Sobre animais (bípedes ou não)

Debate que só acontece em uma sociedade que adora censurar o outro porque, claro, sempre o outro ‘precisa’ ser educado porque ‘nós, sim, somos tolerantes e bonzinhos e, por isso, censuramos’.

Sobre o que falo? Descubra aqui. Caso queira, assine esta petição. Finalmente, descubra porque os heterodoxos estão tão bravos: perderam o monopólio da fama de cultos leitores do latim. ^_^

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Belo Horizonte continua muito pouco eficiente: o caso da lei do preço único

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Carlos Góes, que também é do ótimo Mercado Popular, tem um trabalho interessante (é um working paper do FMI). A idéia é bem simples (o que não quer dizer que o trabalho seja fácil): testar a famosa lei do preço único para as regiões metropolitanas brasileiras.

Na figura acima, um de seus achados. Ele mesmo, e seu co-autor, explicam:

Figure 3 shows how the persistence of price level deviations varies across cities. Tradable price divergences range from a maximum of 17 months in Belo Horizonte to a minimum of 10.8 months in Curitiba. By contrast, non-tradable price divergences vary from 23.8 months in Salvador to 15.5 months in Belem. The standard deviation of half lives averages between cities is and months for tradables and non-tradables, respectively. There seems to be no overarching pattern in the distribution of half lives, suggesting a potential avenue for further research.

Como você pode imaginar, leitor, quanto mais lenta a convergência, maiores as suspeitas de que os mercados não funcionam de forma eficiente. Belo Horizonte – meu local de nascimento – aparece em primeiro lugar. Por conta de todas as anedotas que me passam pela cabeça (sem falar no path dependence detectado no importante artigo do Rodrigo Soares, Juliano Assunção e Joana Naritomi), eu não consigo imaginar como isso não estaria uma evidência da pouca eficácia do funcionamento dos mercados na capital da terra do pão de queijo. ^_^

Abrir um negócio é quase um crime (exceto quando o assunto é pagar impostos para o partido-império)

"- Papai, por que não podemos vender sorvetes? - Porque o BNDES quer campeões, filha, e nós somos só gente pobre".

“- Papai, por que não podemos vender sorvetes?
– Porque o BNDES quer campeões, filha, e nós somos só gente pobre”.

Assim é no Brasil. O partido-império – aquele que comanda a máquina pública – adora tributar, acusar os consumidores e empresários de egoístas que lutam contra o país porque importam bens do exterior…exceto quando pagam seus impostos.

Mais ou menos assim, porque se o seu carrinho de sorvete atrapalhar o grande financiador da campanha política, eles te chamam em um canto, fazem uma pressão e dizem que você deveria se retirar para deixar os campeões (escolhidos por volume de contribuição feito em caixa dois) usarem e abusarem dos consumidores.

Instituições importam? Importam. É um dos assuntos mais enjoativos deste blog: cinco em cada dez textos aqui são sobre o tema (e os outros cinco são sobre R, eu sei).

Acha que exagero? Vai lá olhar o que fizeram com a nossa economia em termos da burocracia para se abrir um negócio no país. Não é à toa que tentam desqualificar agências estrangeiras: afinal, é mais fácil mandar uns técnicos do IBGE para o almoxarifado e tirar o tomate do IPCA do que bancar o valentão no Banco Mundial, não é?

Mas o fato triste é que o governo atual levou nosso país a um inacreditável deja vu dos anos 70.

A pesquisa do IPEA, de fato, e o que os repórteres andam divulgando…

Excelente video do Sachsida explicando o porquê de a pesquisa do IPEA não ser suficiente para se dizer o que se está dizendo por aí sobre a sociedade brasileira.

A mulher pode andar mulambenta, como uma dançarina de cabaré ou como freira e ninguém pode praticar violência contra ela por conta das roupas. Entretanto, a pesquisa do IPEA não mostra que a sociedade brasileira pensa de forma diferente.

