A importância dos direitos de propriedade revisitada

Um novo artigo propõe decompor a tradicional variável “direitos de propriedade” em duas: “definição” e “atribuição” (dos direitos de propriedade, obviamente). Por que?

The paper argues that, on the one hand, property rights quality is a two dimensional concept, because property rights should be considered as the result of two constitutional decisions: one is concerned with the definition of property rights while the other is concerned with the assignment of property rights. Definition and assignment will be considered as two dimensions of property rights quality. On the other hand, property rights in the “economic” approach must be understood in a broader sense than it usually is by the empirical papers. It must also include those rights that are considered to be in the political sphere of human actions as opposed to the economic.

Ok, mas será que é possível analisar as duas dimensões separadamente, em termos quantitativos? O ponto teórico é interessante:

The claim that the system of property rights is determined by two separate constitutional decisions means that property rights security has two orthogonal dimensions. This is because property rights can be expropriated in two ways: either by redefining property rights or reassigning property rights without the consent of the owner.

Ora, sendo ortogonais, teoricamente, até pode ser que seja possível. Como o autor faz isso? Bem, ele usa análise fatorial sobre os componentes dos índices de liberdade civil e de liberdade econômica. Depois, claro, passa para os testes empíricos (a tradicional econometria, etc).

Mas me incomoda não ter visto nenhum diagrama de dispersão de variáveis no artigo (exceto pela dispersão entre as duas dimensões construídas no artigo, entre si), não ver uma discussão sobre possíveis erros de medição introduzidos com a construção das variáveis (o ponto é: se eles existem, são relevantes ou não?) e também a ausência de interpretação dos coeficientes estimados.

De qualquer forma, eis aí outro artigo que discute pontos interessantes sobre os mecanismos de transmissão das instituições sobre o desempenho econômico das sociedades.

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Cultura e o Saci-Pererê: seja criativo e pare com a xenofobia, mané!

O Saci-Pererê não precisa de lei para aparecer, seu estúpido!

Na Wikipedia menos viesada, que é a de língua inglesa, Cultura aparece assim:

The term “culture,” which originally meant the cultivation of the soul or mind, acquires most of its later modern meanings in the writings of the 18th-century German thinkers, who were on various levels developing Rousseau‘s criticism of ″modern liberalism and Enlightenment″. Thus a contrast between “culture” and “civilization” is usually implied in these authors, even when not expressed as such. Two primary meanings of culture emerge from this period: culture as the folk-spirit having a unique identity and culture as cultivation of waywardness or free individuality. The first meaning is predominant in our current use of the term “culture,” although the second still plays a large role in what we think culture should achieve, namely the full “expression” of the unique or “authentic” self.

Pois é. Complicado, não? Eu gosto da dicotomia apontada porque, na verdade, ela nos aponta uma síntese do que realmente é a cultura: algo que emerge da ação não-planejada das pessoas. Vá atrás de nosso folclore, por exemplo, com as obras de Luís da Câmara Cascudo, e você verá o quanto nossa cultura não é geograficamente determinada, mas fruto de uma interação anárquica de “culturas” várias, relativas às várias tribos de índios que tínhamos, os vários africanos e as culturas portuguesas das diversas regiões de Portugal.

Neste blog, muitas vezes, apresentei – e apresento – evidências de que “cultura” seja algo importante no estudo do Desenvolvimento Econômico, sempre ressaltando que: (a) é necessário definir uma variável como esta operacionalmente, o que implica abrir mão de sua complexidade até algum grau, (b) é um conceito dinâmico, não estático.

Os coxinhas intervencionistas querem matar nossa criatividade? Querem. Mas como são habilidosos…

Então, neste sentido, eu vejo com desdém uma manifestação que poderíamos chamar de manifestação coxinha, no sentido que alguns infelizes resolveram dar ao delicioso salgadinho. Estes mesmos infelizes, ocorre, também são, via de regra, fortemente xenófobos com relação a alguns países (ou seja, são hipócritas neste aspecto porque xenofobia vale para todos, não?). A manifestação coxinha atrai também alguns incautos que não compram este discurso, mas, no caso da cultura, sentem-se bem consigo mesmos pela sensação de que estariam “defendendo a cultura nacional”.

Que manifestação é esta? É a guerra cultural – ainda de proporções infantis – contra o halloween. Ora bolas, se as pessoas gostam da festa norte-americana, vamos aproveitar! É bom para a economia, é bom para a família, é bom para a cultura! Os adeptos do nacionalismo tacanho, contudo, protestam: “e o folclore nacional”? Simples, né? Fantasie-se de Saci, Bumba-meu-Boi, Aiocá, Ipupiara, Jurupari, Kilaino, Boitatá, Minhocão. Crie um grupo de Caboclinhos, vá cantar e dançar no estilo Cururu, ou dance a Marrafa. Como? Você não conhece metade do que eu disse? Então pára de xenofobia, meu caro! Muito de nossa cultura desapareceu, modificou-se ou sobreviveu (modificada ou não). Simples assim. Vou repetir: cultura não é um conjunto congelado/fossilizado de figuras que você conheceu quando era criança. Acorda, cara! Estamos no século XXI!

