A Abenomics está indo para o brejo?

Título propositalmente inflado, mas não de todo errado. A situação da economia japonesa não é tão boa quanto se esperava. Eis um dos últimos indicadores, a confiança do consumidor.

Não é exatamente o resultado que eu esperaria encontrar após meses e meses de políticas, digamos, expansionistas. Hoje, em alguns veículos de comunicação, li que há um certo temor do que o BoJ, novamente, tente uma política monetária ativa, expansionista.

Há quem esteja otimista, mas eu não sei não. Veja, por exemplo, o apanhado de notícias sobre a Abenomics no WSJ.

Os leitores deste blog sabem que comecei o ano mais disposto a acompanhar a economia japonesa mais de perto, mas a verdade é que tenho tido muito trabalho e pouco retorno sobre o tema de forma que meus comentários sobre o tema foram sendo reduzidos ao longo do ano. Meu otimismo, adicionalmente, também deu uma esfriada.

Voltarei ao tema um dia destes.

Abenomics – confiança do consumidor

shouhi_julho

Clique na imagem para ampliar

Pois é, pessoal. O assunto – falo do consumo, em geral – voltou a ser pauta no início do novo semestre e, portanto, vale a pena falar destes indicadores por aqui. Para não correr o risco de ser demitido por ser pessimista – sabe como é, o governo não está nem aí para o plágio, mas não pode ouvir uma análise pessimista que fica nervoso, acha que 13 – 4 é 7 e apela – vamos falar da economia japonesa. Aliás, o Primeiro-Ministro esteve por aqui, no início de Agosto (dia 02 ou 03), então vale a pena voltar ao tema.

Repare que, em termos das expectativas do consumidor, as coisas não estão lá aquelas coisas. O aumento do imposto já se incorporou – imagino – na realidade dos consumidores e, agora, o que o Primeiro-Ministro necessita fazer é mostrar que sua meta de crescimento com inflação de 2% ao ano é factível. Diante disto, há um certo pessimismo quanto às reformas microeconômicas (o mesmo problema que todo governo enfrenta…ou seja, macroeconomista que despreza microfundamento precisa queimar o diploma, né?) para flexibilizar o mercado de trabalho.

O indicador, per se, ainda nos diz muita coisa. Uma boa análise descritiva pode ser feita com a série que está disponível aqui. Olha só o que vem acontecendo com o indicador ultimamente:

shouhi_julho2

Novamente, clique na imagem para ampliar. O que a tabela nos mostra é que o índice de confiança, já dessazonalizado, não sai muito do lugar desde 2013. O gráfico nos mostra isto. Ele parece estar estacionário em torno dos trinta e muitos e quarenta e poucos, não? Em uma escala logaritmica, provavelmente, teríamos uma visão melhor disto mas, veja só, tenho que entrar em sala daqui a pouco.

Ah, veja que tem mais colunas na tabela e você pode, obviamente, analisar os componentes do índice. Como dizem lá nos EUA, be my guest.

 

Abenomics…

Como falei mais cedo, a dança dos indicadores não nos permite apontar para um pessimismo. Eu diria que, com este último, podemos apostar em um otimismo moderado. O que a administração Abe precisa fazer é trazer a Coréia do Sul de volta para a grande aliança do Pacífico que tem se protegido das ditaduras chinesa e norte-coreana em termos políticos.

Agora, voltemos aos afazeres usuais…

A Abenomics…

Deve-se ter cuidado com manchetes como esta pelo simples fato de que ela olha para o curto prazo apenas. Afinal, sabemos que: (i) há vários setores (desagregação) e (ii) a relação entre curto e longo prazo se dá pelas expectativas.

Os dados originais estão aqui.

Indicadores antecedentes – economia japonesa

Eis um indicador cuja interpretação é até meio óbvia. Recomendo, obviamente, que você dê uma olhada lá na página original. Aqui, creio eu, dá para se ter uma noção do que vem por aí nas nossas vigilantes investigadas sobre a Abenomics.