Antes de fazer seu protesto, entenda a metodologia da pesquisa.

O que eu sempre digo aqui?

Digo sempre que as pessoas precisam investir parte de seu tempo para aprender o básico de Estatística antes de saírem por aí fazendo marchas contra isto ou aquilo.

Concordo que o IPEA poderia ter sido mais enfático nas limitações da pesquisa. Também concordo que o tempo é escasso e que, portanto, jornalistas poderiam ter feito um trabalho menos superficial – já que recebem para isto – no trato da pesquisa.

Então, não, a pesquisa do IPEA não ajudou em nada para diminuir a violência contra as mulheres. Não adianta dizer que “já ajudou porque fez barulho”. É a velha mania do brasileiro de desprezar as estatísticas (é a mesma galera que diz que “economistas são frios como dados estatísticos” e que o que importa é “o amor, o calor humano”, como se a estatística fosse algo desprezível). Estamos perdendo tempo e dinheiro com discussões que não fazem sentido.

Então?

Então, primeiro, para combater a violência, precisamos entender um pouco de Estatística (com “E” maiúsculo). Não basta querer transformar o mundo se você não o entende. Pode piorar, inclusive, se você o entende de forma incorreta.

Portanto, leitores e leitoras, antes de se deixar levar pelo discurso, analise-o.

Rebaixado, corrupto…mas tem Copa! Viva!

Pois é. O infográfico é bonitinho e tal. Mas o fato é que entre o Chile e o Brasil, eu ainda prefiro o primeiro. Veja só a cultura de “não-deixar-a-concorrência-atender-bem-o-consumidor” que é gerada pela nossa burocracia, ávida por dificultar a abertura de negócios.

Com tanta regulação, com tanto carinho pelo trabalhador, ainda assim o governo consegue ser mais vil do que mais cruel empresário neoliberal. Os exemplos? FGTS e departamento de compras da Petrobrás.

Não, não é o capitalismo neoliberal que maltrata você não leitor. São seus políticos. É triste, mas é a verdade.

Brasil: de neoliberal, só o discurso (e nem este)!

O Brasil é uma economia fechadíssima. Todos já sabem disto, mas agora é oficial: deu no jornal. Melhor dizendo, a OMC contabilizou suas estatísticas e, bem, somos campeões. A equipe econômica está de parabéns.

Não estamos falando de índice de liberdade econômica, mas sim de dados primários. Confesso que tentei achar os dados da notícia na página da WTO, mas não consegui encontrar nada muito específico. Provavelmente está em algum dos informes recentes ou neste documento (ou, melhor, neste).

Economia com mais tarifas….mas por que criaram as tarifas?

Um país mais fechado, entretanto, não significa apenas um país mais, digamos, enrolado com as trocas comerciais com o resto do mundo. A bijeção entre o mundo teórico e o mundo real é um caminho bem mais rico do que pode parecer à primeira vista (se é que é uma bijeção). O leitor mais atento poderá ver que, na barra lateral à direita, há índices para todos os gostos: índice de globalização, de liberdade econômica, etc. Em outras palavras, há várias formas de se medir o grau de “fechamento” de uma economia.

Por que, então, criam-se tarifas alfandegárias (em economês, em geral, “tarifas” dizem respeito às tarifas alfandegárias…não confunda com o vocabulário comum, ok?)? Ninguém gosta de tarifas, mas muitos nos dizem que elas são importantes pelos melhores e piores argumentos. Bem, se a questão é empírica, vejamos um pouco de história e evidências empíricas.

