Lista lateral de blogs

Fazia tempo que eu não atualizava minha lista lateral de blogs (estou em falta com muita gente, claro, e também devo ter links “mortos” por lá). Mas há um que descobri recentemente, o blog do Flávio Comim, interlocutor de conversas virtuais (e nem sempre concordando, o que é bom, e sem maniqueísmos ideológicos, o que é melhor ainda).

Sim, ele está aqui.

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Gastamos mal?

Fabio Miessi acha que sim. Para não dizerem que só estou de sacanagem, veja a tabela abaixo.

Preciso dizer algo?

Claro, veja também este belo (e triste) gráfico.

Por isso é que tenho criticado um bocado aqui o descaso do nosso governo com o ensino. Não preciso dizer muito: a cada resultado ruim, ouvimos as autoridades desqualificarem os avaliadores ao invés de pedirem desculpas e dizerem que vão trabalhar para mudar o quadro.

Muita arrogância e pouco trabalho são uma fórmula certa para chafurdar na lama. Apenas isto.

Teoria dos Jogos…na prática

O blog Teoria dos Jogos nos brinda com um interessante estudo sobre o perfil dos torcedores de futebol na selva brasileira. O pessoal de Economia dos Esportes é inexplicavelmente escasso no Brasil (ainda mais quando se trata de futebol). Caso você tenha interesse no tema, dá uma busca por aqui e também no google e você descobrirá que há muita coisa bacana para se fazer na área.

Rápidas da blogosfera

Enquanto descubro mais sobre o Mendeley e o R, buscando ajuda com a Economatística, vejo três ótimos posts.

Orgulho de ter feito algo de bom nesta vida

O André Greve faz um comentário que eu gostaria de compartilhar com o Leo Monasterio, meu co-fundador do primeiro blog que tive de economia e este.

Shikida, vc não é apenas um dos melhores blogueiros da teoria econômica séria e do pensamento político liberal, vc foi um dos primeiros a fazer isso. A blogosfera econômica, por exemplo, cresceu ao redor do seu blog.
Esse ótimo trabalho que o Liberdade na Estrada montou em diversas universidades brasileiras para palestras se tornou mais fácil graças a existência de toda uma rede de contatos funcionando há algum tempo.
Parabéns pelo trabalho Shikida.

O elogio realmente vem de alguém que nunca vi, mas já conheço da internet (tal como, inicialmente, com o Leo Monasterio).  Algo que o André fala e que é importante é que este blog terminou por ser um blog de legítima economia política. Em outras palavras, todo mundo sabe o que acho do liberalismo, mas todo mundo também sabe que há uma diferença entre economia normativa e positiva. Mais ainda, sabe também que não nos furtamos (eu e os co-blogueiros que, realmente, sumiram a partir de 2008…) a encarar a difícil tarefa de falar de um e de outro sem misturar tudo.

Se a gente consegue isto é outra história, mas o elogio do André mostra que temos sido bem-sucedidos.

André, obrigado pelo comentário e, claro, por fazê-lo no Dia do Professor.

p.s. será que os inimigos deste blog também cresceram por conta da gente? Provavelmente sim. Não deixa de ser irônico e me faz lembrar daquela famosa cena final do filme “Conan, o Bárbaro”…

Metendo os pés pelas mãos

  • Como a Folha meteu os pés pelas mãos, segundo Duke.
  • Como os pseudo-economistas meteram os pés pelas mãos, segundo o Bittencourt.
  • Como os altruístas também podem meter os pés pelas mãos, segundo o Joel.

Repercussão do Prêmio Nobel na blogosfera

Certamente o Marginal Revolution já tratou do tema, mas eis outros reflexos:

Matinais

Há esperança

Também vejo uma grande boçalidade na maioria dos blogs de “economia austríaca”, em que as obras originais escritas pelo Von Mises e pelo Hayek são elevadas a condição de verdade absoluta e sagrada, e quem simplesmente tenta ir contra elas, é detonado moralmente. No mestrado, pareceu-me óbvio que a ciência econômica busca a explicação, descrição e previsão de fenômenos econômicos. Por isso, um economista que tenta fazer análises aplicando diretamente pensamentos de seus autores favoritos dos anos 30 e 40 à realidade atual, mesmo que fazendo distorções horrendas, ou recorrendo a difamações morais, lei de Godwinn, e técnicas retóricas de ganhar debates sem ter razão, agora me parece ridículo. Por isso, deixei de acompanhar blogs desse tipo. E eu sei que eu fazia isso na graduação, não com os autores austríacos, mas com os autores que eu gostava de ler (Keynes, Amartya Sen, Fernando Rezende, Adam Smith, etc.). Agora, vejo que o que realmente importa na economia é a análise de dados econômicos, tanto quantitativos como qualitativos.

