Apresentação na ABDE

Minha apresentação é, no fundo, uma demonstração de que estou estudando os novos conceitos lançados por Lee Alston, Bernardo Mueller, etc. Ou seja, nunca abandonei minhas raízes da época do mestrado. Está aqui.

Anúncios

Economistas possuem algum impacto no mundo real? Sim. Veja a discussão do Uber

De quando em vez alguns economistas publicam textos masoquistas (não que não tenham razão, ok?) sobre “a falta de influência…dos economistas em políticas públicas”. Bom, parece que as coisas estão mudando um pouco (veja este texto) de uns anos para cá.

Além disso, claro, novos modelos teóricos dificilmente alcançam as políticas públicas instantaneamente por motivos óbvios. Mas na área de Law & Economics (no Brasil, ver a ABDE, a AMDE, o IDERS e a ADEPAR, por exemplo), as coisas são distintas. Veja, por exemplo, o caso do Uber na cidade do Rio de Janeiro. Os argumentos do João e do Vinícius – além de muito bem escritos no texto – foram usados em recente decisão judicial que proíbe a prefeitura do Rio de Janeiro de multar (neoludismo?) os motoristas de Uber.

Fullscreen capture 8142015 83432 PM

“Nada de Uber na minha cidade! Multa na qualidade! Vamos subdesenvolver o país!”

A propósito, o prof. Luciano Timm, pelo qual fiquei sabendo da decisão, também me chama a atenção para o impacto da concorrência do Uber sobre os taxistas: melhoria da qualidade. Veja só, leitor(a), como a lógica econômica simples continua correta: a concorrência gera tensões mas o final da história é um ganho para a maior parte da sociedade (eu diria que um efeito pouco apreciado é a melhor educação, maior cortesia e melhoria no atendimento dos taxistas). A opção de sucumbir às pressões dos taxistas – muitas vezes violenta, absurda e primitiva (mas sabemos que nem todos se comportam como animais selvagens) – não nos levaria a este resultado.

João e Vinícius estão de parabéns, não estão? E você, aluno(a) de Economia, que achava que seu curso só servia para fazer gráficos do PIB para seu tio do banco de investimentos ou para você pendurar um diploma na parede, viu só? Você pode ter relevância sim. Basta estudar e estar atento. Aliás, estudar pode melhorar, empiricamente falando, sua vida em muitos aspectos.

p.s. Sim, a mesma teoria econômica mainstreamortodoxa, que alguns adoram criticar (sem entendê-la direito), esta que você estuda em bons cursos, é a teoria que explica porque seu professor marxista adora andar de Uber e reclama do mau atendimento em táxis e outros serviços. Não, não é o valor-trabalho, sorry.

ABDE

A ABDE já tem programa fechado e o VI Congresso será no Rio de Janeiro. Aconselho aos curiosos uma passada d’olhos no programa para ver a riqueza de temas a serem debatidos.

Law & Economics é muito mais do que pensam alguns. Confira e, se estiver no RJ, passeie por lá. Infelizmente, não estarei lá para assistir algumas mesas, mas morro de inveja de quem pode ir lá.

Incentivos e um pouco sobre bons “journals”

Os trabalhos mais interessantes em Economia, para mim, não estão no Quarterly ou no AER ou na Econometrica. Claro que há muita coisa importante lá, mas aplicações interessantes de economia ou econometria aparecem sempre em alguns journals menos considerados pelo radar hard science. Por exemplo, o excelente Cliometrica. Veja só que artigo bacana este sobre incentivos no século XVI.

Outro journal que aprecio muito é o Journal of Law & Economics (e seus parentes nacionais: o journal da AMDE e o da UCB). Há também o Economics and Human Biology, cuja ligação com a História Econômica é, hoje em dia, mais do que conhecida e, arrisco dizer, óbvia.

Claro, há os pequenos comunicados de resultados de pesquisa como o Economics Bulletin, com resultados de trabalhos sempre interessantes, não necessariamente ligados a um único tema. Neste sentido, também é bacana acompanhar os journals de econometria aplicada (fui “acusado”, no V Congresso da AMDE,  de não me interessar mais por Teoria Econômica e sim por Econometria Aplicada pelo malandrão do Ronald). Assim, melhor do que o R Journal, só mesmo o Journal of Statistical Software.

Bem, vamos lá ler um pouco.

Crimes

No último encontro da ABDE (Assoc. Bras. de Direito e Economia), um artigo apresentado usava simulações no computador para verificar o cálculo de custo-benefício de criminosos em um mundo simples, bi-dimensional. Achei interessante, embora não tenha entendido direito o objetivo do modelo. Agora, após ler isto (hat tip: kenjiria), acho que entendi melhor o tipo de trabalho feito.

Realmente, a área interdisciplinar mais interessante para a economia – ou uma das mais interessantes – é a Ciência da Computação.

Para que servem os advogados?

A pergunta poderia ser invertida – lembrando de divertida sessão da ABDE, sexta última, na qual ficou claro que eu era hipossuficiente (não confundir com homocedástico) – para provocar o Ivo.

Mas a sugestão que não pude fazer a ele era: por que você não reescreve o texto clássico de Ronald Coase em linguagem jurídica (a brasileira, civil law, não a common law) para diminuir os custos de transação do diálogo entre economistas e advogados brasileiros com pretensões de trabalho na área de Law and Economics?

Eis aí um bom desafio para qualquer um interessado na área. O caso do Ivo é mais simples porque ele faz doutorado em Economia embora seja graduado e mestre em Direito.

p.s. O Ivo logo, logo, será acusado de neoliberal e excludente por este excelente artigo.

Associação Brasileira de Direito e Economia

Ano passado apresentei um artigo na ALACDE. Este ano, na ABDE. A impressão que eu tenho é que a coisa só melhora. Por um lado foi bom rever Pery e Giacomo. Por outro, conhecer o Bruno Salama pessoalmente, Ivo e uma turma de estudantes de Direito (mestrado/doutorado) que, em Minas Gerais, já se dedica a estudar o tema é algo realmente fascinante.

O mais exótico é ser chamado por alguém (digo, alguém importante), no intervalo, que te conhece pelo blog (e gosta do dito blog). A profa Rachel é uma simpatia, leitor.

Foi realmente um belo encontro com debates interessantes e com uma chamada muito boa do Ivo sobre a importância de se construir uma ponte (lexicográfica?) entre Direito e Economia.

O que é engraçado nesta história e você encontrar gente que conhece seu primo e te pergunta se você é primo dele. Bem, é engraçado para mim e para o Pery, já que a pergunta ocorre para os dois e não há consenso sobre qual dos dois é mais famoso…

Em Minas, quem trabalha com esta área não pode deixar de visitar esta página.

p.s. comprei o livro organizado pelo Luciano Timm sobre o tema. Muito interessante. Sinceramente, espero que a convergência aumente e se torne mais do que um encontro. Digo, que as pessoas realmente passem a pensar os problemas do mundo real com law and economics.