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Artigo novo publicado – Impactos da Arrecadação Tributária no Crescimento Econômico: Uma análise empírica para países do G20

Mais um artigo publicado (meu 52o). Desta vez, com Rodrigo Fernandez, Gabrielito e Dianifer. Eis o abstract:

ABSTRACT:

The relation with economic growth and the taxation has a prominent position of many policymakers and academic members, for being an important instrument of economic policy, where the use of tax collected by the government should serve to attend the social demands. This work aims to obtain some evidences about the impacts of the tax inflow at the economic growth, using panel data with fixed effect to the member countries of the G20, in a time horizon of 2005 to 2014. For these countries, the empirical results suggest that the effect of government spending, care and income tax revenues have significant effects on GDP growth. On the other hand, taxes on international trade had no effect on the growth of the product. Thus, these results provide evidence that may support the hypothesis that the literature indicates where fiscal policy has statistically significant effects on economic growth.
Keywords: Tax Collection, Economic Growth, the Countries of the G20.

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Quem está certo? Abílio Diniz ou André Diniz? ou: “Melhor é aumentar impostos ou cortar gastos?”

A entrevista foi publicada no final de semana e o empresário defendeu o aumento de impostos, para o que ele vagamente chama de “capital especulativo” (isso até que não é surpreendente). Claro que ele não defende impostos no setor em que trabalha, mas a pergunta é válida: por que não aumentar impostos para ajustar o setor público? Por que parar no (indefinido) capital especulativo?

Bem, talvez não seja uma boa idéia, conforme este artigo que mostra evidências favoráveis, para a América Latina, de um outro artigo anterior (o do Perotti, citado lá também), de uma hipótese já testada para países da OCDE sobre a diferença que faz ajustar a economia via aumento de tributos ou corte de gastos (a conclusão é que você perde menos bem-estar com o corte de gastos).

p.s. estou usando “impostos” e “tributos” como sinônimos porque, obviamente, estou me referindo ao conceito geral. Fosse isto aqui um blog de contabilidade, a história seria diferente.

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Inflação e crescimento econômico: o quão ruim é a relação?

Reexamining the link between instability and growth in Latin America: A dynamic panel data estimation using k-median clusters

Cecilia Bermudez, Carlos Dabus, Germán Héctor González

Cuadernos de Economia – Latin American Journal of Economics 05/2015; 52(1):1-23.

ABSTRACT We estimate a dynamic panel data model to assess the relationship between different levels of instability—proxied by growth volatility and inflation— and growth in Latin America from 1960 to 2011. Outlying observations could be mistakenly treated as thresholds or regime switch. Hence we use k-median clustering to mitigate the outlier problem and properly identify “scenarios” of instability. Our key findings are that while high inflation is harmful, low inflation is in fact positively related to growth. Volatility is also found to be significant and negative, but with no differential effect— between low and high levels—on growth.

Note o final do artigo: inflação baixa com crescimento econômico. A despeito de ser estranho, caso o achado seja robusto a diferentes métodos de investigação, ele nos fornece uma explicação simples para o caso de amor de alguns pterodoxos com a inflação: eles acham que um pouco de febre é sempre bom para o doente. Quer dizer, eles acham que um pouco de inflação é sempre bom para a economia.

O quão ruim é? Confira na tabela 3 do artigo deles para uma idéia inicial, antes das estimações do artigo.

acoisatafeia

O artigo não é tão grande assim, mas a parte econométrica vai assustar os alunos menos familiarizados com o tema. Nada que um pouco de paciência e persistência não resolvam, claro.

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A honestidade é um bem normal?

Nada como umas horas fazendo levantamentos bibliográficos para animar o dia. A gente encontra uns autores venezuelanos em um journal que alguns heterodoxos curtem (o que os diferencia dos pterodoxos, claro) e a festa começa…

Journal of Institutional Economics (2012), 8: 4, 511–535
Can capitalism restrain public perceived corruption? Some evidence
Hugo J. Faria, Daniel R. Morales, Natasha Pineda & Hugo Montesinos

Abstract: A growing body of evidence documents a vast array of economic an social ill-effects of public perceived corruption. These findings and the scant evidence of recent success in the fight against corruption beg the question: how abate it? We document the existence of a negative, statistically significant and quantitatively large impact of economic freedom (our proxy for institutions of capitalism, markets and competition) on public corruption. This negative response of corruption to economic freedom holds after allowing for non-linearities interacting economic freedom and political rights, endowments, legal families ethnicity and for robust determinants of corruption uncovered by Daniel Treisman [‘What Have We Learned About the Causes of Corruption From Ten Years of Cross-National Empirical Research?’,Annual Review of Political Science,10:211–244], such as income, democracy, freedom of the press and fuel exports. Thus, this paper helps to explain why high-income prosperous countries exhibit low levels of public perceived corruption, and why honesty is a normal good.

