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Rent-Seeking e o BNDES

Dois pesquisadores do Insper acabam de ter um estudo fartamente divulgado (ser divulgado no Estadão é, de fato, merecedor do “fartamente”). Vale a entrevista com ambos.

O mais interessante, para quem conhece este blog, é, mais uma vez, notar que o tipo de capitalismo defendido pela esquerda brasileira, por gente de má fé, alguns inocentes bem-intencionados (mas ignorantes em conhecimentos econômicos), este tal de “capitalismo de compadrio”, não nos leva a lugar algum.

Há quem ache que existam vantagens no curto prazo, mas, na verdade, deixam de enxergar as desvantagens que vêm acopladas. Por exemplo: “como pode ser ruim a nacionalização da indústria X, com mais empregos no país?” tem, como contra-argumentos simples: (a) veja o fracasso da indústria naval brasileira e (b) além do fracasso lhe custar mais impostos, a tentativa de privilegiar empresas ineficientes também vai lhe tirar mais recursos via impostos.

Impostos, por si, tiram parte de sua renda e você ficou mais pobre. Além disso…

…pense no seguinte exemplo: você, profissional liberal, almoça fora todos os dias e percebe que há dois restaurantes com alimentos de péssima qualidade. O que você mais quer, imagino eu, é que estes desapareçam do mapa e que você possa pagar por um almoço decente. Assim como você, vários pensam assim.

Um dia, à beira da falência dos dois, o governo vem, diz que não vai mandar ninguém para a rua e funde os dois em um restaurante maior, além de lhe encher de dinheiro (que você, profissional liberal, ajudou a recolher, por meio de seu, aparentmente inócuo, trabalho). Os restaurantes continuam, você se alimenta mal (e, veja só, tem menos dinheiro para ir ao médico…que beleza!) e o governo ainda fatura com alguns dólares (na cueca do socialista, viva Lamarca!) para sua campanha eleitoral.

É realmente isto que você quer?

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Para a administração da Silva, o benefício de abrir a defesa é maior do que o custo

Embora tenha tentado convencer os eleitores durante 8 anos que sua administração buscava um lugar ao sol no cenário externo, o que se vê é uma abertura para sofrer processos na OMC em troca, claro, do descalabro fiscal que não tem atingido brasileiros anestesiados (submetidos a uma notável ilusão fiscal?).

Quem vier depois, então, paga a conta. E não falo apenas do novo presidente, mas sim das gerações futuras (que não têm passaporte italiano, por exemplo).

Custos e benefícios se alinham neste caso?

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Não ao pagamento da dívida externa

Não resisto a quase copiar o título do post do Coronel. Um dos governantes é este protótipo de monarca, cuja forma de governar não consiste apenas de intimidações à oposição, mas também aos próprios aliados. Em qualquer aula de Ciência Política séria, este sujeito teria os qualificativos que merece. Mas, claro, no Brasil selvagem, há poucos cientistas sérios (o que me leva a parafrasear o presidente de certo órgão científico e perguntar: “por que tantas bolsas a doutorandos de Ciência Política?).

Tristes trópicos, não?

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Contribuinte brasileiro levou o cano

Governo do Equador anunciou que vai dar o cano. O contribuinte que ganha bolsa X ou subsídio Y pensa que ganha sempre mas eis um caso no qual não ganha porque, ao final, pode ser que tenha é que pagar mais. Afinal, ou o governo aumenta a carga tributária, ou aumenta a inflação, ou aumenta a dívida para cumprir suas metas de orçamento equilibrado. O que? Reduzir gastos? É, foram-se oito anos de oportunidade. Ninguém quis arriscar ser um verdadeiro reformador da administração pública federal neste período (se bem que a FAB andou se transformando em “ônibus escolar” no período, o que foi bem inédito ou digno de censura se ocorresse nos “anos de chumbo”…).

Solução? Diplomacia não-ideológica. Só deste jeito.

p.s. aposto que alguém do governo irá querer bancar o Henry Paulson brasileiro e dirá que a Odebrecht precisa urgentemente de ajuda para não falir. Pena que não é um banco, não é?

