas imperiais (a gente de ‘maior qualidade’ citada acima). Uma hipótese é a de que a cana-de-açúcar tenha sido o fator fundamental, mas há uma questão institucional que Zanella levantou, sobre a importância dos lançados (que alguns autores chamam de tangomanos, embora alguns pesquisadores façam distinção entre ambos) e que tentei modelar no meu artigo de 2003. 

Ainda sobre o tema, há um trabalho empírico, mais recente, tentando verificar os efeitos de longo prazo no desenvolvimento econômico desde as capitanias (ele está aqui), mas eu me lembro de não ter ficado satisfeito com alguma coisa (acho até que comentei aqui no blog…).

De qualquer forma, é um trabalho interessante e, provavelmente, terá que passar por uma revisão devido ao recente redesenho do mapa original das capitanias. Por que? Porque a variável “distância de Portugal”, caso o novo mapa esteja correto, está medida com erro.

p.s. Falando em instituições, o Bruno Salama está com um texto interessante sobre instituições e a política atual brasileira publicado na página do Instituto Liberal.

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Mais bons artigos sobre Douglass North

Este, de Yoram Barzel, é bem legal, mostrando bem os problemas de incentivos dentro da academia e aspectos da vida de North sobre os quais jamais imaginei ouvir a respeito (sério? um avião particular?).

Outro, de Barry Weingast, o cientista político cujos trabalhos todos deveriam ler (mais). O artigo que ele cita com Milgrom, North e, claro, Weingast, sobre o código comercial medieval é um trabalho muito interessante de se ler e foi reproduzido em um livro chamado Reputation, organizado, salvo engano, por Daniel Klein.

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Como um cão, um gato, um rato e a burocracia portuguesa geraram uma inimizade eterna? Você vai se surpreeender.

A última frase do título é besta, porque não tem nada mais ridículo, na era do Facebook, do que esta suposta “surpresa” que alguém possa ter em vídeos ou notícias. Mas a história diz respeito a uma folclórica estória que se contava em Pernambuco. Coletada por Sílvio Romero em Cantos Populares do Brasil (editora Itatiaia, 1985, p.114-115), ela mostra bem como, no Brasil, um pedaço de papel pode ser mais importante do que a infomalidade das pessoas.

De certa forma, isso me faz pensar se nosso problema não é o tipo de instituições (sempre no sentido Northiano…) que temos, não apenas se simplesmente temos alguma mas, então, estou divagando sobre um mero conto popular. Ei-lo, comentado (entre parênteses):

A Alforria do Cachorro

No tempo em que o rei francês
Regia os seus naturais,
Houve uma guerra civil
Entre os burros e animais.
Neste tempo era o cachorro
Cativo por natureza;
Vivia sem liberdade
Na sua infeliz baixeza.
Chamava-se o dito senhor
Dom Fernando de Turquia;
E foi o tal cão passando
De vileza a fidalguia.

(Ok, aqui temos a formalização da ascenção social do cachorro. Não basta, no Brasil, o critério econômico, é necessário que alguma “autoridade” assine…mas tudo bem…sigamos)

E daí a poucos anos
Cresceu tanto em pundonor,
Que os cães o chamaram logo
De Castela Imperador.
Veio o herdeiro do tal
Dom Fernando de Turquia,
Veio a certos negócios
Na cidade da Bahia.
Chegou dentro da cidade,
Foi a casa de um tal gato;
E este o recebeu
Com muito grande aparato.
Fez entrega de uma carta.
E ele a recebeu;
Recolheu-se ao escritório,
Abriu a carta e leu.
E então dizia a carta:

“Ilustríssimo Senhor
Maurício – Violento – Sodré –
Ligeiro – Gonçalves – Cunha –
Sutil – Maior – Ponte-Pé.
Dou-lhe, amigo, agora a parte
De que me acho aumentado,
Que estou de governador
Nesta cidade aclamado.
Remeto-lhe esta patente
De governador lavrada;
Pela minha própria letra
Foi a dita confirmada”.
Ora o gato, na verdade,
Como bom procurador,
Na gaveta do telhado
Pegou na carta e guardou.