A Economia japonesa vai bem?

Abenomics – Taxa de câmbio real

abenomics_junho3

 

Mais um gráfico para tentar ver como andam as coisas em termos da taxa de câmbio real. Dados do BIS. Claro que o legal é comparar os índices com outros países com os quais o Japão mantém relações comerciais. Quem tiver a dica, favor colocar nos comentários e eu faço um gráfico com todo mundo.

Ah, a dica do R é a mesma de antes, ok? ^_^

Abenomics ou não?

abenomics_junho2

 

Conforme prometi no post anterior, eis o gráfico do PIB real japonês, coletado aqui. Olhando para este gráfico não é muito fácil saber o que ocorre com o PIB japonês em termos de análise de impacto. Afinal, a economia japonesa escapa da crise de 2008 e inicia uma trajetória de crescimento interrompida pelo grande tsunami de 2011. A partir daí, como já mencionei neste blog (procurem!) há um problema em se discernir o que é crescimento devido à política do primeiro-ministro Abe e o que é recuperação por conta da reconstrução.

Em outras palavras, não podemos analisar apenas esta série para tirarmos maiores conclusões. Ah sim, é por isto que gostamos de análises multivariadas em Economia, né?

Bom, nestas férias eu prometo tentar fazer algum tipo de análise multivariada sobre o tema. Não sei quantos leitores acompanham o tema e suspeito que não são muitos. De qualquer forma, é um gráfico simpático, não?

Momento R do Dia – Gráficos (e Abenomics)

Fazia tempo que eu não falava da Abenomics aqui. Então, vou aproveitar para explorar alguns aspectos não-econômicos do tema. Ou seja, vamos falar um pouco da estética de apresentação de gráficos usando o R.

Primeiro, após ler este texto, eu pensei: por que não fazer um gráfico visualmente mais informativo e atraente para meus posts sobre a economia japonesa? Então, eu usei o método learning-by-doing (claro, com several mistakes) e cheguei a estas linhas de comando.

base <- read.table(file = "clipboard", sep = "\t", header=TRUE)
library(zoo)
Consumer<-ts(base$Consumer.Confidence.Index, start=c(2004,3),freq=12)
head(Consumer)
jp<-data.frame(time=index(Consumer), Co = Consumer)
library(ggplot2)
require(extrafont)
opts=theme(
  panel.background = element_rect(fill="darkolivegreen1"),
  panel.border = element_rect(colour="black", fill=NA),
  axis.line = element_line(size = 0.5, colour = "black"),
  axis.ticks = element_line(colour="black"),
  panel.grid.major = element_line(colour="white", linetype = 1),
  panel.grid.minor = element_blank(),
  axis.text.y = element_text(colour="black"),
  axis.text.x = element_text(colour="black"),
  text = element_text(size=14, family="xkcd"),
  legend.key = element_blank(),
  legend.position = c(.2,.75),
  legend.background = element_blank(),
  plot.title = element_text(size = 20)
)
ggplot(jp, mapping=aes(x=jp$time, y=jp$Co))+
   geom_line(color="green", size=1.5) +
  ggtitle("Indice de Confiança do Consumidor -com ajustamento sazonal") +
  xlab("meses") + ylab("Indice de Confianca do Consumidor") +
  geom_text(aes(max(jp$time), max(max(jp$Co)), hjust=1.2, family="xkcd", label="Leve recuperacao"), size=8)+
geom_hline(yintercept=45, linetype=2, size=1)+
scale_y_continuous(breaks=seq(0, max(max(jp$Co))+10, 10))+
  scale_x_continuous(breaks=seq(0, max(jp$time), 1))+
  opts