Cultura é mais do que pensam (sic) os coxinhas intervencionistas! Viva a Ordem Espontânea!

O conceito de ordem espontânea de Hayek é, creio, o ideal para se entender meu ponto. Embora muita gente queira que o governo comande suas vidas até no que podem ou não manifestar, culturalmente (olha o tamanho da contradição nesta frase!), o certo é que a cultura é uma manifestação espontânea, leitor(es). Surge e sobrevive conforme os usos e costumes do povo, não de cima para baixo. Trata-se, portanto, de um conjunto de valores, crenças que surge espontaneamente e, se aceita por todos, prevalece, não sem modificações, ao longo do tempo. Como diria meu amigo Burian: “- É a vida”.

O que me enerva nestas queixas é a confissão de que o povo brasileiro, famoso por sua criatividade, sua capacidade de mesclar culturas, hábitos, etc, empobreceu. Vai ver recebeu tanto subsídio do governo e tanta ordem de cima para baixo que perdeu sua vibrante capacidade de criar. Estamos mesmo reduzidos a xenófobos ranzinzas que não podem ver uma influência “estrangeira” que já ficamos incomodados? Justamente este país que não existiria sem japoneses, chineses, libaneses, judeus, portugueses, alemães, italianos, ingleses, norte-americanos, etc? Sério mesmo?

Provavelmente é exagero meu, mas é o que sinto ao ler certas manifestações por aí, na internet.

Ofensa educativa: deixa de ser Papangu!

Quer saber? Deixa de ser Papangu! Parece até que quer ver o Pinto Piroca!! Calma, leitor(a). Pinto Piroca é uma ‘visagem’ amazônica. Como nos explica Cascudo em seu etern(izad)o dicionário do nosso folclore:

Um habitante de Jocojó assim o descreveu: – Ninguém ainda viu o Pinto Piroca, mas de vez em quando a gente ouve o seu pio. Dizem que ele se parece com um pinto gigante com o pescoço pelado, mas ninguém sabe direito. Nossos pais é que contavam assim. A gente repete o que eles diziam. Os velhos sabem melhor que a gente. O Pinto Piroca é tratado como as outras ‘visagens’, o melhor é evitar a sua aproximação, fazer qualquer zoada ou provocação. As crianças aprendem desde cedo a comportar-se diante das ‘visagens’ para não atrair a sua malignidade (…). [Cascudo, L.C. Dicionário do Folclore Brasileiro, 12a ed, 2012, Global Editora, 564]

Pois é, leitor. Cuidado para não confundir nosso Pinto Piroca com a festa da fertilidade japonesa lá de Kawasaki. Estamos falando de outra(s) cultura(s).

Concluindo: seja mais empreendedor e menos passivo. Transforme o halloween – que veio para ficar – em uma festa divertida. Crie novas tradições! Momentos vibrantes na história de um país são aqueles nos quais seu povo trata sua cultura como uma criação constante, que se renova, modifica e que é tudo menos uma tradição ou, como talvez diria Hayek, a única tradição aqui seria a de potencializar ao máximo a quebra das tradições conforme a ação desordenada e criativa das pessoas.

Eis porque sou liberal, a despeito de tudo. Ah sim, viva o Saci-Pererê!

Brasil emporiofóbico e nada liberal…e quem diz isto são os mercados!

Cultura importa?

Como assim? Por causa disto. Vejamos o resumo deste interessante texto (a ser publicado em breve no Journal of Financial Economics):

Consistent with predictions from the psychology literature, we find that stock prices co-move more (less) in culturally tight (loose) and collectivistic (individualistic) countries. Culture influences stock price synchronicity by affecting correlations in investors’ trading activities and a country’s information environment. Both market-wide and firm-specific variations are lower in tighter cultures. Individualism is mostly associated with higher firm-specific variations. Trade and financial openness weakens the effect of domestic culture on stock price comovements. These results hold for various robustness checks. Our study suggests that culture is an important omitted variable in the literature that investigates cross-country differences in stock price comovements.

Eu, Pedro e Ari já havíamos encontrado evidências da importância de valores culturais em instituições (como a qualidade de um Estado (governo)), embora os autores dos artigo acima não nos citem. Sim, instituições informais importam, já disse Douglass North dentre outros.

O ponto dos autores é argumentar que a “cultura” seria uma importante variável omitida (meus alunos de Econometria III sabem isso de cor…) em regressões que comparam desempenho do mercado de ações entre países. Por que?

The literature suggests that individualistic investors are likely to be more confident in their ability to acquire and analyze information and less concerned about having different opinions from others (Markus and Kitayama, 1991; Heine, Lehman, Markus, and Kitayama, 1999; Chui, Titman, and Wei, 2010). Therefore, one would expect to observe less herding behavior and more firm-specific information being incorporated in stock prices, which would be likely to lead to lower stock price comovements in individualistic countries. [p.2]

Há algo muito interessante nos achados empíricos do artigo. Pensemos no Brasil, aliás, citado pelos autores em um trecho “exclusivo”:

A closer look at the data suggests that the insignificance of the tightness coefficient is due to Brazil. Brazil’s culture is both loose and collectivistic, which offer conflicting predictions for information opaqueness. [p.20]

Quando a presidente reclama dos mercados, ela reclama demais!

