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Space Battleship Yamato: a tecnologia (algo conturbada) de produção de uma obra-prima

No artigo anterior falei um pouco sobre como a história da primeira temporada de Space Battleship Yamato pode ser usada como analogia em nossa batalha pela cura da pandemia do Covid-19. Hoje, por assim dizer, gostaria de falar um pouco dos bastidores da obra.

Um dos temas mais comuns entre economistas, notadamente em rodas de conversa, é o que, de fato, é uma tecnologia de produção.

Claro, em sala de aula é fácil entender o conceito. Sabemos que um produto pode ser produzido por outros produtos (chamados de insumos). Detalhando um pouco mais, o produto ainda pode ser um bem ou serviço e, claro, pode ser que se produza um ou mais produtos com um ou mais insumos. E a conversa nem começou…

Fascinante, para mim, é a questão que envolve o dia-a-dia de algumas tecnologias de produção. Produzir um saco de pipocas, um automóvel ou um filme podem ser, abstratamente a mesma coisa mas os detalhes de casos específicos podem ser fascinantes.

Um ponto interessante da produção diz respeito ao trabalho em equipe. Teoricamente, o trabalho em equipe nos traz questões muito interessantes sobre a tecnologia de produção. Como garantir que todos desempenhem suas tarefas? Como evitar que o caroneiro (comportamento free-rider) destrua valor? Até que ponto de detalhamento se deve ir ao definir as tarefas individuais? Há muitas perguntas como estas que, inclusive, já renderam prêmios Nobel a alguns economistas.

Há alguns casos interessantes em que dois grandes talentos se complementam e produzem obras de sucesso. Tome-se por exemplo o caso de Stan Lee e Jack Kirby no mundo dos quadrinhos. Mesmo após seu afastamento, ambos continuaram produzindo e criando sucessos por anos. Mas há também os casos em que a separação de grandes talentos parece mostrar que, separadamente, não funcionam tão bem. Para mim, este é o caso de Reiji (Leiji) Matsumoto e Yoshinobu Nishizaki.

Juntos, nos anos 70, Matsumoto e Nishizaki fizeram sucesso com as produções da franquia Space Battleship Yamato. Contudo, quando Nishizaki resolveu produzir seu Yamato 2520 sem a participação de Matsumoto, a proposta não funcionou. É verdade que Nishizaki já não se encontrava tão bem financeiramente na época, mas a decisão de ignorar Matsumoto parece ter selado a separação definitiva de ambos que passariam um bom tempo disputando na justiça pelos direitos autorais da obra (os detalhes da batalha judicial mostram o quão complexo é atribuir direitos neste caso, já que a produção de quadrinhos, por exemplo, em torno do famoso navio não se limitava aos dois).

A briga pelos direitos de propriedade durou muitos anos (aproximadamente de 1994 a 2003). Durante o período, Nishizaki foi parar na prisão por posse de drogas e mesmo de armas ilegalmente adquiridas e Matsumoto seguiu produzindo seus desenhos. A despeito dos fãs – e eu até acho que sou um deles – Matsumoto produz diferentes desenhos ou sagas com temas que parecem se repetir.

Veja por exemplo o Submarine Super 99 e o quanto esta história se parece com a da série do Yamato. Ou a (proposital?) falta de sequência em todos os seus desenhos da saga do Capitão Harlock, Ginga Tetsudou 999 e Queen Emeraldas (e o recorrente tema da transformação dos seres humanos em máquinas).

Alguns dos envolvidos nos anos dourados do anime Yamato, vez por outra, comentam sobre as características de Nishizaki e Matsumoto. Destes testemunhos pode-se inferir que Nishizaki tinha algum talento como líder (não à toa sempre tentou trabalhar com a gerência ou produção) e Matsumoto sempre teve como característica o dom de trabalhar com o desenho (design) de máquinas o que pode ser constatado em todos os seus mangás ou animes.

