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Por que Chávez perdeu? É a economia, companheiro!

A pista é do Ângelo da CIA:

Eu posso falar de Hugo Chávez sim senhores! Aquele papo de “só pode falar dele quem tem propriedade ou experiência” não cola comigo porque as merdas dele respingam diretamente em mim, tenho muita propriedade. É por causa do caos em que ele mergulhou a Venezuela que tenho trabalhado muito nas últimas 6 semanas. E o caos deve continuar em altíssima tensão até o dia 1o de janeiro, ficando em alerta até o fim de abril. Sabem do que estou falando?
Muita gente não sabe até porque a nossa mídia até agora ignorou o assunto: A Venezuela, por causa de sua inflação galopante, cortará zeros de sua moeda! Lembram do Brasil antes da era Real, do Brasil inflacionário, das nossas trocas periódicas de moeda, de nossos economistas malucos e suas fórmulas exóticas? Então, a Venezuela está passando por isto.
Não foi à toa que dia desses Luiz Carlos Bresser Pereira saiu a dizer que há democracia sim na Venezuela e a cortejar Hugo Chávez. Bresser Pereira não é como Lula, uma metamorfose ambulante: Um cara que “enfrentou” com tanto insucesso a inflação brasileira no Governo Sarney tem mais é que defender as mesmas sandices na Venezuela.
Pois é isto que tem me tirado daqui deste front: A empresa para qual trabalho, assim como todas as grandes multinacionais com operações na Venezuela, está correndo contra o tempo para adaptar seus sistemas e processos a esta mudança cambial. A partir do dia primeiro de janeiro a Venezuela conviverá com duas moedas, o Bolívar e o Bolívar Fuerte, sendo que o Bolívar Fuerte se tornará a única moeda a partir de maio.

Algum analista político tocou no assunto nas últimas semanas? Não. Algum jornalista? Também não. Por que tanta distração quando parece óbvio e simples explicar que Chávez transformou a economia venezuelana no paraíso para experimentos com seres humanos (= planos heterodoxos)? Após a sequência Cruzado-Bresser-Collor-Verão, não seria fácil prever o que aconteceria lá?

p.s. o link do Bolívar Fuerte é por minha conta.

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Democracia e Venezuela

Aqui está uma boa análise sobre a leitura correta de relatório dos nossos amigos do Latinobarómetro. Mas, claro, se você acha que ditadores urinam sobre o povo, está perigosamente perto da verdade, embora os jornalistas tenham temor em divulgar estas notícias engraçadas. De qualquer forma, há sempre alguém para falar das contradições deste povo.

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Sabedoria econômica em relações internacionais

Diz Abreu sobre a discussão de Venezuela, Espanha e nosso papel na América Latina:

“Criar e liderar um bloco sul-americano” parece objetivo inalcançável. O protagonismo de Chávez põe na defensiva as pretensões brasileiras de liderança. Se o Mercosul é o embrião do bloco sul-americano que quer liderar, seria razoável que o Brasil se dispusesse a mediar a crise entre a Argentina e o Uruguai. E, no entanto, o Itamaraty se tem mostrado singularmente omisso. Com base neste retrospecto é difícil acreditar que o Brasil seja capaz de controlar efetivamente Chávez com a Venezuela integrando o Mercosul. O Congresso Nacional tem, portanto, oportunidade histórica de se mostrar guardião do interesse nacional e se opor à proposta imprudente do Executivo, impedindo a entrada da Venezuela no Mercosul. Mesmo que o presidente Lula ache que Chávez é tão democrata quanto Thatcher, Mitterrand ou Kohl, em declaração “espontânea” que nos faz refletir sobre terceiros mandatos.

Talvez a mais expressiva avaliação das possibilidades de sucesso quanto ao assento permanente no Conselho de Segurança tenha sido a implícita nas declarações do presidente Lula quanto a um Conselho de Segurança “do B”, a despeito de sua alegada ojeriza à idéia de plano B. Fica a impressão de que alguém deveria explicar ao presidente o que é multilateralismo. A tradução de “negociar regras internacionais que não restrinjam o desenvolvimento do País”, no jargão do novo Itamaraty, provavelmente se refere à liberdade de manobra para fazer “política industrial” e escolher vencedores sem limitações de regras multilaterais. E, no entanto, o G-20, liderado pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), enfrenta dificuldades em manter coesão em torno destas idéias.

Aumentar o volume das declarações bombásticas sobre política externa não vai disfarçar os seus pobres resultados, para não falar na duvidosa seleção de prioridades. É preciso autocrítica, explicitação de responsabilidades e reformulação de estratégia. Um recado claro do Congresso a Chávez, e a Lula, seria um bom começo.

