Entendendo hipóteses dos modelos: o caso da oferta de trabalho totalmente inelástica

A hipótese de uma oferta de mão-de-obra absolutamente rígida é a caricatura de uma sociedade onde os indivíduos não dispusessem nem de amigos nem de familiares, não dispondo senão de duas alternativas: trabalhar ou morrer de fome. No mundo real há a alternativa de o indívíduo se tornar dependente; isso pode tolher consideravelmente a liberdade do homem ou da mulher, mas representa uma alternativa de sobrevivência. Na medida em qeu se considera a família, e não o indivíduo, como a unidade econômica, chega-se à conclusão de que a oferta de trabalho pode apresentar razoável coeficiente de elasticidade pela variação do número de pessoas ativas dentro da família. [Simonsen, M.H. Macroeconomia, APEC, Vol2. 2a ed, 1974, p. 241]

Observações:

  1. Não descobri isto lendo 140 caracteres na tela do meu celular, mas sim em um livro. Logo, leitores-estudantes, leiam livros, pelo amor de Deus. Deixem de preguiça e este papo de que “ah, tá tudo salvo no meu celular”. Salvar arquivos não é sinônimo de estudo.
  2. Nunca havia lido uma explicação tão singela e, ao mesmo tempo tão inteligente acerca da hipótese de oferta de trabalho inelástica. Simonsen tinha o dom, realmente.
  3. Há uma implicação interessante, portanto: se você trabalha com um modelo em que as unidades de mensuração que são households (“famílias”, numa tradução aproximada), então eu esperaria uma oferta de trabalho (por hipótese e/ou estimada) menos inelástica do que uma oferta de trabalho individual. Isto é, digamos que estimei uma oferta de trabalho para uma família e a elasticidade-preço dela (no caso, o preço da mão-de-obra, né?) for de, digamos, 0.2, então eu diria que a elasticidade da oferta de trabalho do indivíduo seria, no máximo, 0.2.
  4. Outra forma de dizer a mesma coisa é pensar no insight básico dos livros-texto de microeconomia: a oferta de uma firma é sempre mais inelástica do que a oferta de mercado para o produto desta mesma firma. É exatamente o que Simonsen explicou de maneira brilhante lá no alto.
  5. Logo, trabalhar com modelos em que a unidade básica é uma família, não é a mesma coisa de se trabalhar com “n vezes o mesmo indivíduo”, exceto sob esta hipótese explicitada. Afinal, como bem sabemos desde os trabalhos de Gary Becker, o modelo de household capta a diversidade de uma família (as famosas questões: quem lava os pratos e quem trabalha, etc). Ok, como eu disse, você pode fazer a hipótese de que a família é simplesmente uma replicação do indivíduo, mas isso seria uma simplificação desnescessária (veja o ponto 3: dali temos uma riqueza maior de análise, não?).

Ok, eu posso ter me entusiasmado um pouco, mas didaticamente, acho que Simonsen foi brilhante. Muitos passam por esta observação sem captar as sutilezas e depois, lá na frente, ficam confusos na interpretação do modelo. É sobre isto que estou tentando explicar: Simonsen foi um dos melhores economistas em explicar intuições de modelos.

Liberação de drogas: Uruguai e Brasil

Os economistas já falaram muito sobre o tema. Agora, com o experimento uruguaio, há uma oportunidade de se mensurar seus efeitos, conforme noticia o Diário Popular, de Pelotas.

O que os economistas esperam? Bem, não é difícil saber. O cientista político Diogo Costa já disseminou boa parte das nossas opiniões por aí. Você também pode pesquisar sobre o tema nos escritos do Jeffrey Miron, de Harvard. A The Economist tem uma opinião aqui. Finalmente, um estudo da London School of Economics sobre o tema, aqui. Aliás, o legal deste último estudo é a elasticidade-preço da demanda calculada.

Hence, even if one somehow knew that legalisation would reduce retail prices by 75 percent for cannabis and 90 percent for cocaine, and even if one knew those drugs’ elasticities over modest prices changes in the past were -0.5 and -0.75, respectively, it would almost certainly be wrong to project a price-induced increase in consumption of only 0.75*0.5 = 37.5 percent and 0.9*0.75 = 67.5 percent, respectively. Indeed, Caulkins and Kilmer et al. show that one cannot rule out the possibility that the actual increases could be very much larger. (p.22 do referido estudo)

Outro estudo interessante é este no qual encontramos o conceito de elasticidade-preço total da demanda.

drugs_elastic

O tema é, certamente, interessante e importante. O grande problema é conseguir os dados, notadamente no caso do Brasil. Com esta pesquisa nova que envolve alunos e pesquisadores da área de Saúde da UFPel, espero, minimizaremos este problema.

Sobre usar os modelos…

Quando eu e o Pedro começamos o Nepom, a idéia era aplicar o que se aprende em sala na análise do mundo real. Nada mais natural, já que a Ciência Econômica não foi criada para analisar mundos não-reais, certo?