Jack Kirby e Stan Lee funcionaram bem juntos ou separados. Matsumoto e Nishizaki só parecem ter tido sucesso em conjunto. Separadamente, nem o Dai Yamato Zero Go de Matsumoto teve sucesso, ainda nos anos da batalha judicial (uma oportunidade perdida de retomar a franquia em seus próprios termos criativos), nem Nishizaki teve tempo para prosseguir com a franquia, a despeito do mediano Space Battleship Yamato: Ressurrection, cujo lançamento em Blu-Ray ainda contou com duas versões: a original e o director’s cut que prometia um continuação. Contudo, Nishizaki morreu sem poder concluir a segunda parte deixando um vácuo imperdoável na franquia.

Nishizaki ainda nos legou, em 2010, o live action da série – uma produção muito cara para os padrões da época, com efeitos especiais surpreendemente bons para os padrões japoneses e seu filho adotivo, Shouji (alternativamente grafado como Shoji) Nishizaki (*) tem tido algum sucesso com a modernização da franquia nos anos recentes (e a pandemia adiou a nova série, prevista para 2020…), mas nada que se compare ao sucesso da obra conjunta de Nishizaki e Matsumoto nos anos dourados dos anime

Talvez alguém, no futuro, consiga nos contar mais sobre a conturbada tecnologia de produção da série original do Yamato do ponto de vista microeconômico. Quem sabe se este texto não serve de inspiração?

(*) Creio que Shouji Nishizaki é um destes filhos que são adotados para continuar os negócios familiares, hábito comum no Japão.

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“Space Battleship Yamato” e o Covid-19: epopéias humanas

A pandemia se fez presente nos primeiros meses de 2020 e, como não poderia deixar de ser, a humanidade se viu numa luta contra o tempo para obter a vacina (com progressos notáveis no curto prazo).

A história pode ser recente, mas o enredo, remete a um clássico da animação japonesa, o Space Battleship Yamato (que, por alguma influência politicamente correta, alguém traduziu, incorretamente, como Space Cosmoship Yamato) dos anos 70 produzida por Yoshinobu Nishizaki.

A série foi ao ar no Japão no meio dos anos70 e, na lógica insanamente competitiva do mercado japonês (pelo menos da época), foi seguida de quadrinizações, a mais famosa dela do exótico Reiji Matsumoto (às vezes citado como Leiji Matsumoto).

O leitor encontrará farto material na internet sobre o desenho que chegou ao Brasil, no início da extinta TV Manchete diretamente da versão – cheia de pequenos cortes – norte-americana. Lá, seu nome era Starblazers e aqui ficou conhecido como Patrulha Estelar.

A despeito dos anos 70 não serem tão próximos do final da 2a Guerra Mundial, os americanos transformaram o encouraçado espacial Yamato em um pouco inspirador encouraçado espacial Argo. Nada que os fãs nikkeis não pudessem ignorar alegremente pela oportunidade de poderem assistir um anime tão interessante.

A nossa precária integração aos mercados globais (nada de fluxos imigratórios imensos ou mesmo uma abertura comercial decente) nos trouxe, apenas recentemente, a quadrinização de Matsumoto

Em outra oportunidade quero falar mais sobre os aspectos, digamos, econômicos desta obra (há muito insight legal para uma aula de Microeconomia). Hoje, quero apenas destacar a semelhança do anime com a epopéia humana contra o Covid-19. Vamos lá.

A concepção da série é sempre a mesma: a Terra sofre uma ameaça externa e deve respondê-la com um prazo de 365 dias. Na primeira – que não foi transmitida no Brasil (e deve ser assistida se você quiser apreciar melhor o que viu quando criança) – os gamilianos querem adaptar a Terra à sua atmosfera radioativa para colonizá-la, já que seu planeta está morrendo.

Logo nos primeiros episódios, há uma batalha em Plutão na qual a frota terrestre é massacrada mas, inesperadamente, uma outra alienígena envia uma cápsula com instruções que permitem aos seres humanos um salto tecnológico: construir uma espaçonave que poderia lhes trasnportar muito mais rapidamente para o planeta Iscandar no qual poderiam obter um aparelho que limparia a atmosfera da radiação.

O governo da Terra providencia, então, a (re?)construção do navio de guerra japonês Yamato (o maior encouraçado já produzido, ironicamente, numa época em que a tecnologia dos porta-aviões se tornava mais e mais relevante para o combate naval) como uma espaçonave. Recruta-se uma tripulação que deve chegar até o planeta Iscandar e trazer o tal aparato em 365 dias. Um legítimo exemplo de epopéia na forma de uma corrida contra o tempo.

