Glórias fáceis não são tão gloriosas assim

É certo que o início é você ser festejado entre os seus porque escreveu uma página sobre a intervenção estatal em XXX (XXX = qualquer coisa). Mas depois disto, as questões ficam mais complexas e a gente tem que saber distinguir a contaminação ideológica (joio) da análise cética da realidade (trigo).

Este texto me lembrou de várias pessoas que sempre ficam irritadas comigo quando eu lhes mostro o argumento acima. Não que haja algo de errado em você ganhar sua vida panfletando, mas vender-se como especialista em XXX nunca tendo submetido um artigo a uma revista científica com avaliação cega, sobre XXX (ou sobre aspectos do mesmo) não é legal. Tudo tem um início, mas ficar no início e achar que chegou ao fim não é uma boa idéia.

Neste sentido, eu gosto muito da versão libertária de Jeffrey Miron, apresentada em uma série de pequenas vídeo-aulas que se inicia aqui. Claro, é só um início, exige estudo árduo para passar de simples vídeo-aulas para o conhecimento real. Mas, como eu disse, glórias  não são gloriosas sem trabalho duro.

p.s. O texto citado realmente merece meu agradecimento: cansei de ver gente se perder no meio do caminho e ainda achar que eu era um sujeito exigente.

Como perder uma boa chance com o ferro, o nióbio, o cobre, o grafeno, etc

Há três infalíveis receitas para nos garantir um destino medíocre como exportadores de minério. A primeira é criarmos um monopólio estatal de exportação; isso afugentaria rapidamente as usinas consumidoras, receosas de manipulação de preços ou orientação política do abastecimento. A segunda é procurarmos valorizar o nosso produto mediante a ‘sustentação’ de preços; graças a esse processo logramos reduzir a nossa participação no mercado mundial de café, de 75 para 40% em cinco lustros, e não há a menor razão para não realizarmos façanha ainda mais radical no caso do minério. A terceira é evitarmos a associação com as usinas consumidoras; nesse caso, sempre que declinar a procura mundial, seremos os primeiros a ser expelidos do mercado, preservando-se assim as nossas jazidas. [Roberto de Oliveira Campos, “A técnica e o riso”, Apec, 1976, 3a ed, p.48]

Um título alternativo, na era da fake news seria: Roberto Campos humilha potencial candidato à presidência mesmo depois de morto.

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Entendeu? Ou quer que eu desenhe um diagrama de oferta e demanda?

Gostei do filme

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Mas deixo a vocês uma questão microeconômica: embora o artigo seja sobre a oferta, paguei meia entrada por conta de uma promoção do setor privado (um cartão de descontos por conta da assinatura de um jornal). O patrocínio do filme mostra que alguns órgãos governamentais estiveram presentes. Assim, será que o apoio do governo à cultura juntamente com a meia-entrada promovida pelo setor privado neste caso teve efeitos positivos sobre o bem-estar? ^_^

Sim, eu gostei do filme. Ouvi algumas críticas e, sim, as salas estão vazias. Apesar do trailer exagerado, o filme é bom. Quase um documentário e vale a pena ir ao cinema aprender um pouco sobre o Plano Real. Talvez quem não seja economista ache o tema estranho. Talvez quem nunca tenha vivido sob a hipeinflação da era heterodoxa possa achar o filme monótono, mas eu gostei.

O que eu gostaria de ver no filme – e não vi – é uma exploração maior do episódio Chico Lopes, no final (apocalíptico?) do sistema de câmbio fixo (quem não lembra do famigerado sistema de bandas endógenas?). Daria mais alguns minutos de emoções fortes mas, de fato, o filme já estava bem longo.

Casino Royale encontra o seu clube de futebol ou “Seu dirigente sabe o que está fazendo?”

p_20170223_082954_vhdr_auto_1Já notei que torcedores reclamam de dirigentes de clubes por diversos motivos. Uns querem mais gols. Outros, resultados (sejam eles vitórias ou classificação). Muitos motivos existem para se reclamar da direção de um clube mas, claro, é importante saber qual seria o objetivo de um clube para, então, reclamar do resultado aquém do esperado.