Notavelmente, veja este trecho:

Similarly, results displayed in Table 3 indicate that freedom of the press is a fragile predictor of corruption after allowing for the EFW index. Freedom of the press enters significantly in one out of three regressions presented in Table 3. This evidence is consistent with the notion that the press has to be free from governmental meddling but also from private rent-seeking groups to become an effective corruption fighter. If there are media financed by rent-seeking groups, it is critical that there is existence of a counterweight by means of social communication outlets financed by wealth-creating groups (see Becker, 1983, 1985). In much of Latin America and in particular in Venezuela, the government-owned media are socialist oriented and the privately owned media have a mercantilist bias (rent-seeking), not pro-capitalist.

Imprensa com viés rent-seeking? Onde já vimos isto? Pois é. Outra variável que não se mostrou importante no estudo deles foi a proxy de democracia (o que é fácil de se entender caso você tenha lido Buchanan, Tullock ou Olson ao menos uma vez na vida). Outro bom trecho:

For example, Alesina and Angeletos (2005) explain the permanence of low equilibriums in Latin America democracies due to the existence of a paradoxical coalition between the poor, who benefit from redistribution financed by high taxes, and the privileged rich who benefit from corruption and rent-seeking in an enlarged government.

Ou seja, sim, nossos sociólogos deveriam estudar melhor esta relação e, sem rodeios, é importante saber se programas como o Bolsa-Família podem ter um efeito socialmente negativo que é o de manter equilíbrios ruins como este. Como já falei aqui, e não preciso repetir, o Bolsa-Família é um programa interessante de inclusão das pessoas no mercado (embora muito sociólogo com preocupações ideológicas não curta isto…) o que não quer dizer que ele não possa ser usado para o fim exclusivo de perpetuação de um equilíbrio democrático ruim para a sociedade (embora possa ter uma externalidade positiva que pode acabar sendo vendida como sua principal finalidade: a de combater a pobreza).

Claro, este é apenas um artigo, mas ele levanta bons pontos para a eterna polêmica do uso político de programas de transferência de renda. Eterna, sim. Mas seu debate é mais do que necessário. Afinal, como já disse alguém, o sucesso de um programa destes se mede pelo número de pessoas que o deixa (para subir na pirâmide, obviamente). Ou você quer eternizar a pobreza só para se manter no poder?

Ah sim, uma conclusão dos autores, retoricamente falando, é a de que a honestidade é um bem normal. Bem, ela deve ser mesmo, o que não quer dizer que a quantidade ótima para a sociedade é a que observamos…

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Cultura e Livre Mercado

Islamismo e livre mercado? Quem disse que não? Veja este vídeo.

Antes que você ache que esta é uma questão resolvida e consensual, eu te digo: não é. Há quem ache uma ótima idéia cortar as mãos de criminosos (ao mesmo tempo em que condenam os que amarram criminosos em postes para esperar nossa polícia aparecer para a visita…). Há quem diga que o Islã é anti-mulheres, etc.

Há muita besteira sendo dita por aí. Fuja delas!

Para alguma coisa séria sobre o tema, eu sempre recomendo o Timur Kuran.

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Macarrão instantâneo para todos

O funcionamento da oferta e da demanda é um dos mais estudados – e nem sempre de fácil compreensão – mecanismos inventados pelos homens para resolver problemas. Diga-se de passagem, uma invenção anônima, provavelmente voluntária e muito mais pacífica do que guerras e assaltos. Mais ainda, a oferta e a demanda em mercados específicos merecem – e deveriam merecer mais e mais…e mais – atenção de qualquer interessado na própria História.

Veja, por exemplo, o caso do macarrão instantâneo. Foi inventado por Momofuku Ando (nascido na Taiwan colonial japonesa, como Wu Pai Fu). Veja como são as coisas. Taiwan já foi colônia japonesa. Resquício do mercantilismo imperial, das guerras de uma nação que se via como atrasada em relação às potências militares da época (e que humilhou a Rússia czarista em 1904-5). Obviamente, como toda dominação colonial, nem tudo foram flores.

Mas vejam como são as coisas. Uma mini-globalização imperialista não precisa resultar apenas em mortes e tristeza. Momofuku foi para o Japão, virou cidadão japonês e foi tocar sua vida. Um dia inventaria o macarrão instantâneo, não sem antes passar por uma temporada na prisão por evasão fiscal.

