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Incentivos nas prisões norte-coreanas

Falam tanto de valor trabalho e de socialismo, mas na hora de implantar segurança (real ou imaginária) a seus regimes ditatoriais, mostram-se bons conhecedores da Ciência Econômica:

Por causa da maneira como a sociedade norte-coreana é subdividida, da classe hostil à classe central, somente cidadãos ‘confiáveis’ podem trabalhar como guardas. ‘Confiável’, na prática, significa membro da elite abastada. Esses guardas são treinados para desumanizar seus prisioneiros, para vê-los como ‘cães’ ou ‘animais’, e não seres humanos. Também são recompensados por evitarem fugas e, assim, abundam histórias sobre guardas fingindo ajudar um prisioneiro a escapar para atirar nele ou vê-lo ser eletrocutado até a morte na cerca elétrica, antes de arrastar seu corpo de volta a fim de coletar o bônus. [http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=29140, p.204-5]

Incentivos funcionam, não é? E já que o assunto da moda é falar de presídios, eis um bônus de leitura para quem não tem fraquezas…

De acordo com algumas poucas testemunhas, os prisioneiros [dos campos de concentração] não têm permissão para manter relações sexuais e, assim, nas prisões mistas, os abortos e o assassinato de recém-nascidos são sancionados pelo Estado. Os abortos forçados são realizados pela injeção de veneno no feto, simplesmente abrindo o útero da mãe ou, se tudo mais falhar, estrangulando a criança assim que nasce. (…) Um ex-prisioneiro descreveu uma tentativa de fuga fracassada. Enquanto o fugitivo jazia espancado no chão, os outros prisioneiros receberam ordens de andar sobre ele, estilhaçando seus ossos e pisoteando seus órgãos até que morresse. [idem, p.205]

Incrivelmente triste, não?

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Política industrial sul-coreana…na prática cinematográfica: os saudosos anos 70

Ou deveríamos falar de política cultural-industrial cepalina-novamatrizeconômico-desenvolvimentista? Sim, isso mesmo. Vejamos um momento da carreira de Shin, o diretor mais famoso da Coréia do Sul nos anos 60 e 70:

(…) o governo o levara aos tribunais, acusando-o de apropriação indébita, fraude e evasão fiscal por afirmar falsamente que seu último lançamento, ‘Monkey Goes West’ (…) fora uma uma coprodução com o estúdio Shaw Brothers, de Hong Kong (…). [Vou simplificar minha citação: http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=29140, p.104]

Por que Shin faria isto?

Precisando de uma coprodução para atender às cotas de importação do governo, Shin comprara uma cópia de Run Run Shaw, introduzira algumas cenas com um de seus atores coreanos e seus próprios créditos e dublara os diálogos, lançando o filme como seu. Foi considerado culpado e multado em 210 milhões de wons (775 mil dólares), mas, surpreendentemente, recebeu permissão para lançar o filme. [mesmo livro, mesma página]

Ah sim, eu mencionei que ele era muito próximo ao presidente Park? Substituição de importações, relações perigosas entre um diretor de cinema e o governo. Mas por que pararmos neste exemplo? A página 104 do ótimo livro tem mais um exemplo.

Muitos cineastas coreanos eram improvisadores criativos quando se tratava de encontrar maneiras de contornar as regras, mas Shin era o mais sagaz de todos. Quando a lei proibiu as companhias de produzirem mais de cinco filmes, ele discretamente reorganizou a Shin Filmes no que, tecnicamente, eram quatro companhias menores, consequentemente sendo capaz de produzir vinte. [idem]

Sensacional, não?

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Alocação ineficiente: o cálculo socialista vai ao cinema norte-coreano

Vejam só esta pérola, depoimento do desertor duplo (desertou para a Coréia do Norte e, nos anos 2000, resolveu desertar de volta para o Ocidente), Charles Jenkins.

