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Choques reais: vem aí a nanofibra de celulose

Lembra que eu falei do gás de xisto, né? Pois é. Agora eu anuncio a nanofibra de celulose como mais novo choque real. Trecho:

Carbon fiber may often be dubbed the next-generation material, but it’s another product — cellulose nanofiber — that is increasingly attracting attention among manufacturers.
A low-weight, high-strength material, cellulose nanofiber has potential use in a wide range of products, including auto parts, food packaging, clothing, cosmetics and inks.
Recognizing this, and in light of the nation’s existing forest farming industry, the government is promoting the material whose market is expected to reach ¥1 trillion annually in Japan by 2030.

Será? Vamos aguardar. A propósito, tinha passado batido esta referência do Tyler Cowen sobre ciclos reais…no Brasil.

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Obama tripudiou mas o mercado venceu: o petróleo e o gás do xisto

Victor D. Hanson ironiza a situação de Obama. Trechos ótimos:

The Obama administration never much worried about high energy costs. During the 2008 campaign, Obama promised that “under my plan . . . electricity rates would necessarily skyrocket.” Shutting down coal plants and using higher-priced but cleaner natural gas would pave the way for an even pricier mandated wind and solar generation.
In the vice-presidential debates of 2008, Joe Biden mocked Sarah Palin for the supposedly mindless campaign mantra of “Drill, baby, drill.” Biden intoned that “it will take ten years for one drop of oil to come out of any of the wells that are going to be drilled.”

Claro, como sabemos, há aí uma geopolítica envolvida, mas, no final…

The late Hugo Chávez used his oil windfall in Venezuela to subsidize subversion throughout Latin America. Petrodollar-rich Russian president Vladimir Putin charted a confident anti-American foreign policy.
Iran used its growing riches to step up progress toward producing a nuclear bomb while upping subsidies to terrorist organizations such as Hezbollah.
Then, finally, oil and gas prices plunged owing to the “drill, baby, drill,” can-do attitude of the private sector. Americans should thank the U.S. oilman — from the drillers in the field to the engineers behind the scenes — who did the impossible. They vastly increased the supply of what was supposedly a permanently declining resource, and thereby helped to crash prices.

Petróleo, xisto…aliás, o xisto está com tudo. Enfim, mais um exemplo de choque de produtividade trazendo mudanças em toda a economia. Para quem gosta de ciclos reais, este é um tema interessante. Só para você ver:

The history of natural gas wellhead and pipeline regulation, deregulation and regulatory reforms are discussed. These reforms brought natural gas shortages and pipeline inefficiencies to an end. They also created an economic platform that could support unanticipated developments in the supply and costs of domestic natural gas. Such unanticipated developments emerged in the last few years as several technological innovations came together to make it commercially attractive to development US shale gas deposits located deep in the earth. How and why shale gas supplies will lead to dramatic changes in the United States’ energy future with appropriate environmental regulatory reforms are discussed.

É, gente…tem que saber criar instituições que favoreçam os avanços tecnológicos e, vou dizer, geralmente, estas instituições não são nem um pouco parecidas com este intervencionismo superficial e de inspiração Geisel-Lulista…

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A sazonalidade como choque de produtividade

É, eu sei. Você já ouviu aquele papo econométrico sobre ciclos reais e raízes unitárias. Não é uma conversa fácil, pois técnica. Mas vamos ilustrar o choque de produtividade usando a história. Em particular, alguns trechos do The Rational Optimist (P.S.) do Matt Ridley.

Primeiro, o bom e velho camelo.

Thanks to a newly perfected technology, the camel, the people of the Arabian Peninsula found themselves well placed to profit from trade between East and West. The camel caravans of Arabia were the source of the wealth that carried Muhammad and his followers to power. The camel had been domesticated several thousand years earlier, but it was in the early centuries AD that it was at last made into a reliable beast of burden. It could carry far more than a donkey could, go to places a wheeled bullock cart could not, and because it could find its own forage en route, its fuel costs were essentially zero – like a sailing ship.

Sensacional, não? O camelo foi um fator de produção importante em uma época em que conflito e comércio eram muito frequentes na história. Camelo também é choque real, cara!
Quanto à sazonalidade, muitos livros de Estatística dão uma definição (ou várias) bem técnicas e alguns de nós, professores, falamos de exemplos relacionados a preços da arroba do boi gordo ou épocas de colheita. Mas o que dizer da sazonalidade como um choque de produtividade? Aí vai o outro trecho:
Thanks to the discovery of the monsoon, which reliably blew ships eastward in summer and back westward in winter, the journey across the Arabian Sea was cut from years to months.
Pois é, gente. Eu não acredito que eram os deuses astronautas. Pode até ser que alguém, um dia, consiga encontrar evidências disto, mas eu aposto que não. A genialidade humana não deve ser menosprezada (lembra do meu papo, há uns dias atrás, sobre Julian Simon?).
Estamos muito (mal) acostumados a pensar na sazonalidade como um fator aditivo que, em um estudo de ciclos econômicos, deve ser modelada (ou extirpada, em exercícios simples) para que possamos detectar o “sinal” e não o ruído (um problema que Lucas, inteligentemente, importou para a Ciência Econômica).
Mas veja o exemplo acima. Como é que alguém teve a idéia de usar a sazonalidade das monções? Provavelmente, claro, alguém queria maximizar seus ganhos e descobriu esta simples característica da natureza com potencial para economizar custos. Aliás, esta questão da navegação na história é um tópico que não é estranho aos da área de História Econômica, basta ver o antigo artigo do Douglass North sobre o tema.
Então, veja, existem sazonalidades que nos chegam por conta da natureza. Nem todas são usadas a nosso favor. Algumas economias lutam para controlarem os ciclos naturais de alguns produtos. Outras sociedades já aproveitaram a sazonalidade a seu favor, como no exemplo acima.
O pesquisador, entretanto, geralmente segue o seguinte lema: “vamos filtrar as séries e/ou modelar a sazonalidade. O que sobrar é nosso produto cujos ciclos reais vou estudar”.
Agora, na perspectiva deste meu exemplo, a sazonalidade em si merece um estudo do tipo “sinal-ruído” porque parte dela pode ser devido aos choques de produtividade como no caso do transporte marítimo dos árabes em nosso passado distante. Não creio que estou falando nenhuma novidade e sabemos que há quem goste de falar de raízes unitárias sazonais. Provavelmente alguém já disse algo parecido (gentileza me enviar referências nos comentários). Mas, não sei. Usando camelos como exemplo, isto nunca me ocorreu.