A primeira parte do comando apenas importa os dados e constrói a matriz com duas colunas: o índice de tempo e a série de dados em si. Isto porque quero explorar o ggplot2, não apenas fazer um gráfico. Em seguida, preparamos alguns elementos opcionais do gráfico (título, borda,fonte das letras, tamanho, etc). Além disso, eu resolvi estabelecer, arbitrariamente, uma linha de confiança no nível “45” do gráfico, apenas para ter uma referência. Também resolvi ver como ficaria a inclusão de um pequeno texto no gráfico chamando a atenção para a “leve recuperação” que, parece, ocorre no final do gráfico. Veja o resultado.

abenomics_junho

 

Não está tão bonito quanto o gráfico dos três porquinhos (veja o link indicado!), mas ficou mais bonito do que o gráfico da fonte de dados. Obviamente, faltam elementos no gráfico para que ele fique mais informativo, completo (como as notas de rodapé e tal), mas tudo depende do público-alvo e do tipo de meio de comunicação que você usa. Por exemplo, ninguém se queixa muito de um gráfico simples como o que aparece nesta aula rápida da McCloskey. Em algumas ocasiões, a gente só precisa de um gráfico simples porque podemos comentá-lo em uma aula ao vivo ou gravada.

Bom, é isto. Espero que tenha gostado. Eu, particularmente, gostei da visualização acima. Pode não ser tão útil para artigos em periódicos, com as normas da ABNT, etc, mas é muito simpático no que diz respeito a discussões online. Caso eu tenha tempo, aproveitarei para fazer algo similar com o PIB japonês aqui. Quem sabe não volto à discussão da Abenomics com uns gráficos mais simpáticos?

Abenomics – há vida após o aumento do imposto?

Diz a notícia:

Japanese household spending soared at the fastest annual pace in four decades in March as consumers rushed to beat a sales tax hike, with early signs backing the central bank’s conviction the economy will weather an expected fall in consumption over coming months.

The Bank of Japan has repeatedly said in recent weeks that the world’s third-biggest economy is not in need of fresh near-term stimulus to overcome the pain of the April 1 tax increase.

Vamos ver no que vai dar isto. O problema são os salários, que precisam aumentar para compensar este aumento de imposto e a inflação (que é a meta do governo). Lembre-se que as importações de combustível ainda mascaram um pouco os efeitos da desvalorização do iene e, portanto, não é tão simples perceber o que está acontecendo por lá.

Abenomics

Então, a política econômica do gabinete de Abe parece estar mantendo sua capacidade de gerar otimismo, a despeito das importações de petróleo estarem mascarando o impacto do Yen desvalorizado sobre as exportações (e também a despeito das controvérsias políticas).

Clique na figura para ver mais dados ou, claro, procure por “Abenomics” neste blog.

 

Otimismo? Abenomics novamente

Na última edição do índice de condições da atividade econômica, a tendência de alta prossegue, mas com uma pequena queda em Fevereiro (o índice caiu de 115.2 para 113.4). Observando o indicador desde 2012, há momentos de queda, mas a tendência de crescimento observada no final daquele ano parece robusta. Veja a série no horizonte mais recente, conforme divulgação recente. Na série histórica do índice – você a encontra lá, no mesmo endereço – temos: abeonomics_07_04 A grande queda recente tem início em Out/2008. Aparentemente, a política econômica atual parece ter um mérito que é o de gerar uma recuperação bem acelerada da atividade econômica. Claro, isto é o que parece à primeira vista, neste indicador. É preciso analisar outras variáveis para controlar por diversas influências. Como já disse anteriormente, há que se diferenciar também entre a recuperação econômica pós-tsunami e a política econômica atual.

Adicionalmente, confira também este paper do prof. Ueda sobre a política monetária do BOJ e seu papel no comportamento da bolsa japonesa em 2013..

Que ótima notícia

Esta aqui.

April 2, 2014
The time-series data of responses to the regularly asked questions in the Opinion Survey on the General Public’s Views and Behavior are now available in English on the Bank’s web site.

