A economia em “Willie Dynamite”

willie_dynamite_filmposterEis um dos filmes de Blaxploitation mais úteis para a sala de aula. Lançado com legendas em português há pouco tempo (mas disponível na internet sem as mesmas…procure), este é um filme que traz vários temas de economia para diversas aulas de Economia.

Um resumo da história do filme está aqui e, bem, vamos aos spoilers.

1. Organização Industrial (Cartel) – a tensão óbvia da tentativa de cartelização entre os cafetões por um deles, Bell, logo no início do filme é uma descrição cinematográfica do que vemos em livros-texto de teoria dos jogos. Willie insiste que é um “capitalista” e que não tem “medo de competição”, frustrando o projeto de cartelização. A pergunta principal que ele faz é: “quem decidirá a divisão de lucros”.

2. Economia do Crime – Willie Dynamite (irônico apelido para Willie A. Short, como aprendemos na parte final do filme) é um cafetão e tem que gerenciar suas prostitutas. Não se discute muito como ele se transformou em cafetão, mas as variáveis estão ali para a discussão: a probabilidade de ser pego (em função de sua riqueza e como a mesma é variável conforme alguns policiais buscam prendê-lo a todo o custo, juntamente com a atuação dos cafetões concorrentes).

3. Empreendedorismo – Implícito nos dois itens anteriores, já que Willie tem que agir o tempo todo (e ele não usa auxiliares, gerenciando diretamente as prostitutas, nomeando uma como uma espécie de “braço direito”, mas com pouca autonomia) em prol do sucesso de seu negócio ilegal. Aliás, sobre a gerência deste tipo de negócio, na prática, veja, por exemplo, os dados desta pesquisa.

Finalmente, eis aqui uma pesquisa empírica de alguns antropólogos sobre o tema. O autor principal, inclusive, tem um livro sobre o tema que parece interessante.

Ah, claro, a trilha sonora do filme é uma atração integrante e não deve ser ouvida separadamente (mas isso é o que eu acho). Altamente recomendável.

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Editoras e o cartel: por que tão poucos estudos?

Eis aí uma interessante notícia: diante da possibilidade de se verem engolidas pelos ebooks, editoras se unem. Há quem diga que são ganhos de eficiência – provavelmente existem, já que se uniram – mas como será o arranjo interno? E a competição? Afinal, alguém já conseguiu, nestes 500 anos de história, estudar o mercado editorial brasileiro?

Há tantas teses sobre inflação, sobre astrologia pterodoxa, sobre a cor da cueca de Karl Marx, mas há algum estudo aplicado ao mercado editorial brasileiro? Ou só os consultores conseguem dados nesta área?

Eis aí outro exemplo do problema do capital humano (já se juntou ao meu clube?): escassez de dados, má qualidade da estatística aplicada (e do ensino de estatística) e discursos insanos de gente que diz que economia e métodos quantitativos são seres estranhos entre si são todas características de nosso subdesenvolvimento econômico.

Mas as coisas evoluem. Por exemplo, a política monetária, ainda sob ataque dos astrólogos pterodoxos (até ofendo, sem querer, astrólogos bem-intencionados, sorry guys) só não é consenso para quem nunca teve que trabalhar com ela, na prática. No mercado, onde o salário não está ligado ao número de discursos “alternativos”, mas sim ao conhecimento dos dados, o incentivo para falar asneiras sobre política monetária é bem menor. Já na academia, notadamente nos departamentos de economia cujos incentivos são todos políticos e pouco eficientes, discursos cabeças-de-word-le-monde-diplomatique-carta-aos-caros-amigos-da-capital abundam.

Abundam mesmo. Inclusive nas privadas, não apenas nas públicas…se é que você me entende.

O cartel do xadrez na era soviética

Interessantíssimo artigo de Charles Moul e John Nye. Aí vai o resumo:

We expand the set of outcomes considered by the tournament literature to include draws and use games from post-war chess tournaments to see whether strategic behavior can be important in such scenarios. In particular, we examine whether players from the former Soviet Union acted as a cartel in international all-play-all tournaments – intentionally drawing against one another in order to focus effort on non-Soviet opponents – to maximize the chance of some Soviet winning. Using data from international qualifying tournaments as well as USSR national tournaments, we consider several tests for collusion. Our results are consistent with Soviet draw-collusion and inconsistent with Soviet competition. Simulations of the period’s five premier international competitions (the FIDE Candidates tournaments) suggest that the observed Soviet sweep was a 75%-probability event under collusion but only a 25%-probability event had the Soviet players not colluded.

Interessante, não?

Oferta e demanda para dummies

Produção de petróleo é maior que demanda, diz Opep

É aquela história. Se o significado é “a quantidade ofertada é maior que a quantidade demandada”, então as pressões sobre o preço são para que o mesmo aumente. Agora, se falamos que a curva de oferta se deslocou para a direita, a nova quantidade demandada (que é igual à ofertada) é, de fato, maior do que a quantidade de equilíbrio anterior (a antiga igualdade entre quantidades demandada e ofertada).

A OPEC (em português, OPEP) é um cartel (é?). Você espera que eles digam que há pressões para que o preço do produto que vendem caia?Mas nem…