Probabilidade de desemprego por faixa etária no Brasil

Olha o Texto para Discussão do Senado passando por você…

O resumo:

Em qual idade trabalhadores têm maior chance de ficar desempregado? Contrariamente ao senso comum, estatísticas da taxa de desocupação sugerem que são os mais jovens – não os mais velhos. Neste estudo, avançamos nesta questão estimando um modelo probit com correção de viés de seleção. Os resultados encontrados sugerem que a probabilidade de estar desempregado é decrescente com a idade até os 65 anos, para mulheres, e até em torno dos 50 anos, para homens. Este resultado tem implicações importantes para políticas de emprego – que devem combater a “epidemia” de desemprego entre jovens – e para discussões de reforma da Previdência, já que um dos principais argumentos contra uma idade mínima é a suposta prevalência de trabalhadores mais velhos entre os desempregados.

Interessante experiência de produção com dois autores ótimos que não conheço pessoalmente.

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A Economia Brasileira na Encruzilhada

Já se vão não sei quantos anos desde que li, pela primeira vez, algum artigo de análise econômica sobre as mazelas de nosso país. Não tem jeito: todo final de ano eu tenho sensação de estar lendo o mesmo artigo, apenas com algumas mudanças em valores de algumas variáveis-chave.

Pensando nisso, e para facilitar a vida de você, que escreve para jornais, eu criei a versão free do meu template de artigo para jornal. Como é uma versão livre, é nível estudante mediano (destes que ainda não escreve tão bem, mas tem umas boas sacadas). Seu nome é: A Economia Brasileira na Encruzilhada.

Have fun.

Superstição

Eis um texto para discussão interessante. Em um trecho das conclusões que são muito mais um alerta do que fazer na pesquisa futura temos algo que me faz pensar no que tenho vivido:

Few human tendencies have been demonstrated more frequently in lab settings than the tendency to adopt an “us versus them” outlook based on even the smallest and most arbitrary distinctions – initial seating patterns, randomly distributed colors, irrelevant preferences, not to mention hair color, eye color, small age differences, and countless more substantive differences. [p.32]

Não é a cara da lutas quase sanguinárias nas redes sociais?

Entenda a diferença entre “reagentes” e “reacionários” (e algumas observações intimistas)

Boa palestra, indicada por Martim V. Cunha. Trata-se, não de uma palestra liberal, entenda-se bem, mas sim de uma palestra de um conservador para conservadores sobre o que o palestrante chama de Nova Direita. Não concordo com tudo? Claro. Nem precisa dizer. Sou um indivíduo que pensa, logo, não posso concordar com tudo de todos, não é? Ou você não é assim também?

Um insight muito bom dele é a diferença entre reagentesreacionários. Concordo com ele: esta Nova Direita tem um componente muito maior de reagentes do que de reacionários. Gostei disso porque, acho, como muitos leitores aqui já desconfiam, tenho muitos amigos no eixo conservador-liberal (amigos que, inclusive, são capazes de brigarem – sem violência física, obviamente – caso sejam colocados juntos em uma sala…). Ou seja, talvez o rótulo seja outro.

Ou talvez seja mais interessante pensar em termos de stasists dynamists, como o fez Virginia Postrel naquele livrinho de 1998 que volta e meia sou impelido a reler. Sei que é chato tentar rotular os outros, mas a necessidade de classificar grupos de interesses faz parte da tentativa humana de entender os conflitos que se observa por aí (ou mesmo dos quais fazemos parte, esquizofrenicamente ou não).

Ironicamente, tenho sentido a indiferença de muitos, ora porque não sou liberal o suficiente, ora porque não sou conservador o suficiente (os socialisto-comunistas já desistiram de minha amizade e vice-versa, até agora). É curioso como certos liberais se igualam, em comportamento, com os autoritários (de qualquer lado do espectro direita-esquerda) quando se busca um diálogo honesto (diálogo, gente, apenas isso, sem intenção de convencer alguém de algo…lembra?).

