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Até o momento, ninguém no Gallup perdeu o emprego por insatisfação de Obama: uma breve reflexão sobre nossa selva

 

É, minha gente. A confiança econômica nos EUA caiu.

Gallup’s U.S. Economic Confidence Index dropped six points last week to -21 — the largest one-week drop since last October, and the lowest weekly index score since December. Americans’ confidence in the economy’s future waned more than their views of the current conditions.

Apesar disto, ninguém perdeu o emprego na Gallup. É um fato da vida: indicadores econômicos nunca agradam a todos. A diferença entre um selvagem e um civilizado está na atitude diante disto e nós sabemos quem é o selvagem, certo?

Ok, e daí? 

Agora, falando em campanha eleitoral, tem gente que me diz assim: “mas o candidato X também não gosta de jornalistas. Não tenho provas, mas ele causou a demissão de fulano”. Ai me cobram coerência. Bem, agora virou, né?

Veja, diante da realidade política atual, e lembrando um pouco das minhas leituras de política, Bobbio e Buchanan, principalmente, está óbvio para mim que não existem políticos angelicais, santos. Diante desta realidade – e diante da realidade de que eu e meus críticos também não o somos – sou pela opção do menos pior.

No meu caso, eu prefiro discutir um pouco do que entendo: programa econômico. No dia 22 de Julho, em um blog público, que alcança mais gente do que os correntistas do Santander, o prof. Ellery criticou o programa do candidato Aécio. Fica em aberto, aqui, o convite para que ele me conte das pressões que sofreu por fazer críticas – e não apenas elogios – a tal programa.

Vamos combinar que críticas, por mais ferinas que sejam, não são como as famosas bombas de black blocs contra jornalistas, ok? Caso alguém não concorde, pode ir lá ler Sorel, vestir seu uniforme e fazer turismo nas cavernas do Afeganistão.

Bom, depois do episódio – que só posso chamar de censura na falta de um termo mais adequado – aos analistas do Santander, Ellery fez como nossa imprensa fazia na época em que a presidente sofria porque, segundo ela, defendia nosso direito à liberdade de expressão e crítica ao governo militar. Assim, ele fez esta crítica ao programa da candidata.

Cadê os libertários?

Como vocês sabem, conheço um bocado deles. Todos muito enfáticos em se dizerem contra o governo, anarco-isso, anarco-aquilo, etc. No entanto, eles estão incrivelmente calados. Ou então estão apenas xingando algum conservador, ou brigando entre si. Senti falta do tal movimento libertário em manifestações pela internet. Acho que estão de férias. Por incrível que pareça, isso explica muito da paradeira deste pessoal. A maioria é jovem, outros acham que correlação é coisa do demônio e uns outros, mais radicais, acham os economistas do Santander merecem perder o emprego porque, sei lá, não são seguidores de algum oráculo austríaco.

Não sei onde estão os libertários. Mas eu sei onde estão os economistas do Santander: estão prestes a serem despejados porque fizeram seu serviço honestamente. Os que falam do candidato Aecio e falam de supostas perseguições a jornalistas estão calados, mostrando que não são, realmente, muito fiéis ao princípio da liberdade de expressão. Outros temem por seus empregos e se calam. Outros, como os libertários, sempre tão barulhentos e cheios de energia para brigar por linhas ou parágrafos de “A Ação Humana”, estão sem energia para protestar diante do fato.

Concluindo…

Pensando bem, será que eu deveria me esquecer das evidências empíricas sobre o papel das instituições no desenvolvimento econômico? Isto é irrelevante? E isto aqui? Vamos nos esquecer disto? Vou até reproduzir o trecho de Mill citado no último link:

Let us suppose, therefore, that the government is entirely at one with the people, and never thinks of exerting any power of coercion unless in agreement with what it conceives to be their voice. But I deny the right of the people to exercise such coercion, either by themselves or by their government. The power itself is illegitimate. The best government has no more title to it than the worst. It is as noxious, or more noxious, when exerted in accordance with public opinion, than when in opposition to it. If all mankind minus one, were of one opinion, and only one person were of the contrary opinion, mankind would be no more justified in silencing that one person, than he, if he had the power, would be justified in silencing mankind. Were an opinion a personal possession of no value except to the owner; if to be obstructed in the enjoyment of it were simply a private injury, it would make some difference whether the injury was inflicted only on a few persons or on many. But the peculiar evil of silencing the expression of an opinion is, that it is robbing the human race; posterity as well as the existing generation; those who dissent from the opinion, still more than those who hold it. If the opinion is right, they are deprived of the opportunity of exchanging error for truth: if wrong, they lose, what is almost as great a benefit, the clearer perception and livelier impression of truth, produced by its collision with error.

Este, meus amigos, foi John Stuart Mill. Nos outros links você encontrará algumas correlações básicas e algumas referências para artigos que falam sobre o papel das instituições sobre a prosperidade de uma sociedade.

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O viés dos progressistas: lamentação pelo IBGE

Tanto no episódio do IPEA como neste péssimo episódio da PNAD do IBGE, o que não me espanta mais é o silêncio dos auto-denominados (e supostos) progressistas. Geralmente se dizem tolerantes com a divergência, mas não perdem a oportunidade de de cobrar, daqueles que deles discordam, uma suposta neutralidade porque, conforme dizem: sua opinião é viesada porque ideológica e a minha não. Cadê a neutralidade?

Pois é. Agora entendo a neutralidade deles: significa neutralidade de ação. Eles preferem se calar nestes episódios. Ou tentam arrumar uma desculpa para continuar sua agenda política como se a mesma fosse neutra (ou, como dizem: a sua é que não é neutra, logo…).

O ocaso do IBGE é perigoso. Repare que, mesmo para os admiradores do nacional-inflacionismo (nacional-desenvolvimentismo para alguns), que adoram o governo Médici (e também o do general Geisel), este é um péssimo precedente. Nem nos anos da ditadura houve tamanha interferência no órgão. Em democracias sérias, no outro extremo, isto também não ocorre.

O viés dos auto-denominados progressistas, para mim, está claro: além de carregarem a bandeira de neutralidade e diversidade enquanto praticam o oposto, eles se calam diante de perigosas interferências como estas.

Em ano eleitoral, com a credibilidade econômica reduziada a zero – e não falo do setor financeiro que, como o Ellery mostrou, é otimista e não pessimista, como afirma o “nervosinho” Mantega –  agora o governo começa a destruir a credibilidade daqueles que fornecem dados públicos. Combine a isto os poderosos interesses contrários a um bom desempenho no PISA e você terá um bando de gente analfabeta funcional que serve de massa de manobra ou para ações páramilitares no estilo black bloc contra os que discordam de você.

No final, você ainda vai achar que isto tudo é democracia, tolerância e diversidade, com o aval de alguns auto-denominados (e supostos) intelectuais que nunca perdem a oportunidade de ganhar um dinheiro governamental (= vindo do seu bolso) para divulgar suas idéias bovinas e dóceis ao governante da hora enquanto também achincalham adversários sérios ou não, imaginários ou não. Falam de “observar” (= vigiar e eliminar a divergência?) de imprensa, de democracia, mas o fato é que ninguém quer aprender sobre anos e anos de pesquisas sobre instituições e resultados econômicos ou políticos.

Pobres técnicos do IBGE. Passaram anos fazendo um trabalho sério, acreditando pessoalmente em alguns políticos ou partidos, obviamente, mas sempre separando o lado pessoal do profissional e, agora, isto. Não é só perigoso e triste: é frustrante.

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Imagine que você quer viajar para o exterior

Imagine que você saiu nas férias para fazer uma grana extra no Reino Unido ou, sei lá, nos EUA. Bacana, não é? Agora, imagine que, chegando nos EUA (fiquemos com este, sempre alvo de amor e ódio), você arrume um bico numa cadeia de fast-food. Jóia, apesar de ser brasileiro, os norte-americanos não são xenófobos a ponto de ignorarem o famoso cálculo de custo-benefício.