Ora, estamos completando 12 anos de um governo de esquerda – que se orgulha de ser anti-individualista (logo, orgulha-se de ser coletivista e não estou sendo irônico, leia qualquer documento produzido por seus simpatizantes) – e estamos em uma eleição no qual nenhum candidato mostra consistência na defesa de valores menos coletivistas: na melhor das hipóteses, um ou dois deles poderiam, com alguma boa vontade, serem caracterizados como social-democratas.

Este mesmo governo se queixa das oscilações de mercado porque está claro para a sociedade – da qual o mercado é apenas a sua expressão econômica – que a reeleição significa a continuidade de um modelo de política econômica que não gera prosperidade. Isto não é sinônimo – como querem nos vender os profissionais da publicidade que trabalham para o governo – de uma demanda por menos intervenção governamental na economia.

Embora, obviamente, o grau de individualismo/coletivismo de uma cultura possa variar entre países, é razoável supor que ela varie relativamente menos em um mesmo país. Assim, estamos falando de uma sociedade brasileira extremamente coletivista, caracterizada, não por coincidência, com um alto grau de atividade rent-seeking (veja o livro do Lazzarini ou o do Musacchio com ele, para exemplos mais recentes desta literatura) e, portanto, queixa-se de forma muito seletiva.

Ou você viu a sociedade se manifestar fortemente na época do mensalão, por exemplo? A mobilização da esquerda, que até fugiu ao controle dos seus líderes na véspera da Copa do Mundo, por exemplo, sequer foi ativada novamente com a saída lenta e gradual de mensaleiros da prisão. Ainda prevalece uma visão emporiofóbica (compatível com valores culturais que valorizam a perpetuação de traços culturais coletivistas) na sociedade brasileira, ora bolas. É este “mercado” que reclama da presidente. Uma mistura de acionistas e empresários e poupadores que não está se lixando para algum “liberalismo”, muito menos para algum “neoliberalismo”.

Concluindo….

No dia em que os mercados reclamarem de excesso de rent-seeking e a sociedade sair às ruas pedindo menos intervenção do governo em suas vidas, aí sim, poderemos falar de um eleitor mediano liberal ou libertário. Até lá, meus amigos, não, não estamos diante de um “mercado neoliberal que deseja acabar com o bolsa-família”.

Estamos, isto sim, diante de um mercado que opera sob altos graus de ineficiência econômica desejado por muitos de seus supostos empresários “liberais” que, por sinal, só financiam idéias liberais que não incentivem o uso da econometria para não terem seus poderes monopólicos ameaçados (já se vê, por aí, alguns jovens entusiastas deste discurso liberal que se diz pluralista, mas não aceita qualquer divergência de opinião e, sim, muitas vezes defende o fim do bolsa-família, do banco central, etc).

É o Brasil uma sociedade cheia de empresários jovens e realmente empreendedores, que arriscam seu capital para criar produtos novos? Não. É nossa cultura uma cultura que valoriza o indivíduo e, portanto, vê com bons olhos a liberdade de consumir? Não. É nossa sociedade caracterizada por um desejo de se livrar das intervenções governamentais em sua vida? Não.

Então, você, que reclama dos mercados “neoliberais”, engole o choro/não perca a cabeça e pára de reclamar tanto. Ou você vive no mundo que te vendem na propaganda governamental?

Mercados geram cultura? A resposta é inequívoca: sim!

Leia esta ótima matéria para ver como o comércio gera cultura. Trata-se de uma das matérias de um especial do Asahi Shimbun sobre o chá verde e a trajetória de um piloto kamikaze (que, ironicamente, sobreviveu à guerra).

Eu sei que muita gente é emporiofóbica e acha que mercado destrói cultura. Trata-se de um preconceito bem sedimentado em muita cabeça de meninos e meninas que andam por aí, pelos colégios, desarmados diante da ignorância. Mas o fato é que trocas voluntárias (sim, este é outro nome para trocas de mercado, a despeito do que te disseram nos “supostos” livros de história do ensino médio) geram cultura.

Claro que é verdade que o advento do Caminho do Chá (esta arte japonesa inventada a partir do chá verde trazido da China), uma vez admirado, roubou público do que quer que existisse antes, mas aí não é uma destruição de cultura, mas a criação de uma nova forma de se agregar valor ao chá (o prazer de se beber chá não precisa ser preservado em sua pior forma, a não ser que alguém o queira…e se o quer, que não obrigue os outros, mas faça-o para si).

A diversidade cultural vem do fato de que sempre há quem discorde deste ou daquele aspecto de uma determinada forma de se fazer algo – no caso, tomar chá – e é por isto que a arte nipônica do chá não é unanimidade mas, nem por isso, deixa de ser admirada.

A propósito, pode ser que você queira mesmo é fazer uma super-panqueca de chá verde, esquecendo-se desta conversa toda. Bem, isso não é difícil e a receita está aqui.