Existem excelentes livros-textos, com exemplos, que bons alunos sabem usar como ferramenta de apoio para seu aprendizado. De vez em quando eu cito um ou outro aqui. Mesmo assim, achamos que era uma boa idéia criar o Nepom.

Hoje leio um texto curtinho, de blog, do Bryan Caplan, um cara que acompanho há mais de dez anos, e que está muito bom. Um ponto que me chamou a atenção do texto é que muitas vezes o aluno acha que não precisa fazer nada mais do que “invocar” um modelo no início de sua resposta. Por exemplo, você fala de um aspecto econômico qualquer da realidade (digamos, a inflação na década dos 80, no Brasil) e pede que o aluno use um modelo para explicar. Aí ele vem com um singelo: “assuma modelo X” e despeja uma análise que tem tudo a ver com o modelo X, mas não necessariamente é uma explicação compatível com o fenômeno analisado.

Um trecho do texto dele:

I don’t mean something lame like, “Some econ students disagree with me.  How dare they?”  What I mean is: I ask a question about the real world.  The question even contains the phrase, “In the real world…”  Then instead of discussing the real world, many economics students tell me about a model they learned in class.  Sometimes their answers even contain the phrase, “Assume model X.”

For example, an exam question might ask, “What determines the price of water when two individuals bump into each other in a remote desert?”  Many economics students will then start talking about supply and demand, or even state, “Assume perfect competition.  Then blah blah blah.”

This wouldn’t be so bad if the students would at least argue that, contrary to appearances, the perfectly competitive model applies.  But when students take a model for granted despite the violation of its core assumptions – such as no individual has any noticeable effect on the market price – something has gone terribly wrong.

Percebe o ponto? A grande habilidade a ser apre(e)ndida pelo estudante é a capacidade de analisar a realidade. Há duas grandes dificuldades: (a) qual teoria se adequa ao cenário proposto e (b) qual o papel dos dados nesta história?

Dois problemas sim porque, embora a covariância entre eles não seja nula – sei que não simplifica, mas… – estes dois problemas são uma senhora dificuldade. Por exemplo, eu poderia criar uma questão com algumas correlações entre cinco ou seis variáveis macroeconômicas, digamos, e perguntar ao aluno qual modelo econômico explicaria melhor aqueles dados (uma questão do tipo “modelos de ciclos reais explicando dados da realidade”).

Ou eu poderia fazer como o Caplan fez, criando uma situação que claramente não inclui a competição perfeita ou um monopólio como boa descrição da realidade e peço para o aluno responder, sem fornecer qualquer dado.

Mais ainda, poderíamos fazer aquela clássica questão de prova no qual uma firma é monopolista no mercado doméstico, mas uma pequena concorrente no mercado internacional e você introduz o índice de Lerner para ajudá-lo a responder a pergunta (na verdade, o índice faz parte da resposta porque o ponto é que o aluno tem que ter a capacidade (tico-e-teco) de perceber que o custo marginal da firma, neste caso, é o preço que ela pratica no mercado internacional).

Agora, como Caplan diz, corretamente, alunos enlouquecem quando a questão não é igual ao exercício para dummies. Digo, os exercícios para dummies são, para o ensino, algo como o alongamento para a hora de exercícios na academia. O aluno deveria fazer e perceber sua importância primordial, mas não suficiente. Claro que tem que fazer exercício simples, mas o desafio do aprendizado está em saber manipular os modelos.

Obviamente, o problema é de oferta e demanda. A faculdade é pública ou privada? Quais incentivos cada uma dela tem para ofertar um aprendizado mais sofisticado, de mais conteúdo (valor adicionado) ao aluno? Quais os incentivos que regem as ações dos professores? E a direção? Mais ainda: e os alunos? Eles dizem que querem aprender, mas só querem mesmo o diploma. Será mesmo? E a sinalização? Eles poderiam usar como sinal de sua produtividade, no mercado, sua capacidade analítica. Será que querem mesmo? Qual é o mercado relevante (algo como: ele quer trabalhar no interior do interior do interior…ou no mercado financeiro) para esta decisão?

Não é fácil, não é?

Piketty, novamente

Acemoglu e Robinson nos lembram que esta história de “leis gerais do capitalismo” (seja de que heterodoxia for: austríaca, marxista, etc) não funciona. No caso, eles tratam do Piketty.

Afinal, a realidade é algo bem menos palpável do que parece, não?

Não deixe o governo te enganar com uma suposta discriminação racial de negros por parte dos médicos

Antes, preocupe-se com professores mentirosos e militantes desinformados que ajudam a criar um clima de ódio racial (útil a quem?) por aí. Eduque seu filho e sua filha antes que algum pedófilo gramsciano o pegue com seu sedutor papo de injustiças fantasiosas.

Não, gente.Tem limite para a ignorância. Gabam-se de investir em ciência, mas não conseguem entender o que é uma evidência empírica? Ou entendem, mas escondem, propositalmente, os resultados, para contar meias-verdades?

Ignorância Racional existe?