Quem poderia nos dizer qual o objetivo de um clube? Como não sou um sujeito muito inteligente, vou me basear apenas no que pesquiso: economia. Para minha sorte, existe a economia dos esportes (já citada neste blog) e, para ser mais exato, neste caso, precisamos da teoria dos esportes profissionais onde a escassez de recursos faz mais sentido do que nunca.

Bem, a teoria econômica dos esportes profissionais não é consensual sobre o objetivo de um clube. Existem três hipóteses principais que são bem resumidas por Késenne (2014): (a) maximização de lucro, (b) maximização de receita, (c) maximização de vitórias.

Supondo que o principal insumo para se atingir quaisquer destes resultados seja a contratação de talentos, o leitor já deve desconfiar que não vale a pena contratar 100% de talentos.

Ah sim, aqui é que está a analogia com o clássico filme Casino Royale, de 1967, que tinha um elenco fenomenal e que foi um fracasso de bilheteria. Não nos lembra alguns clubes que investiram em elencos estelares e fracassaram deixando dívidas perigosas como lembrança?

Embora não saibamos o objetivo do clube, podemos discutir um pouco o que ele faz observando o número de talentos contratados e comparando-os com algum benchmark. Sim, isto não é fácil (e é uma fonte de polêmicas), mas vejamos o que a teoria nos fornece para pensarmos no problema.

A figura abaixo é uma cópia da figura 1.1. de Késenne (2014). Supõe-se que o custo de se contratar talentos cresça linearmente (uma hipótese simplificadora, mas bem razoável). A receita é côncava (este formato de “u” invertido) nos talentos. Conforme o autor:

“If a team becomes too strong, public interest fades because of a lack of uncertainty of outcome, and total revenue can decrease”. [p.6]

A idéia da receita côncava apenas nos diz que times poderosos demais perdem receita porque já sabemos quais os resultados obtidos. Alguma incerteza, diz-nos a teoria, é necessária para que o interesse do torcedor gere algum tipo de receita para o clube (compra de ingressos, por exemplo). De certa forma, a paixão do torcedor por um clube não é, portanto, tão diferente de um relacionamento amoroso ou da vida profissional: é necessário ter alguma incerteza para manter viva a chama da paixão (principalmente quando seu time perde a vaga para a divisão de acesso, como o Esporte Clube Pelotas, no último sábado).

Deixemos a tristeza (imensa) de lado e voltemos à figura 1 abaixo. Minha análise no parágrafo logo abaixo da figura é praticamente uma tradução livre de Késenne (2014), p.7, ok?

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Observe que o número de talentos contratados por um clube que maximiza lucros (t1) é menor do que o o número de talentos contratados por um que maximiza a receita (t2). Um clube que siga maximize o número de pontos no campeonato seguindo uma regra de breakeven point (ou seja, que iguala receitas e custos) contratará t4.

Os pontos t3 e t5 ilustram duas situações interessantes. O primeiro, t3, é um número de talentos contratados quando o time necessita apresentar algum lucro e, claro, t5 é um número de talentos que levará o time ao prejuízo.

Repare que a figura acima é estática, no sentido de que ela não mostra a relação das contratações ao longo do tempo. Em outras palavras, caso o clube contrate t5, como ficará sua situação financeira no período seguinte? Não sabemos.

O pior que pode acontecer é quando a direção de um clube não sabe o que fazer, ou seja, não se decide quanto a seu objetivo. Neste caso, as decisões sobre contratação de talentos será um resultado probabilístico, limitado no intervalo [t1, t5] o que, convenhamos, não é uma situação confortável.

Você pode me perguntar sobre o caso em que certos sócios injetam dinheiro no clube, aqueles dirigentes ou fãs apaixonados que ajudam o time poderia alterar este resultado. Na verdade, Madden (2012) mostra que o número de talentos contratados será algo intermediário entre t1 e t4.