Eis aí a primeira lição: instituições sérias funcionam. Não é todo dia que um sujeito sai da prisão e limpa seu nome na sociedade. Um paradoxo para os que acreditam em uma fantasiosa característica maligna dos empreendedores? Vai saber. E esta história de que toda colonização exige reparação histórica de gente que nem sabia disto? Quanta imprecisão e injustiça pode ser gerada por políticas de reparações feitas de maneira ineficiente? Quem não se lembra do que disse Keynes sobre as pesadas reparações de guerra impostas na Alemanha pós-I Guerra Mundial?

Mas deixemos de lado as paixões políticas. Voltemos ao macarrão instantâneo. Já fui mais fã do mesmo nos tempos de bolsista do mestrado e do doutorado. Hoje, uso o famoso “myojão” como tapa-buracos em momentos mais raros. Nunca fui muito fã do tempero nacional em macarrões orientais. Sempre que posso, compro os importados.

E por falar em comprar e vender macarrão instantâneo, que tal dar uma olhada nos dados? Com um pouco de boa vontade (o que significa usar a Wikipedia em língua inglesa, menos viesada e mais completa…inclusive no que diz respeito aos dados), a gente consegue encontrar o consumo per capita de macarrão instantâneo (pacote ou cup) em alguns países. Por exemplo, no caso do Brasil, em 2008, o consumo per capita era e 9.08 pacotes. Em 2009, 9.92. Em 2010, 10.48. Em 2011, 11.12 e, finalmente, em 2012, 11.9. Ou seja, quase um macarrão por mês. Acho que entendi corretamente os dados originais e estamos falando de pacotes ou cups mesmo.

Os hábitos alimentares não são os mesmos aqui e na Ásia. Vejamos dois mercados tradicionais: China e Japão. Na China, 32.11 em 2008 e, em 2012, para resumir, 32.53. No Japão, 39.94 em 2008 e, em 2012, 42.46. Claro que estamos falando sobre os níveis do consumo per capita. A taxa de crescimento deste consumo (2008-2012) é expressiva para o Brasil: 27.56%. Os mercados tradicionais (Japão e China) são mais estáveis (1.29%  e 6.12%, respectivamente).

O mercado brasileiro ficou mais “asiático”? Não necessariamente. É verdade que mais chineses devem ter migrado para o Brasil nos últimos anos, mas não no montante necessário para 27%, não é? Provavelmente temos aqui mais uma evidência do crescimento econômico acelerado para as classes de mais baixa renda sobre o qual já falamos antes. Problemas de obesidade e de saúde pública podem ser, pelo menos parcialmente, resultado disto? Talvez. Mas até que se façam estudos mais sérios, isto é só uma conjectura.

Já são quase 10 da matina. O almoço terá macarrão instantâneo? Não hoje.

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A cultura anti-empresarial e o baixo crescimento econômico

Este texto para discussão do NBER vale a leitura, principalmente para os brasileiros. Temos revolta nas ruas e escolas que instilam idéias anti-empreendedorismo sem o menor cuidado com o futuro do país.

Eu sei que existe uma economia política por trás disto (bem resumida aqui) e também sei que deveríamos ler mais sobre isto e mudar nossa mentalidade.

Bom, começa com a leitura, né?

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O que a criança quer? O que a criança pode ter?

Diga a uma criança que você tem um novo método para fazê-la ganhar mais brinquedos e ela não medirá esforços em lhe convencer que ela será uma ótima cobaia. Alguém duvida? Acho que não. Qualquer um que já tenha visto uma criança deve saber do que falo. Quem nunca viu uma, sugiro que invista alguns poucos minutos neste pequeno experimento.

Todos nós somos um pouco criança, já disse algum (ou vários) poeta(s). Queremos a felicidade e achamos que temos um jeito simples de fazer isso. O presidente não conseguiu acabar com a fome? Só pode ser porque forças malignas o impediram de fazer isto. Existe gente espancando homossexuais? Só pode ser porque existe uma elite hipócrita que promove este espancamento. Há pobreza no mundo? Claro que a culpa é dos judeus. Racismo? Obviamente uma promoção de alguma maçonaria de supostos arianos.

Pois é certo que existem os que desejam conspirar, ora bolas. Mas entre o desejo de conspirar e o fazer acontecer há muito mais problemas como sabe qualquer funcionário de empresa que vê seu chefe cometer besteira sobre besteira sem ser punido. Enquanto isso, claro, a criança interior berra por solução. Onde está a vontade política? Por que meus desejos não se realizam? Simples: por que existem forças poderosas que me impedem de alcançá-los. Tem estupro de mulher na Índia? Faltou passeata de vadia. Só isso.