Ceteris paribus a falta de paciência (que também tenho, talvez por genética ou talvez por influência conjunta do meio e da genética), esta vontade de (me) xingar de left-lib ou de neoliberal parece inevitável. Ronald Hillbrecht já me disse que sou independente demais para pertencer a algum grupo. Ele nunca esteve mais certo. Na minha solidão – angustiante, mas recompensadora – tenho aprendido mais sobre a natureza humana e reafirmado meu ceticismo sobre tudo e todos.

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Choques institucionais: a importância de 1808

Muita gente pensa em abertura dos portos quando se fala em 1808. Mas há outro ponto que poucos ressaltam e que Jorge Caldeira aponta: este é o ano a partir do qual se permite a abertura de empresas no Brasil.

Até a vinda da Corte os negócios na colônia eram todos informais, com base na prática do fiado. Essa não era apenas uma opção dos comerciantes, mas também consequência da legislação. Até 1808, só era autorizada a abertura de empresas na metrópole.

Claro que fiquei curioso para saber quantos dias se levaria para abrir uma empresa em Portugal no século XVII (mas não pesquisei muito sobre o tema).

O autor também destaca – e ele insiste bastante nisto ao longo do livro – a importância do fiado que se pode pensar como uma solução informal (instituição informal) para o problema da falta de um sistema monetário formal (nada tão estranho assim, já que existia no que hoje é os EUA).

Da mesma forma, a lei não permitia nem garantia as letras comerciais, instrumentos que viabilizavam a separação dos fluxos financeiros e materiais na atividade econômica. Por esse motivo, em termos puramente econômicos, havia equivalência no tamanho da produção brasileira e da norte-americana. Do ponto de vista financeiro, porém, o abismo entre as economias era gigantesco. No Brasil, a circulação da moeda e a concessão de crédito não contavam com nenhuma proteção jurídica – e dependiam do fiado e da informalidade. Já nos Estados Unidos a circulação financeira desde sempre foi garantida pela lei – em 1733, ainda nos tempos coloniais, funcionava um banco comercial cuja principal atividade era descontar esses títulos.

O fiado, como outras instituições informais que operavam no Brasil, segundo Caldeira, sofrem um choque com a chegada da Corte em 1808, o que parece ter gerado uma janela de oportunidade interessante (na nomenclatura da Institutional and Organizational Analysis). Interessante pensar que talvez algumas respostas para o How Brazil left behind (tema da tese do meu amigo Fernando Zanella) possam estar relacionadas a este período…

Os trechos vieram de: CALDEIRA, J. História da riqueza no Brasil: cinco séculos de pessoas, costumes e governos. Estação Brasil, 2017, p.200.

McCloskey sobre a liberdade (bom em tempos que autoritários querem limitar o WhatsApp)

Bom texto. Eis um belo trecho:

Behind the demand that opinion be “unmanipulated” by speech sits a demand that the speech be True. Truth, however, cannot and should not be guaranteed by the official power of the government. In an NBC news broadcast of 25 June 1990, the reporter was vexed that he could not see the truth shining out from the claims and counterclaims for biodegradable plastic. The manufacturer he interviewed claimed that the plastic degrades in dumps. The environmentalist he interviewed scoffed at the very idea. The reporter concluded that considering the disagreement, it surely was a case for the government to decide. But the reporter was mistaken. Free speech is not guaranteed to produce every time what is True in God’s eyes. The government, and especially a government that is open to self-interested pressures, has no formula to discern God’s Truth. What gives the (weak) guarantee of approaching small-t truth is that we encourage people to listen, really listen, with philosophical sophistication about essences and rhetorical sophistication about form.

Mais à frente, um belo trecho sobre o suposto “super poder” da propaganda.

But if advertising were as powerful as J. K. Galbraith and Vance Packard claimed, then the advertisers would of course be fabulously rich. The frequent failures of both the Allied and Axis propaganda machines, even when not offsetting each other with claim and counterclaim, suggests that people are in fact less gullible than the critics of commercial free speech believe (see Fussell 1989, chronicling the cynicism of American soldiers about propaganda aimed at their morale). Propaganda about the nature of man under socialism did not persuade Eastern Europeans, despite a four-decade run through every means of rhetoric (and in Russia a seven-decade one).