Infelizmente, a série é curta (você consegue abrir o link do arquivo csv direto no Excel). Mas já é alguma coisa. ^_^ Só para você ver uma parte da pesquisa (no item: Present Economic Conditions Compared with One Year Ago)

abenomics6

Aparentemente, o otimismo voltou à economia japonesa. Então são duas ótimas notícias: mais uma base de dados disponível e a felicidade da população de um país com a economia. Vamos ver até quando vai durar este casamento com a Abenomics.

Quando o assunto é oposição, todo jornalista vira ricardiano

O editorial do Asahi Shimbun de hoje, como não poderia deixar de ser, faz a crítica ao aumento de impostos citando a questão dos gastos públicos. O jornal tem sido sempre um crítico da administração atual e, portanto, não surpreende o tom ricardiano do texto.

But the Abe administration is ramping up the budget, claiming the tax increase create fresh room for spending growth or that public spending should be increased to prevent the economy from losing steam. The administration’s spending binge raises serious doubts about its commitment to the original purpose of integrated tax and social security reform.

Interessante notar que, do ponto-de-vista do editorial, a administração atual segue por um caminho parecido com o da Reagonomics, com aumento de impostos e aumento de gastos. Não é um editorial qualquer. Ao contrário do que leio na imprensa nacional, a qualidade da crítica vai além:

A study of past government attempts to improve their fiscal health found that successful efforts were focused more on spending cuts than on tax hikes. The survey was conducted in the late 1990s by Alberto Alesina, a professor of political economy at Harvard University. Alesina wrote a paper on the study, which looked into various attempts for fiscal rehabilitation made by industrial nations since 1960 onward. In successful cases, the ratio between spending cuts and tax hikes was around 7 to 3.

Este estudo já foi citado por aqui, salvo engano, pelo ex-ministro Delfim Netto, lá nos idos da primeira administração da Silva (vulgarmente conhecido como “Lula”). O artigo do Alesina fazia esta comparação entre cortes de gastos ou aumentos de impostos como estratégia de ajuste pró-crescimento.

A questão do crescimento econômico japonês deveria passar pela parte microeconômica da Abenomics: as reformas de flexibilização dos mercados. Sobre esta, ainda não vemos muita coisa. Os planos da administração Abe certamente seriam mais interessantes se pudéssemos ver medidas mais concretas de estímulo ao setor privado na economia. O editorial, que reclama da “carga que foi transferida para as gerações futuras” (num tom claramente ricardiano), coloca-nos, portanto, uma questão importante destas reformas que governos nos prometem: onde está o aumento da concorrência privada e o efeito crowding-in do investimento público com o privado?

Eis aí uma pergunta que eu gostaria de ver respondida.

Em breve, mais Abenomics…(e um brevíssimo Momento R do Dia)

abe_rcharts

Clique no gráfico acima para ver mais uma super-produção em rCharts. Assim que puder, volto com a nossa série sobre a política econômica japonesa recente. Mas, para não dizer que não falei das flores, Roseli, você que gosta de análise espectral, não poderia deixar de ser citada aqui.

Olha o presente:

# a funcao periodogram estah na biblioteca TSA
library(TSA)
# mas a taxa de cambio diaria eh cheia de zeros. tem que tirar.
newcambio<-na.omit(exemp$DEXJPUS)
# pronto, agora sim. O periodograma, para a sua alegria...
periodogram(newcambio, ylab='Taxa de câmbio Yen-Dólar');abline(h=0)

Sacou? Não vou seguir em frente porque está tarde e tenho descansar. Também não vou colocar o periodograma aqui. A idéia era apenas deixar o comando. Para estudar análise espectral eu precisaria, como já falei, de um pouco mais de leituras ou de uma consultoria com gente que entende do tema.