Cultura é importante demais para ser deixada nas mãos de amadores

Quantas vezes já entrei na sala de aula, comecei uma conversa de um tema da aula e alguém me veio com: “- Mas, professor, é a cultura!!”. Sempre há alguém que procura na “cultura” a resposta para o que não entende.

Mas não basta invocar a “cultura”, como se fosse uma daquelas palavras que se grita antes de se disparar um raio de luz pelas mãos. Como diria a propaganda do Gelol, “tem que participar”.

Neste blog, por diversas vezes, tive a oportunidade de divulgar trabalhos e discussões sobre a tal “cultura”. Já deve estar claro para os leitores mais antigos que o buraco, como diria o mineiro chileno, é mais embaixo. É óbvio demais que a cultura não é um conceito estático: ele muda (muito, eu diria) no tempo.

A cultura do brasileiro de 1500 não é a mesma da do brasileiro de 1700, 1800, 1900 ou 2000. Pegue aí um dicionário de folclore como o de Câmara Cascudo, o grande estudioso do gênero para ver como nossa riqueza cultural não advém da cristalização de estórias ou hábitos. Mas não é só isso.

A cultura é um complexo feixe de valores que não são necessariamente a última instância da explicação das coisas (não me venha com esta mania marxista de querer reduzir tudo a alguma condição econômica…). Pode ser, como já verificaram alguns estudiosos, que a cultura seja gerada por uma trajetória histórica mais antiga, relacionada às culturas agrícolas. Por exemplo, conforme Aoki (1988), em um comentário sobre um conjunto de estudos:

In an interesting and provocative chapter, Platteau and Hayami argued that a contrasting way of farming – farming on vast land by mobile farmers in severe ecological conditions – in Sub-Saharan Africa may have been responsible for the formation of a different type of norms of economic behaviour, the ‘sharing of ‘good fortunes’ ‘, which may have been responsible for the formation of a different type of norms of economic behaviour (…) which may in turn account for comparatively inadequate developmental performance in that region. (Aoki, M. (1988) The Role of Community Norms and Government in East Asian Rural-Inclusive Development and Institutional Building. In: Hayami, Y.& Aoki, M. The Institutional Foundations of East Asian Economic Development, MacMillan, 1988, p.532)

De certa forma, observamos que a relação entre condições econômicas e valores culturais não é tão simples assim. Dado isto, considere então este novo estudo cujo resumo reproduzo:

The persistence of cultural attitudes is an important determinant of the success of institutional reforms, and of the impact of immigration on a country’s culture. This column presents evidence from a study of European immigrants to the US. Some cultural traits – such as deep religious values – are highly persistent, whereas others – such as attitudes towards cooperation and redistribution – change more quickly. Many cultural attitudes evolve significantly between the second and fourth generations, and the persistence of different attitudes varies across countries of origin. (originalmente aqui)

Percebeu o tamanho do problema que temos que estudar? Mudanças nos valores culturais existem e não sou o primeiro a falar disto. Muita gente importante já falou disto antes (Putnam, Coleman, North, etc). Só que o pessoal continua confundindo as coisas porque pensa sob uma ótica ideológica simplista: acha que tudo é marxismo ou gramscianismo. Com estas lentes de alcance curto, senão erradas, concluem que a cultura é determinada pelas condições econômicas e ponto final.

O que temos é uma relação muito mais sofisticada e testável empiricamente e não classes sociais que se eternizam no modelo “feudal-capital-social-comunal” que alguns buscaram, esquizofrenicamente, eu diria, encontrar nas capitanias hereditárias brasileiras (na civilização, havia gente mais famosa no debate como Maurice Dobb, Paul Sweezy, Takahashi e outros).

Bem, a cultura pode ser importante, mas se você entrou na faculdade achando que ela explica tudo e saiu da faculdade pensando do mesmo jeito, há o risco de você não ter evoluído nada porque, em qualquer curso sério – de Ciências Econômicas ou não – não há como você manter seus preconceitos escolares por mais de cinco minutos de leituras. Até meus amigos marxistas (é, eu tenho um) sabem disso.

No Brasil, infelizmente, ainda é tabu entre economistas falar do tema. Há um ou outro falando, mas geralmente ele é confundido com pterodoxos – que não são um contingente desprezível de passado histórico hegeliano, se é que você me entende… – ou é desprezado porque não usou GMM em uma amostra de dados que não comporta um GMM. É uma longa caminhada até que tenhamos uma massa crítica intelectual relevante para melhorar a qualidade das nossas pesquisas. Mas chegaremos lá, eventualmente.

 

Sociedades inovadoras…(tente adivinhar o resto)

Como eu sempre digo, uma correlação não faz verão. Mas pode-se começar a pensar em alguns problemas do mundo real observando-se correlações. Pensando no post anterior, eis algumas, com o score do país no índice de inovação e variáveis como….

a) Liberdade econômica

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b) Índice de Falência Estatal (ranking)

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c) Índice de Filantropia (ranking)

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d) Cultura pró-mercado

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e) Índice de Cronismo (da The Economist)

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Como se vê, não dá para tirar conclusões com estas correlações bivariadas. Obviamente, você precisa de uma teoria para relacionar estas variáveis. E este não é o único problema. Afinal, os dados apresentados são todos de corte transversal e sabemos que pode haver uma dinâmica para cada variável, ao longo do tempo (embora também seja verdade que este tipo de variável tenha apresente pouca variação ao longo do tempo).