Mas talvez o mundo não seja tão generoso conosco, crianças. Talvez não existam soluções fáceis. Não basta marchar, não basta acusar judeus (e talvez nem sejam eles os culpados) e nem tudo é culpa de Israel (ou do Bush). O discurso mais fácil para convencer uma criança é o do “bem” contra o “mal”. Infelizmente, não é o discurso verdadeiro.

Na verdade, discursos como este geram crianças arrogantes. Crianças que pensam que tudo é uma questão de vontade. Tem uma galera que não percebe que a inflação subiu? Bem, o povo é ignóbil e precisa de um guia que os leve à compreensão plena, diz-nos a criança que habita nosso coração.  A criança quer muito que o mundo seja explicado desta forma. Chega a dar raiva quando o discurso não “cola” nos fatos. Vai ver existe uma versão judaico-militar da história que precisa ser substituída pela – vamos chama-la desta forma – versão infantil.

A imagem da criança evoca também a juventude e esta, claro, evoca energia, vontade, uma suposta facilidade em se resolver as coisas porque se é jovem. Jovens espancando pais? Não é apenas a Revolução Cultural de Mao – um legítimo experimento socialista – que promoveu este tipo de coisa. Houve também o Khmer Vermelho, hoje, devidamente colocado sob o tapete nas aulas de História. Por que? Porque estas terríveis imagens conflitam com a versão infantil dos fatos. Por que arrancar a inocência da juventude?

O interessante é que a criança interior se esquece da humildade. Será que sua versão explica mesmo os fatos? É só uma questão de conspirações? A explicação fácil não dói, mas a explicação complexa, ah sim, dói muito. Como é possível o socialismo discriminar e massacrar homossexuais? Mas é o que ocorreu em diversos países socialistas. Falar de racismo em Marx ou em Engels é quase pecado, mas é impossível negar os escritos deles (ainda que discretos e colocados, novamente, debaixo do tapete).

Seria o liberalismo (ou libertarianismo, para diferenciar o liberal norte-americano, que é, atualmente, exatamente o oposto do liberal no sentido clássico) compatível com alguma explicação fácil da realidade? Não.

O liberalismo não promete 100% de sucesso. O liberalismo é o que há de mais moderno, complexo e interessante, na minha opinião, e mesmo assim não garante sucesso. Aliás, não é diferente da inteligência artificial ou da computação. Como é que nós, crianças, pretendemos moldar indivíduos que sequer entendemos à nossa imagem e semelhança…que sequer é perfeita sob qualquer aspecto? A pergunta, tal como em outros momentos deste texto, também foi para debaixo do tapete que, inclusive, já se mostra desconfortavelmente irregular em sua superfície.

O liberalismo é uma solução que evoca a ordem espontânea, termo tão citado quanto pouco compreendido. Ainda há quem, no século XXI, acredite que há como moldar o ser humano segundo algum critério. Tentativas não faltam, claro. Há quem veja na propaganda uma arma poderosa (embora não consiga explicar como escapou da mesma). Outros falam de neurolinguística (embora continuem existindo disputas entre políticos). A lavagem cerebral também está na ordem do dia, mas é indefensável por um liberal.

Há também aqueles que pensam que alguns liberais são lacaios inconscientes da conspiração judaica-cristã, embora se vejam puros de similares influências. Quem é liberal, claro, só pode ter “viés ideológico”. Um não-liberal, obviamente, nunca se assume como viesado. O problema do debate político envolve, assim, uma criança que sofre ao encarar o mundo sob uma outra perspectiva que nem sempre lhe dará o conforto da certeza ou do autocentrismo. Envolve também a capacidade de enxergar um tapete irregular e de altura consideravelmente distante do normal e dizer que é apenas uma ilusão de ótica.

O liberal nunca prometeu a solução correta, apenas o método menos agressivo à natureza humana e que gere mais prosperidade para todos. Não há garantias que haverá igualdade de X ou Y em cada nano-segundo. Não há garantias de que o liberalismo não possa ser vencido por crianças que tenham dificuldades de enxergar outros pontos de vista e até de mudar de opinião. Não garante o liberalismo que nada de errado ocorrerá e, claro, não garante que não possam nascer pessoas que pensem como anti-liberais.

Para que serve, então, o liberalismo? Talvez devamos perguntar: onde nos levará uma criança auto-cêntrica que não muda de opinião? Esta sim, é a pergunta interessante para nós, adultos e, com alguma esperança, para muitas crianças.