Agora, pense no seu clube. Ele está endividado? Neste caso, a situação dele é algo menos confortável do que o da figura 1. Podemos pensar, simplificadamente, que a curva de custos se deslocou para cima e fica fácil ver que, em relação à figura anterior, o time terá muito mais dificuldades para contratar talentos, seja seu objetivo o de maximizar lucros ou o número de pontos, sob a restrição de receita total igual ao custo total). Repare que, na figura abaixo, os pontos t1 e t4 estão mais à esquerda dos respecetivos na figura anterior.

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Não é tão difícil assim perceber que aquele que assumir um clube endividado terá muito mais problemas com a torcida, não? A idéia de se ter doações de fãs (notadamente daqueles que têm mais condições financeiras), conforme Madden (2012) não é tão ruim assim neste caso. Afinal, elas deslocariam a curva de receita total para o alto tal e qual, por exemplo, uma ajuda de uma federação de futebol (que, na linguagem técnica, é um cartel, embora, neste caso, este termo não tenha uma conotação negativa, como nos casos analisados pela área da economia chamada de Organização Industrial (Industrial Organization).

Para terminar, é triste que o Esporte Clube Pelotas tenha perdido a chance de subir para a primeira divisão do campeonato estadual gaúcho este ano. A torcida está raivosa mas o importante é ter calma e usar a razão porque nenhum clube é vitorioso se baseando apenas em etéreas vontades de torcedores. É preciso transfomar paixões em apoio ao time, seja em campo, seja em termos financeiros.

Gostou? Curta (e, se quiser usar, cite, diga não ao plágio!). Não gostou? Curta também.  🙂 Comentários?

p.s. você quer estudar mais o assunto?

  1. KÉSENNE, S. The Economic Theory of Professional Team Sports. 2o ed. Cheltenham: Edward Elgar, 2014.
  2. MADDEN, P. Welfare Economics of Financial Fair Play’’ in a Sports League With Benefactor Owners. Journal of Sports Economics, October, p. 1–26, 2012.

Corrupção, Crime e Crescimento Econômico

Que tal este artigo?

A theory of organized crime, corruption and economic growth
Keith Blackburn, Kyriakos C. Neanidis, Maria Paola Rana

Abstract – We develop a framework for studying the interactions between organized crime and corruption, together with the individual and combined effects of these
phenomena on economic growth. Criminal organizations co-exist with law-abiding productive agents and potentially corrupt law enforcers. The crime syndicate obstructs the economic activities of agents through extortion, and may pay bribes to law enforcers in return for their compliance in this. We show how organized crime has a negative effect on growth, and how this effect may be either enhanced or mitigated in the presence of corruption. The outcome depends critically on a trade-off generated when corruption exists, that between a lower supply of crimes and the probability these crimes are more likely to be successful.

A referência? É esta: BLACKBURN, K.; KYRIAKOS, ·; NEANIDIS, C.; MARIA, ·; RANA, P. A theory of organized crime, corruption and economic growth. Economic Theory Bulletin, 2017. Springer International Publishing.

O artigo é de acesso aberto. ^_^

Vale a pena encher vários ônibus de torcedores para jogos fora de casa?

PaperCamera2017-05-13-10-53-42Esta é uma pergunta válida porque times de futebol têm recursos escassos e decidir como alocá-los é uma tarefa sabidamente difícil. Não fiz uma pesquisa ampla, mas achei interessante este resultado encontrado para o beisebol dos EUA. Vejamos o resumo:

We examine the role of attendance in home-field advantage for Major League Baseball, using a dataset of all MLB games played from 1996 to 2005. Using two-stage least squares, we find that attendance has a significant effect on the home-field advantage. Our results indicate that a one standard deviation increase in attendance results in a 4% increase in the likelihood of a home team win. We also find that if attendance as a percent of stadium capacity were to increase by 48%, we would expect the home team’s run differential to increase by one run. We show that the additional home-field advantage is driven by increased home team performance.

Bem, digamos que o mesmo ocorre em outras amostras de esportes como o futebol (uma hipótese heróica, eu sei, mas só para estimular o debate). Neste caso, teríamos que torcida seria importante em jogos em casa (ou seja, o efeito home advantage), ceteris paribus (= “tudo o mais constante”) outros fatores. Claro, não adianta ter uma torcida gigante se o conjunto composto de equipe técnica e plantel da equipe não funcionar.