Neste artigo (Lampe & Sharpe (2013)), os autores encontraram que:

We argue for a new approach to examining the relationship between tariffs and growth. We demonstrate that more can be learned from time series analyses of the experience of individual countries rather than the usual panel data approach, which imposes a causal relation and presents an average coefficient for all countries. Tentative initial results using simple two-variable cointegrated VAR models suggest considerable heterogeneity in the experiences of the countries we look at. For most, however, there was a negative relationship between tariffs and levels of income for both the pre- and post-Second World War periods. However, in the second half of the twentieth century, the causality ran from income to tariffs: that is, countries simply liberalized as they got richer. Policy decisions based on the usual panel approach might thus be very inappropriate for individual countries.

Ok, eu sei que nem todo mundo aqui é super-versado em Econometria, mas o resumo é razoavelmente auto-explicativo. Um dos pontos interessantes deste artigo é mostrar que a Segunda Guerra Mundial pode ser um marco importante a se considerar nestas análises sobre se devemos ou não “fechar a economia por meio de tarifas”.

Claro, tarifas não são a única forma de se fechar a economia (pense nas famosas “barreiras sanitárias”, por exemplo). Logo, embora o artigo acima nos dê alguma visão do que acontece, há mais variáveis para se estudar. Só para lembrar, a abertura econômica pode criar e destruir empregos (aliás, ela faz isto). Obviamente, agentes (os racionais, ok? Os outros podem continuar rasgando dinheiro) reagem a este tipo de coisa. Formam-se grupos de interesse específicos e, bem, você conhece a história.

Grupos de Interesse também são importantes!

Aliás, existe até aquele ponto teórico bacana de Public Choice que nos diz que tarifas e quotas são diferentes em termos dos grupos de interesse (governos adoram tarifas, pela receita gerada e grupos de empresários adoram quotas de importação pelo monopólio que ganham) e, portanto, estudar a estrutura de “fechamento” de uma economia é algo que não se pode fazer de forma completa ignorando este detalhe.

É bom ou ruim fechar a economia?

No longo prazo, não há quem, em sã consciência – e conhecimento de Economia – diga que a abertura prejudica a sociedade. Pelo contrário. No curto prazo, há aí um debate que, veja bem, não está desconectado do longo prazo porque, embora exista a criação e destruição de empregos, o fato é que as bases para o desenvolvimento do país (o tal longo prazo) são construídas diariamente. Em outras palavras, ele é microfundamentado e está em constante processo de construção (ou destruição). De certa forma, deveríamos inverter a pergunta: quantos empregos deixam de ser criados ou destruídos quando o governo fecha a economia?

Ah, e não se esqueça do custo fiscal do governo: menos tarifas, menos receitas…no curto prazo. E no prazo mais longo? Um novíssimo texto para discussão (Cagé & Gadenne (2014)) faz as contas para países em desenvolvimento.

This paper puts the recent evolution of tax revenues in developing countries in historical perspective. Using a novel dataset on total and trade tax revenues we compare the fiscal cost of trade liberalization in developing countries and in today’s rich countries at earlier stages of development. We find that trade liberalization episodes led to larger and longer-lived decreases in total tax revenues in developing countries since the 1970s than in rich countries in the 19th and early 20th centuries. The fall in total tax revenues lasts more than ten years in half the developing countries in our sample.

E daí? Menos receitas significam menos recursos para bens públicos, mas também menos recursos para alimentar a besta da corrupção (olha aquela conversa de boas instituições reaparecendo “discretamente” aqui…).

Outro ponto: de que vale preservar empregos se a vida é miserável? Uma economia ultra-fechada é a Coréia do Norte e ninguém quer pular o muro para ir morar lá. Nem a galera mais radical do movimento estudantil pediu bolsa para o Ciência Sem Fronteiras para morar em Pyongyang (caso esteja enganado, por favor, mostrem-me as evidências!). Então, sim, embora os estudos empíricos sejam sempre recheados de polêmicas aqui e acolá (ou aqui e alhures, se você for um destes nacional-inflacionistas), o fato é que abertura parece, no fim do dia, ser uma boa idéia (e olha que nem tratamos dos aspectos culturais da abertura ou de todos os argumentos econômicos possíveis).