O Lucas Mafaldo (este minimalista aqui) enviou-me a informação sobre um texto muito interessante. Eis o resumo.

Lopez de Leon, Fernanda Leite, and Renata Rizzi. 2014. “A Test for the Rational Ignorance Hypothesis: Evidence from a Natural Experiment in Brazil.” American Economic Journal: Economic Policy, 6(4): 380-98.

Abstract

This paper tests the rational ignorance hypothesis by Downs (1957). This theory predicts that people do not acquire costly information to educate their votes. We provide new estimates for the effect of voting participation by exploring the Brazilian dual voting system- voluntary and compulsory- whose exposure is determined by citizens’ date of birth. Using a fuzzy RD approach and data from a self-collected survey, we find no impact of voting on individuals’ political knowledge or information consumption. Our results corroborate Downs’ predictions and refute the conjecture by Lijphart (1997) that compulsory voting stimulates civic education.

Ou seja, segundo o artigo, a hipótese do eleitor que não se informa racionalmente possui corroboração empírica. É interessante, contudo, pensar no que disse o Allan Drazen, em um artigo, há alguns anos (curiosamente, Drazen não aparece na revisão de bibliografia das autoras), sobre o tema. De forma resumida, ele dizia o seguinte: com o passar do tempo, a ocorrência das eleições altera a forma como os eleitores se comportam diante dos políticos. Como as autoras analisaram apenas uma amostra coletada (quanto trabalho, heim???) em um corte transversal (alunos, 2010), não dá para fazer inferências sobre a dinâmica dos votos.

Assim, eu me pergunto se a análise deste ótimo artigo poderia ser complementada por outros trabalhos que analisassem a dinâmica das eleições procurando testar se existe, mesmo, algum impacto sobre a forma como os eleitores buscam se informar sobre os políticos.

Acho que este artigo vai fazer parte da bibliografia básica do curso de Econometria III no próximo semestre.

A análise científica requer mais do que apenas palavras ou estatística? Sim!

Tenho dito sempre aqui que uma correlação não faz verão. Recentemente, meu aluno Thomaz voltou a publicar no blog e, o que é sempre bom, o texto gerou uma saudável polêmica porque, em resumo, ele tentou sustentar sua tese com uma vaga correlação. O debate que, infelizmente, ficou no Facebook e não aqui, seguiu-se com intervenções de Pedro Sant’Anna (co-criador do Nepom), Regis (PPGOM-UFPel) e, claro, este que vos fala.

Existe, claro, uma questão de custo de oportunidade quando se fala em qualquer decisão humana (e não-humana…vide Freakonomics), inclusive a de se publicar textos em blogs. Quem me acompanha há mais tempo sabe que já cometi erros aqui, já exagerei acolá e, com o passar do tempo, tornei-me mais preocupado em esclarecer ao leitor as limitações do que coloco aqui. Não sendo perfeito, obviamente, devo sempre assumir meus erros e omissões.

Mas eu queria apenas voltar ao tema usando um exemplo prático, um case, como disse o Thomaz na polêmica. Aliás, este é um meta-case, já que vou usar um texto (case) para ilustrar o problema.

Lembremos do (mau) uso da estatística em um outrora celebrado autor das sociais, o famoso Oliveira Vianna. O trecho que vou citar a seguir tem um pouco de tudo. No caso, ele se remete não apenas às suas tabulações, mas também à literatura estrangeira. O tema em questão é o valor da ‘raça’ amarela em termos de inteligência.

O problema é o desempenho dos japoneses em testes psicométricos. A hipótese de trabalho:

Estudadas scientificamente pelo processo psycometrico dos ‘tests’, como se comportam ellas? como se comporta especialmente a [raça] japoneza em confronto com as raças brancas, especialmente a anglo-saxonia? [Oliveira Vianna (1938) Raça e Assimilação, p.208]

Não se sinta constrangido com o trecho acima. Lembre-se que a eugenia já foi muito popular entre o pessoal das sociais nos anos 30. Narloch, em um dos seus “guias politicamente incorretos”, lembra-nos mesmo que Allende era um entusiasta da eugenia (embora sua admiração viesse com uns 20 ou 30 anos de atraso…).

Então, veja, havia um contexto na Sociologia, Antropologia, enfim, em que a turma que estudava a sociedade achava ser “raça” um conceito central.

Oliveira Vianna faz mais: ele cita, então, um estudo norte-americano:

Os dois pesquisadores americanos (que visivelmente não morrem de amores pelos orientaes, principalmente os japonezes) foram forçados a concluir que as duas raças amarellas, com especialidade a japoneza, estudadas scientificamente em relação aos ‘tests’ da intelligencia e do caracter (temperamento), não são em nada inferiores a nenhuma das raças européas e – o que é mais surprehendente – em alguns dos ‘tests’ se mostraram mesmo superiores! [idem, p.208]

Repare no texto de Oliveira Vianna. A despeito do português impecável (e do bela grafia dos anos 30…), o autor não consegue disfarçar sua surpresa com o fato de que japoneses poderem se sair bem em testes psicométricos. Melhor ainda é o que ele diz ao final do pequeno capítulo:

O japonez é como o enxofre: insoluvel. E’ este justamente, o ponto mais delicado do seu problema immigratorio, aqui como em qualquer outro ponto do globo. [ibidem, p.209]

racistasA psicometria é uma ciência que, como qualquer outra, tem sua história cheia destes preconceitos que são típicos de cada época. Oliveira Vianna, desta forma, não é um homem descolado do contexto histórico. A bem da verdade, o racismo não era a única forma de se pensar a sociedade e há teses e teses sobre isto – em especial sobre este autor – no mercado.