“Eles não usavam nenhum bom senso ao planejar as filmagens. Por exemplo, frequentemente filmavam as cenas na ordem em que surgiam no roteiro, em vez de usar uma maneira mais eficiente. Se, digamos, houvesse uma cena no escritório de Claus, outra em meu escritório e uma terceira novamente no escritório de Claus, eles filmavam nessa ordem, desmanchando o escritório de Claus e depois montando tudo de novo após filmar minha cena, em vez de filmar as duas cenas no escritório de Claus e depois a cena em meu escritório […]. (…) Suspeito que parte da razão para filmarem dessa maneira era o fato de em geral a história ser escrita enquanto era filmada, às vezes no mesmo dia”. [Fischer, Paul, Uma produção de Kim Jong-il, Record, 2016, p.94]

Impressionante, não?

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Maximização intertemporal de utilidade, sabor kimuchi

Jong-il entendia que seu pai não escolheria como sucessor o homem que prometesse fazer o melhor para a Coréia do Norte ou para o povo. Ele escolheria o homem que prometesse fazer o melhor para Kim-Il-sung, mesmo depois de morto. Como todos os políticos sagazes, Kim Il-sung se importava tanto com o futuro quanto com o presente: ele se importava com seu legado. [Fischer, Paul. “Uma produção de Kim Jong-Il”. Record, 2016, p.90]

Mais sobre o tirano – e sobre um dos crimes mais ignorados pela patuléia – veja isto. Aliás, neste verbete você entenderá o porquê da imagem.

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Marco Civil Norte-Coreano acaba com cortes discriminatórios de cabelo!

Agora sim, as discriminações neoliberais com este gosto doentio pela diferença, fruto do egoísmo, vai acabar.

Repare que a história se limita “apenas” aos estudantes, como bem pesquisado pelo pessoal da BBC.

Imagino a alegria dos estudantes brasileiros filiados aos partidos que aplaudem o regime norte-coreano: eles não precisam seguir as regras do ditador e ainda podem continuar fazendo seu discurso pró-Coréia do Norte!

Não é o melhor dos dois mundos?

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Os estatísticos da FAO erraram

A FAO apresenta dados muito estranhos sobre a fome na Coréia do Norte. Ainda que não se diga que a ONU age de má fé, é impressionante como seu – geralmente barulhento – bureau encarregado da fome no mundo erra feio. Eis o interessante artigo.

p.s. uma coisa é o discurso de que o sujeito que trabalha num órgão destes precisa saber estatística (básica, para dizer o mínimo). Outra é que se ensine isto a este pessoal. Esta deveria ser uma das metas do milênio…

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Negociar com ditaduras vale a pena?

O caso norte-coreano mostra o quão estúpida pode ser a negociação externa republicano-democrata do governo dos EUA. Cada vez mais parece-me que com ditadores não há conversa. Ou você apenas mantém relações econômicas com eles – e que os interessados cuidem do ditador – ou então você parte para uma política preventiva com algum tipo de ação militar rápida e eficaz.

A Coréia do Norte segue sendo o maior fiasco do socialismo e, também, a mais estúpida das economias que já existiram na Terra.

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Livre mobilidade de trabalhadores?

Eis algo interessante. A notícia está aqui e não é muito diferente do link anterior. Eu imagino se haverá algum tipo de choque quando os norte-coreanos chegarem à Mongólia. Também me pergunto sobre como o ultra-bolivariano governo norte-coreano fará para impedir que os trabalhadores norte-coreanos sejam “influenciados” por um ambiente menos repressor (embora longe do padrão europeu, norte-americano, etc).

Pelo visto, o governo norte-coreano arrumou um jeito de aumentar o fluxo de divisas (capitalistas) para o país. Socialismo é isto: o melhor dos incentivos com um discurso que os nega e repressão total. Uau!

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Crise de alimentos

Eis aqui a receita para gerar uma crise no fornecimento de alimentos. Tem tudo a ver com os famosos “éticos”, “preocupados com o social” e “politicamente corretos”. Você não os ouve muito porque, sabe como é, mataram (ou alguém matou) a Velhinha de Taubaté e há um providencial e oportuno “silêncio dos intelectuais” brasileiros, preocupados muito mais com alguma busca de renda do que com a busca da verdade (ou de algo similar).