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Coexistências possíveis?

The role of ignorance in the emergence of redistribution – Anke Gerbera, Andreas Nicklisch,Stefan Voigt

Abstract

Our study investigates the emergence of redistribution societies when individuals vote on distribution rules with their feet. The choice of a distribution rule is a strategic decision since individuals differ in the productivity of their investments and hence total income depends on the types of individuals who have chosen the same distribution rule. In our laboratory experiment, we find that, compared to full information, the amount of redistribution increases if individuals face uncertainty about their productivity at the time they choose a distribution rule. Moreover, we find a coexistence of libertarian and redistributive societies as well as imperfect segregation for all degrees of uncertainty, so that heterogeneous redistribution societies turn out to be sustainable throughout.

Parece que sim.

Cultura · empreendedorismo · história econômica · terrorismo

Cultura, Terrorismo, Empreendedorismo e Economia: breves observações

“Cultura” já foi – e segue sendo, para muita gente – o sinônimo de uma conveniente desculpa para se justificar todos os males da humanidade, ou pelo menos de parte dela. Perdeu o emprego? Culpa da cultura portuguesa. Perdeu o bonde da história? Culpa da cultura judaico-cristã. Tá sem dinheiro? Culpa dos mercados. E assim por diante.

Para começo de conversa, qualquer um que pense um pouco no tema perceberá que a cultura não é um bloco de palavras congelado no tempo. A cultura do jovem brasileiro dos anos 2000 não é a mesma do jovem brasileiro de 1700, por exemplo.

Não é que não exista relevância para a “cultura” nas hipóteses que buscam explicar o desenvolvimento (ou as barreiras ao desenvolvimento) das sociedades humanas. Há sim. Aliás, a própria “cultura” (que propositalmente não foi definida aqui…) se confunde com traços genéticos, oriundos de grupos ancestrais em sua luta pela sobrevivência tanto quanto com os cuidados de uma mãe que pretende que sua filha cresça com valores de  sua mesma religião.

Algumas definições de cultura, aliás, estão neste ótimo texto da Virginia Postrel.

Here are a couple of useful definitions of culture:

    “a way of life of a group of people—the behaviors, beliefs, values, and symbols that they accept, generally without thinking about them, and that are passed along by communication and imitation from one generation to the next.”
    “the cumulative deposit of knowledge, experience, beliefs, values, attitudes, meanings, hierarchies, religion, notions of time, roles, spatial relations, concepts of the universe, and material objects and possessions acquired by a group of people in the course of generations through individual and group striving.”

Culture includes the topics newspapers put in their “culture” sections—arts and entertainment—and the rest of the newspaper as well. It encompasses how we think and behave. It determines who we trust or fear or censure. Culture shapes who we want to be and who believe we are. It is too important to be treated as an afterthought.

Desnecessário dizer que os desdobramentos disso são importantes. Por exemplo, nem todo terrorista é fruto de uma cultura islâmica. Há traços importantes que definem um terrorista, mas nada muito simplista como o que ouve por aí. Basta verificar os dados, por exemplo, para os EUA: boa parte dos terroristas são oriundos de uma “direita” radical (*).

Outro exemplo é o empreendedorismo. Sobel e co-autores (citados aqui) destacam a importância da liberdade econômica – um alegado fator “cultural” para muitos – para o empreendedorismo. Por sua vez, Galor e co-autores falam de um processo em que traços pró-empreendedorismo seriam fruto da complexa evolução humana. Finalmente, há quem encontre evidências da exposição à testosterona no período pré-natal na formação de traços empreendedores.

Neste último caso, aliás, percebe-se que as pesquisas avançam para uma direção em que a “cultura” já não pode mais ser tratada de uma única forma, seja em debates rasos ou em seminários de pesquisa. Para economistas, em particular, passou o tempo em que, justificadamente, recusava-se o simplismo de se usar a cultura como culpada por tudo (ao invés dos incentivos, como mostra, maravilhosamente, Zanella e co-autor neste artigo de história econômica comparada). Já podemos identificar a cultura – ou traços culturais – como incentivos em vários estudos mas o leitor deste blog já sabe disso…

(*) Radical mesmo. Não é como no Brasil em que alguém que leia Roger Scruton é rotulado de direita radical, o que, aliás, diz muito sobre o problema que muitos têm com o conceito de tolerância (aliás, sobre isso, ver este artigo e, claro, o que o motivou).

economia dos esportes

Economia do Futebol: o Pantera experimenta novo arranjo organizacional

Quem me acompanha há mais tempo sabe que me tornei mais e mais interessado na área de Sports Economics e, claro, passei a ler um pouco mais sobre clubes de futebol. Vez por outra, em meio às notícias esportivas, encontro curiosidades interessantes como esta (talvez só para assinantes hoje).

Em resumo, o Botafogo de Ribeirão Preto se reinventou como um clube-empresa. Certamente é um caso a ser estudado. Quem sabe não veremos artigos científicos sobre o tema algum dia destes? Mais sobre o tema aqui e aqui.

antitruste · Organização Industrial · startups

Startups e antitruste

Questão interessante sobre startups e política antitruste.