Você não ganha tubos de dinheiro, mas não tem restrições para trabalhar direito. Sai do serviço à noite e, de vez em quando, curte uma baladinha. Usa a internet para avisar seus familiares e contar suas burradas e sucessos para a turma de amigos. Um belo dia, conhece uma nativa e começa a sair com ela. Dá uns beijos, passeia, toma picolé, mas o dia de voltar se aproxima. Você faz as malas e volta para o Brasil.

A história é simples e nenhum brasileiro dirá que não conhece alguém que já não fez algo parecido.

Agora, vamos pensar na vida de um médico cubano que é obrigado (ou não) a vir para o Brasil. Ele vem trabalhar por um dinheirinho. Ok. Ele dá duro, tenta aprender um pouco de português, rala e, à noite, quer sair para a baladinha. Infelizmente, não pode ir se não for com um grupo de cubanos. Dentre eles, claro, tem o “olheiro” do governo cubano.

O tempo passa e ele não pode usar a internet livremente porque sabe que, se criticar seu governo, sua família terá sua ração diminuída. E tem os olheiros, claro.

Numa das noitadas, ele conhece uma brasileira e se apaixona. Opaaaa, a história não pode continuar. Por que? Porque o que o governo brasileiro pretende fazer, junto com o governo cubano, é aceitar o médico aqui, desde que ele não se relacione “intimamente” com nenhuma nativa. Não, eles não são racistas. Não se trata de uma visão fascista do império castrista (ou castrador?). É o medo, puro e simples, de que os médicos abandonem o país (deles) como o fizeram na Bolívia.

Um ex-ministro da Justiça, lembrem-se, forçou dois boxeadores cubanos a voltarem para Cuba porque, porque..sei lá, por motivos humanitários. Com o apoio de militantes que condenam a Apple ou a Nike por usarem trabalhadores em condições de semi-escravidão, alguns políticos brasileiros e outros cubanos estão para importar médicos sob estas condições.

A gente começa a se perguntar: com tanto médico em uma Europa em crise, porque não incentivar a vinda deles?

Eu não tenho nada contra a concorrência de médicos estrangeiros, não me entendam mal. Mas não acho bonito ou moralmente (ou eticamente, etc) correto trazer médicos com um monte de restrições à vida íntima deles (= liberdade individual, tá? Ou quer que desenhe? Use o Aurélio antes de espumar de raiva e vomitar comentários mal educados). A escravidão, segundo Marx, não era algo bonito de se ver. Entretanto, seus devotos seguidores acham correto fazer isto com seres humanos.

Por que não, simplesmente, liberar a emigração dos cubanos para o Brasil? Deixe que venham os médicos que quiserem vir. Deixe que trabalhem e se relacionem com quem quiserem. Não é assim com os brasileiros que vão ao exterior? Alguém aí acha correto obrigar estudantes brasileiros a capinar no exterior, sem liberdade de sair sozinho, sem direito a namorar ninguém e ainda ser vigiado e, já me esquecia, enviar parte da grana para o governo brasileiro?

Estão saindo às ruas estes dias por muitas causas. Eu sairia por uma causa destas: sou solidário com gente que vive sob uma ditadura. E vocês?

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Minha homenagem aos que enfrentam as duras regras de trânsito

Meu xará tem uma dica de notícia que simplesmente me dá vontade de puxar uma passeata com paus e pedras em direção a qualquer representante do poder público. Paga-se uma nota de tributos sob o humilhante rótulo de “contribuinte”, atura-se discursos e práticas insanas que ocupam tempo nos meios de comunicação…e agora isso?

Os colegas que fazem sua renovação de habilitação, em especial, têm aqui uma singela homenagem.

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Militância e eficiência

Funcionário público (mediano) adora uma partidarização do emprego. Uma porque agrada seu ego de bemfeitor da humanidade – ainda que às custas de algumas vidas, claro – outra porque diminui a carga de trabalho. O pior é quando o que eu disse é verdade.

p.s. eficiência, claro, é conceito “burguês”, “neoliberal”, logo, o correto é não trabalhar! Aloha!

