Oferta e demanda no espaço

Eis um artigo legal sobre o tema. Trechos:

Currently, the prices of launch are still high enough that demand remains relatively inelastic. At a recent Mitchell Institute for Aerospace Studies panel event, part of the conversation centered around that discussion of inelasticity. One of the panelists, Dr. Scott Pace, the director of the Space Policy Institute at George Washington University, argued that thus far SpaceX has been successful at winning market share, but that its lower prices have not yet generated a spike in increased demand. He also pointed out that, on the demand side, technological progress is creating competition between plans for smaller satellites in larger numbers and larger satellites with improved capabilities. How that competition plays out will help determine the nature of the demand for space launch, which will also change elasticity to price.

These are, as-of-yet, hypotheticals. It may well be that SpaceX’s reusable rockets move prices below a point that opens up more demand for launch. Increasing demand for space-based data, mixed with lower access costs, could be the right mix to spark a long-awaited renaissance in space use.

Será?

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Anúncios

Mr. Potato e os choques reais

Nos anos 90…

Ainda me lembro quando este papo de “choques reais” chegou às salas de aula. Um ex-professor (hoje, importante membro do governo de um certo estado brasileiro), mostrando-nos que não era um especialista no tema, comentou, em tom obviamente jocoso: “- Choques tecnológicos negativos? Estes novo-clássicos apelam mesmo”.

Os anos se passaram, alguns professores passaram a se dedicar a outros temas que não a Economia e eu ganhei o The Tyranny of Experts do William Easterly por uma correção de mercado a uma falha de mercado (é, você não leu errado) que incentivou a generosidade do Ronald Hillbrecht.

Bem, e quanto aos choques reais?

Tecnologia é sinônimo de acelerador de partículas?

Acho que a grande virtude da noção de choques reais – sou eternamente grato aos economistas novo-clássicos (dentre outros) por me tirarem da escuridão do preconceito e da ignorância – é mostrar que a resposta ao título desta mini-seção é negativa. Claro que vou usar o exemplo do livro que ganhei (embora não exista almoço ou livro grátis).

Fala-se da China. China, que historiadores famosos da época – falamos da década dos 30 – diziam ser algo monótono, “estático”. Estamos falando de gente que apareceria em programas da televisão se vivessem hoje. Publicariam blogs disseminando suas análises, seu pessimismo, etc. Bem, por mais que a gente queira, nem sempre a razão nos dá respaldo.

Easterly nos dá um exemplo de como os chineses se livraram da fome. Eles importaram uma tecnologia latino-americana. Uma tecnologia que viria a explicar, segundo estudos, cerca de 1/4 do aumento populacional do país no período de 1700 a 1900 (da China e do Velho Mundo, para ser preciso).

Não são as caravelas, os trabucos ou a moeda. Nada disso. Trata-se da batata. Citando:

The Spanish borrowed the potato from the South American Andes (…) after the conquest by Francisco Pizarro in 1532, and other Europeans learned about it from the Spanish. Chinese farmers learned about the potato from Dutch traders in the 1600s. The potato made it possible for farmers to plant in mountainous areas previously unsuitable for agriculture. [Easterly, W. (2013) : 293]

Veja bem: a inovação não foi planejada por sábios e nem adquirida como alvo de uma invasão espanhola em busca de melhor alimentação. A tecnologia da batata é uma daquelas consequências não-intencionais de outras ações: alguém, em algum momento, encontra a batata em meio a um processo histórico em que a ênfase era a de exploração de minas de prata ou ouro e, por caminhos totalmente não-planejados previamente, a batata chega à China.

Vá plantar batatas!

Muita gente entende erroneamente o conceito de Mão Invisível de Adam Smith. A pista talvez esteja nas batatas, ou melhor, em situações como esta. Além disso, este verdadeiro case nos mostra que o conceito de choque tecnológico – tal como o entendemos modernamente – não tem nada de estranho ou incomum.

Talvez mandar alguém plantar batatas possa ter um significado, digamos, não muito pejorativo daqui em diante. ^_^

Choques reais: vem aí a nanofibra de celulose

Lembra que eu falei do gás de xisto, né? Pois é. Agora eu anuncio a nanofibra de celulose como mais novo choque real. Trecho:

Carbon fiber may often be dubbed the next-generation material, but it’s another product — cellulose nanofiber — that is increasingly attracting attention among manufacturers.
A low-weight, high-strength material, cellulose nanofiber has potential use in a wide range of products, including auto parts, food packaging, clothing, cosmetics and inks.
Recognizing this, and in light of the nation’s existing forest farming industry, the government is promoting the material whose market is expected to reach ¥1 trillion annually in Japan by 2030.

Será? Vamos aguardar. A propósito, tinha passado batido esta referência do Tyler Cowen sobre ciclos reais…no Brasil.

Nem sempre a tecnologia te dá o que você pensa que ela vai te dar…

As the great theorist of technology Marshall McLuhan put it in Understanding Media, “It was the telephone, paradoxically, that sped the commercial adoption of the typewriter. The phrase ‘Send me a memo on that,’ repeated into millions of phones daily, helped to create the huge expansion of the typist function.

Ok, acho que o título deste post poderia ter sido menor e mais bem elaborado. Mas é exatamente isto que eu sinto ao ler um trecho como o reproduzido acima. Ah sim, uma meta-piada é que se existe algo horroroso no Kindle, digo, no aplicativo do Kindle, é a possibilidade de se compartilhar trechos anotados e/ou grifados.