(Até aqui, apenas o de sempre: o governador vai ao cartório, leva a carta e o tabelião, como sempre, guarda-a em algum lugar)

O rato como malvado,
Assim que escureceu,
Foi à gaveta do gato,
Abriu a carta e leu.
Vendo que era a alforria
Do cachorro, por judeu,
Por ser de má consciência,
Pegou na carta e roeu.
Roeu-a de ponta à ponta,
E pô-la em mil pedacinhos,
E depois as suas tiras
Repartiu-as pelos ninhos.
O gato, por ocupado
Lá na sua Relação,
Não se lembrava da carta
Pela grande ocupação.
E depois se foi lembrando,
Foi caçá-la e não achou,
E por ser maravilhoso
Disto muito se importou.

………………………………..

(Não sei quanto a vocês, mas, “judeu”? Fiquei imaginando se isso não é uma alusão aos cristãos-novos, que mudaram de “status” com a conversão. De qualquer forma, esta compliacação que é fazer de um cartório o templo da legitimidade aumenta os custos de oportunidade do tabelião que se esquece da carta e, quando a toma em mãos, dá conta do problema. Segundo a interpretação de Sílvio Romero, este é um fragmento de um romance popular que explica a inimizade entre cães, gatos e ratos. Bem, ironicamente, podemos dizer que, até nisso, o Brasil é burocrático: a origem do ódio se dá por um problema legal criado…no cartório. Há algo de irônico nisto tudo, não?)

A alforria do gato e do rato…um posfácio ao texto

Estava procurando uma imagem de gatos, ratos e cães para colocar aqui e, claro pensei em Tom, Jerry e Spike. Bem, eu não sabia, mas o desenho, em plena Guerra Fria, foi produzido, por um tempo, do lado de lá da Cortina de Ferro (é a fase dos desenhos mais toscos da série…).

In 1960, MGM revived the Tom and Jerry franchise, and contacted European animation studio Rembrandt Films to produce thirteen Tom and Jerry shorts overseas.[10][11][12][13]All thirteen shorts were directed by Gene Deitch and produced by William L. Snyder in Prague, Czechoslovakia.[10][13] Štěpán Koníček, a student of Karel Ančerl and conductor of the Prague Film Symphony Orchestra, and Václav Lídl provided the musical score for the Deitch shorts, while Larz Bourne, Chris Jenkyns, and Eli Bauer wrote the cartoons. The majority of vocal effects and voices in Deitch’s films were provided by Allen Swift.[14]
Deitch states that, being an animator for the United Productions of America (UPA), he has always had a personal dislike of Tom and Jerry, citing them as the “primary bad example of senseless violence – humor based on pain – attack and revenge – to say nothing of the tasteless use of a headless black woman stereotype house servant.”[15] He nonetheless admired the “great timing, facial expressions, double takes, squash and stretch” that were present in the Hanna-Barbera Tom and Jerry cartoons.[16]
For the purposes of avoiding being linked to Communism, Deitch altered the names for his crew in the opening credits of the shorts (e.g., Štěpán Koníček became “Steven Konichek”, Václav Lídl became “Victor Little”).[15] These shorts are among the few Tom and Jerry cartoons not to carry the “Made In Hollywood, U.S.A.” phrase on the end title card.[15] Due to Deitch’s studio being behind the Iron Curtain, the production studio’s location is omitted entirely on it.[15] After the thirteen shorts were completed, Joe Vogel, the head of production, was fired from MGM. Vogel had approved of Deitch and his team’s work, but MGM decided not to renew their contract after Vogel was fired.[15] The final of the thirteen shorts, Carmen Get It!, was released on December 1, 1962.[11]

Não é incrível o que os mercados fazem? Derrubam até barreiras ideológicas…

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A cultura da liberdade e o respeito aos direitos de propriedade

direitospropriedade

 

Eu já falei deste indicador de “cultura” aqui antes. Ele está definido, por exemplo, em nosso artigo de 2011 publicado aqui. Já tendo dito muitas vezes que correlação não é causalidade, não reivindico muito mais do que um fato estilizado aqui. O IPRI é o índice de respeito aos direitos de propriedade (em sua edição de 2013) que pode ser encontrado aqui.