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O caso Daniel Dantas

Tenho apenas um alerta aos que acham que estão brincando com um amador. Daniel Dantas é um sujeito extremamente inteligente. Mais do que muita gente pensa. Isto significa que tanto seus acusadores quanto seus caluniadores devem tomar muito cuidado. Afinal, o poder de revelar ligações até então impensáveis à mente dos eternos ingênuos da patuléia é altíssimo.

Interessante ver como parte da blogosfera faz força para não ser lembrada dos fatos…

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A economia da política industrial instaurada pelo sr. da Silva

Marcelo Paiva Abreu está preocupado com os desvios lógicos da pterodoxia que – a cada dia que passa – instala-se com mais força na administração da Silva:

É penoso e preocupante o contraste entre as entusiásticas avaliações recentes de analistas internacionais quanto às perspectivas econômicas do País e a precariedade das propostas do governo, quando pretende aproveitar o bom momento macroeconômico para viabilizar o crescimento econômico sustentado a taxas decentes. O conjunto de medidas listadas explicita a preferência no governo pela escolha pelo Estado dos setores que serão beneficiados pelas políticas públicas. Essa predileção tem raízes profundas na tradição luso-brasileira de patrimonialismo e rent seeking. Baseia-se no diagnóstico de que a sinalização dos “mercados” é imperfeita e que cabe ao Estado a correção de tais imperfeições por meio de tratamento fiscal favorável e concessão de empréstimos subsidiados por parte do BNDES. Parece quase impossível abandonar o “gosto de escolher”.

Para tentar instilar racionalidade no seu programa, o governo trata de propagar justificativas pouco convincentes. Crucial no discurso governamental é a reiteração de que os empréstimos concedidos pelo BNDES, sobre os quais incide a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), não são subsidiados. O argumento-padrão é que não há subsídio, dadas as disposições legais quanto à remuneração do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), e que as taxas cobradas de mutuários do BNDES são superiores à taxa de remuneração do FAT. É claro que não se menciona a discrepância entre o nível de remuneração do FAT e a taxa Selic, que reflete de forma adequada o custo de recursos para o governo. Nem que o BNDES é comensal único do FAT, pois no mínimo 40% dos recursos do fundo são vinculados a aplicações em programas de crescimento econômico desenvolvidos pelo banco. Não há falar grosso que compense a fraqueza do argumento.

Difícil é discordar dele sem mostrar falta de conhecimento econômico e/ou um comprometimento com interesses nem-tão-ocultos assim (várias matérias interessantes sobre isto aqui).

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Eu também quero uma boquinha

“O governo federal tem tentado criar as condições para salvar a Gradiente… Luciano Coutinho, presidente do BNDES, é um companheiro que está tentando ajudar, nós vamos fazer o que estiver ao nosso alcance para ajudar a Gradiente a voltar a produzir e a gerar empregos”, afirmou Lula durante seu discurso, distribuído pela assessoria da Presidência.

Muitas vezes o papel do SERVIDOR público é manter-se silencioso ante à pressão dos interesses organizados. Falar, creio, pode atrapalhar. Declaração complicada esta. BNDES voltou a ser hospital de empresas privadas? Por falar em BNDES, eis aqui a origem de vários dos comentários ignorantes (que ignoram o assunto) e mal-educados que aparecem neste e em outros blogs de vez em quando.

Nunca antes na história deste país o pessoal sério do BNDES se sentiu tão mal…

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O papel do Estado na economia: versão da Silva – BNDES

Na era da Silva, IPEA e BNDES sempre aparecem nas notícias do dia. Mas esta, agora, foi a melhor de todas. O engraçado é que os miolos-moles que não podem ouvir uma crítica ao operário-príncipe são os primeiros a reclamar do sindicato aliado (a tal FS). Engraçado como operário-príncipe só vale se for amigo dos supostos intelectuais (atualmente em obsequioso silêncio).

Diga-me com quem andas…