Mais maravilhas da ciência sob o socialismo soviético!

Untitled 207Na era pré-internet, como funcionava a “capes” soviética para os matemáticos? Melhor ainda, como era a prática científica da matemática sob o regime socialista (o nome antigo do atual bolivarianismo, embora os bolivarianos busquem esconder isso a todo custo)? Novamente, vejamos um pouco do relato de Frenkel (o texto anterior já tinha um pouco do que você verá aqui).

“… era quase impossível para um matemático da URSS publicar no exterior (ele precisava conseguir todos os tipos de certificados de segurança, o qu podia demorar facilmente mais de um ano e exigir muito esforço). Por outro lado, na União Soviética, a quantidade de publicações especializadas em matemática, considerando a quantidade de matemáticos existentes no país, era muito pequena. Infelizmente, muitas delas eram controladas por grupos que não permitiam que estranhos publicassem, e o antissemitismo também predominava em algumas delas”. [Frenkel, Edward (2014) Amor e Matemática. Casa da Palavra, p.87]

Ou seja, para sair do país, muito difícil pois havia o medo do sujeito abandonar o país. Como todo país de governo bolivariano (da época), a solução era…dificultar ao máximo a saída do país para o sujeito. Aquela velha história: “você pode sair do nosso país, desde que tenha a pele verde, antenas azuis na cabeça e relinche”.

Aí você pensa que tem o alívio: puxa, a matemática soviética era uma área de ponta e, portanto, era uma vida mais ou menos tranquila. Também não, sem falar do antissemitismo. O mais legal, novamente, é como Frenkel nos dá outro exemplo de consequências não-intencionais destes incentivos.

Por causa de tudo isso, certa subcultura  de artigos de matemática emergiu na URSS, o que passou a ser conhecido como a ‘tradição russa’ referente a artigos matemáticos: redação extremamente concisa, com poucos detalhes fornecidos. O que muitos matemáticos fora da União Soviética não atinaram era que isso acontecia em grande medida por necessidade, e não por escolha. [Frenkel, Edward (2014) Amor e Matemática. Casa da Palavra, p.87]

Novamente: você aí achando que aqueles artigos esotéricos dos matemáticos soviéticos eram fruto do novo homem socialista, da ciência estatal soviética, obra de grandes ministros e burocratas e, na verdade, os pobres matemáticos lutavam contra um fato simples da vida: a escassez.

p.s. Sobre a prática científica da irmã gêmea do socialismo, o nacional-socialismo, há também histórias bizarras como esta, sem falar nas histórias acerca de Heiddeger e, claro, o medíocre Werner Sombart. Sobre este último, alguém decidiu, sei lá o porquê, traduzir para o português o seu livro sobre os judeus no qual o sr. Sombart tenta se contrapor ao seu contemporâneo Max Weber (a fofoca acadêmica é que havia uma certa inveja no ar, por parte do primeiro).

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E o Procon se preocupa com o ovo…

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Pois é. A notícia completa está aqui e ela assusta. Vejamos: (a) o consumidor tem tantos direitos no Brasil que ele precisa guardar recibos de compras por cinco anos porque alguém, que não tem nada a ver com a sua vida, pode pedi-los; (b) a Receita pode errar e azar o seu, (c) alguém, com poderes divinos, calculou que US$ 50.01 é um valor que merece punição divina estatal.

Enquanto o Procon se preocupa com ovos…

Vamos conversar, Procons, vocês adoram dizer que vivem em função do consumidor, mas, digam-me aqui: quando a Receita erra, ela tem que agendar um encontro com o consumidor? Ela se sujeita aos mesmos trâmites legais a que sujeita os consumidores?