Ensina-nos Hernando de Soto que os direitos de propriedade são importante fonte de geração de riqueza (algo que já foi dito também por Ronald Coase e outros). É simples, neste sentido, aliviar a situação de pobreza pela qual tantos passam: basta dar-lhes o direito de propriedade sobre suas propriedades (penso em uma favela, como no caso do Cantagalo, no Rio de Janeiro).

Neste sentido, o que a correlação acima nos mostra? Eu a vejo da seguinte forma: sociedades que se educam para uma cultura que valorize a liberdade e os princípios que regem as trocas voluntárias aceleram seu processo de saída da pobreza e também o de crescimento econômico. É muito mais difícil, obviamente, tirar proveito dos direitos de propriedade em uma sociedade que acredita ser o mercado um ente malvado e o mercado um jogo de soma zero (algo que só é possível para alguém que nunca, mas nunca mesmo, leu um livro introdutório de Economia).

Pois é. Instituições informais e formais são importantes para a prosperidade. Gente com um viés burocrático tende a acreditar que bastam criar leis e leis e mais leis e obrigar as pessoas a serem felizes. Claro que há graus de graus nisto aí e o caso extremo é o de pessoas que acreditam no que Hayek chamava de engenharia social.

Entretanto, eu vejo um problema muito mais sério no que diz respeito às instituições informais. Sabotá-las em nome de uma vaga revolução socialista, ainda que o objetivo seja apenas o de criar uma nova classe, uma aliança entre burocratas e alguns empresários tal como na versão nacionalista do socialismo (daí o nome: nacional-socialismo que, em tons mediterrâneos, ganha o nome de fascismo e não carrega consigo o ódio racial) é, isto sim, brincar perigosamente com a vida das pessoas.

Afinal, instituições informais são difíceis de se compreender (digo, a sua dinâmica, como mudam, etc), mas são muito importantes. Bem, esta é a minha interpretação do gráfico acima mas, claro, é necessário se estudar um pouco mais e ir além das correlações. Com tanta gente se dizendo, orgulhosamente, membro de algo chamado ESTUDANTE pela Liberdade (EPL), eu só posso esperar que surjam estudos empíricos mais sérios e robustos sobre o tema. Não é mesmo?

Mas eu sou um pessimista. Não vejo isto acontecendo. Obviamente, posso estar enganado. Caso meu amigo Adriano Gianturco tenha razão em seu otimismo, não precisaremos esperar nem cinco anos para o surgimento de mais estudos neste sentido. Vamos ver quem tem razão: o italiano otimista ou o nipo-brasileiro cético.

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Tanto petróleo…e tanta pobreza

Venezuela é um estudo de caso, não? Recentemente (no século passado), um falecido presidente manipulou milhares de dados eleitorais para prejudicar opositores (citei isto aqui dezenas de vezes, mas cito novamente, para quem não tinha conhecimento…aliás, vale a pena acompanhar a página do pesquisador que fez o estudo citado). Mais recentemente ainda, temos um presidente que afirma ter visto o falecido antecessor em um muro do metrô, em um pássaro (verde?), e, sabe-se lá onde mais (não merece um link, merece?). Ouvi-lo é como um pesadelo, como você mesmo pode experimentar.

É um país rico? Bem, basta olhar para as reservas de petróleo do país. Aqueles que não conhecem muito de Economia (e até alguns que conhecem, mas insistem em ignorar os aspectos de Economia Política positiva que se iniciaram há anos pela turma de Public Choice) costumam pensar que reservas de cobre, petróleo ou qualquer outra commodity da moda, é sinônimo de prosperidade. Infelizmente, não é bem assim. Não é porque você tem muitas caixas de fósforos em casa que você fuma, certo? A mesma coisa vale para esta história de petróleo e prosperidade.