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Como não fazer política monetária

O presidente da Silva tem momentos de muito pouca inspiração – quando mais se aproxima de gente com clara vontade de se tornar ditador como seu amigo Chávez – e um deles foi exposto pelo Homo Econometricum aqui. O povo do IDERS ecoou mas não comentou (o que é uma pena) a notícia.

Acho tudo muito interessante, principalmente entre os formadores de opinião pterodoxos. Para estes, até pouco tempo, era importante o Banco Central ter uma atitude, digamos, keynesiana (no sentido parvo do termo). Agora, eles estão calados. Não sabem se aplaudem o balão de ensaio da notícia ou se reclamam. Afinal, muitos deles almejam cargos no órgão público e não gostariam de serem tutelados (outros, claro, adorariam a possibilidade de jogar a culpa no presidente da Silva, caso fizessem as besteiras que pregam).

Como este blogueiro sempre disse: autonomia do BC não é uma questão puramente acadêmica – como afirmam (ou berram, ou latem, etc) os pterodoxos – mas sim uma questão importante e de claras consequências na vida de qualquer um. Dizer que a questão é acadêmica é a mesma coisa que dizer que documentos de seu carro não possuem valor algum – exceto o acadêmico (e para quem? Só se for para algum professor de legislação…). A implicação disto é tão clara que qualquer metalúrgico do ABC paulista com pretensões políticas entende, claro. Pode se fazer de bobo, mas entende.

Embora este blog tenha sempre avisado, claro, houve muita gente que acreditou em Papai Noel. Bem, eis uma oportunidade de ouro de ver o que cairá em sua chaminé neste Natal…

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Corrupção bolivariana brasileira

A esquerda blogosférica está se retorcendo. Afinal, é muito fato para o tradicional wishful thinking dos milit-fanáticos. Até o insuspeito Simon Schwartzman manifestou sua decepção com o febeapá corporativo. Sim, o bolivarianismo ainda não alcançou seu zênite (sonho dos milit-fanáticos e aliados mais radicais), e ainda podemos rir disto tudo. Ainda assim, um (pomposo?) ministro resolveu protestar e foi pego – digo, seu assessor foi pego – com as calças nas mãos: o cartão pagava diárias de fim-de-semana em luxuoso hotel paulista.

Ah sim, mesmo com tudo isto, você terá que pagar seu imposto de renda direitinho, ou será punido por ser desonesto, tá?

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O que a inflação não faz (parte 2)

O desespero dos militares argentinos levou o país à ridícula Guerra das Malvinas. Citei isto outro dia para me referir ao desespero de outro que, amigo da administração da Silva, de Morales e do ditador Castro, não vê a hora de arrumar um conflito com algum vizinho (de preferência, a Colômbia). Como não deu certo, o papo agora é fazer bravatas, como em todo bom estereótipo caudilhesco. Lamentável? Claro. Não é o que pensam 10 milhões de colombianos, vítimas desta gente assassina que usa uniformes da FARC.

Triste como o governo brasileiro faz tão pouco pela boa integração regional, não é?

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Eu sou culpado mas não assumo porque quem contou não deveria tê-lo feito

Quero ver a blogosfera da esquerda anaeróbica se defender agora. Lamentável episódio este da administração da Silva. Militantes devem estar em estágio avançado de deturpações mentais. Afinal, como justificar isto como herança maldita, culpa dos políticos picaretas (dos outros partidos, claro) e, ainda assim, posar de heróis da sociedade? Só um militante mentalmente perturbado conseguirá tal feito. Ou um hipócrita travestido de realista.

No final, a pergunta de hábito: por que os burocratas não podem usar cartões de crédito como os que o mercado nos oferece, com limites de crédito e tudo o mais? O bom e velho “Consenso de Washington” diria: instituições sólidas. Mas os militantes – que nunca leram um artigo de Stiglitz – dirão, lendo apenas seus artigos superficiais para tablóides, que isto não é correto, que é individualismo, etc.

Lamentável. Este blog se ressente de ver tamanha distorção do dito “sou brasileiro, não desisto nunca”.