Realmente a manutenção do valor de US$ 50.01 para tributar algum importador de bens de consumo há anos faz sentido, senhores defensores dos direitos dos consumidores? Qual a metodologia de cálculo? Tantas multas são reajustadas, tantos impostos o são, mas este valor permanece fixo há anos. Fosse a realidade tão estável, a Receita não precisaria se preparar para sua super-estrutura de fiscalização citada na notícia. Veja um trecho:

O País tem recebido perto de 1,7 milhão de pacotes a cada mês, quando no início de 2013 o volume era da ordem de 1,2 milhão. No ano passado, foram 18,8 milhões no total, segundo dados da Receita Federal.
A maior parte dessa farra de consumo tem chegado ao comprador sem a cobrança de tributos, mas isso está prestes a mudar. Um sistema que está sendo montado em parceria com os Correios e a Receita vai automatizar a fiscalização, que hoje é feita por amostragem.

Bonito, né? Com tanto esmero, estranha-me que ainda exista corrupção no governo. Ops, espere, o governo diz que não há corrupção. Tá tudo lindo. Ah….

Honestamente, o CADE não se preocupa com a união do monopolista chamado “Correios” com o governo para fins de aumento de margem de receita? Sério que uma união de “gigantes” monopolistas só é um problema no caso do setor privado, mas não no caso do governo?

A farra do jornalismo econômico

A jornalista chama a demanda de importações de farra de consumo. Eu poderia chamar o déficit público do governo de farra de gastos públicos? E o que seria uma invasão ilegal de terras sem punição por parte de grupos de interesse que não se legalizam para poderem continuar invandindo com risco mínimo de responsabilização legal? Uma farra de invasões? E aqueles industriais que importam máquinas para renovar o parque industrial? Praticam farra de desindustrialização (mesmo quando não existe o similar nacional)?

Existe uma estranha suposição moralista na expressão (e talvez a jornalista nem tenha tido esta intenção, mas assim soou…). É como se a importação estivesse em um nível moralmente condenável: virou farra mesmo, coisa de adolescente irresponsável. Será que é assim mesmo? A jornalista não deve acreditar que seus gastos no restaurante no final de semana são uma farra gastronômica, imagino eu.

Será que não existe uma farra arrecadatória com a Receita se aproveitando para tributar só porque precisa manter seu corpo de funcionários, mais os outros de outros ministérios, etc? Podemos falar em uma farra com o dinheiro público arrecadado sempre que houver oportunidade, ainda que não haja mais justificativa econômica?

Então, é mais ou menos isto: os jornalistas usam expressões moralistas para falar de importações e os supostos defensores dos consumidores na verdade os ofendem, chamando-os de idiotas que não sabem comprar e precisam ser tutelados por, adivinhem, pessoas que conseguiram romper o ciclo da ignorância de forma pretenciosamente mágica.

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“Nada de importação para você, seu pobre recém-entrado na classe média! Fique no seu lugar de analfabeto funcional que precisamos arrecadar, imbecil!”

Lembra da minha campanha dos bookholders para todos?

Bom, outubro está chegando. Será que, com ele, teremos novas equipes econômicas que tenham algo a dizer sobre estes aspectos da vida dos cidadãos?

Sério mesmo que você, jornalista, você, do Procon, você, da Receita e vocês, leitores, acham que devemos mesmo tributar bookholders para privar os pobres do acesso ao mesmo? Realmente querem uma massa de cidadãos analfabetos que vão mal no PISA porque não estudam direito? Não digam que não, porque estão fazendo tudo para impedi-los de exercitarem seu potencial de consumidores e, não, sociólogos de porta de cadeia, consumir é uma forma de se libertar dos grilhões da ignorância sim. Ou vocês são contra o Bolsa-Família?

Abertura econômica? Para quem? A barreira dos US$ 50.01

Caso você ainda ache que importar é uma questão de “farra”, faça seu dever de casa e leia um pouco antes. Leia sobre a relação entre abertura econômica e prosperidade, por exemplo. Faça uma farra intelectual (e veja a qualidade das evidências de todos os autores envolvidos no debate).

Na história, como sabemos, a liberdade – inclusive a econômica – não evolui linearmente. Há retrocessos, há governos tributando para matar e, claro, existem os intelectuais, que sobrevivem de críticas e elogios aos poderosos, como aprendemos, por exemplo, aqui.

E aí? Vamos nos unir para amarrar os farreadores das importações nos postes?

Marco Civil Norte-Coreano acaba com cortes discriminatórios de cabelo!

