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Mundinho Dilbert – II

Mais uma do Kenji. Desta vez, ele aponta a maior das ironias: uma raposa elogia as raposas. Se você não entendia a intuição de viés, não tem mais jeito…

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Mundinho Dilbert

Diz Kenji:

OK, eu concordo que no ambiente corporativo, geralmente as pessoas tentam basear suas decisões em números, assim ninguém leva a culpa sozinho se tudo der errado.

Mais ou menos. Se você tem uma meta a cumprir, uma meta numérica, e não a cumpre, dançou. O problema não é se a decisão é baseada em números, letras ou desenhos. O problema é a alocação de direitos de propriedade sobre os instrumentos que se usa para alcançar as metas. Em política monetária, William Poole foi um pioneiro neste tipo de problema mas, veja bem, em uma empresa, a discussão é similar. Eu sempre vejo pessoas evitando a todo custo dizer o que é atribuição individual e conjunta para jogar, aí sim, a culpa no “grupo”. Prosseguindo:

No fim das contas, empresas são como tribos e possuem suas culturas, no sentido bem tribal mesmo. É um grande erro da administração. Fala-se de cultura organizacional como se fosse um conjunto de valores, o que soa bem mais evoluído e civilizado, mas na realidade, mesmo empresas como o google, internamente falando, não passam de tribos. Uma oca de palha na terra de chão batido, com gente colocando a mão no vespeiro prá provar que é homem no rito de passagem e entoando cânticos. A diferença é que ao invés das pinturas rupestres na parede de pedra, usamos o whiteboard.

Achei interessante o trecho acima, mas não entendi o “grande erro”. A empresa é um grande erro ou a empresa ser uma tribo “no fim das contas”, é que é um erro? A “antropologia” do Kenji é de agradável leitura, mas será apenas uma analogia? Talvez se possa dizer que o homem possui características herdadas do passado que, por bem ou por mal, podem fazer alguma diferença conforme os incentivos que se submeta (as famosas “mudanças nos parâmetros ambientais”). Falávamos disso aqui, ontem, ao falar de psicologia evolutiva, em outro contexto

Somos tribos? Sempre fomos. Mas este não é o problema. A visão de que o mundo não evoluiu porque “continuamos a repetir velhos hábitos” (alguém dirá: fumar folha de coca é um hábito antigo, logo, muito ruim?) me parece um pouco normativa demais. O sucesso de Dilbert está em mostrar as ironias de nossa natureza humana mas, cá para nós, seu autor não é sinal de que também desenvolvemos um poderoso antídoto contra os maus hábitos – a ironia?