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Por que você tem que aprender os conceitos de média e mediana? Para entender melhor as políticas públicas no seu país. Sim, isso mesmo!

Eis uma belíssima observação do livro de Alston et al (2016)do Bernardo Mueller e do Lee Alston,“Brazil in Transition: Beliefs, Leadership, and Institutional Change”:

“In Brazil, the ratio of median to mean income has gone up from 0.45 in 1976 to 0.59 in 2009. This data suggests that important changes have taken place in the political equilibrium. They also indicate that the fall in inequality in Brazil over the past two decades is not a temporary fluctuation but rather the result of deep systematic changes in the country’s social contract”. [p.136]

A distância entre as rendas mediana e média, também nos lembram os autores, é uma contribuição do clássico artigo de Meltzer e Richard (o famoso Meltzer & Richard (1981)). Digo, eles não inventaram a medida de distância mas, até onde sei, foram eles que atribuíram à dita cuja a interpretação intuitiva, mas poderosa de ser uma boa ‘proxy’ da pressão política por redistribuição em uma sociedade.

Trechos assim nos lembram que, muitas vezes, é podemos obter muita intuição do básico. Aí o aluno me pergunta: por que eu aprendo média e mediana no curso? Não tá de bom tamanho fazer umas contas com uma amostra de bolinhas vermelhas e verdes ou com umas cartas de baralho?

Como você percebe do trecho acima, não, não basta. Um economista tem que entender o conceito, não apenas aplicá-lo. Veja como aprendemos um bocado sobre pressões por políticas redistributivas usando apenas a distância entre as rendas média e mediana!

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Juízes do STF são sempre pró-Executivo no Brasil? Adivinhe (ou leia o texto citado)!

How judges think in the Brazilian Supreme Court: Estimating ideal points and identifying dimensions 

Pedro Fernando Almeida Nery Ferreira, Bernardo Mueller
Abstract
We use NOMINATE (Nominal Three Step Estimation) (Poole and Rosenthal, 1983, 1997) to estimate ideal pointsfor all Supreme Court Justices in Brazil from 2002 to 2012. Based on these estimated preferences we identify the nature of the two main dimensions along which disagreements tend to occur in this Court. These estimates correctly predict over 95% of the votes on constitutional review cases in each of the compositions of the Court which we analyze. The main contribution of the paper is to identify that the main dimension along which preferences align in the Brazilian Supreme Court is for and against the economic interest of the Executive. This is significantly different than the conservative-liberal polarization of the US Supreme Court. Our estimates show that along this dimension the composition of the Court has been clearly favorable to the Executive’s economic interests, providing the setting in which the dramatic transformation in institutions and policies that the country has undergone in last two decades could take place.

Preciso dizer mais? Não, né? Então, dá uma olhada na figura abaixo e vá lá ler o texto que seu acesso não é pago.

mensalao

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Por que o Judiciário brasileiro precisa ser reformado?

Porque ele gera emprego? Gera lucro? Facilita a alocação de recursos? Tudo isto? Eis trechos da conclusão deste artigo:

In this paper we used data from a survey on approximately 100 Brazilian firms in the textile and consumer electronic sectors carried out between December 2004 and July 2005. It was found that whereas firms had an only moderately negative perception about the judicial systems’ impartiality, honesty, consistency and ability to make its decisions respected, the perception of the systems’ accessibility was very negative and that of its expeditiousness had practically all respondents choosing the most negative qualifier.

(…)

In terms of the variation of firms’ expectations about judicial institutions we found that
larger firms (in value of production) tend to have better expectations, but those with, ceteris paribus, more workers, had a more negative perception. This suggests that larger firms are better able to adapt to the judicial systems’ shortcomings, and that the inherent bias towards workers’ rights, though predictable, is seen as a significant hindrance by the firms. In addition we found that, as expected, exporters and firms that received direct foreign investment tended to have more negative perceptions of judicial institutions.

(…) We found that firms’ expectations of, and belief in, the judiciary decreased, all else constant, the growth of employment from 2000 to 2004/2005 and increased capital labor ratios, though we found no effect on worker productivity. (…)our paper also suggests that the design of such reforms is not straightforward, as judicial institutions are intertwined in complex ways within the broader institutional matrix of the country.

Pois é. Eu falava de como a Estatística é útil, né? Agora, quando falamos de desenvolvimentos institucionais, aí é que a coisa fica mais séria…

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Economia política dos conflitos de terra

Há muito tempo eu escrevi em algum lugar (ou disse para algum amigo) que esta histeria dos sem-terra contra o capitalismo tem dois lados. Um, bobo mesmo, é o ideológico. O outro, mais disfarçado, é o do rent-seeking explícito. Muito desta destruição de laboratórios – eu dizia – tem a ver com o desejo de eliminar a competição.

O falecido Jack Hirshleifer, ao falar de economia do conflito, dizia em seu livro-texto que firmas competem com estratégias, muitas vezes, violentas. O que foi aquilo em 1930 em Chicago?? Nem Marx explica, né? Afinal, Marx não tinha o mesmo arcabouço analítico de um Mancur Olson ou um Jack Hirshleifer. Mas vamos lá às evidências. O esforço deste pessoal para maximizar o lucro tem sido evidente. 

Ah sim, eu e o Ari já falamos sobre isto antes. Veja aqui. Mas o especialista, mesmo, nisto, é o Bernardo Mueller, um sujeito para lá de inteligente.