Texto bom para estes tempos…

Capital Social inesperado

O céu bonito e a estrada vazia. Lá vinha eu dirigindo e pensando em milhares de assuntos dos quais não me lembro agora.

Ao chegar no pedágio, ainda ouvindo o maior 演歌 anos 60 (diminuo o som, obviamente) e entrego, sem perceber, uma nota de R$ 2,00 a mais para a funcionária que, prontamente, devolve-me com a sábia observação: “- A gente não faz com os outros o que não quer que façam com a gente”.

Sorri para ela, rapidamente me lembrei do tempo em que respeitávamos os bons conselhos dos mais velhos e segui viagem um pouco melhor.

É o Capital Social de que fala o Leo Monasterio.

As origens nada nobres de certas políticas públicas (como o salário mínimo)

In 1910, for another example, many economists and other scientists believed that the category ‘‘Aryan race’’ was helpful and wise in thinking about the economy and the society. It was, we later decided, a misleading and stupid and even evil category, though at the time most scientists, such as the great English statistician Karl Pearson, thought it was not. Around 1910 the American Progressives, especially the leading economists among them, believed passionately in racism, and advocated policies such as immigration restrictions and the minimum wages to achieve eugenic results favorable to the Aryan race (Leonard 2016). In 1925 Pearson published with Margaret Moul an article in the inaugural number of the Annals of Eugenics recommending that Ashkenazi Jews be forbidden to immigrate to Britain because they had low IQs and dirty clothing.

Bonito, heim?

Sobre Robert Fogel (by McCloskey)

O artigo do qual cito os trechos a seguir é este. Vamos lá?

Quando te acusam de racismo porque não entendem o seu trabalho:

Bob had hired me in 1968 at Chicago and advocated successfully for my tenure there in 1975, so I have a lot to thank him for. Before he decamped temporarily to Unfair Harvard (his Department of History came to despise him, quite absurdly, for the ‘‘racism’’ and for the imagined scholarly defects in Time on the Cross), he would attend the Chicago economic history workshop, which he founded when he came to Chicago from Rochester, and which during the 1970s I as the junior person was assigned to organize. His comments were always tenacious, but genial. With Ted Schultz and Margaret Reid, and a brilliant lineup of his students and mine and Arcadius Kahan’s, it was an amazing intellectual experience. It taught me what productive scientific debate is.

O espírito de um estudante que, realmente é estudante, não aluno.

I took to describing Bob as ‘‘the sweetest, most amiable monomaniac I have ever known.’’ Work, work, work. When the man from the Swedish academy called him in the wee hours of 1993, Bob was not sleeping. He was wide awake, working, working, working. He had been a Ph.D. student of Simon Kuznets at Johns Hopkins, and told me once that he worked because he imagined that at any moment Simon would turn up and ask, with his Russian accent, ‘‘Vell, Robert. And vat are you vorking on?’’ I am familiar with such an imagined goad, in a Russian accent.

Ficamos com: Vell, Robert. And vat are you vorking on?

 

Dia do professor: relembrando dois gigantes da Economia

Eu sei, é dia do professor e você não recebeu nem um “bom dia” do porteiro da faculdade. Pior ainda, agora eu venho falar de professores…de Economia. Ainda dá tempo de fugir. Caso contrário, apresento-lhe dois falecidos professores de Economia (um que conheci e cujas aulas assisti, como ouvinte) que sempre me servem de inspiração. Não são os únicos, mas estes especiais em um aspecto.

Bom, primeiro, conheça Gordon Tullock.

Gordon Tullock had a unique teaching style. He wasn’t well organized and class notes from his courses were not exemplary, but he was endlessly curious and he thoroughly enjoyed interesting thoughts, regardless of where he found them. He was very loyal to students who reached his merit level, but went out of his way to pretend he was not loyal. If one went to the student union in the evening, one would be likely to find him sitting at a table holding court and taking on all challenges to his ideas if he found a student to be interesting enough to argue with. I was privileged to have been a part of a number of these “after hours” encounters, and learned a great deal about thinking effectively from those encounters. [Ireland, T. R. (2016). Gordon Tullock as a teacher and mentor. Journal of Bioeconomics, 18(2), 107–111. doi:10.1007/s10818-016-9220-0]

Agora, Jack Hirshleifer.