Por exemplo, não consigo citar corretamente, com a página e tudo o mais (parece que usuários de Mac não têm este problema). Pode ser que eu seja ignorante no uso do aplicativo (acho que sou mesmo), mas tenho a impressão de que não estou tão errado assim.

McLuhan e os ciclos reais de negócios

Agora, veja como é o processo de inovação, na visão do McLuhan: a tecnologia em um setor não necessariamente tem os mesmos efeitos em outros setores e é por isto que não é tão simples quantificar seus efeitos, na prática. Claro que não vou também virar um destes luditas intelectuais que querem destruir a análise estatística de dados porque a acham imperfeita. Vou até dizer mais: a frase do McLuhan é perfeitamente compatível com a idéia de ciclos reais, com choques de tecnologia sendo positivos e negativos no agregado.

Aliás, este é o melhor exemplo que eu já vi para quando alguém perguntar sobre como é possível haver choques de tecnologia negativos. Vou passar a dizer: “olha, meu caro, lá na sociologia tem um cara, tal de McLuhan, que mostrou exemplos de efeitos mistos da tecnologia, no agregado. Quem sou eu para garantir que o efeito só pode ser positivo”?

Choque de produtividade no seu humor

Ironicamente (?), aquele pessoal crítico da economia que se junta lá na tribo dos sociólogos não percebe, mas eles têm bastante afinidade com a nossa aldeia de economistas adeptos da teoria dos ciclos reais. Não é uma delícia perceber isto?

vtbs12

“Garotos, qual de vocês vai me enviar o relatório impresso para a reunião do diretor?”

A sazonalidade como choque de produtividade

É, eu sei. Você já ouviu aquele papo econométrico sobre ciclos reais e raízes unitárias. Não é uma conversa fácil, pois técnica. Mas vamos ilustrar o choque de produtividade usando a história. Em particular, alguns trechos do The Rational Optimist (P.S.) do Matt Ridley.

Primeiro, o bom e velho camelo.

Thanks to a newly perfected technology, the camel, the people of the Arabian Peninsula found themselves well placed to profit from trade between East and West. The camel caravans of Arabia were the source of the wealth that carried Muhammad and his followers to power. The camel had been domesticated several thousand years earlier, but it was in the early centuries AD that it was at last made into a reliable beast of burden. It could carry far more than a donkey could, go to places a wheeled bullock cart could not, and because it could find its own forage en route, its fuel costs were essentially zero – like a sailing ship.

Sensacional, não? O camelo foi um fator de produção importante em uma época em que conflito e comércio eram muito frequentes na história. Camelo também é choque real, cara!
Quanto à sazonalidade, muitos livros de Estatística dão uma definição (ou várias) bem técnicas e alguns de nós, professores, falamos de exemplos relacionados a preços da arroba do boi gordo ou épocas de colheita. Mas o que dizer da sazonalidade como um choque de produtividade? Aí vai o outro trecho:
Thanks to the discovery of the monsoon, which reliably blew ships eastward in summer and back westward in winter, the journey across the Arabian Sea was cut from years to months.
Pois é, gente. Eu não acredito que eram os deuses astronautas. Pode até ser que alguém, um dia, consiga encontrar evidências disto, mas eu aposto que não. A genialidade humana não deve ser menosprezada (lembra do meu papo, há uns dias atrás, sobre Julian Simon?).
Estamos muito (mal) acostumados a pensar na sazonalidade como um fator aditivo que, em um estudo de ciclos econômicos, deve ser modelada (ou extirpada, em exercícios simples) para que possamos detectar o “sinal” e não o ruído (um problema que Lucas, inteligentemente, importou para a Ciência Econômica).
Mas veja o exemplo acima. Como é que alguém teve a idéia de usar a sazonalidade das monções? Provavelmente, claro, alguém queria maximizar seus ganhos e descobriu esta simples característica da natureza com potencial para economizar custos. Aliás, esta questão da navegação na história é um tópico que não é estranho aos da área de História Econômica, basta ver o antigo artigo do Douglass North sobre o tema.
Então, veja, existem sazonalidades que nos chegam por conta da natureza. Nem todas são usadas a nosso favor. Algumas economias lutam para controlarem os ciclos naturais de alguns produtos. Outras sociedades já aproveitaram a sazonalidade a seu favor, como no exemplo acima.
O pesquisador, entretanto, geralmente segue o seguinte lema: “vamos filtrar as séries e/ou modelar a sazonalidade. O que sobrar é nosso produto cujos ciclos reais vou estudar”.
Agora, na perspectiva deste meu exemplo, a sazonalidade em si merece um estudo do tipo “sinal-ruído” porque parte dela pode ser devido aos choques de produtividade como no caso do transporte marítimo dos árabes em nosso passado distante. Não creio que estou falando nenhuma novidade e sabemos que há quem goste de falar de raízes unitárias sazonais. Provavelmente alguém já disse algo parecido (gentileza me enviar referências nos comentários). Mas, não sei. Usando camelos como exemplo, isto nunca me ocorreu.

A tecnologia…

Olha aí o ultimate resource do Julian Simon, novamente em ação. Baita idéia! Uma tomada “inteligente” que te ajuda a poupar energia elétrica. É engraçado como os livros de Macroeconomia raramente (estou dando o benefício da dúvida já que não conheço todos os livros publicados no mundo) citam Julian Simon ao discutir inovações ou choques tecnológicos. Mais sobre Simon aqui.