Olha aí o blogueiro que melhorou a qualidade de sua leitura. Talvez eu discorde do resto do texto dele, ou de boa parte do mesmo, mas este ponto acima é muito bom. Mostra que há como escapar da armadilha das idéias, versão doutrinal, seja de onde vier a raiz do fundamentalismo.

Aula de economia – o que é um economista de formação razoável?

Alex dá uma outra lição básica. Esta com mais álgebra mas, como sabemos, álgebra é coisa “pouco nobre”, para “servos escravos” que não se dedicam ao trabalho nobre de fumar maconha e publicar as teses imaginadas no período etéreo como profundas verdades universais (não sujeitas ao “positivismo popperiano”).

Quando a blogosfera econômica brasileira atingirá o nível mínimo da americana é algo que não consigo prever, tamanha a sujeira em que vivemos. Entretanto, fica aí a esperança ao ler coisas como esta do Alex.

Comentário valioso

Eu fico furioso quando leio alguém criticar previsões/econometria/métodos quantitativos. Sou da turma de economia que não trabalhou o devido com esse tema na graduação. Somente no mestrado tomei conhecimento de verdade e fiquei fã. Não dá: TODO curso de ECONOMIA de verdade entendo que deva exigir ECONOMETRIA mesmo. E quem não gostar, paciência.
Abraço,
João Melo, direto da selva

Eu não teria dito melhor…

O clube de convergência inferior do debate

Duke of Hazard, em trecho revelador de um texto muito bem escrito:

No Brasil, esta divisão assume uma desproporção incomum. Não vou citar exemplos, mas quem anda pela blogosfera econômica brasileira sabe do que falo. O debate se resume aos seguintes passos:

1) Proposição do problema, feita pelo autor do texto, com uma resposta parcial à questão;

2) Um contra-argumento de algum leitor baseado naquilo que seu grupo leu, muitas vezes ignorando por completo a argumentação original.

3) Uma resposta do autor, citando autores da “sua turma”.

4) O enquadramento de ambos debatedores em algum grupo, e a conclusão (sofrível) que o problema não terá uma resposta porque, obviamente, os participantes vêem o mundo de maneira muito diferente e, conclusão derivada, acham que o outro estará sempre errado, por definição.

O item 4 é realmente a triste conclusão de quase todo debate (debate?) na blogosfera. 

No mesmo dia, ou quase, Sumners fala da relevância dos macroeconomistas e também discute rótulos e afins. Sobre a blogosfera, veja o que ele diz:

When I started this blog I had an ideal reader in mind (as I suppose all authors do.)  I knew that it was going to be impossible to convince macroeconomists of my extremely counter-intuitive views of the crisis.  Nobody who has expertise in macro can be impartial to an event so traumatic.  By now views have hardened.  Even the uninformed have strong opinions.  So I needed someone outside of economics, someone with an open mind.

At the same time I knew that I needed a reader that was bright enough to understand very subtle, counter-intuitive economic arguments.  Thus I needed someone who had at least an amateur’s interest in macro, who was also a very skilled economist.  I also needed someone who wasn’t overly impressed with a lot of technical mumbo-jumbo that doesn’t really mean anything.  Someone who thought short (or not so short) blog posts could convey interesting economic ideas.

Revelador, não? Eu diria que mais um ponto do diagnóstico feito pelo Duke está aqui. A pergunta, claro, é: quais os microfundamentos (interesses) dos blogueiros? E o que dizer dos interesses dos que comentam? 

Deriva-se daí que uma outra pergunta é o quanto, realmente, a blogosfera, os comentários e textos, agregam de conhecimento, de fato. Afinal, se o resumo da história é um debate infértil, o melhor seria, mesmo, pesquisar. Mas esta é uma solução terrível. Significaria que apenas há criação de conhecimento entre os que pesquisam e conversam entre si pois, afinal, o público não estaria nada interessado no assunto pois continua a pensar em ciência como um debate moral de idéias na qual, claro, sua moral é sempre melhor que a do outro. 

Se for este o caso, então o melhor seria ignorar a blogosfera.