Jack was a superb colleague. He came to his office regularly and kept its door open, inviting colleagues and students to come chat about their problems and tap his broad ranging knowledge of economics, biology, and history. Manuscripts given him to read were read without much delay and critiqued thoughtfully. He had great skill in participating in a discussion, perhaps instigated by him, in so friendly a way that the critical points he raised never antagonized those whose statements and logic they refuted. What is undeniably true is that Jack enjoyed – loved is not too strong a word – the life of an academic intellectual. He had little interest in committee work or in administrative tasks, and in this one respect he may have disappointed some of his colleagues. His comparative advantage clearly called for him to theorize, and his time was given to this task. He did not engage in job search nor seek positions in the administrative hierarchy. He polished only the knob on his own office door. [Demsetz, H. (2005). Professor Jack Hirshleifer (1925–2005): A Life Remembered. Journal of Bioeconomics, 7(3), 209–214. doi:10.1007/s10818-005-4634-0]

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Como se percebe, ambos dividem várias características típicas de pesquisadores/professores, mas destaco uma que é a curiosidade intelectual.

Hirshleifer era realmente notável e, como diz Demsetz, apenas sua porta estava sempre aberta (e foi assim que conversei com ele pela primeira vez, em 2002).

Tullock, por sua vez, era famoso por seus interesses diversificados, sendo nisso bem parecido com Hirshleifer (e humor para lá de sarcástico).

Sei que vou morrer sem alcançar o nível de Tullock ou Hirshleifer. Ainda assim, eu persisto (para a sorte ou azar dos alunos). Com o passar dos anos, confesso, não sei mais que racionalidade existe em insistir nesta profissão do ensinar. Acho que há um elemento de rigidez junto ao meu cálculo racional. Deve ter a ver com Botchan, sobre o qual comentei animadamente certa vez. Como eu disse naquela ocasião, a frase de abertura do livro ainda é uma das minhas favoritas: 「親譲りの無鉄砲で子供の時から損ばかりしている。」Em inglês: Ever since I was a child, my inherent recklessness has brought me nothing but trouble.

Acho que o professor deve ser teimoso em sua curiosidade. Inarredavelmente teimoso em sua curiosidade.

Caso você comemore o dia dos professores, este é meu modo de saudá-lo.

 

Sim, você é o culpado, não jogue a culpa na sociedade (ou em “ideias”)

Aquele filme, “A Onda”, é muito bacana, e nos faz pensar em uma certa crueldade humana uma certa incapacidade do indivíduo de agir por si só. Não seria totalmente responsável por suas crueldades, digamos assim. Alega-se, por exemplo, que haveria fundamentação para isso no famoso Stanford Prison Experiment .

Mas o buraco é mais embaixo. Embora famoso, este experimento tem vários problemas. Por exemplo, os de replicação (como vemos aqui). Aliás, a Psicologia não é a única área sujeita a este tipo de problema, mas isso fica para outro dia…

Há também o problema da fraude que, supondo que não tenha sido cometida propositalmente, pode ter a ver com o fato de que alguns psicólogos – da época – não terem compreendido que o suposto experimento é um jogo no qual cobaias e experimentadores têm ações praticamente endógenas.

Por exemplo, o psicólogo Zimbardo – a estrela deste experimento – não parece se convencer (ao menos publicamente) que algumas de suas cobaias não estivessem atuando:

In Quiet Rage, Zimbardo introduced dramatic audio footage of Korpi’s “breakdown” by saying “he began to play the role of the crazy person but soon the role became too real as he went into an uncontrollable rage.” A taped segment in which Korpi admitted playacting and described how tiring it was to keep it up for so many hours was edited out. Korpi told me that Zimbardo hounded him for further media appearances long after Korpi asked him to stop, pressuring him with occasional offers of professional help.