Não tem conclusão, amigo. Mas tem muita coisa para se pensar, né?

As escolhas intertemporais de Jackie Chan e de Camila Pitanga são similares?

Genericamente, é. Mas, claro, os parâmetros, para cada país, precisam ser estimados. Uma analista do Euromonitor acha que chineses são menos impacientes do que brasileiros. Digo, falo de impaciência no sentido econômico, ou seja, daquela característica, intrínseca nas preferências dos consumidores, de serem mais ou menos satisfeitos com o consumo de hoje relativamente ao do futuro.

A análise, contudo, diz respeito ao consumo discricionário, lá definido como o consumo que exclui bebidas não-alcóolicas, alimentação e custos de aluguel.

Não ficou muito claro para mim, mas parece que o consumo inclui bens duráveis e não duráveis, algo que faria alguma diferença em uma aula de Economia, já que a lógica da demanda de bens duráveis é um pouco diferente da de bens não-duráveis (lembre-se que uma laranja tem uma depreciação bem distinta da de uma geladeira, para dizer o mínimo).

De qualquer forma, as tendências apontadas pela analista no pequeno texto merecem atenção e uma análise mais detalhada. Por exemplo, a questão demográfica é um determinante importante. Outro ponto que você poderia – e deveria – questionar diz respeito ao sistema de previdência do país: existe previdência privada na China? Não? Como funciona a aposentadoria lá? As regras do jogo (olha as instituições aí, leitores assíduos…) são sempre importantes, não? A demografia é importante?

Eu diria que há questões importantes quando se estuda a interação dos mercados (no nível microeconômico, claro) e também a questão da oferta e da demanda agregada nos dois países. Meus colegas da faculdade (sabiam que, modéstia às favas, somos a segunda melhor escola de Ciências Econômicas do Brasil, segundo o INEP? Veja lá o resultado do ENADE) vivem lutando contra jornalistas teimosos que custam a aceitar que o problema do país tem a ver com o capital humano. Eles, talvez por viverem em um estado dominado pela indústria, ainda compram a surrada tese de que o negócio todo é fazer a indústria lucrar (como se isso fosse possível sem mão-de-obra qualificada…). Eu sei, é um discurso que nunca se sustentou e não se sustenta e não vou fazer a pesquisa bibliográfica para este post neste debate chato: fica para o leitor este trabalho.

Mas há muitas questões interessantes aqui, além de Jackie Chan e Camila Pitanga (e boa parte dos leitores provavelmente achará a segunda mais interessante que o primeiro, creio). Caso você já tenha estudado um pouco de microfundamentação da macroeconomia, eis um prato cheio: você tem as dotações, a taxa de juros, a taxa de inflação, o PIB, tudo isto espalhado por aí (pergunte ao pessoal do Nepom, por exemplo).

Um bom exercício seria olhar para uma relação óbvia, mas que nem sempre os analistas investigam, por questões as mais diversas: a interrelação entre os padrões de consumo intertemporal na China e no Brasil. Ok, você pode me dizer que não há impacto (mas eu não vi os dados e nem suas estimativas). Talvez o melhor seja olhar para as restrições ao crédito aqui e lá (ou acolá).

Qualquer resposta a perguntas sobre consumo na economia, veja bem, suscita, no mínimo, a necessidade do uso de uma base de dados rica em variáveis. Talvez minha(s) pergunta(s) seja(m) ruim(ns), mal formulada(s) ou errada(s). Ou talvez não. Mas eu te digo uma coisa: o que tem de pergunta interessante aguardando testes empíricos. Comece com este texto didático do meu amigo e ex-colega de faculdade(s), o Fábio.

Pois é. No final do dia, eu quero mesmo é saber do consumo de macarrão instantâneo japonês. Este sim, tem o tempero que gostamos aqui em casa. Aliás, é um baita mercado, como você descobrirá aqui. É, acho que já falei disto aqui, há alguns posts. Quando começo a ficar repetitivo, é hora de parar. Então, até a próxima.