Então, antes de cair nos braços das conclusões apressadas, meu conselho é: escolha a teoria que vai utilizar.

Ah sim, eu continuo achando este indicador da The Economist um pouco complicado, no sentido de que não sei se ele, de fato, capta o cronismo das sociedades. Quanto aos demais, bem, você já os viu neste blog em diversas ocasiões. Basta ter paciência e fazer uma busca pelo blog que você os encontrará aqui (eu diria que sua pesquisa poderia começar em Dezembro de 2013).

 

A cultura e o cronismo – qual é mesmo a definição de “tigres asiáticos”?

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As pessoas gostam de falar dos “tigres asiáticos” como se os mesmos fossem bons exemplos de países “heterodoxos” (melhor seria: “pterodoxos”). Mas será que a causa da pujança destes países está em regimes fortes, com gerentões na presidência, com políticas industriais que escolhem “perdedores” (você não pode escolher um “vencedor” sem escolher “perdedores”, certo?) e com a contabilidade criativa em ação? Talvez não.

Veja, por exemplo, o gráfico acima. Temos a posição do país no ranking de cronismo (rent-seeking) da The Economist no eixo horizontal. No eixo vertical, a variável de cultura que mostra valores compatíveis com sociedades que privilegiam a alocação de recursos por meio do sistema de mercado. Ah, ok, as escalas são logaritmicas.

Então, veja, quanto mais à direita, no eixo horizontal, menos sujeito ao cronismo é o país. Já no eixo vertical, quanto mais para cima, mais a cultura do país privilegia aspectos (valores) que favorecem as trocas voluntárias entre as pessoas (isto, apesar do discurso errado que você ouviu do militante, é exatamente o que define o mercado).

Observe, no gráfico, onde estão Japão, China e Coréia do Sul. Os “tigres” não são tão tigres assim, não é? Repare em Taiwan e Cingapura, por exemplo. O caso da Rússia e da Ucrânia é mais interessante – já que o Putin resolveu brincar de Hitler agora – e você vê que sociedades com capitalismo com menor ênfase no mercado – como é o caso destes dois países – também são países caracterizados por alto índice de cronismo. Quem já estudou os incentivos que operam no socialismo real sabe que este não é um resultado surpreendente (leia qualquer artigo/livro do Janos Kornai, por exemplo).

O Brasil, claro, mostra um índice de cultura muito baixo e minha observação anedótica me diz que isto dificulta a evolução do país em direção à construção de instituições que privilegiem trocas voluntárias: as pessoas gostam de um ditador ou um presidente gerentão, autoritário, que lhes diga o que fazer e lhes dê de comer. Troca voluntária é vista como jogo de soma-zero (um erro grosseiro, mas repetido goebellianamente por supostos professores todos os dias…).

Minha observação anedótica é que brasileiro adota ditadores como nomes de praças, avenidas, ruas e fundações, como é o caso de Getúlio Vargas, não protesta para mudar este nomes e nem chama o golpe de Getúlio de golpe, mas de “revolução”. Somente quando alguns grupos de interesse agem é que você vê alguma mudança, mas repare que esta só diz respeito a ditadores que estes grupos não curtem como os da revolução (ou golpe?) de 1964.

Pois é. Então, se há algum aspecto “tigre” nos países do sudeste asiático, ele passa pela adoção de valores pró-mercado nestas sociedades. Dá o que pensar? Creio que sim. E olha que nem comentei o capital humano, também presente no gráfico.

Antes que você me pergunte sobre os dados, lembro que já os usei diversas vezes aqui, neste blog, anteriormente. Então, a “cultura” vem de trabalhos da Claudia Williamson (que também usei com Pedro e Ari neste artigo) e o índice de cronismo vem da The Economist. O capital humano, obviamente, é da famosa base de dados de Barro & Lee. Faça sua pesquisa neste blog e encontre as fontes. Ou vá pelo google mesmo.

Seu anti-liberal excludente!

Seu (neo)liberal excludente!

Embora a frase seja muito comum entre aqueles despreocupados com o significado do que dizem (afinal, o que seria um neoliberal?), o fato é que um pouco de análise estatística altera um pouco esta visão pouco trabalhada e rasteira da realidade.

Por exemplo, usando uma das medidas de capital humano do Robert Barro, o índice de filantropia (World Giving Index) e a variável de cultura usada por Claudia Williamson, observo que as coisas não são bem assim. Veja.

cultura_filantropia

 

Temos aí em cima um gráfico dividido por intervalos na medida de capital humano. O último segmento mostra que há três países para os quais não tenho esta variável e podemos desprezá-lo. Entretanto, o que observamos nos outros casos? Aparentemente, uma variação maior nos dados, que nos permite pensar em estimar relações.

Assim, vejamos a segmentação com dois métodos: um ajuste linear e um polinomial.

cultura_filantropia2

cultura_filant3

Pois é. Com quatro segmentos, praticamente perdemos os dois extremos. O que dizer dos países com muito pouco ou com nenhum capital humano na base de dados? Assim, eu recalculei o número de segmentos.