Agora sim, as discriminações neoliberais com este gosto doentio pela diferença, fruto do egoísmo, vai acabar.

Repare que a história se limita “apenas” aos estudantes, como bem pesquisado pelo pessoal da BBC.

Imagino a alegria dos estudantes brasileiros filiados aos partidos que aplaudem o regime norte-coreano: eles não precisam seguir as regras do ditador e ainda podem continuar fazendo seu discurso pró-Coréia do Norte!

Não é o melhor dos dois mundos?

O TSE quer prender Tina Fey?

Tina Fey seria presa, Will Farrel multado, os programas de John Stewart e Steve Colbert retirados do ar e o Saturday Night Live proibido se a legislação americana imitasse a brasileira no que se refere a sátiras com os candidatos políticos.

No Brasil o TSE proíbe uma das formas mais inteligentes de fomentar a democracia: o humor político.

Alguém se lembra do “Ficha Limpa”? Como eu disse antes, o Brasil é uma piada de mau gosto.

Bin Laden já não tem o mesmo poder

Seus criminosos seguidores costumam ser bem tratados no Ocidente e, mesmo quando pregam absurdos, são relativamente bem tradados. Ponto para a democracia. Contudo, mesmo aqui, na “civilização ocidental” (esta para a qual os alemães orientais fugiram quando puderam, enquanto os intelectuais de esquerda alemães falavam de pessimismo e outros assuntos pouco ligados à realidade da vida sob o socialismo), as pessoas já começam a perder a paciência.

Claro que não estamos falando do Brasil. Aqui, como bem lembra a Prêmio Nobel da Paz iraniana, há um problema sério com a política de relações exteriores: o discurso não casa com a prática. Claro que se pode sempre falar de realpolitik, mas eis um trecho genial da entrevista da dita cuja:

Na prática, o que pode ser feito?

Me surpreende que o Brasil… (Ela faz uma pausa, depois, segue exaltada) Será que o povo brasileiro sabe o que o governo iraniano faz nas ruas ou às escondidas? Será que não se pergunta porque seu governo despreza as violações dos direitos humanos no Irã? Me entristeceu muito ver o presidente Lula reconhecer publicamente a vitória de Ahmadinejad para um segundo mandato tão rapidamente. Como pôde fazer isso? Como seu presidente pode se unir a um governo que tortura e mata seus estudantes e jovens, sua gente nas prisões, oponentes e minorias? Diga aos brasileiros que peçam ao presidente que não vá ao Irã ou convide Ahmadinejad ao Brasil. Lula não deveria fazer amizade com governos criminosos.

A sra. já falou ao presidente?

Não tenho autoridade para falar com Lula. Então, falo ao povo brasileiro.

Como parte do povo brasileiro, eu só posso concordar com a sra. Ebadi: é lamentável que a administração da Silva não aproveite o bom momento histórico para reafirmar seu compromisso com a democracia e com a liberdade. Bem, talvez a alta cúpula desta administração não goste muito destes valores e prefira seguir a massa de militantes (dos partidos….de esquerda, claro) que apóia enfaticamente regimes opressores (nem vou mais citar Cuba) e diga sandices em termos de economia.

Mas tal como a sra. Ebadi, eu também não falo com o atual ocupante da Granja do Torto. Falo apenas com meus dois ou três leitores, certo?

Mas veja que Bin Laden e os radicais islâmicos estão, gradativamente, tornando-se peças inócuas no tabuleiro da história. Não é a toa que façam tanto marketing pessoal com fitas de video, anúncios bombásticos sobre o Holocausto, etc. Quando a insignificância aperta, o grito fica mais alto.

Autoritarismo populista é isto

Como un “traidor” e “ingrato” han calificado diputados y senadores al ex presidente de Honduras, Manuel Zelaya Rosales, por su desplante al mandatario Felipe Calderón al referirse al dirigente opositor de izquierda Andrés López Obrador, incidente recogido por la prensa mexicana con frases críticas como la publicada por El Universal: “Dejó el país medio con la cola entre las patas y sin más gestos”.