O que temos é um raciocínio construído com base em uma estatística ruim – não se vê muito esforço do autor em fundamentar suas hipóteses de forma muito profunda. Há um ou outro cálculo de indicadores em seu texto, mas nada mais do que isso.

Assim, a análise científica dele tem de tudo um pouco. Citam-se dados, referências da literatura da época, nacional ou estrangeira, enfim, uma prática não muito diferente da que usamos hoje. A diferença, talvez, esteja em alguns pontos:

a) Nem sempre está claro quando Oliveira Vianna é normativo ou quando é positivo. Ou melhor, em seu livro, mistura-se opiniões pessoais com teses positivas. Não é estranho, portanto, que tantos o acusem de racismo enquanto outros achem que ele apenas seguia a literatura da época. É a mesma polêmica que alguns levantam ao ler o livro do Narloch ao se defrontarem com o pensamento ‘eugenista’ de Allende.

b) Oliveira Vianna busca respaldar suas opiniões em um texto que não é apenas literário. O livro tem cálculos de índices, tabelas e gráficos (como o famigerado gráfico acima) para tentar ajudar em seu argumento. É certo que gráficos são importantes, mas e a lógica?

c) Oliveira Vianna não tem um único teste estatístico para testar as hipóteses que levanta. Por exemplo, ao final do livro, ele tem o artigo que talvez seja o mais polêmico de todos: O problema do valor mental do negro. Obviamente, o nome desperta uma certa ojeriza, embora, como já disse, isso fosse popular no passado (lembre-se de Galton que, aliás, ele cita). Neste ensaio, ele cita um único estudo estatístico (com uma única amostra) para tentar mostrar suporte (ou, se quiserem: suportar (no pun intended)) a tese de que uma raça teria menos possibilidade de gerar pessoas com ‘valores mentais’ do que a outra (e adivinhe que ‘raça’ é…).  Em seguida, ele cita algumas referências sobre a história da África para sustentar a tese, desta vez, tentando mostrar que civilizações avançadas africanas não eram, originalmente, negras.

O que se conclui disso tudo? Na minha opinião, é simples: você pode seguir ‘consensos’ e pode se valer de um pouco de estatística, inclusive, criando categorias próprias (‘raças’, por exemplo). Claro que se a ciência não sofre censura estatal, existe sempre a possibilidade de outros autores contestarem suas descobertas.

A polêmica a que me referi no início deste texto enseja este debate, não é? Até que ponto o que fazemos é ‘ciência’, ‘divulgação da ciência’, ‘má ciência’ ou ‘má divulgação da ciência’? Tanto eu como o Leo Monasterio, Andre, Pedro, Thomaz, só para lembrar alguns que publicaram neste blog comigo sempre tentamos fazer os dois primeiros. Você pode sempre dizer que estamos seguindo “a mentalidade da época”. É verdade. Não como falsear esta afirmação. Mas acho que estamos no caminho certo. Usamos a Teoria Econômica, esta que não demoniza pessoas por raça, credo ou time de futebol. Esta mesma teoria que sempre esteve aberta a novos conceitos (veja até onde chegamos). Não que não existam grupos de fanáticos que desejam apenas fazer exegese ou impor seu credo político sobre outros. Eles existem. Mas a esperança é que a boa ciência triunfará.

Ah sim, para fazer uma homenagem aos racistas no futebol, vai aí uma outra tabela do mesmo livro.

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Frase do Dia – Timothy Besley

When we study attitudes, norms, and institutions we need to do so in a way that engages with wider reflections on what matters rather than banging our heads against brick walls that we have built for ourselves. There are diverse opinions within the economics profession and there is a core group who would likely prefer to defend the traditional paradigm against some of the developments that have been highlighted here. [Besley, T. What’s the Good of the Market? An Essay on Michael Sandel’s What Money Can’t Buy. Journal of Economic Literature 2013, 51(2), 478–495 (grifos meus]

Cabeça aberta, rapaziada, cabeça aberta.

Momento de alegria: quando os estudos sobre a política monetária se embebedam de Douglass North

Quando a gente, que mexe com Econometria, vê um texto do Charles Plosser citando Douglass North, não tem como não ficar feliz, né? Mas já tomei minha cerveja hoje, em comemoração ao meu 43o artigo publicado. Agora é hora de comemorar, mas com saúde.