Abenomics (Brookings Institution)

Aproveite e leia mais aqui. Eu sei, eu sei, a gente tem que responder uma questão básica antes para satisfazer alguns colegas que é a seguinte: choques monetários importam? Eles têm impactos reais? E isso tudo funciona…no Japão?

Não é fácil, empiricamente, responder porque a política em curso no Japão está dentro de um pacote de reformas que, com maior ou menor grau de simultaneidade, ocorrem ao mesmo tempo que o estímulo monetário.

Os autores dizem mais (segundo a resenha):

It is possible that Abenomics may work better than current estimates suggest if the Bank of Japan can give more credibility to its inflation target. Politics may partly explain this lack of credibility and could cause the Bank of Japan to have to reverse course, given that rising inflation could lower retiree incomes as well as the take-home pay of current workers. Time will tell if credibility improves and Abenomics outperforms current projections.

Então, veja só, a credibilidade do Banco Central está novamente em jogo no debate. Claro, isto não é tão estranho assim. Afinal, se você está falando de choques monetários (permanentes), então é inevitável falar de expectativas e, portanto, da credibilidade da Autoridade Monetária (AM) japonesa.

O rascunho (draft) do artigo tem outras discussões legais para quem estuda Economia. Vou destacar dois pontos.

Hiato do produto

Primeiramente, o hiato do estimado para o Japão é, nas medidas tradicionais, pequeno:

Official estimates of Japan’s output gap are small. In its October 2013 World Economic Outlook, the IMF estimated that Japan’s 2013 output gap would be -0.9 percent. In its November 2013 Economic Outlook, the OECD estimated that Japan’s 2013 output gap would be positive 0.1 percent. These measures suggest that there is little role for demand side policy in Japan: neither fiscal stimulus nor lower real interest rates will raise output if supply constraints are binding. In this case, the only arrow of Abenomics that matters is the third.

Como se percebe, estimar o hiato com as melhores técnicas é muito importante, certo? Um hiato pequeno significa que a política econômica terá um custo elevado. Mais ainda, uma prolongada estagnação pode não ser bem captada pelo uso do popular filtro HP ou, como dizem os autores, pelo método da estimação da função de produção (há anos orientei um excelente aluno que fez uma monografia sobre o tema, para o Brasil).

Como estimar o hiato do produto? No caso do Japão, os autores nos dizem que:

The CBO and the IMF measure potential output conditional on all resources being employed at their current capacity. But for the purpose of evaluating the potential effects of a prolonged demand side policy, we believe the correct measure of potential output conditions on resources having been close to fully-employed for some time.

Mas, ora bolas, que medida seria esta? Eles seguem Paul Krugman (que, quando não fala de política, é uma boa leitura) e usam a lei de Okun.

Krugman estimates Japan’s natural rate of unemployment as 2.5 percent. This was Japan’s average unemployment rate in the decade from 1982 through 1991. Again using data from the 1980s, Krugman argues that Japan’s Okun’s law coefficient is roughly six. These two estimates, combined with Japan’s 2013 unemployment rate (4.0 percent), suggest that the output gap in 2013 was roughly 6 (4 2:5) = 9 percent.

Os autores, corretamente, alertam que esta medida pode não ser a melhor dados os possíveis problemas que se pode ter em um mercado de trabalho. Uma outra opção, dizem, é usar o método de se olhar a tendência pré-depressão e projetá-la, conforme um artigo de Christina Romer. Finalmente, também citam a estimação do hiato pela previsão de especialistas.

Exportações e Yen

Os autores nos lembram que a relação da taxa de câmbio com as exportações nem sempre é óbvia.