Durante un encuentro el miércoles con simpatizantes de izquierda, Mel dijo que “en estos países es mejor sentirse Presidente que serlo.

Y eso se lo digo a López Obrador que está escuchando”. Estas palabras irritaron al gobierno de Calderón, quien lo había recibido con honores de jefe de Estado, mientras los simpatizantes de Obrador cambiaron los abucheos por vivas.

Diputados y senadores repudiaron la actitud del ex mandatario, que calificaron de “ingrata y traicionera”, señalando que “el chavista mordió la mano a quien le tendió un pan”.

El incidente reabrió la vieja herida de las elecciones presidenciales del 2 de julio de 2006, en que Calderón fue dado por vencedor por apenas 0.56% de los votos, en un escrutinio que López Obrador denunció como fraudulento.

A frase de Zelaya diz tudo. Voltemos à nossa programação normal…

Democracia e pluralismo

Lá na Venezuela, defender a propriedade privada em uma campanha pacífica na imprensa é algo que os chavistas (bolivarianos) acham errado e passível de processo na Justiça. Ah sim, o governo venezuelano se diz um bastião da democracia.

Já em Honduras, os grupos de interesse mostram que manifestações populares nem sempre são apenas espontâneas.

A liberdade de expressão se destrói aos poucos

Cito direto da fonte:

Alvaro Vargas Llosa Briefly Detained by Venezuelan Government

Venezuelan authorities detained Independent Institute Senior Fellow Alvaro Vargas Llosa for two to three hours Monday night, just after he flew in to the country to take part in a conference organized by a private think tank.

“They prevented me from continuing speaking on the phone, but then they released me,” Vargas Llosa is quoted as saying in a Caracas newspaper. “They told me that I have no right to make political statements, that I am here as a visitor or tourist, and that in such capacity, I am not entitled to make political comments.”

Unsurprisingly, the topic of the conference, hosted by the Center for Dissemination of Economic Knowledge for Freedom, bore on the problem at hand: free speech and democracy. One might have assumed that the Chavez administration would have avoided such an obvious target, given the electoral backlash it suffered a while back following its regulatory attack on Radio Caracas Televisión and its incitement of physical attacks against journalists. But for Chavez, the quest more political control seems to know few limits.

If Chavez supporters doubt that the Venezuelan president is usurping free speech, perhaps they will ask Eduardo Galeano — the author of the book Chavez pushed on President Obama last month — to weigh in on Chavez’s policies on May 27, when Galeano addresses the New York Society for Ethical Culture.

“They told me I don’t have the right to make any political comments,” by Alvaro Vargas Llosa (Buenos Aires Herald, 5/25/09)

“Independent Institute Fellow Victim of Chavez’s Abuses,” by Gabriel Gasave (5/26/09)

“Senior Fellow Alvaro Vargas Llosa Harassed by Venezuelan Police State,” by Anthony Gregory (5/26/09)

“Alvaro Vargas Llosa’s Detention at Venezuelan Airport Is Over” (El Universal, 5/25/09)

Liberty for Latin America: How to Undo Five Hundred Years of State Oppression, by Alvaro Vargas Llosa

Uma Terceira Guerra Mundial é Provável no Curto Prazo?

Não se apavore. Um conflito mundial é pouco provável. Mas um conflito regional sempre aparece quando se queimam livros. Claro, não é só queimar livros. Há outros fatores. Mas eu não me sentiria tranquilo se meu vizinho iniciasse práticas, digamos, bolivarianas no sentido do marketing governamental venezuelano (e aliados).

Paraíso ecológico bolivariano

A versão asiática do bolivarianismo é a Coréia do Norte. Como está o meio ambiente após anos de socialismo? Assim. Não, não me venha perguntar sobre a camada de ozônio lá. Nem quero saber…

Quem disse isso?

“À Venezuela e aos povos da América Latina foi imposto um sistema de rotação de governos tão acelerada que era impossível surgir um projeto nacional de longo prazo. Agora, na Venezuela, derrubamos essas limitações. Aqui construiremos a Venezuela potência, em longo prazo.”

A ciência política e a historiografia têm muito a nos dizer sobre a sapiciência de tais frases, não?