Mais um trailer…

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Como destruir mitos

Mito 1: Japonês não “cola” na escola

Em média, acredite, a sociedade japonesa tem um capital social mais sólido do que a nossa. Ok. Mas eu disse “em média”. Aí você assiste um dos mais antigos filmes de Ozu e a cena impagável é a de um aluno que rasga e come a “cola” ao ser pego pelo professor depois do exame.

Maravilhosa quebra de preconceitos, além de divertida. Uma comédia muda de 1929. O que mais eu poderia querer para minha cinemateca?

Algumas boas músicas legendadas

Milhares de leitores deste blog, ocasionalmente, pedem-me por legendas das músicas japonesas cujos links disponibilizo. Um ou outro escreve um comentário mal-educado ou tenta se vender como mãe de aluguel (ou me pede uma receita para engordar embora eu já tenha cansado de recomendar a dos lutadores de sumô).

Bem, para estes, dois canais do YouTube: BlueArts e Hiro1808. Alguns exemplos: a bela e excelente Hiromi Iwasaki, Yuuzo Kayama e Yonja Kim, em música originalmente cantada por Kayama e Shinji Tanimura. Finalmente, Rimi Natsukawa, com Hana.

Lafcadio Hearn

Lafcadio Hearn é um personagem pouco conhecido na selva, exceto pelo genial livro Kwaidan. Li este livro há muitos anos, em castelhano – sem nunca ter frequetando um único curso de castelhano, o que mostra que a preguiça ainda é a grande desculpa de muita gente – e, este ano, comprei o filme. 

Mas de sua compra até esta semana se foram aí uns bons quatro meses. Não tenho este tempo livre…mas não é que assisti-lo agora é incrível? O curioso é que, por algum motivo bizarro, o nome original do filme, Kaidan, cuja pronúncia em português não sofre qualquer variação, ganhou esta tradução estranha e cuja pronúncia…não existe no japonês original.

Se vale a pena comprar o DVD? Conto ao leitor dois segredos: (a) adquiri (mas não chegaram ainda) alguns filmes mudos de Ozu, pré-Grande Guerra e (b) adquiri três filmes do pós -guerra (estes com legenda apenas em japonês, o que já ajuda), um deles, homônimo da popular música “Shanghai Gaeri no Riru (Lil)”. (update: ih…não tem legenda, vai na coragem e no capital humano mesmo).

Tenho cá comigo o projeto pessoal de fazer exibições de filmes antigos japoneses algum dia. Muita gente que adora cinema adoraria uma sessão de filmes, não? A vantagem é que eu poderia comentar alguns filmes ligando-os à história japonesa. Sim, a outra vantagem é que não sou “intelectual”, o que tornaria o evento algo muito mais agradável. ^_^

Recordar cinema também é viver

From Drop Box

Se você viu “Balada de Narayama” (Narayama Bushiko), certamente gostará de “Vinte e quatro olhos” (Nijyuuyon no Hitomi ou Nijyuushi no Hitomi). 

p.s. Narayama tem duas versões. A primeira, de Kinoshita e a segunda, de Shohei Imamura. O povo do lado de cá, acho, só conhece a segunda versão.

Professores em frente às câmeras

Gosto muito do Madadayo, de Kurosawa, e de como seu protagonista principal, o professor (chamado, aliás, no filme, apenas de “professor”), passa pelos anos da guerra – que lhe repugna – com relativo bom humor, até mesmo ao perder praticamente tudo (lembra um pouco o bom humor que encontro nos livros de Natsume Souseki).

Mas nas minhas compras de final de ano, incluí, por recomendação de um professor meu (irônico, não?), o “Nijyuushi no Hitomi” cuja tradução direta e correta é “24 olhos”, referência aos doze alunos que a professora Ooishi tem em uma ilha do arquipélago japonês. Extremamente triste, mas (mas?) lírico e com uma trilha sonora composta apenas de canções infantis japonesas, o filme se passa praticamente no mesmo período de Madadayo, mas o enfoque é distinto.

Em ambos, a guerra aparece como um incômodo para a vida dos idealistas professores, mas o contato que o espectador tem com a mesma não é o principal. Não é um filme DE guerra, mas um filme que se passa DURANTE a guerra e, claro, a guerra tira muito da vida dos protagonistas em ambos os filmes. Talvez seja isto que eu goste em ambos os filmes: o foco na narrativa individual dos mesmos com sua carreira, filhos e alunos.