Sem falar no desejo de publicar os resultados do suposto experimento na grande mídia – que nunca é a mais qualificada para escrutinizar resultados científicos, pois sua vantagem comparativa é divulgar notícias, falsas ou não.

Deviating from scientific protocol, Zimbardo and his students had published their first article about the experiment not in an academic journal of psychology but in The New York Times Magazine, sidestepping the usual peer review. Famed psychologist Erich Fromm, unaware that guards had been explicitly instructed to be “tough,” nonetheless opined that in light of the obvious pressures to abuse, what was most surprising about the experiment was how few guards did. “The authors believe it proves that the situation alone can within a few days transform normal people into abject, submissive individuals or into ruthless sadists,” Fromm wrote. “It seems to me that the experiment proves, if anything, rather the contrary.” Some scholars have argued that it wasn’t an experiment at all. Leon Festinger, the psychologist who pioneered the concept of cognitive dissonance, dismissed it as a “happening.”

Por que o sucesso? Porque queremos dispersar os custos de nossas ações e concentrar os benefícios, como dizemos em Economia.

The appeal of the Stanford prison experiment seems to go deeper than its scientific validity, perhaps because it tells us a story about ourselves that we desperately want to believe: that we, as individuals, cannot really be held accountable for the sometimes reprehensible things we do. As troubling as it might seem to accept Zimbardo’s fallen vision of human nature, it is also profoundly liberating.

Aceitar a teoria implícita de que podemos ser levados pela onda, claro, é reconfortante porque nos faz pensar que é algo intrínseco à nossa natureza e, portanto, não seríamos tão culpados assim. Por mais que esta narrativa seja atraente, como expõe didaticamente o autor do trecho acima, o fato é o experimento carece seriamente de fundamentação científica, para dizer o mínimo.

Para mim, incentivos importam e a ação do indivíduo é fundamental. Podemos até discutir certas variáveis que influenciam nas ações dos indivíduos (motivações intrínsecas) além das tradicionais que economistas debatem (motivações extrínsecas). No final do dia, o fato é que, até o momento, a responsabilidade por suas ações parece ser sua e não das vozes em sua cabeça ou dos documentos escritos por seus superiores ordenando que você fizesse barbaridades, né, Adolf Eichmann?

p.s. Agradeço ao Philipe pelas dicas dos textos. Há tempos eu procurava links sobre o tema…

Tavares Bastos, o ceticismo, a liberdade

As opiniões que professo são exclusivaemente minhas. O código das minhas idéias promulgou-o um legislador: a observação. Alimento-as isento de preocupações históricas; professo-as sem prevenções políticas. Vosso amigo não é um liberal, não é um puritano, não é nada disso, e é tudo isso. É um homem sem afinidades no passado e isolado no presente. É o solitário.
(..)
Quaisquer que sejam as tendências de meu espírito desconfiado das verdades absolutas, eu confesso-vos, contudo, que amo apaixonadamente a liberdade. [A.C. Tavares Bastos. “Cartas do Solitário”, Companhia Editora Nacional, 1975, p.101-2]

Você também a encontra na Brasiliana eletrônica.

Tavares Bastos ilustra aquele momento em que as crenças centrais (core beliefs) parecem estar mudando na sociedade. Sim, refiro-me aos conceitos desenvolvidos aqui.

A probabilidade de seu voto mudar algo

Conforme Owen & Grofman (1984), qual a probabilidade de seu voto fazer a diferença? Suponha que a probabilidade do eleitor votar no 2o turno seja de 0.5 para cada candidato. Segundo o TSE, o número de eleitores no país é de: 147306275.

Aplicando a fórmula derivada pelos autores para uma eleição sem abstenções, a probabilidade de seu voto mudar o resultado do 2o turno é de:  0.000065 (ou 0.0065%).

Votar tem um benefício baixo e um custo alto, o que não quer dizer que você não possa querer ir lá na urna expressar seu voto (eu mesmo viajei para votar no 1o turno).

Mas note que é na propaganda que o governo e os políticos buscam influenciar o eleitor, tentando lhes dizer que o benefício é alto (ou que não importa o custo-benefício, mas seu “amor pela democracia”, seja lá o que isso signifique).