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Repare que, na amostra, a maior parte está concentrada na faixa intermerdiária. Não há tantas observações assim no primeiro segmento. Assim, vamos para mais uma rodada.

cultu_6Eu sei o que você vai dizer: que eu deveria ter feito apenas um gráfico. Na verdade, não. O ponto do argumento aqui foi o de verificar se havia diferenciação por faixas de capital humano. A educação, de fato, faz diferença? Veja, se eu seguir o ajuste linear, encontrarei uma relação positiva e, no caso polinomial, o ajuste não é tão diferente assim. Mas a dispersão é realmente um fator bem pouco conclusivo.

Liberal excludente? Ou socialista excludente?

Pelo que vimos acima, não há motivos para se rotular “liberais” de excludentes. Aliás, o ajuste mostra uma ligeira vantagem, digamos, moral, para os liberais e sua cultura individualista (não me confunda com os randianos, por favor). Isto não é algo que me espanta, para ser sincero. Afinal, em uma cultura rent-seeking, o objetivo é sempre criar leis, incentivar a ação de advogados, buscar mudanças nas leis, tudo isto para transferir recursos de parcelas da sociedade para grupos de interesse específicos. O que pode ser mais excludente do que justificar a transferência do fruto de seu trabalho – sem contrapartida monetária – para algum grupo específico? Só consigo imaginar no roubo, que é exatamente a mesma coisa, só que sem o consentimento legal.

Há mais, há mais…

Eu sei, há mais. Como isto é apenas um post na internet, certamente não é conclusivo em nada. Mas o leitor pode sair daqui com uma certeza: não dá para associar “liberalismo” com “desejo de excluir as pessoas da sociedade” ou com algum tipo de perversão anti-social.

p.s. Mais sobre cultura aqui.

Ainda o estoque de cultura da humanidade…

pib_pantheon

Ainda brincando um pouco com os dados citados no último breve post, eis aqui o logaritmo do PIB de 2000 e o ranking do Pantheon. Brincando de Acemoglu-look-alike, creio que alguém poderia começar a cogitar de uam correlação entre o estoque cultural (bom, tal e qual definido no índice) do país e o PIB.

Este é um daqueles exercícios que serve para você entender a importância dos outliers ou dos pontos influentes em uma amostra, não? Já falei deles em outro momento aqui, e não vou seguir em frente com a história agora. Talvez o povo do Nepom – ou algum outro aluno (ou monitor(a)) – queira seguir com isto. Sem dúvida, um tópico de estudo interessante para quem curte a Nova Economia Institucional.

Caso alguém esteja pensando em fazer uma correlação destas, bom, eu fiz primeiro aqui. ^_^

Capitalismo de Compadres: não parece compatível com o individualismo ou o liberalismo

The Economist, sempre ela, tem jornalistas inteligentes que vão além da simples notificação dos fatos, ou mesmo da emissão de suas opiniões: eles trabalham para testar suas convicções.

Então, vejam só, agora fizeram um índice de capitalismo de compadrio (crony capitalism index). Confesso que ainda estou surpreso com o resultado, mas a metodologia do índice poderia ser diferente, não é? Não sei se esta história das “grandes fortunas” é uma medida que me convence. Mas, sim, achei super interessante a idéia. Gostaria de tê-la tido antes.

Também gostaria de ter tido recursos para medi-la mas os supostamente ricos think tanks libertários brasileiros ou não gostam de Estatística, ou não têm recursos, ou não os aplicam em construções de indicadores. Tem gente que fala de IBASE, com aquelas teorias da conspiração (“li no jornal que X jantou com Y, é golpe da direita”…embora “li que acharam fulano com dólares na cueca e tem até foto….é golpe da direita) engraçadas que vendem livros (de ficção) e roteiros de filmes. Mas o fato é que os libertários brasileiros ou estão embolsando todo este dinheiro ou são péssimos para usar os mecanismos de mercado. Ou então não há tanto dinheiro assim. Ou, claro, uma combinação convexa destas hipóteses.

Mas o pessoal da The Economist deu um belo passo na discussão sobre rent-seeking no mundo.

Vocês já sabem, né? Eu gostaria de ver algumas correlações. Entretanto, só temos um ano para esta série. Como tirar conclusões mais detalhadas assim? Simples: não dá.

Tem muita gente falando de rent-seeking por aí, na imprensa. Há o livro do Lazzarini – que preciso comprar e/ou ganhar de presente – e há um papo aí que finalmente chegou aos bons restaurantes paulistas, sobre este tema.

Como sempre, lembro que esta questão foi tratada pela minha primeira publicação científica (e também pelo meu primeiro artigo escrito com alguém que eu não conhecia) lá nos idos dos anos 2000.

Meu co-autor, um destacado economista do IPEA hoje em dia, é um sujeito cujo blog você deveria acompanhar. Ele anda mais quieto no mundo que chamamos de “blogosfera”, mas é sempre alguém com quem vale a pena conversar – inclusive sobre Economia.