A parte mais importante do desenho, portanto, envolve uma tripulação limitada (ela não se reproduz…só vai diminuindo com as batalhas) que luta contra o tempo e contra um inimigo que mais poderoso com sua tecnologia recém-adquirida. Como não pensar em nossa luta contra o Covid-19? Impossível, não?

Aqueles que compraram o DVD da Voyager Entertainment lá no final dos anos 90 puderam ver o final alternativo – e interessante – da primeira temporada. Aqui vai um spoiler, ok? É claro que, no fim, eles conseguem obter o aparelho eliminador de radioatividade e voltar à Terra. Mas o final alternativo é muito mais interessante. Nele, ao chegarem à Iscandar, é-lhes revelado que o aparelho podia ser construído com os componentes do próprio Yamato.

Por que então, toda a viagem, lutas e mortes? A ideia é que não seriam merecedores desta descoberta se não se esforçassem para chegar a Iscandar. Ok, ficou tudo mais difícil para a humanidade, mas há algo de mais nobre neste final alternativo no estilo “lição de moral da vovó”. Suspeito que a escolha entre finais deva ter alguma relação entre os conflitos da equipe criativa, notadamente entre Yoshinobu Nishizaki (o produtor) e Reiji Matsumoto (o carismático e difícil mangaká).

As segunda e terceira temporadas replicam o tema – com mais ou menos drama – e, salvo engano, também têm esta missão de 365 dias. Obviamente que os dramas humanos não são tão explorados no desenho – embora você possa encontrar vários momentos singelos em diversos momentos dos episódios.

É legal perceber um ponto na diferença de visão entre membros da equipe criadora. Pelo que já vi dos trabalhos de Matsumoto (notadamente na primeira temporada de Captain Harlock), ele prefere uma abordagem bem menos rígida do ambiente de trabalho dentro da espaçonave. Para ele, cada um faz o que quer dentro da nave pirata Arcadia mas, quando há uma missão, todos se unem de maneira ímpar com uma lealdade absoluta. Já nas produções de Nishizaki (Blue Noah, por exemplo), o trabalho em equipe é mais convencional e o foco é no sacrifício e trabalho sob pressão constante, sem muito espaço para dramas individuais.

Talvez a história sobre o desenvolvimento das vacina também nos revele algo similar. A conferir.

Créditos das imagens: o ótimo Ourstarblazers.com e Wikipedia.

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Econometria 101: depressão, suicídio, casos e mortes por Covid-19

A busca por palavras no Google como “suicídio” e “depressão” pode ter uma relação com a pandemia, mas não apenas.

Mesmo assim, eis um exercício simples de Econometria. Estimei quatro regressões simples: duas com “suicídio” como variável dependente e duas com “depressão” como tal. Sim, são os resultados do Google Trends. As variáveis independentes são os acumulado de casos e mortes por Covid-19, obtidos do Brasil.IO. Os dados são estaduais (cross-section).

Claro que há um monte de problemas aí para se discutir em sala de aula. As regressões a seguir, portanto, são apenas para despertar o questionamento dos alunos.

Para a depressão:

^l_depressao = 8.04 + 1.05*l_obitos_pop
(2.85) (0.432)

n = 27, R-squared = 0.146
(standard errors in parentheses)

^l_depressao = 3.69 + 0.933*l_casos_pop
(1.03) (0.384)

n = 27, R-squared = 0.164
(standard errors in parentheses)

Para o suicídio:

^l_suicidio = 3.69 + 0.933*l_casos_pop
(1.03) (0.384)

n = 27, R-squared = 0.164
(standard errors in parentheses)

^l_suicidio = 8.04 + 1.05*l_obitos_pop
(2.85) (0.432)

n = 27, R-squared = 0.146
(standard errors in parentheses)

Em todas as especificações, os coeficientes são estatisticamente significativos e, aproximadamente, a busca por suicídio ou por depressão tem elasticidade unitária, seja com os óbitos per capita ou com os casos per capita. Em outras palavras, o aumento de 1%, seja nos óbitos ou nos casos (ambos per capita) leva a um aumento de 1% na busca de palavras como “suicídio” ou “depressão”.