Ah sim, antes de terminar este texto encontrei uma referência a um estudo que mostraria que a torcida é importante, mas novamente em jogos realizados em casa. O complicado desta pergunta, acho, está em se entender o mecanismo de transmissão da torcida: como é que a pressão da torcida se traduz em desempenho melhor da equipe da casa?

Talvez o efeito seja relativo, ou seja, quando o time joga em casa – e a distância entre as sedes dos times é considerável – o tamanho da torcida do time da casa geralmente supera o do time visitante. Então, na verdade, o efeito seria relativo ao tamanho das torcidas. Caso isso seja correto, então, sim, valeria a pena encher vários ônibus com torcedores quando seu time jogar fora de casa.

Claro, ainda não fica claro, para mim, como é a transmissão do efeito da torcida sobre o clube, mas imagino que fatores psicológicos sejam importantes. Ah sim, vale a pena lembrar que isso não garante, por si só, resultado de jogos: estamos apenas detalhando um dos fatores que possivelmente explicam o bom desempenho de um time.

Quando disserem, pejorativamente, a você que o Prêmio Nobel de Economia não é bem o Nobel…

…você já pode se sentir menos ofendido (ou não? Descubra lendo até o fim o artigo a seguir)  ^_^

Dynamite Regulations. The Explosives Industry, Regulatory Capture and the Swedish Government 1858-1948

Josefin Sabor, Lena Andersson-Skog

Abstract
In this article, we argue that the regulation of the explosives industry in Sweden between 1858 and 1948 can give a slightly different perspective on regulatory capture. In this case it was the upstart company, the Nobel Dynamite Company, and not the established explosives companies that in negotiation with the regulator succeeded in establishing new national regulations. Through three different cases we show that the method behind this successful capture was indirect and direct with a common trait of risk minimizing for the public that developed in cooperation with the regulator. 

O artigo é aberto e você pode obtê-lo sem pagar taxas.

Demanda por selos raros

A Ciência Econômica é tão cheia de opções para pesquisas interessantes que nunca consigo deixar este blog morrer, a despeito da baixa audiência (uns quatro interlocutores, creio). Veja, por exemplo, este texto, mostrando que há demandas a serem estimadas por aí. Demandas que nem sempre nos ocorrem…

Como um colecionador – que parou há algum tempo – de selos, nada poderia me deixar mais curioso. Aliás, há algo sim. Eu gostaria de ver se existe uma estimação de demanda similar para revistas da Marvel antigas (Ebal, RGE, Abril). Eis um tema que me deixa sempre curioso.

Modelo empresarial de gangues de traficantes no sul do Rio Grande do Sul

garybecker-may24-2008

Claro que são!

Criminosos são racionais?

Eis um debate no qual não entro mais. Não perco meu tempo com quem – já tendo estudado em alguma graduação – insista que imputar racionalidade econômica a criminosos é um tipo de vício ou um crime metodológico. Ignorância só é um direito do estudante que está em meio aos seus estudos (sic) e não leu o livro-texto e/ou não assistiu a aula em que se falou de racionalidade. Então, sim, o título tem uma interrogação quase apenas retórica.

Aliás, não sou eu quem insiste que criminoso são racionais. Quem diz isso são os fatos detalhados na notícia.

Resumidamente, descobre-se que os traficantes que atuam em Capão do Leão e em algumas cidades do sul do Rio Grande do Sul adotam uma prática interessante: o aluguel de armas de fogo (o que nos faz lembrar, imediatamente, do famoso monopolista com bens duráveis e da conjectura de Coase a respeito: armas são bens duráveis e alugá-las pode ser mais lucrativo do que vendê-las, ainda mais se o mercado de armas for ilegal e você for o chefe de uma gangue…).

Direitos de propriedade sobre as armas (e sobre o produto do roubo)

A ação policial, acertadamente, tem causado prejuízos – o jornalista fala em mais de R$ 3 milhões – aos traficantes que, se recorriam ao aluguel de armas, agora intensificaram seu uso entre facções. Note que o aluguel não é apenas de pistolas, mas também de fuzis. Como funciona o sistema de precificação do aluguel? Diz-nos o repórter (*):

Eles [os valores] podem ser de R$ 2 mil referentes a um revólver calibre .38 e R$ 7 mil em um fuzil. Aproximadamente 30% vão para quem executou o crime e o restante para a facção. “Os valores são conforme o lucro que, por exemplo, um assalto a joalheria vai render ao grupo”, explicou o titular da DP (…).