Kurosawa lançou seu filme em 1993 enquanto Kinoshita lançou o seu em 1954. Kinoshita é menos conhecido do público brasileiro exceto pelo – também dramático – Balada de Narayama. Seria algum tipo de homenagem ao velho mestre? Nunca li nada a respeito…

Já vi muitos filmes de Kurosawa mas com à internet e à globalização, tive mais contato com a obra de outros diretores (na verdade eu havia visto filmes de Mizoguchi e Ozu antes, mas procure algum deles nas locadoras: são raras figurinhas em suas estantes…) e conheci mais atores japoneses do que apenas o excelente Toshirou Mifune.

Professores, no sentido de mestres (ou “senseis”), são figuras interessantes e comuns na cultura japonesa. Ambos os filmes merecem sua atenção e inevitavelmente nos fazem pensar sobre nossos professores ou sobre a nossa (minha) vida como professor. Já conheci mestres assim em minha vida, mas hoje não vejo muitos por aí. Talvez seja porque mudei meu olhar para alguém que também é professor, talvez porque o mundo mudou mesmo ou, claro, por causa de ambos.

A versão moderna do “espírito sensei”, na minha opinião, está em Great Teacher Onizuka. A cômica série de quadrinhos (com séries televisivas animadas e com atores reais) mostra um professor determinado a ensinar e a educar. Talvez se possa dizer que, à sua maneira, Onizuka realize os sonhos de seus dois predecessores.

p.s. Levemente relacionado ao tema deste texto…

Comprei e assisti também um filme traduzido estranhamente como “A espada da maldição” cujo título original é “O caminho (ou trilha montanhesa) Daibosatsutougue” (1966). O final é inesperado – dá a sensação de que falta algo para terminar – mas é outro filme memorável. A capa do DVD, erroneamente, dá destaque a Mifune que, embora esteja no filme, é secundário perto ao papel principal desempenhado por Tatsuya Nakadai, famoso por aqui pelo filme “Ran”, de Kurosawa. A insanidade, frieza e pura maldade imprimidas pela atuação de Nakadai ao personagem é impressionante. Outro que vale a compra.

Reflexos culturais da economia

Na recessão dos anos 80, “Love Machine”, do grupo Morning Musume foi uma mensagem de otimismo. No ano da crise, “Hi wa Mata Noboru” (algo como: “o sol ainda nasce”, “o sol nasce amanhã”, etc) dos grupos Aladin e Pabo tem o mesmo significado: levantar o astral da população diante da crise.

Acho interessante esta reflexão cultural dos fenômenos econômicos. Mas…como sou analfabeto em música brasileira, pergunto: há algo similar aqui?

A Fortaleza Escondida

Na sequência do que escrevi ontem, terminei de ver o último filme da “trilogia” de samurais de Mifune-Kurosawa. Diz a embalagem do DVD que George Lucas teria se inspirado neste filme para fazer Guerra nas Estrelas mas, honestamente, não vi nada similar (nem em idéia, nem em cenas, etc). O filme, sim, é muito bom, mas entre Yojimbo, Sanjuro e este, eu ficaria, em primeiro lugar, com Sanjuro, seguido de Yojimbo e “Fortaleza” vem em último.

Filmes

Finalmente assisti a segunda parte de Yojimbo, Sanjuro. Além do bom e velho Mifune, há ainda Kayama Yuuzo, bem novo (e praticamente irreconhecível), Tatsuya Nakadai (se não me engano, o velho samurai de Ran) e um dos companheiros de Mifune em Falcão de Edo, cujo nome agora me foge.

Falta ainda ver a “Fortaleza Escondida”, mas o leitor deste blog deve se lembrar que comprei este DVD há quase mais de um ano (se não mais). Nunca tenho tempo para um bom filme. Melhor, quase nunca. Como o especialista em cinema da blogosfera não sou eu (mas sim o Cristiano Gomes), fica aqui apenas minha impressão: Sanjuro é muito bom. Vale cada minuto. É um filme divertido, com uma história interessante e, claro, com bons atores.

Bom, para este Natal eu me presenteei com: Kwaidan – as quatro faces do medo (baseado no clássico livro do húngaro naturalizado japonês, Lafcadio Hearn), A Espada da Maldição (a sinopse promete muito sangue, o que busco em férias, né?), Domingo Maravilhoso (de Kurosawa) e A Rotina tem seu Encanto (do meu favorito, Ozu).

Tenho uma vontade de promover sessões de cinema em casa, apresentando ao público a cultura japonesa. Um dia, quem sabe, este projeto se realiza.

Hegemonia cultural tem um custo

Normalmente, a competição aumenta o custo do monopolista. Será que a hegemonia cultural dos EUA existe realmente? Tenho cá minhas dúvidas. De qualquer forma, o ponto do artigo está correto: o Japão tem aumentado sua parcela de contribuição à cultura mundial, diversificando-a e tornando-a mais interessante.