Mas eu olho para estes dados, para esta tabela, e a vontade de fazer alguma coisa com ela é grande. É tão fácil fazer correlações hoje em dia. Vou te dizer, já que a The Economist fez uma correlação com esta medida de qualidade institucional, vou olhar para uma outra medida de instituição informal.

cronismo

 

Olha aí o índice de cultura usado pela Claudia Williamson em um de seus trabalhos (pesquise em sua página…nós usamos a mesma variável aqui) e o ranking de cronismo. Em resumo, o índice de cultura mostra valores pró-mercado (caso você seja contra o “individualismo”, pode começar a chorar…). Achei interessante a correlação, apesar dos poucos dados desta amostra. Com todas as limitações (e eu não vou reclamar do tamanho da amostra porque eu não construí uma amostra maior…se você quiser, be my guest), a correlação parece fazer sentido com as teorias econômicas que abordam o papel das instituições: sociedades com valores mais liberais também são as que estão nos últimos lugares no ranking de cronismo.

Será que esta correlação é robusta a outras variáveis? Bom, aí tem que trabalhar mais e e eu nem almocei (a Lorena e a Charline, minhas orientandas, fazem monografias em temas correlatos, então, um dia destes, eu volto com novidades sobre o tema, ok?). Então é isto. Até mais.

Imigrantes…

Interessante discussão: os imigrantes carregam consigo normas sociais que podem ter impacto econômico? Trecho:

Our results support the notion that social norms are deeply rooted in long-standing cultures, yet are nonetheless subject to adaptation when there are major changes in the surrounding circumstances and environment.

  • The effect of source country social trust is strongly significant, with a size about one-third as large as that from trust levels in the destination countries where the migrant now lives.
  • Migrants from low-trust environments are especially affected by the low trust in their country of origin even after migration, while migrants from high-trust environments are less likely to import the high trust of their country of origin to their current country of residence.
  • Holding constant the effects of imported trust, immigrants and the native-born have similar levels of social trust.
  • The footprint effects for generosity are similar as those for social trust, but smaller.

To help confirm that the footprint effects for social norms represent more than just the time it takes to learn about new surroundings, we undertake similar tests for trust in national institutions, where we would not expect to see footprint effects. In contrast to our social trust and generosity results, and consistent with our expectations, we find no footprint effects for opinions about domestic institutions in the new country.

Então, sim, pode ser que aquela diferença que você intui haver em certas comunidades de descendentes de imigrantes seja, de fato, algo relevante para nossa compreensão dos processos econômicos. Pode ser que sim, pode ser que não. No mínimo, a bibliografia do artigo vale a consulta para os interessados em debater temas de fronteira como este.

Não é o individualismo, é o coletivismo o culpado

As evidências de que raízes culturais coletivistas levam a maiores níveis de corrupção já foram levantadas aqui e, agora, mais um artigo trata do mesmo tema (e chega a conclusões similares). A diferença de métodos entre os dois artigos só me reforça a suspeita de que a ligação é, realmente, importante: valores coletivistas facilitam a corrupção.

Claro que os corruptos e amantes das práticas corruptas dirão que “isto são apenas números”, mas o que você esperava deles?

Não, você não precisa de reserva de mercado de cultura “nacional”…

…até porque não existe tal coisa chamada “cultura nacional”. Não como querem alguns. Pense no Japão de hoje. Diz-se que preserva a sua cultura. Preserva? As pessoas se matam cortando a barriga hoje em dia? Não. Então, calma lá, colega. Não me venha com este papo de cultura. Temos aqui um “bumba meu boi” tal e qual os americanos têm o “dia de ação de graças”. E japoneses, brasileiros e americanos jovens certamente já dançaram sob o ritmo de alguma música da Madonna.

A cultura é sempre uma palavra “geléia” que se molda conforme o discurso dos respectivos interesses. Para um gaúcho produtor de mate, comprar mate de Santa Catarina é “anti-cultural”. Bem, um baiano poderia patentear o acarajé. E um mineiro – povinho chato este – poderia fazer a proposta de um projeto de salvação nacional para a goiabada com queijo.

Então, não, não dá para começar uma discussão séria sobre políticas públicas se as pessoas insistem em serem enganadas – mesmo quando são inteligentes e estudadas – pelo discurso político da “reserva de mercado para filme/música/autor/prostituta/político/cachorro/pipoca nacional. Isto é uma grande balela.

Agora, se você quer começar a discutir seriamente a interação entre o “nacional” e o “estrangeiro”, então podemos nos perguntar sobre se a introdução de músicas estrangeiras substitui (, complementa, um pouco de cada e, claro, não há relação com…) as músicas nacionais. Será o samba a vítima da maldita música norte-americana? As modinhas de carnaval eram tão ruins assim que foram destruídas pelo imperialismo norte-americano? Olho à minha volta e vejo, na verdade, uma diversidade de “tribos” de jovens ouvindo de tudo. Então, talvez não seja do jeito que o pessoal fala. Evidências? Sim, são sempre bem-vindas.

Bem, aqui estão os economistas – causando raiva aos outros cientistas sociais que ficaram no papo furado e não meteram a mão na massa para trabalhar (síndrome de aristocratas?) – para nos dizer sobre as evidências. Vou resumir: não dá para justificar estas bobagens chamadas do tipo “reservas de mercado” que alguns políticos adoram vender para os cidadãos que, sim, sabem que é balela, mas adoram se apaixonar ao invés de serem profissionais. Algo que, de novo, economistas também explicam bem.