Eis aí bons conselhos para os políticos minimamente inteligentes de nosso Congresso. E também para os menos inteligentes, mas com visão pouco turva.

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A importância da privacidade

Tem gente inocente que me diz: “não tenho o que esconder. Pode vasculhar minha vida”. O problema é que a importância da privacidade não está na (im)possibilidade de alguém descobrir algum escorregão seu, mas sim no poder absoluto que se delega a alguém para te vigiar sem qualquer escrúpulo.

O que o ditador socialista Chávez fez – e que agora é até usado como base de dados em artigo – não tem perdão. Tornar pública a lista de milhares de opositores e usar isto como meio de coerção é um pouco mais leve do que mandar um sujeito para o paredão? Nem tanto.

Venezuela

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Duas do CATO:

Corruption has existed in Venezuela since at least 1821, when it gained independence. In the 19thand 20th centuries, the level of corruption fluctuated, depending on the government in power. During the government of President Hugo Chávez, however, corruption has exploded to unprecedented levels. Billions of dollars are being stolen or are otherwise unaccounted for, squandering Venezuelan resources and enriching high-level officials and their cronies.

The windfall of oil revenues has encouraged the rise in corruption. In the approximately eight years Chávez has been in power, his government has received between $175 billion and $225 billion from oil and new debt. Along with the increase in revenues has come a simultaneous reduction in transparency. For example, the state-owned oil company ceased publishing its consolidated annual financial statements in 2003, and Chávez has created new state-run financial institutions, whose operations are also opaque, that spend funds at the discretion of the executive.

Corruption now permeates all levels of Venezuelan society. Bureaucrats now rarely follow existing bidding regulations, and ordinary citizens must pay bribes to accomplish bureaucratic transactions and have to suffer rampant neglect of basic government services. All this has been encouraged by a general environment of impunity: officers implicated in major corruption scandals have sometimes been removed from their posts, but they have not otherwise been held legally accountable.

The dramatic rise in corruption under Chávez is ironic since he came to power largely on an anti-corruption campaign platform. To truly fight corruption, the government needs to increase the transparency of its institutions and reduce its extensive involvement in the economy, something that has placed Venezuela among the least economically free countries in the world.

Claro, para os amigos jornalistas, temos este:

Venezuelans have been finding that out in recent years as their level of economic freedom, which has been in steady decline during the past few decades, has fallen rapidly under the government of Hugo Chávez. Venezuela now ranks 126 out of 130 countries in the Fraser Institute’s economic freedom index (in 1985 it ranked 25th out of 111 countries). When you concentrate economic power in political hands, the institutions of civil society lose their independence.

The latest casualty in Chávez’s campaign to control the media is Radio Caracas Television (RCTV), whose license the government recently announced will not be renewed. RCTV, founded in 1930, was one of only a few remaining TV stations critical of the government in a country where media outlets are practicing various degrees of self censorship. But, according to the Venezuelan communication minister, RCTV’s “irresponsible attitude hasn’t changed.” Symbolizing the government’s intolerance of dissent is a law passed last year that can land individuals for months or years in jail for expressing disrespectful words about government officials.

Claudio

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O ovo da serpente


Se há uma onda chavista na América Latina, a marola alcançou a costa carioca. Em dezembro, foi fundado no Rio o Partido da Revolução Bolivariana Nacional, com 109 assinaturas de 11 Estados. Seus integrantes dizem se inspirar em Simón Bolívar (1783-1830), herói da independência de colônias espanholas na América, e no presidente da Venezuela Hugo Chávez, que diz promover uma revolução “bolivariana” e socialista.

Os militantes do PRBN vão propor a Chávez, que está no Rio para a cúpula do Mercosul, uma “Internacional Bolivariana”, que una organizações de ideários semelhantes. Nacionalista e defensor da economia de mercado com presença forte do Estado, o PRBN “surge no momento de rever a maneira de fazer política”, diz seu presidente, Paulo Memória, pequeno empresário que já foi do PMDB e do PT do B. O PRBN apóia o governo federal. Seu modelo, porém, não é Lula, mas Chávez. “O PT já é um condomínio bastante amplo”, diz Memória.
(MÁRIO MAGALHÃES)

Comentário: não riam, por favor. Há muito método nessas tolices…
RR

O RR é o Roberto Romano, filósofo. E a notícia é verdadeira, por mais incrível que pareça. Pois é, neste país tem PSOL, porque não poderia ter bolivarianos?

Claudio

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