An important reason why the effects were not larger is the behavior of net exports. Despite the 20 percent depreciation of the yen in spring 2013, real net exports deteriorated over the year (figure 5(b)). Of course, that nominal net exports fell is unsurprising. Whether a currency depreciation raises nominal net exports depends on the Marshall-Lerner condition. Assuming that net exports are initially zero, the sum of import and export elasticities must exceed one in order for depreciation to raise nominal net exports. This condition is unlikely to be satisfied immediately, but is generally assumed to hold in the long-run. Initially there is little response of quantities, so price effects dominate and the trade balance deteriorates. But long-run elasticities are larger, so eventually quantities adjust and nominal net exports rise above their pre-depreciation value. This is the so-called J-curve (Magee, 1973; Bahmani-Oskooee and Ratha, 2004).

Então, o problema da condição de Marshall-Lerner e a curva J voltam ao debate (keynesianos adoram isto…). O aluno mais familiarizado com os cursos de Macroeconomia -e que gosta de Macroeconomia Aberta – já tem algo para pensar aqui.

Para não ficarmos apenas na resenha parcial do texto, eis um gráfico para fazer inveja aos brasileiros: o da inflação mensal japonesa.

Ok, não fique com tanta inveja…exceto se você for pterodoxo de esquerda.

Ah, quer para meses mais recentes? Ok. Eu sou um cara justo. Vamos expurgar as políticas heterodoxas e ampliar o gráfico para que você possa visualizar melhor.

Pois é. A estabilização da moeda – esta que o governo atual está botando a perder lentamente para que ninguém sinta muito até as eleições – deu-nos uma inflação bem menos selvagem do que aquelas que nos foram fornecidas pelos choques heterodoxos.

Enquanto a meta da AM japonesa é chegar a 2% de inflação ao ano, a do Banco Central do Brasil (quando o Tombini se lembra de seus velhos tempos, claro) é a de tentar sair dos 6% e voltar para a meta: 4.5% ao ano.

Muita Abenomics por esta manhã, né? Então, até mais.

Abenomics: efeito-renda e efeito-substituição e mais algumas outras reflexões a partir de uma notícia

Abenomics, novamente!

Fazia algum tempo que não falava da Abenomics. Muitas coisas aconteceram ultimamente e eu fiquei sem tempo ou disposição para voltar ao tema. Mas hoje apareceu uma nova notícia sobre a politica econômica japonesa. Curiosamente, coloca-se como tema central do artigo um suposto efeito inesperadamente fraco da desvalorização da moeda japonesa sobre as exportações.

No meio do artigo, uns argumentos ingênuos que tentam passar a mensagem de que “a economia ortodoxa não funcionou como deveria”. Mesmo? Vejamos os próprios argumentos do texto.

Much of the blame can be laid on soaring imports of fossil fuels to compensate for the suspension of all the nation’s commercial nuclear power plants in the wake of the meltdowns at the Fukushima No. 1 plant in 2011.

 

Nevertheless, the cheaper yen has not put a charge into exports, in terms of the overall amount, Ueno said.

 

“The reason why the quantity of exports remains sluggish despite the yen’s depreciation has been explained in terms of the economic slump in emerging economies such as ASEAN countries, structural changes in Japan’s economy, and a change in pricing strategies of Japanese exporters,” Ueno said by email.

Ueno está correto…e a teoria ortodoxa também. Afinal, a importação de petróleo, mais do que nunca, é importante. O quanto disto tem impacto na balança comercial é algo que depende, dentre outras coisas, da elasticidade-câmbio do petróleo e eu diria que este produto está bem mais inelástico atualmente do que antes nas importações japonesas.

Ainda há a questão da mudança estrutural citada por Ueno. Ele fala da estratégia de empresas japonesas de transferir suas plantas para outros países da Ásia. Obviamente, ao fazer isto, usando a mesma “teoria ortodoxa”, vamos concluir que a desvalorização cambial não terá um efeito igual ao que teria se a fábrica estivesse no Japão, certo?

Em outro trecho, os economistas do governo usam um argumento que eu acho ruim: o fato de existirem feriados. Feriados podem ser importantes, mas eles sempre existiram.