Empresas, cultura e estratégia empresarial: o que, de fato, é feito?

Mais um artigo interessante:

The influence of culture, legal system, and corporate governance on the strategic and operational content of corporate annual reports
Pagliarussi, Marcelo Sanches; Liberato, Giuliana Bronzoni.
Abstract

We examine aspects of cultural dimensions, legal systems and corporate governance on the extent that firms from the United States, United Kingdom, France and Brazil disclose their strategy in annual reports of 2006. We based our analysis on concepts brought by three theories: cultural dimensions (Hofstede, 1997); legal systems (La Porta, Lopez-De-Silanes and Shleifer, 1999; Glaeser & Shleifer, 2002); and corporate governance (La Porta et al., 1999; Bushman & Smith, 2001). Each company’s annual report was entirely analyzed to assess its strategy disclosure. The hypotheses were tested through regression analysis and nonparametric tests of equality of means. The results indicate that the extent to which companies in common law countries disclosure their strategies is greater than in civil law ones. Also, we observed that firms less frequently disclose information with operational content in comparison with information with corporate strategic content.
Keywords: Disclosure, strategy, legal system, corporate governance, cultural dimensions.

Eis aí um interessante artigo para quem gosta de economia, administração e contabilidade. Acrescentaria ainda: economia política (no bom sentido). O texto é mais um daqueles estudos que acho bacana porque os autores coletam seus próprios dados.

Mais um filme que não será exibido no democrático Brasil

An American Carol, o filme que trata o desonesto Michael Moore como alvo de comédia. Evidentemente, pluralismo é algo que os nossos amigos “cinéfilos” das eternas discussões sobre “a fotografia” em documentários iranianos com legendas em húngaro não admiram. Afinal, só se fala em “declínio do império americano”, mas nunca na diversidade do cinema. 

Aliás, será que um filme americano só pode ser exibido aqui se faz crítica de parte dos valores norte-americanos? Em outras palavras: Michael Moore pode, mas críticas a ele não pode? 

Assim a cultura estagna e vamos mesmo viver como índios lutando por colares e pedras…

Recomendações de filmes que você nunca terá dos mascates das ideologias

Lições de vida para um futuro menos repressor e cerceador de suas liberdades, selvagem brasileiro? Eis um filme educativo. Veja um trecho aqui e o trailer aqui.

Ah sim, você nunca o verá por aí. Ele é muito politicamente incorreto no linguajar de hoje. Sabe como é, pluralismo, só entre social-democratas, socialistas, anarco-socialistas, comunistas. Liberalismo jamais será discutido porque, afinal, as necessidades da maioria (sem qualquer critério de medida, claro, porque isto seria positivismo e positivismo é, para os analfa-metodológicos, liberalismo) se sobrepõem às da minoria.

Assista-o e discuta-o. Liberalismo não exige profissão de fé. Exige apenas que você respeite as individualidades e tolere as diferenças. Todo o argumento anti-liberal que ouço nos botecos brasileiros está no filme. É incrível. Bela produção.

Mas se tiver chance, um dia, veja. Eu mesmo tenho cópia do filme que, eventualmente, volta ao ar na TV paga (aquela que o governo queria controlar o que você pode ver com quotas de produções nacionais).

p.s. a verdade incomoda aos poderosos?

p.s.2. o sucesso do liberalismo é tanto que o livro que deu origem ao filme está esgotado.

Religião não importa (para algumas coisas…)

Eis aí o artigo:

Title: Culture Conflict and Cooperation: Irish Dairying Before the Great War

Internet Address of abstracted work: http://www.tcd.ie/Economics/staff/orourkek/offprints/EJ2007.pdf

Language: English

Abstract:
Recent literature argues that hierarchical religions such as Catholicism hamper the formation of trust, thus reducing the propensity to cooperate and damaging economic performance. This article looks for a link between Catholicism and the propensity to cooperate in the pre-1914 Irish dairy industry. Although the propensity to cooperate was higher in Denmark than in Ireland, and in Ulster than elsewhere in Ireland, Catholicism did not make cooperation more difficult in Ireland. Political conflict over land reforms and constitutional matters was to blame, not religion. Denmark’s homogeneity, not its Protestantism, led to the success of cooperation there.

Bibliography: O’Rourke, Kevin. “Culture Conflict and Cooperation: Irish Dairying Before the Great War.” The Economic Journal, 117 (October), 1357 – 1379.

A morte

Comecei a ler este interessantíssimo texto do Dicta & Contradicta. Não terminei ainda, mas vou te dizer, leitor, não me arrependo de ter comprado este primeiro número. Não existe nada similar no Brasil em termos de qualidade e de prazer no ato da leitura. Nada daquela choradeira ideológica que mistura fotos de Sebastião Salgado no Nordeste com discurso religioso e suposta fundamentação científica. Não, não, nada disso.

Dicta & Contradicta vai além do atacadão e do varejão ideológicos.