Should there be limits on startup acquisitions by dominant firms? Efficiency requires that startups sell their technology to the right incumbents, that they develop the right technology, and that they invest the right amount in R&D. In a model of differentiated oligopoly, we show distortions along all three margins if there are no limits on startup acquisition. Leading incumbents make acquisitions partially to keep lagging incumbents from catching up technologically. When startups can choose what technology they invent, they are biased toward inventions which improve the leader’s technology rather than those which help the laggard incumbent catch up. Further, upon obtaining a pure monopoly, the leading incumbent’s marginal willingness to pay for new technologies falls abruptly, diminishing private returns on future innovations. We consider antitrust measures that could help to mitigate these problems.

emporiofobia · empreendedorismo · instituições · trust

Confiança, mercados, etc

Veja só a conclusão desta revisão da literatura sobre confiança (trust):

(…) social and political trust are critical social achievements for sustaining a diverse social order, but social trust is more important than political trust. Second, liberal democratic market-institutions play a modest role in sustaining social trust, and a large role in sustaining political trust. We can conclude, then, that liberal-democratic market societies are part of a positive causal feedback loop that sustain trusting social orders with diverse persons who disagree.

Outro ponto ótimo para se refletir:

Some argue that political trust is declining in many North American and Western European nations due to rising inequality and various widely observed events and governmental failures, such as Watergate or other corruption scandals. Others argue that as people grow richer and more educated they become more discerning observers of political events, and come to have higher expectations of democracy. “At the same time that people have become less trustful of government,” Russell Dalton of the University of California at Irvine has written, “other opinion surveys show continued and widespread attachment to democracy and its ideals, which may have strengthened in recent decades.”

Pense nisso, por exemplo, em nível municipal. Cidades que possuem diferentes indicadores de confiança social (social trust) e de confiança na política (political trust) poderiam também ser cidades com diferentes graus de emporiofobia.

Mais ainda: como as cidades não foram fundadas na mesma data, cada uma delas se encontra, ceteris paribus, em momentos diferentes de suas histórias. Cidades muito novas podem ter baixo grau de rent-seeking, por exemplo. Contudo, seu potencial pró-mercado pode sofrer com a ação de grupos de interesse olsonianos ao longo do tempo.

Sim, como quase todos os fenômenos sociais, também os níveis de confiança e outras variáveis compartilham de uma endogenia (se é que posso dizer dessa forma…) que dificulta bastante os estudos na área.

Nada que não mereça um pouco mais de leitura e reflexão, claro.

ciência econômica · Economia Brasileira

Defender sua saúde é o mesmo que defender gastos com sua saúde?


Nem sempre. Exemplo simples: (a) tenho uma gripe e compro um remédio e me curo versus (b) tenho uma gripe, vou a todos os especialistas médicos existentes, faço vários exames e no final, eu me curo porque era uma simples gripe.

Note que, nestas duas pequenas histórias, eu estaria mais bem servido se fosse menos hipocondríaco (como o sujeito “b”) e mais racional no uso do meu dinheiro com a saúde. Note também que o resultado final (o fim da gripe e o tempo que levará até isso) dependem não apenas de mim, mas também de outros fatores (eu poderia ter alterado parâmetros nas minhas duas opções como o clima, a poluição, etc). A minha gestão da minha saúde, por melhor que seja, ainda pode estar sujeita a problemas externos à minha capacidade de controle.

Isso tudo significa que, na vida real, minimizamos danos e o mínimo não é zero (exceto por coincidência) e temos que escolher jeitos eficazes de lidar com nossa saúde.

Agora, defender a pesquisa também não é o mesmo que defender o (maior) gasto em pesquisa. Nem defender a educação é o mesmo que defender o (maior) gasto em educação.

Aliás, há nestas duas últimas questões, um ponto adicional: o dinheiro gasto nestas coisas não é apenas o meu (minha parte é apenas uma fração do gasto total em cada uma destas áreas e nem por mim é administrada).

Há até quem use do expediente de “discutir a qualidade do gasto” por um tempo absurdamente longo para, justamente, jamais melhorar a qualidade do mesmo (já que sabe que, provavelmente, a maior qualidade signifique menor nível de gasto). Há um tempo ótimo para se discutir qualquer coisa, como sabe qualquer um que já tenha participado de uma reunião (desde as de família até às de trabalho).

Não é tão fácil como nos induzem a pensar os cartazes (e os memes), né?

Economia da Religião

Economia da religião e demografia

From empty pews to empty cradles: fertility decline among european catholics

Total fertility in the Catholic countries of Southern Europe has dropped to remarkably low rates (=1.4) despite continuing low rates female labor force participation and high historic fertility. We model three ways in which religionaffects the demand for children – through norms, market wages, and childrearing costs. We estimate these effects using new panel data on church attendance and clergy employment for 13 European countries from 1960 to 2000, spanning the Second Vatican Council (1962–65). Using nuns per capita as a proxy for service provision, we estimate fertility effects on the order of 300 to 400 children per nun. Moreover, nuns outperform priests as a predictor of fertility, suggesting that changes in childrearing costs dominate changes in theology and norms. Reduced church attendance also predicts fertility decline, but only for Catholics, not for Protestants. Service provision and attendance complement each other, a finding consistent with club models of religion.

Achava que só japoneses tinham menos filhos e que isso tinha a ver com a “cultura” (nunca definida…) deles? “Perdeu, playboy“…