At the subsequent press conference, BOJ Gov. Haruhiko Kuroda attributed the sluggish exports to temporary factors such as cold weather in the United States, the lunar New Year holiday season observed in East Asian countries and products diverted to meet surging domestic demand before the consumption tax hike.

 

But economist Nobuo Ikeda is not persuaded by this rationale. Although he believes those factors may have played a role in hobbling exports, he had expected both exports and imports to improve.

 

“No one really expected export growth would remain so sluggish despite the yen’s depreciation,” Ikeda said.

 

“Normal economic theory holds that when the yen depreciates, it helps exports recover. . . . This time the yen has dropped about 20 percent, but exports have not grown as expected.”

 

Eu não entendo esta pressa do Ikeda. Ele não deixa claro porque acha que tudo está “lento demais” (qual seria a velocidade adequada, então?) no ajuste do câmbio com a balança comercial.

Mas, e o crescimento da renda?

Agora, esta análise toda parece olhar apenas para um pedaço do efeito total de uma mudança do câmbio sobre a balança comercial que é o efeito-substituição. Mas o que dizer da renda mundial relativa à japonesa? As exportações podem crescer também porque o PIB mundial cresceu. O PIB japonês, como sabemos, explicaria o crescimento das importações. Então, primeiro problema: não se fala disto na notícia e sabemos que isto é importante (veja este estudo para a Turquia).

Em segundo lugar: quanto tempo leva para a mudança do câmbio surtir efeito sobre a balança comercial? Mais ainda: leva quanto tempo para afetar as exportações? E as importações? Qual é a elasticidade-câmbio (e a elasticidade-renda) da demanda de exportações japonesas? Para as importações, mesmas perguntas.

E as defasagens??

Eu não sei qual é o tempo “ótimo” de reação das exportações ou das importações à taxa de câmbio. Aliás, quando comecei a série de posts sobre o tema, uma das primeiras coisas que eu discuti foi exatamente o problema das defasagens (veja aqui). O exercício que fiz lá atrás poderia ser ampliado para seguir com novos testes de novas especificações e com mais atenção aos testes de diagnósticos (veja, por exemplo, este trabalho sobre a China). O leitor que gosta do R pode aproveitar os nossos Momentos R do Dia para se inteirar do assunto.

De qualquer forma, a análise acima fala de uma mudança estrutural na economia japonesa: a realocação de firmas. Será que isto realmente é tão importante assim para explicar o que acontece com a defagem dos impactos da desvalorização cambial sobre a balança comercial? A história parece razoável (parece ser uma boa hipótese). Mas, como testá-la?

Pois é, muita coisa interessante para se pensar, não?

Abenomics – notícias

Segundo noticiam os jornais, grandes empresas japonesas concordaram em dar um aumento de salário de forma compatível com a política econômica de Abe.

Então, recapitulando: (i) desvalorização cambial, (ii) inflação, (iii) maior imposto em Abril, (iv) aumentos de salários em algumas indústrias.

Como o mercado reagirá a isto? Os Market Monetarists estão todos otimistas – juntamente com Paul Krguman – sobre estas medidas. Outros são mais céticos. A política de Abe, a Abenomics, como já vimos aqui várias vezes, não está completa: faltam algumas medidas.

Será que veremos uma recuperação econômica japonesa mais robusta neste ano do que no ano passado? Vejamos o humor do mercado.

nikkey_recente

Pois é. Parece que a vamos ter alguma novidade mais para o final do dia. Entretanto, a bolsa de lá está em um humor melhor desde o mês passado ou é impressão minha?

A taxa de câmbio (todos os dados do Quandl, cujo uso no R foi explicado em um texto anterior de hoje) está aqui.

cambiojapao

A inflação e outras variáveis você pode ver no Quandl ou em outros locais, na Internet. A bem da verdade, eu já dei várias dicas aqui, neste blog, sobre como encontrar dados da economia japonesa, sem falar do uso do R. Então, agora é com você.