Justiça seja feita…

…há juízes e juízes. Por exemplo, esta aqui acha que falsificar a identidade não é um problema. O que me chama a atenção é o alerta do SB:

Amigos, essa justiça brasileira está evoluindo profundamente, caminha para declarar como a única coisa ilegal no Brasil a honestidade e o trabalho sério.

Se você refletir um pouco sobre a frase, verá que ela tem um fundo de verdade muito sério. Afinal, não é de hoje que ouço que “vou votar no fulano porque ele não vai fazer o que prometeu” (o argumento de muitos para votar no presidente da Silva e, ao mesmo tempo, não votar em um famoso candidato paulista…sendo que a história mostra que ambos são essencialmente idênticos no que tange à profusão de promessas e ao seu não-cumprimento).

Também é comum ouvir coisas do tipo: “todo mundo faz, por que eu não”?

A pergunta é: você ensinaria seu filho a falsificar documentos? Se sim, você tem um problema muito sério, embora a patota “socialóide” vá lhe dizer que não.

O Brasil e sua imagem

Os eleitores brasileiros vêem o presidente como um Napoleão-Bismarck-De-Gaulle moderno. Um gato de botas, por assim dizer. Já o mundo vê o Brasil – com seu presidente e eleitores – de maneira não tão ufanista assim…

A vida é assim. Pode-se enganar alguns por algum tempo, mas não a todos por muito tempo…

Grandes momentos do keynesianismo pterodoxo

Vai na íntegra, direto do Mão Visível:

Cachinhos de Ouro e keynesianos de quermesse

“O problema é o câmbio”. Este foi, nos últimos anos, o mantra dos keynesianos de quermesse, segundo quem o problema do Brasil resumia-se ao câmbio “fora de lugar”, apesar de, precisamente neste período, a economia brasileira ter acelerado para patamares há muito não vistos. Até aí, sem surpresa. O surpreendente mesmo é, depois da maciça desvalorização da moeda, ainda ter que ouvir que, sim, “nosso maior problema é o câmbio”.

A lamúria agora é que o câmbio desvalorizou-se demais, sem motivo, e que, portanto, o regime de câmbio flutuante, conivente com este fenômeno, não seria adequado ao Brasil. Esta visão, porém, está errada. Confunde sua própria incapacidade de entender os movimentos da taxa de câmbio com uma suposta irracionalidade do câmbio flutuante e, por este motivo, chega a conclusões equivocadas tanto no que se refere à necessidade de mudança de regime, como às condições necessárias à adoção de políticas anticíclicas.

De fato, como destaquei muitas vezes neste espaço, a quermesse sempre atribuiu peso muito elevado à taxa de juros como determinante da taxa de câmbio e, por conveniência ou ignorância, deixou de lado desenvolvimentos externos que têm sido muito mais relevantes para moldar a trajetória do câmbio, em particular os preços de commodities.

Assim, entre o início de 2005 e meados de 2008 os preços de commodities, medidos em dólares, aumentaram cerca de 60%. Medidos em reais, porém, caíram 4%, fenômeno que já sugeriria uma forte relação inversa entre preços de commodities e a taxa de câmbio. Não por acaso, portanto, a queda abrupta destes preços em dólares nos últimos meses (quase 30%), transforma-se em estabilidade em reais, observação também consistente com a relação inversa entre a taxa de câmbio e preços de commodities.

Não há, pois, nada de misterioso no comportamento do câmbio que lance dúvidas acerca da adequação do regime no que diz respeito à sua capacidade de transmitir, de forma muito rápida, os sinais de mudança brusca nas condições internacionais.