Diz Plosser:

Douglass C. North, co-winner of the 1993 Nobel Prize in Economics, argued that institutions were deliberately devised to constrain interactions among parties—both public and private (North1991).

(…)

Central banks have been around for a long time, but they have clearly evolved as economies and governments have changed. Most countries today operate under a fiat money regime, in which a nation’s currency has value because the government says it does. Central banks usually are given the responsibility to protect and preserve the value or purchasing power of the currency.

Mas, espera aí, não é o mesmo Plosser que nos trouxe para o mundo dos ciclos econômicos reais? Exatamente. Vejam como são as coisas. Como eu disse mais cedo, aqui, não tenho problema nenhum em ler um artigo do Plosser sobre ciclos reais (bom, tenho problema com a matemática, que é complicada e me toma tempo porque sou bem burrinho, como sabem meus amigos mais próximos), mas não tenho preconceitos. Afinal, se você é um economista, pensa a Ciência Econômica como algo parecido com a Medicina: sempre em evolução, nunca com as respostas prontas.

Aceitamos, como já falei aqui hoje, o “pluralismo”, mas sempre com seriedade. Não vale a palhaçada que se vende por aí como “pluralismo” (veja meu post anterior, no qual faço um exercício simples de retórica política).

Plosser cita instituições e fala sobre Banco Central. Nada mais óbvio. Ele pode até estar errado aqui ou ali. Você pode até não concordar com ele. Mas repare que a trajetória intelectual do autor nos sinaliza para a importância de estudarmos a política monetária de forma mais, digamos, microfundamentada. Ronald Hillbrecht fala isso na minha cabeça há anos. Por conta dele, estudei o livro do Allan Drazen no doutorado. Não me arrependo.

Pronto. Eis aí meu exemplo de como o mainline é muito mais sofisticado do que dizem seus detratores ou os que ignoram a literatura. Você pode falar de ciclos reais, fazer uns testes de raiz unitária, aplicar um DOLS a uma matriz de séries de tempo e falar da evolução institucional na Grécia antiga (ou na Grécia atual, como nos lembra Mundell, lá, nos anos 90, quando, em um pequeno artigo, já falava do probleja fiscal do país…). Isso é ser economista.

Como diria o pastor: regozijai-vos, manés que me seguiram até aqui!

Frases do Dia: não tenha medo da interdisciplinaridade!

Você tem medo de Econometria? Tem medo do R? Não tenha. Mente aberta! Talvez ajude se eu citar alguém da área. Que tal um Nobel de Ciências Econômicas?

Perhaps no other science receives as much criticism from both its own members and outsiders as does economics, and one of the ever fashionable criticisms is that economists are slow to take account of highly relevant work in other disciplines. Modern statistics had such a development, and, judged by its fruitfulness, it was of undeniable importance in economic study. The speed and generality with which the new techniques were adopted by economists left no occasion for complaint.

 

Studies in the history of economics usually culminate in apology or criticism. I seize this opportunity to end one such study on a note of pride.

A referência:

The Early History of Empirical Studies of Consumer Behavior
Author(s): George J. Stigler
Source: Journal of Political Economy, Vol. 62, No. 2 (Apr., 1954), pp. 95-113
Published by: The University of Chicago Press
Stable URL: http://www.jstor.org/stable/1825569.

Salário mínimo e desemprego….e um ponto sobre a demanda de evidências empíricas no Brasil

Como eu costumo dizer, há várias coisas legais em se estudar Economia. Uma delas é verificar o impacto de leis em mercados específicos. O último número do Southern Economic Journal traz um estudo interessante. O resumo está aí embaixo.

The Effect of the Tipped Minimum Wage on Employees in the U.S. Restaurant Industry
William E. Even and David A. Macpherson

According to federal law in 2013, employers can take a credit of up to $5.12 for tips received by workers in satisfying the minimum-wage requirement of $7.25. This article uses interstate variation in laws regarding tip credits and minimum wages to identify the effects of reducing or eliminating the tip credit on employment, hours, and earnings in the U.S. restaurant industry. Using data from the Quarterly Census of Employment and Wages and the Current Population Survey, we find that a reduction in the tip credit increases weekly earnings but reduces employment in the full-service restaurant industry and for tipped workers. The results are robust to controls for spatial heterogeneity in employment trends and are supported by a series of falsification tests.

Sabe aquela história de o gerente do restaurante juntar todas as gorjetas para depois redistribuí-las? Pois é. Eu sempre me perguntei sobre o porquê disto (na verdade, eu sempre me perguntei depois que uma aluna, que estagiava em alguma empresa, teve que lidar com este problema e me relatou em sala). Após uma leitura super-superficial (sic), já posso dizer que um dos méritos do artigo é fazer a transição didática do modelo de concorrência perfeita de sala de aula – aquele em que discutimos a questão de salário e desemprego – para um modelo menos simples (mas ainda de sala de aula, caso você tenha continuado seus estudos…) de concorrência imperfeita. Aí a discussão do salário e do desemprego fica mais interessante (*).