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Como as elites podem destruir o crescimento econômico e mais sobre a crise mundial

A high level of trust between members of a small elite magnifies the returns to political rent seeking by this elite. We present empirical evidence consistent with this thesis, and argue that it follows naturally from viewing political rent seeking as a cooperative game among members of the elite and a non-cooperative game between the elite and the rest of society.

Isto significa, grosso modo, que a patota que adora louvar os supostos méritos de empresas familiares, devem qualificar seu otimismo. É a literatura sobre “rent-seeking” explicando, creio, o subdesenvolvimento de um grande bananal latino-americano (e suas conexões bolivarianas).

Falando em artigos de economia, eis um que finalmente vai além do colunismo irresponsável ou das explicações contraditórias sobre a crise mundial.

“Where’s the Smoking Gun? A Study of Underwriting Standards for US Subprime Mortgages”
by Geetesh Bhardwaj, and Rajdeep Sengupta

The dominant explanation for the meltdown in the US subprime mortgage market is that lending standards dramatically weakened after 2004. Using loan-level data, we examine underwriting standards on the subprime mortgage originations from 1998 to 2007. Contrary to popular belief, we find no evidence of a dramatic weakening of lending standards within the subprime market. We show that while underwriting may have weakened along some dimensions, it certainly strengthened along others. Our results indicate that (average) observable risk characteristics on mortgages underwritten post-2004 would have resulted in a significantly lower ex post default if they were to be given a loan in 2001 or 2002. We show that while it is possible that underwriting standards in this market were poor to begin with, deterioration in underwriting post-2004 cannot be the explanation for collapse of subprime mortgage market.

Full Text – Acrobat PDF (1.1M)

Entendeu, né? Ao invés de um bate-papo tradicional com uma triste narrativa sobre o dinheiro perdido ou algo mais doentio sobre um suposto fim do capitalismo, o autor investiga uma das mais citadas causas (supostas) da crise: o relaxamento nos critérios para a concessão de empréstimos. Se ele tem razão, há muito o que ser feito ainda.

Engraçado é que pouca gente tem se arriscado, na faculdade, a tentar explicar a crise. Muito papo mole sobre Finanças sumiu diante da crise atual (todos passam horas lamentando o destino do rico dinheirinho na bolsa), mas os macroeconomistas da casa não são capazes de oferecer boas explicações sobre a crise. Eis outro aspecto “rent-seeking” de alguns componentes da academia. O suposto especialista de Macroecoomia é melhor qualificado do que eu (homem de Microeconomia, se é que me entendem), para falar sobre crises. Pelo menos é o que os macroeconomistas normalmente dizem (esta é, por exemplo, a regra de ouro dos pterodoxos). Mas, se isto é verdade, porque eles esperam os colegas dizerem algo sobre a crise para, só então, pronunciarem-se?

Ao meu favor, ter o Alexandre Shwartsman no 5o SEBH (mérito dos colegas da comissão organizadora, Ari e Salvato) e o Hélio Beltrão Jr. no encontro de 15 dias atrás, foi uma forma de tentar promover o debate. Lamentavelmente, quase nenhum macroeconomista da casa foi ou debateu.

Moral da história: diga-me o que és que eu saberei o que não és.

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Economia dos EUA cresce: colunistas astrólogos em dificuldades quanto à tal crise mundial do capitalismo

Aquela galera que confunde curto com longo prazo sem muito fundamento econômico vai ter que explicar como os monopólios frios e calculistas dos EUA conseguiram entrar em uma nova era de crescimento econômico sustentável.

p.s. quando o crescimento econômico dura, dizem os não-liberais, o capitalismo avança e aí o socialismo é inevitável (Schumpeter comprou este peixe, diga-se de passagem). Por outro lado, quando o capitalismo não avança, o socialismo é inevitável (por conta do ditador bolivariano Mao Zedong). Depois Prouhdon é que não faz socialismo “científico”, né?

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Banco Central ainda não inibe investimentos da indústria

Borges destaca os projetos de infra-estrutura em curso, não apenas do governo, mas do setor privado, nos setores de energia, transporte e comunicação. “Este será o melhor ano de investimentos de infra-estrutura no Brasil desde 1975. Por mais que o Banco Central eleve os juros, o investimento em infra-estrutura é pouco suscetível a oscilações de curto prazo”, avalia.

Humm, das duas uma: ou os empresários são mulas que não entendem os sinais de mercado ou os empresários não são mulas que não entendem os sinais de mercado. Sim, nos sinais, incluo a política monetária.

Costumo pensar que um sujeito que fica rico às minhas custas (via subsídios) e/ou por competência própria (o tal empreendedor) não deve ser uma mula. Logo, alguém tem feito um discurso errado…e não sou eu.