Pelo contrário, a desvalorização do real tem nos comunicado que, devido à queda do poder de compra das exportações, nossa capacidade de importar para satisfazer a demanda doméstica foi drasticamente reduzida. Assim, se até há pouco aumento do poder de compra das exportações permitia que a demanda crescesse à frente do produto, trata-se agora de percorrer o caminho inverso, qual seja, reduzir a taxa de crescimento da demanda relativamente à produção. A taxa de câmbio é apenas a mensageira de uma radical mudança de cenário. Pode-se não gostar da mensagem, mas de pouco adianta silenciar o portador.

Não é correto, portanto, concluir que o país precise proteger sua moeda e estabilizá-la, abandonando o regime de câmbio flutuante, para ter condições de fazer uma política anticíclica. É, na verdade, o oposto: impedir que a moeda se deprecie em reação à piora das condições externas requereria uma contração ainda mais forte da demanda doméstica para equilibrar o balanço de pagamentos, reduzindo adicionalmente o espaço para políticas anticíclicas.

Eis a quermesse: reclama quando o câmbio aprecia e também quando o câmbio deprecia. Quer o câmbio estável, para que as empresas possam projetar suas vidas em longo prazo, mas não hesitaria em mudar regras para impedir a flutuação do câmbio, dificultando exatamente o planejamento das empresas. Querem ser nossos Cachinhos de Ouro, se esforçando para fazer aquilo que o mercado de câmbio faz de graça.

(Publicado 10/Dez/2008)

Economic Freedom of the World Network Annual Conference – “Liberty and Property Rights”

Economic Freedom of the World Network – Annual Conference -“Liberty and Property Rights”

Rio de Janeiro, Brazil – November 12-14, 2008, Hotel Windsor Excelsior
November 12

21:00-23:00 Dinner/Cocktail at the Windsor Excelsior [Miramar Room, top floor], hosted by Friedrich-Naumann-Stiftung für die Freiheit

November 13

9:00-9:30 Opening Session: Introduction and Welcoming Remarks
[Plaza Room]

Mr. Arthur Chagas Diniz, President, Instituto Liberal, Brazil

Mr. Uli Wacker, Director Regional, América Latina Fundación Friedrich Naumann para la Libertad

Mr. Fred McMahon, Director, Centre for Globalization Studies, Fraser Institute, Canada

Mr. Paulo Antonio Uebel, Diretor-Executivo do Instituto Millenium, Brazil

9:30-10:40 Economic Freedom and Its Benefits
Chairman: Mr. Rainer Erkens, Friedrich-Naumann-Stiftung für die Freiheit, Brazil

Overview of the Economic Freedom of the World: 2008 Annual Report
Dr. James Gwartney, Florida State University, USA, and Dr. Robert Lawson, Auburn University, USA

10:40-11:00 Break – coffee provided

11:00-12:30 Liberty and Property Rights
Chairman: Mr. Fred McMahon, Director, Centre for Globalization Studies, Fraser Institute, Canada

Property Rights, Uncertainty and Economic Development
Dr. Michael Walker, President, Fraser Institute Foundation and Senior Fellow at The Fraser Institute, Canada and Ms. Amela Karabegović, Associate Director, Centre for Globalization Studies, The Fraser Institute, Canada

Liberty and Property Rights: the way toward human development
Mr. Paulo Antonio Uebel, Diretor-Executivo do Instituto Millenium, Brazil

12:30-14:00 Lunch provided, Restaurant Excelsior [ground floor], sponsored by Friedrich-Naumann-Stiftung für die Freiheit

14:00-15:30 Property Rights in Latin America
Chairman: Mr. Roberto Fendt, Vice-President, Instituto Liberal, Brazil

Property Rights in Venezuela: A Decade of Violations and Changes
Dr. Rafael Alfonzo, CEDICE (Centro de Divulgación del Conocimiento Económico para la Libertad), Venezuela

Looking Forward: Property Rights and Rule of Law
Dr. Hugo Maul, CIEN (Centro de Investigaciones Económicas Nacionales), Guatemala