Claro que nossa estrutura institucional (leis!) é diferente da dos EUA e eu não sei detalhes da mesma para o Brasil. Entretanto, vai aí mais uma observação: onde estão os estudos similares para o Brasil? A disponibilidade de dados, aqui, parece-me mais restrita (mas vem melhorando ao longo destes últimos 20 anos nos quais eu, consistentemente, tenho reclamado disto) aqui do que lá. Por que é assim (assuma que é)?

Creio que a demanda social de análises de políticas públicas é muito baixa. Tem aumentado, mas é baixa. Embora se fale de “positivismo” no Brasil, como disse uma vez o grande filósofo Alberto Oliva, não temos nada de influência positivista por aqui (exceto, talvez, por um ou dois templos positivistas no RS…). Tivéssemos mesmo alguma influência positivista séria, então teríamos muito mais bases de dados do que temos hoje.

Ok, mas eu imprimi uns dois artigos ali. Dá tempo de ler ainda.

(*) Ah sim, só para lembrar, em um de seus livros de Economia, Richard McKenzie (co-autorado com Dwight Lee) também introduz algumas modificações no modelo tradicional, mostrando que as coisas não são tão simples quanto pode parecer aos que usam apenas o modelo simples de oferta e demanda (e olha que não estou falando de complicar a vida com incerteza e tal…).

Vai um cafezinho aí?

Eis um estudo pequeno, mas didático para quem acabou de aprender a lei de demanda e não sabe o que fazer com ela.

Where to sell the next cappuccino? Income per capita and coffee consumption
Arturo Jose Galindo – Inter-American Development Bank

Abstract
This paper estimates the world demand for coffee using a dataset for 88 countries from 1990 to 2005, and dynamic panel data estimators. Results suggest that the income elasticity of demand is non constant and varies according to a country’s income level. Higher income countries have lower income elasticities than middle and low income ones. Differences in price elasticities are not significant across income groups

Por que didático? Porque geralmente o pessoal tem uma visão muito limitada – quando aprende – da lei de demanda ou melhor, da função (de) demanda. A falta de noção sobre o caráter científico da economia, muitas vezes, impede que o sujeito perceba como aplicar a econometria em problemas do mundo real.

Por exemplo, muitos alunos desistem do curso porque acham a “função demanda muito abstrata”. Entretanto, se você tem uma boa base estatística e entende a ligação entre teoria e prática, as coisas ficam bem mais simples. 

Um preconceito comum acerca disso é o famoso: “mas eu não quero ficar na academia”. Ok, então você está me dizendo que nem precisava ter feito vestibular, certo? Ok, imaginemos que a bronca é só com a aplicabilidade. Neste caso, um bom profissional de marketing poderá lhe dizer sobre a importância da coleta de dados, de seu tratamento estatístico e da estimação. Obviamente, nem todos os profissionais são bons ou tratam de análise de dados, mas pense nisso. Enquanto isso, fique com um café. Eu, por acaso, hoje, estou no chá verde. ^_^

A crise e os cursos de economia

John Taylor acha que chegou a hora de abandonarmos a divisão entre macro e micro – tradição criada por Paul Samuelson – para uma visão mais integrada.

Difícil discordar dele, no nível de graduação, onde, honestamente, as coisas não são tão difíceis. Entretanto, é uma tarefa espinhosa pois exige não apenas uma mudança na grade curricular de um curso em alguns casos, mas também que se reveja aulas em ambos os cursos (macro e micro). Difícil, mas não menos interessante.

Evidência número 899.657.891,12 de que teoria dos jogos está acima da compreensão pterodoxa

Axioma Keynesiano #1 – todos pterodoxo diz que a Teoria dos Jogos é muito abstrata e não se aplica à realidade.

Fato –

In July 1994, game theory got its big test when the US government held its first auction for the sale of radio spectrum. Initial estimates by the Federal Communications Commission (FCC) put the value of spectrum at about 10bn, but of course it was difficult to guess a value for a unique product.

So, in a rare test for academia, the government pulled in game theorists and asked them to construct rules for a real auction that would ensure the best possible price from the bidders. The result was a stunning success. By early 2001, the FCC had collected more than 42bn for spectrum rights in a series of auctions. The theorists were further flattered by imitation around the world, where spectrum sales reached 100bn by the end of 2001.

Conclusão – Pterodoxos fazem leitura seletiva. Não porque estudaram muito, mas porque se recusam a estudar autores diferentes aos de seu culto.

p.s. não se engane, pterodoxos sabem, melhor do que ninguém, manipular dados estatísticos para provarem pontos absurdos. Reza a lenda que um deles provou que a gravidade não existe.

p.s.2. nem tudo são flores. Teoria dos Jogos pode levar a resultados ruins. Mas assim também o é com a faca e o melão: você pode cortar a mão ou o melão usando a mesmíssima faca (inside joke).

Nem todo órgão público precisa ser “chapa branca”: o caso de Taiwan

Em Taiwan, o governo do presidente Ma lançou um plano de vouchers para combater a crise. Obviamente, o presidente acha o plano um sucesso. Contudo, um de seus ministérios acaba de lançar um relatório contestando todo este otimismo.