Obviamente, o exercício é muito limitado. A causalidade é frágil, são regressões simples e não há muito o que fazer (ou dizer) com 27 observações de maneira muito mais peremptória. Mas é um exercício divertido para a sala de aula. O aluno pode ser convidado a aperfeiçoar o modelo. O que falta? Proponha algo melhor.

A planilha com os dados está aqui, para os interessados.

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O guia para o editor de um periódico científico brasileiro (versão inicial)

Você começou a editar um journal e está perdido? Bem, há algumas regras não-escritas que podem te ajudar e elas não se referem à plataforma usada. São mais uma espécie de guia de boas maneiras ou um guia do que evitar para que sua vida, como editor, seja menos turbulenta. Lembre-se: editores, pareceristas e autores têm egos e, portanto, são muito chatos quando querem. Sugestões são bem-vindas.

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Um rápido exercício econométrico: a função demanda de cerveja

O exercício é limitado e há problemas. Mas vale como uma brincadeira. Os dados vieram daqui e tive que importar os dados do PIB per capita do Banco Mundial. Obviamente, uma regra de três malandra possibilitou-me calcular o PIB per capita da Inglaterra, Gales e Escócia. Pior ainda: não há paridade de poder de compra nos dados.

Não faltam problemas, certo? Mas como você vai aprender econometria se não fizer um exercício? Ciente dos vários problemas, vamos aos resultados.

Como está tudo em logaritmos, o que temos aí é uma elasticidade-preço de -1.2 e uma elasticidade-renda de 0.61. Não, não saia por aí dizendo que acha este resultado supimpa. Vai soar velho, além de bobo, já que há muitos problemas nos dados.

Mas é divertido, não? Moral: se beber, não estime.

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Cerveja em casa x Cerveja fora de casa: edição pandemia

Exercício que gostava de fazer em sala de aula era a comparação dos números-índices de subitens do IPCA. Um deles, claro, refere-se ao título deste post.

Suponha que, na pandemia, a quantidade demandada (= ofertada), no equilíbrio, de cerveja em casa tenha aumentado mais que a de cerveja fora de casa. Isso pode ter acontecido por movimentos das curvas de demanda e oferta.

Um possível exemplo: a demanda de cerveja no supermercado aumentou mais que a demanda por cerveja nos bares, ceteris paribus as respectivas curvas de oferta. Ou isso aconteceu e as curvas de oferta não se deslocaram tanto (as de bares devem ter até recuado e as dos supermercados devem ter permanecido, em média, no mesmo lugar).

Bem, não sei como as curvas se deslocaram, mas olhando o índice relativo entre cerveja no domicílio e fora dele, o ano de 2020 apresenta um padrão misto para as regiões metropolitanas e também para o Brasil.

Belém, Recife e Salvador parecem ter apresentado um aumento relativo maior no preço da cerveja comprada em supermercados na maior parte do ano de 2020. Já Belo Horizonte, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza, Curitiba e Porto Alegre apresentam oscilações mais variadas ao longo do ano.

Eu não sei como funciona a coleta de preços do IBGE diante de fenômenos como as entregas em domicílio por aplicativos de celular mas, caso isso já esteja sendo computado, os movimentos de preços do IPCA acima podem ser considerados mais fidedignos do cenário atual do comércio em que os aplicativos têm sido usados com uma frequência maior nos últimos tempos.

Ainda pensando que os aplicativos de compra por celular estejam no cômputo do índice, então existe a possibilidade de os gráficos acima estejam nos dando algum indício – ainda que indireto – sobre a presença de pessoas nos bares durante a pandemia.

Ou pode ser que a coleta de dados tenha diminuído consideravelmente por conta do bares fechados em relação aos supermercados, o que causa um problema na coleta dos dados e complica um pouco mais a análise.

De qualquer modo, quando se considera um período mais longo, fica clara a tendência de longo prazo decrescente em quase todas as regiões metropolitanas com a marcante exceção de Belém. Em outras palavras, no longo prazo, o índice de preço relativo da cerveja do supermercado em relação à do boteco vem em queda.