15:30-15:45 Break – coffee provided

15:45-17:15 Property Rights, Rule of Law, Institutions and Economic Development
Chairman: Mr. Otto Guevara, Costa Rica, President of RELIAL

The Cultural Roots of Successful States: Is There a Role for Libertarian Values?
Mr. Claudio D. Shikida, Mr. Ari Francisco Araujo Jr., and Mr. Pedro H.C. Sant’Anna, (IBMEC)

Second speaker-to be confirmed

18:30- 21:00 Dinner, Miramar Room [top floor], Windsor Excelsior
November 14

9:00-10:30 Property Rights: Case Studies
Chairman: Mr. Paulo Antonio Uebel, Diretor-Executivo do Instituto Millenium, Brazil

The Formation of Private Property Rights in Iceland: Problems and Perspectives
Prof. Hannes Gissurarson, University of Iceland, Iceland

El Salvador: A Central American Tiger?
Mr. Juan Carlos Hidalgo, Project Coordinator for Latin America
Center for Global Liberty and Prosperity, Cato Institute

10:30-10:45 Break – coffee provided

10:45-12:00 Economic Freedom of the World and Future Meetings and Activities Discussion
Chairpersons: Mr. Uli Wacker, Director Regional, América Latina Fundación Friedrich Naumann para la Libertad and Mr. Fred McMahon, Director, Centre for Globalization Studies, The Fraser Institute, Canada

12:00-14:00 Lunch provided, Restaurant Excelsior [ground floor], sponsored by Friedrich-Naumann-Stiftung für die Freiheit

Um longo podcast

Diogo Costa me entrevista. E ele me deu todo o tempo do mundo, como você descobrirá aqui.

p.s. há lá uma referência minha a um artigo do Pedro (Sette), também do Ordem Livre, sobre o voto. Em resumo, Pedro acha mais interessante não votar. Procure pelo artigo lá no Ordem Livre para entender melhor o ponto dele.

A dinâmica do gasto parlamentar…

Senadores que têm parentes próximos como candidatos lideram despesas em transporte e estadias

Dados do Excelências (www.excelencias.org.br), projeto da Transparência Brasil que reúne diversas informações sobre parlamentares brasileiros, indicam que os três senadores que apresentaram mais gastos em transporte e estadias este ano têm familiares próximos na disputa das eleições.

As despesas são pagas com dinheiro dos parlamentares mas eles são posteriormente reembolsados – é a chamada verba “indenizatória”, estipêndio a que cada parlamentar tem direito, supostamente para apoiar a sua atividade no Legislativo.

Enquanto em média os demais senadores têm gastos de R$ 39 mil em transporte e estadias, Romeu Tuma (PTB-SP), Mão Santa (PMDB-PI) e Jayme Campos (DEM-MT) apresentam despesa média de R$ 101 mil.

Os três senadores têm familiares próximos envolvidos nas eleições deste domingo:

· Romeu Tuma, gastos de exatos R$ 105 mil, tem um filho – Robson Tuma – candidato a vereador de São Paulo;

· Mão Santa (PMDB-PI), despesas declaradas de R$ 104,7 mil, tem a mulher, Adalgisa de Moraes Sousa, candidata a prefeita de Parnaíba, no Piauí; e

· Jayme Campos (DEM-MT), gastos apresentados de R$ 94,9 mil, tem um irmão – Julio Campos – candidato a prefeito de Várzea Grande, no Mato Grosso.

Os 75 senadores que se utilizam da verba indenizatória para ressarcir despesas com viagens já embolsaram nesse item R$ 3,1 milhões desde fevereiro.

No total, os 77 senadores que se utilizam da verba “indenizatória” já gastaram desde fevereiro R$ 6,6 milhões (além de viagens, os parlamentares também são indenizados por gastos com aluguel e consultoria, entre outros itens).