Ainda de acordo com informações da polícia, caso o integrante perca a arma ou a mesma seja apreendida pela polícia, as lideranças determinam um valor – normalmente mais alto que o preço já cobrado – para que a pessoa não saia do grupo e atue cada vez mais na organização para conseguir cifras impostas pelos chefes. Além do custo da taxa de locação, a chefia impõe pagamento de mensalidade à facção. O valor cobrado é de aproximadamente R$ 200,00 de cada um. A justificativa é para que, em caso de prisão, haja caixa para pagar advogados.

Percebe-se que o aluguel só faz sentido para assaltos de porte (não é fácil pagar R$ 2/7 mil por uma pistola/fuzil, né?). Pelo que se pode entender do texto, digamos que um grupo de três pessoas assalte uma joalheria usando três pistolas alugadas. Supondo que se cobre R$ 2 mil cada, o grupo já inicia com um custo total de R$ 6 mil (pensando apenas nas armas como insumo e ignorando outros custos).

Não ficou muito claro para mim se o fruto do roubo é tal que se desconta os R$ 6 mil dos 30% de quem alugou as armas ou se os 30% são adicionais aos R$ 6 mil. Por exemplo, digamos que o roubo rendeu R$ 100 mil. Isso significa que: (a) ou R$ (30-6) mil seriam do grupo e R$ 70 mil de quem lhes aluga as armas, ou que: (b) a facção paga R$ 6 mil adiantado e depois mais R$ 30 mil, deixando R$ 70 mil para os proprietários das armas. Imagino que a opção (a) faça mais sentido pelo que vem em seguida no texto (a questão da perda da arma).

A economia dos contratos…no mundo do crime

O segundo parágrafo do trecho ilustra como os proprietários do bem arrendado (armas ilegais, no caso) gerenciam perdas/apreensões de armas e captura de membros da facção que são, fundamentalmente aleatórias (mas dependem, ceteris paribus, dos cuidados dos que planejam o crime). Em outras palavras, trata-se de como locatários e locadores de armas desenham seu contrato.

Além de cobrarem uma mensalidade fixa (para contratar advogados), há uma parte aleatória que depende da perda da arma. Neste caso, a idéia é fazer com que quem perdeu a arma tenha incentivos a não cometer o mesmo erro. O sistema é similar ao dos restaurantes que ameaçam cobrar um valor absurdamente alto para quem perder a comanda: um elevado valor que faz com que ninguém queira perder a arma.

Ah sim, sobre a racionalidade dos criminosos: você acha que estes valores caíram do céu? I rest my case

Conclusão: o que mais tenho para ler?

Ora, material não falta. A economia do crime é objeto de análise do capítulo 12 de Direito e Economia no Brasil, organizado por Luciano B. Timm (editora Atlas, já na 2a edição). Trata-se do capítulo escrito por Pery F. A. Shikida, da Unioeste (no interior do Paraná). Uma busca rápida pela internet mostrará a você que há vários pesquisadores na área (não citarei mais nomes para não ser injusto com vários deles que são meus amigos, inclusive).

Obviamente, o grande nome sobre a economia do crime é o falecido Nobel, Gary S. Becker, cujos artigos merecem uma olhadinha rápida. Sobre a economia do crime em gangues ou dentro de prisões, veja, por exemplo: David Skarbek, Daniel D’Amico.

(*) O jornal cometeu um erro sério: a página 39, na qual se encontra o artigo não existe na edição digital. Trata-se, na pior das hipóteses, de uma séria quebra de confiança com o assinante (será que assinamos por “X” páginas e recebemos menos que X?). Espero que o Diário Popular, de Pelotas, explique-se aos assinantes. De qualquer forma, quem comprou a edição impressa pôde ler a matéria completa.