Não é preciso ir muito longe. Veja a lista dos países que formam a OPEC (em português: OPEP). Não é exatamente um primor de prosperidade, é? Portanto, sim, é necessário estudar um pouco melhor esta história de instituições que Douglass North, dentre outros trouxe-nos com sua abordagem chamada Nova Economia Institucional.

Entender o retrocesso da Venezuela é uma agenda de pesquisa interessante, mas para quem lá vive, imagino, é um inferno. Um inferno, inclusive, sem papel higiênico, com inflação, violência e um discurso socialista que, sim, incentiva a perpetuação desta situação. Não é uma questão ideológica: o fato de que o sistema socialista tem um desempenho inferior a um sistema de mercado (mesmo que seja o de uma economia mista) não é um wishful thinking. Quer um mundo melhor? Vá estudar economia primeiro, o papel dos incentivos, etc. Não saia por aí batendo em opositores ou quebrando propriedade alheia. Certamente, este não é o caminho.

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O segredo do sucesso

According to Iwabuchi, the distinguishing characteristics of South Korea’s ability to develop talent include: the diligence to make efforts for self-development; a society that properly rewards those who work hard; and an international mind-set with a global perspective.

Preciso dizer mais? A entrevista completa com Iwabuchi está aqui. Instituições informais, diria North, importam. Quais são os valores que caracterizam as instituições informais de uma sociedade? Aí no alto estão alguns deles. Digo, só os que levam ao sucesso.

Pergunte ao seu professor de Geografia se estes valores são compatíveis com uma economia de mercado. Se ele negar, então você tem uma medida do grau de comprometimento ideológico dele, o que certamente não ajuda no seu aprendizado. Duvida? Pegue qualquer livro-texto de Economia utilizado em escolas do mundo como o bom e velho Mankiw. Ou o Samuelson. Ou ainda, se quer evidências empíricas, pesquise sobre instituições informais, valores e desenvolvimento econômico. Tenho uma pilha de artigos lidos que dizem o mesmo. Vários deles foram usados em meu trabalho com Ari e Pedro sobre tema correlato que foi publicado no Cato Journal (google it!).

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História Econômica e os erros de North e Acemoglu

The Institution of Douglass North

McCloskey, Deirdre Nansen (2009): The Institution of Douglass North. Unpublished.
Abstract

North, with many other Samuelsonian economists, thinks of “institutions” as budget constraints in a maximization problem. But as Clifford Geertz put it, an institution such as a toll for safe passage is “rather more than a mere payment,” that is, a mere monetary constraint. “It was part of a whole complex of moral rituals, customs with the force of law and the weight of sanctity.” The Geertzian metaphor of negotiation and ritual makes more sense than the metaphor of a mere budget constraint. Meaning matters. North in particular thinks that the budget line of anti-property violence was shifted in the late 17th century. It was not: on the contrary, England was a land of property rights from the beginning. So “institutional change” does not explain the Industrial Revolution. The timing is wrong. Incentive (Prudence Only) is not the main story, and cannot be the main story without contradiction: if it was Prudence Only the Industrial Revolution would have happened earlier, or elsewhere. Other virtues and vices mattered—not only prudence, beloved of the Samuelsonians; but temperance, courage, justice, faith, hope, and love, which changed radically in their disposition in the seventeenth and eighteenth centuries. Sheer commercial expansion is routine and predictable and ill-suited therefore to explaining the greatest surprise in economic history. The Glorious Revolution of 1689, which North and Weingast have cast in a central role, merely made the British state effective. It did not change property rights, as economists such as Darin Acemoglou have supposed, on the basis of North’s tale. North praises patents and incorporation laws, neither of which had much impact in the Industrial Revolution. The 18th century, in other words, was not a century of “institutional change.” Nor is the entire absence of property relevant to the place or period. Richard Pipes argued it was relevant, on the basis of the Russian case. Yet only in society’s dominated by Steppe nomads was property weak—in Europe in the 16th and 17th centuries, as in China then, it had been strong for centuries past. The Stuarts were not princes of Muscovy. And indeed private property characterizes all settled human societies.

McCloskey, como sempre, sacundido os alicerces…

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Cultura importa?