Para ver a relação completa dos gastos de cada senadores com a verba dita “indenizatória”, acesse http://www.excelencias.org.br/@resumo_verbas.php

Contato 11 3062 3436

Fabiano Angélico, coordenador de projetos

Ah, vidinha boa…

Sobre a crise

Em resumo, eu diria para lerem a última opinião deste post. Foram oito anos para se ajustar (mais do que Geisel teve quando decidiu pela loucura do “II PND eterno”, expulsando Simonsen e trazendo o “milagreiro” Delfim). Oito anos. As reformas foram feitas? Que reformas? O que as reformas promovem?

Eis as questões que os brasileiros, estes eleitores mesmo, terão que enfrentar futuramente. Além do voto em um ou dois dias a cada quatro anos, esta gente tem encarar o que vem por aí. Por enquanto, a escolha populista, pouco informada, vence por larga margem. Tem gente que pretende ver nas ações do FED – por mais desastradas que sejam – algo similar às estatizações bolivarianas de Chàvez, Morales (e também a dos sonhos de muita, mas muita gente mesmo, da administração da Silva).

Neste ponto vale uma aula simples: uma coisa é o Banco Central ser mais ou menos intervencionista (e minar, sim, incentivos bons gerando risco moral e tal). Outra coisa é o governo fazer estatizações sem crises, sem motivos e com objetivos puramente totalitários, de concentração de poder. Se o FED estatizou tal e qual seguradora…e depois vende-a novamente em alguns anos, pergunto ao leitor: Chávez fará o mesmo? Quando será a venda de suas estatizadas? Já tem anúncio no jornal?

Ah, bom…

Pergunta básica

Excelente reflexão do Marcelo Soares:

“Hoje, a principal ferramenta de investigação de corrupção é a informação, e não tem como a gente obter informação sem o grampo dos suspeitos”, me disseram pelo menos quatro procuradores e juízes nos últimos dias. Faz sentido, embora todo mundo saiba (especialmente nos últimos dias) que há excessos. 

A questão é basicamente esta: é preciso controlar com rigor o uso do grampo, pra coibir os excessos. Mas como fazê-lo sem seguir o velho costume brasileiro de “na dúvida, proíba-se”?

Porque aqui no Brasil é assim: se o estado não consegue fiscalizar o trânsito pra evitar mortes, proíbe de vez a bebida. Se o jornal fala mal de um político em época de eleição, manda-se apreender a tiragem. Se não se consegue fiscalizar o que os políticos fazem na internet, proíbe-se o uso da Web nas campanhas. Se a modelo posa seminua com um terço, proíbe-se a reprodução da foto. Proíbe-se até videogame.

Eis a questão última da política pública brasileira: na falta de inteligência, capacidade de análise, evidências empíricas analisadas com todo o rigor científico, proíba-se. Não que não exista gente capaz (embora o sr. da Silva ache isto uma inutilidade…o que já diz algo sobre de que lado ele está), mas não interessa a muita gente dos poderosos sindicatos algo que seja realmente pluralista, com debate de idéias. 

A discussão do Marcelo merece uma profunda reflexão de todos.

Após anos de censura, um interregno nos anos 90 e, com o sr. da Silva…

…voltamos com mais do mesmo. Mas, desta vez, dá até para rir. Em breve, cada religioso brasileiro esquecerá aquela história de tolerância e livre arbítrio e, ao invés de cuidar de sua fé, procurará atrapalhar a vida dos outros.

Terreno delicado, mas vale a máxima: você educa os seus. A externalidade é um problema que cada um cuida como achar melhor. Soei meio Coaseano? Talvez…

p.s. privatizaram a censura?

Economia do Conflito: novas bases de dados

O governo brasileiro, por pura ineficiência, acaba de nos fornecer novas bases de dados para estudantes de economia do conflito (c.f. Hirshleifer, Skaperdas, Grossman). Parabéns, governo. Fez jus aos nossos impostos sem a alocação de um único centavo para tal pesquisa.