President Ma Ying-jeou (馬英九) yesterday lauded the government’s consumer voucher program, despite a Ministry of Audit report this week questioning the effectiveness of the scheme.

The ministry’s Audit Report 2008 identified several flaws in government spending, including the NT$3,600 consumer vouchers that were issued to eligible residents ahead of the Lunar New Year. The report said the policy was cooked up in a hasty manner and its effects remained to be seen.

However, Ma did not mention the ministry’s report during his meeting with the board of directors of the Chinese National Federation of Industries at the Presidential Office yesterday.

Ma told the guests that the consumer vouchers “have reached the target of boosting GDP by 0.6 percentage points” and that they helped stimulate consumer spending.

“Public support for the vouchers is high. The vouchers were issued at the right time — right before the Lunar New Year. They have benefited the leisure, wholesale and general merchandise sectors,” Ma said. “When I visited places around the country, everybody asked me to do it again. Some even said they should be issued three times a year.”

O argumento do presidente é o mais populista possível. Se uma lágrima escorreu do olho de algum velhinho do interior, o plano é um sucesso. Há quem chame isto de “avaliação de projetos sociais não-neoclássica”. Há quem chame isto de “apenas um ponto-de-vista plural“. Mas há quem chame isto de wishful thinking. Afinal, pluralismo, para esta gente, só vale quando a prática é não-plural, quando órgãos públicos são aparelhados, etc.

Se o plano do presidente Ma funcionou ou não é uma questão que cabe aos bons economistas (os que usam, sim, estatística, teste de hipóteses, estas coisas que se aprende no começo do curso, como um alfabeto no maternal) responder.

Frases que eu gostaria de ter escrito

O maior argumento da mediocridade é fazer-se passar por diversidade. Diversidade é quando se abre espaço para diferentes idéias igualmente válidas. Há muito espaço para contestação e diálogo dentro da boa economia, mas é preciso método e implicações refutáveis. Caso contrário, é melhor usarmos túnicas e buscarmos uma pedra-filosofal heterodoxa.

Estudos Econômicos – nova edição

Olha quanta coisa interessante no último número da Estudos Econômicos!

Vol 39 No2
Sumário
Consequências Metodológicas das Formulações ‘as if’: Como a Abordagem Evolucionária Sugere uma Interpretação Realista da Economia
Roberta Muramatsu, Fábio Barbieri

Asymmetric Effects of Monetary Policy in Brazil
Edilean Kleber da Silva Bejarano Aragón, Marcelo Savino Portugal

Determinantes do Fluxo de Investimentos de Portfólio para o Mercado Acionário Brasileiro
André Franzen, Roberto Meurer, Carlos Eduardo Soares Gonçalves, Fernando Seabra

A Crucialidade dos Condicionantes Internos: o Desenvolvimento Comparado das Colônias Temperadas Inglesas entre 1850 e 1930
Cristina Fróes de Borja Reis, Fernanda Graziella Cardoso

Instituições dos Estados, Educação dos jovens e Analfabetismo: Um Estudo Econométrico em Painel de Dados
Joilson Dias, Maria Helena Ambrosio Dias

Say, Sismondi e o Debate Continental sobre os Mercados
Rogério Arthmar

Dinâmica do Emprego e Custos de Ajustamento na Indústria do Rio Grande do Sul
Paulo de Andrade Jacinto, Eduardo Pontual Ribeiro

Inflação Inercial como um Processo de Longa Memória: Análise a partir de um Modelo Arfima-Figarch
Erik Alencar de Figueiredo, André M. Marques

Por que superstições persistem?

Does Fortune Favor Dragons?

John Nye, Noel D. Johnson

July 2, 2009

Why do seemingly irrational superstitions persist? This paper analyzes the widely held belief among Asians that children born in the Year of the Dragon are superior. It uses pooled cross section data from the U.S. Current Population Survey to show that Asian immigrants to the United States born in the 1976 year of the Dragon are more educated than comparable immigrants from non-Dragon years. In contrast, no such educational effect is noticeable for Dragon-year children in the general U.S. population. This paper also provides evidence that Asian mothers of Dragon year babies are more educated, richer, and slightly older than Asian mothers of non-Dragon year children. This suggests that belief in the greater superiority of Dragon-year children is self-fulfilling since the demographic characteristics associated with parents who are more able to adjust their birthing strategies to have Dragon children are also correlated with greater investment in their human capital.

Boa e má economia

Luz no fim do túnel:

Saiu uma matéria péssima no caderno de fim de semana do valor entitulada “Por uma realidade plural”. O conteúdo era aquela eterna ladainha sobre e economia ortodoxa ter um pensamento único que ignora que o ser humano é mais do que uma funão utilidade, blá, blá, blá. Pior, os entrevistados dizem que a crise financeira PROVA que a economia ortodoxa está errada. Esse papo existe há décadas e a economia ortodoxa continua sendo ortodoxa. E vai continuar sendo, com ou sem crise.