Bourgeois dignity and liberty: Why economics can’t explain the modern world
McCloskey, Deirdre (2009): Bourgeois dignity and liberty: Why economics can’t explain the modern world. Unpublished.
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280Kb
Abstract
Two centuries ago the world’s economy stood at the present level of Chad. Two centuries later the world supports more than six-and-half times more people. Starvation worldwide is at an all-time low, and falling. Literacy and life expectancy are at all-time highs, and rising. How did average income in the world move from $3 to $30 a day? Economics mattered in shaping the pattern but to understand it economists must know the history and historians must know the economics. Material, economic forces were not the original and sustaining causes of the modern rise, 1800 to the present. Ethical talk runs the world. Dignity encourages faith. Liberty encourages hope. The claim is that the dignity to stand in one’s place and the liberty to venture made the modern world. An internal ethical change allowed it, beginning in northwestern Europe after 1700. For the first time on a big scale people looked with favor on the market economy, and even on the creative destruction coming from its profitable innovations. The world began to revalue the bourgeois towns. If envy and local interest and keeping the peace between users of old and new technologies are allowed to call the shots, innovation and the modern world is blocked. If bourgeois dignity and liberty are not on the whole embraced by public opinion, the enrichment of the poor doesn’t happen. The older suppliers win. The poor remain unspeakably poor. By 1800 in northwestern Europe, for the first time in economic history, an important part of public opinion came to accept creative accumulation and destruction in the economy. People were willing to change jobs and allow technology to progress. People stopped attributing riches or poverty to politics or witchcraft. The historians of the world that trade created do not acknowledge the largest economic event in world history since the domestication of plants and animals, happening in the middle of their story. Ordinary Europeans got a dignity and liberty that the proud man’s contumely had long been devoted to suppressing. The material economy followed.

Bourgeois dignity and liberty: Why economics can’t explain the modern world

McCloskey, Deirdre (2009): Bourgeois dignity and liberty: Why economics can’t explain the modern world. Unpublished.

Abstract

Two centuries ago the world’s economy stood at the present level of Chad. Two centuries later the world supports more than six-and-half times more people. Starvation worldwide is at an all-time low, and falling. Literacy and life expectancy are at all-time highs, and rising. How did average income in the world move from $3 to $30 a day? Economics mattered in shaping the pattern but to understand it economists must know the history and historians must know the economics. Material, economic forces were not the original and sustaining causes of the modern rise, 1800 to the present. Ethical talk runs the world. Dignity encourages faith. Liberty encourages hope. The claim is that the dignity to stand in one’s place and the liberty to venture made the modern world. An internal ethical change allowed it, beginning in northwestern Europe after 1700. For the first time on a big scale people looked with favor on the market economy, and even on the creative destruction coming from its profitable innovations. The world began to revalue the bourgeois towns. If envy and local interest and keeping the peace between users of old and new technologies are allowed to call the shots, innovation and the modern world is blocked. If bourgeois dignity and liberty are not on the whole embraced by public opinion, the enrichment of the poor doesn’t happen. The older suppliers win. The poor remain unspeakably poor. By 1800 in northwestern Europe, for the first time in economic history, an important part of public opinion came to accept creative accumulation and destruction in the economy. People were willing to change jobs and allow technology to progress. People stopped attributing riches or poverty to politics or witchcraft. The historians of the world that trade created do not acknowledge the largest economic event in world history since the domestication of plants and animals, happening in the middle of their story. Ordinary Europeans got a dignity and liberty that the proud man’s contumely had long been devoted to suppressing. The material economy followed.

Ok, não há uma econometria por lá. Mas se o argumento de McCloskey é testável, a hipótese é se uma mudança nas instituições informais gera uma alteração no desenvolvimento de longo prazo. Trabalho que certamente é difícil, mas não menos importante.

Será que a cultura importa? Eu, Ari e Pedro encontramos evidências de que sim. E não somos os primeiros. O debate sobre o tema tem sido interessante. Há os que pensem nas instituições informais, há os que pensem nas formais. No final, ainda há muito o que pensar sobre o tema.