Acho que os críticos e os criticados ganhariam muito se deixassem de lado essa separação ortodoxia/heterodoxia. Eu dou dois motivos. Primeiro, essa separação fica cada vez mais cinzenta, com vários pesquisadores que usam função utilidade e econometria boa chegando a resultados que classicamente são conseiderados “heterodoxos”. Segundo, muitas vezes é difícil saber se a crítica é direcionada ao projeto de pesquisa em si ou ao resultado. Isto é, sempre que se encontra um resultado que vai contra o que o crítico acredita, a faz-se uma crítica sobre o método, disfarçando o alvo verdadeiro, que, no caso, seria o resultado.

Rafael está correto. Os heterodoxos de quermesse – perdão, Alex, não resisti – adoram usar a estratégia da dupla face (duas caras) sempre que podem. Por um lado falam generalidades pseudo-filosóficas em jornais, entrevistas e blogs sobre o fim do mundo, da economia dita neoclássica e outros papos de boteco. Já, por outro lado, nas catacumbas dos encontros científicos, usam econometria (opa, opa, o mundo não é ergódico, tia Tereza!) e outros métodos que condenam em frente ao grande público como meio de se venderem como excelentes pesquisadores.

Exceções de praxe, este é o comportamento mediano da patota. Não pense que isto ocorre só aqui, no Brasil. Alguns economistas mimetizam seus colegas das Ciências Sociais (os de quermesse, entenda-se bem) e se acham doutrinadores, promovendo um discurso mal-educado, agressivo, no qual o insulto é a regra. E olha que nem estou falando dos pterodoxos de quermesse…

O desenvolvimento da economia no Brasil, eu já disse, é um fenômeno interessante e que deveria ser melhor estudado.

11.833,47 mil toneladas de arroz

Que número é este? Segundo os autores deste artigo, esta é a regra ótima de armazenamento de arroz no Brasil. Como eles chegaram neste número? Bem, se você já aprendeu algo sobre dinâmica, controle ótimo, Bellman, equações diferenciais e afins, certamente já passou por problemas similares.

O mais interessante do artigo, na minha opinião, é seu caráter didático. Hordas de alunos sempre invadem a calmaria científica armados de intenso preconceito e idéias incorretas sobre o uso da matemática em economia. É um tal de “isto não serve para mais nada além de fazer uma prova”, ou “nunca vi nenhum amigo meu usar isto”, etc. Estes argumentos não ultrapassam sequer as sombras platônicas, para fazer uma piada mais filosófica (que, aliás, não é muito comum entre os meus amigos, para citar a frase anterior).

Só porque seu amigo não usa, não quer dizer que você está certo. Só porque você é incapaz de enxergar além de uma pedaço de papel com questões, também não quer dizer que você está certo. Se o objetivo é aplicar o instrumental em algo que o perturba, não é também verdade que: (a) você possui a habilidade necessária para fazer isto; (b) você certamente aprenderá como fazer isto em cinco anos; (c) o sistema de ensino conseguirá enfiar o conhecimento em sua cabeça na cacetada.

Lamentavelmente, não nascemos geniais (eu que o diga). É um fato da vida. Mas daí a usar a desculpa de “se eu não consegui, mesmo com todo meu esforço, a culpa não é minha”, vai um imenso fosso. Um fosso cheio de jacarés e piranhas, perigoso mesmo para um breve mergulho.

Neste sentido, o artigo acima pode interessar aos engenheiros agrônomos, aos economistas da área (economia agrícola) e até aos curiosos. Mas, para mim, ele tem um significado distinto do que provavelmente os colegas enxergam. Ele me mostra que o uso do conhecimento não é sinônimo da transposição direta do que se lê em um livro-texto. É mais do que isto.

Claro, também é um bom artigo para se entender as aplicações de dinâmica econômica.

Calvo

Excelente entrevista do Calvo. A dica é do SB que, aliás, disse bem:

Fascinante entrevista com o maior economista argentino Guillermo Calvo na Macroeconomic Dynamics em 2005. A entrevista mostra claramente como brilhantes idéias são geradas, de particular importância é o ambiente acadêmico, os contatos pessoais, os efeitos da network. A história de Calvo liga outros excelentes economistas argentinos Julio Olivera, Carlos Díaz-Alejandro, Carlos Rodriguez, e Miguel Sidrauski, passa pelo brasileiro Edmar Bacha e chega a Cass, Stiglitz, Prescott, Koopmans e Phelps entre outros.

Não preciso dizer que o avanço da ciência passa pela atuação de brilhantes cientistas, sempre dispostos a não canonizar autores, e sim aprender com eles.

Uma metáfora comum é a de que a gente deve “subir em ombros de gigantes”. Acho-a ruim. Na verdade, o cara que sobe nos ombros de um gigante nunca se livra dele. Talvez seja melhor dizer que pulamos de ombros em ombros até percebermos que nos tornamos grandes o suficiente para oferecer os nossos para alguém…ou não.