Ah sim, excluí das análises a Grande Vitória porque seus dados começam um pouco depois de 2012, mas o leitor pode se divertir pesquisando toda a base lá na página do Banco de Dados Sidra, no website do IBGE.

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Call for papers: Special Issue of RSP in Honor of Jorge Vianna Monteiro

RSP special issue in honor of Jorge Vianna Monteiro

Professor Jorge Vianna Monteiro was the forerunner of research in Public Choice in Brazil. In his 1981 article, Economics of Public Sector Growth (Revista de Administração Pública, v.15, n.2, p.76-89) pioneered the dissemination of government analysis from this perspective.

In addition to this article, several books published, still at the time of the PNPE/IPEA program, helped to forge a vision, as James Buchanan would say, more realistic and less romantic of the government’s role.

During the 1990s, his periodic Macroeconomic Strategy letter was a regular presence in the mailbox of several researchers, economic analysts and policy makers. The analysis of the Brazilian economy was the subject of several books and academic articles published by him in the 2000s, shortly before he retired.

His influence as a disseminator of the theory of Public Choice in Brazil is recognized and RSP is proud to launch the call for this special edition in his honor.

We hope for submissions in the following topics: (a) Jorge Vianna Monteiro’s contribution in Public Choice analysis of Brazilian government; (b) theoretical or applied Public Choice analysis; (c) theoretical or applied Constitutional Political Economy analysis. Papers that deal with Brazilian issues would be especially appreciated.

It is important to note that, for this special edition, only submissions in English will be accepted. In addition, at the time of submission, the “Special Issue Public Choice” area must be chosen.

Submissions are now open. Articles will be accepted until May 31, 2021.

For further questions specifically regarding this issue: claudio dot shikida at enap dot gov dot br. (Portuguese non-speakers can count on me with any help through the submission process)

RSP: https://revista.enap.gov.br/index.php/RSP/announcement/view/33

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Descanse em paz, prof. Camps

Usei este ótimo artigo para estudar para a ANPEC. Ainda bem que o digitalizaram. Com o falecimento, pelo visto, ontem à noite do prof. Camps, guardarei a versão digital do artigo como lembrança.

Foi um ótimo professor de Macro I no doutorado do PPGE-UFRGS. Um destes professores que você não encontra mais, com vasta cultura (não apenas econômica), generoso e simpático.

Meu sábado ficou mais triste.

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Dez Melhores Livros de 2020

Não ordenarei por excelência, mas sim aleatoriamente (nome do autor entre parênteses, logo após o título).

  1. Poisoner in Chief (Stepehn Kinzer) – Conta a vida de um verdadeiro cientista louco que direcionou muito dinheiro do imposto do norte-americano para a duvidosa ideia de “controle mental”. Dizem que o livro exagera o lado obscuro da CIA e que é preciso notar que a concorrência soviética não era menos pior, mas não ninguém me indicou algum livro sobre os experimentos amalucados da KGB. Agradeço qualquer indicação neste sentido. ^_^
  2. Michael Landon – The Career and Artistry of a Television Genius (David R. Greenland) – pouca gente sabe, mas sou fã de “O homem que veio do céu” e “Os Pioneiros”. Landon não era só um ator ou um diretor, mas alguém que usou sua carreira para transmitir boas ideias às pessoas.
  3. John Woo: The Films (Kenneth Hall) – Nada como ler sobre a carreira de John Woo…tão boa até que ele conheceu Hollywood. Uma pena que não faça mais filmes como Bullet in the Head, A Better Tomorrow (I e II), Hard Boiled ou The Killer.
  4. The Shenzen Experiment: The Story of China’s Instant City (Juan Du) – Charter City é o tema do ano, para mim. Este livro não é apologético como a maioria do que leio por aí sobre Shenzen. Vale a leitura.
  5. Radicalization to Terrorism: What Everyone Needs to Know (Sophia Moskalenko e Clark McCauley) – um didático guia para uma literatura que acho importante demais para entender nem tanto o terrorismo, mas a radicalização. Passe um dia lendo o Twitter para ver como algumas pessoas trilham os caminhos da radicalização e você perceberá que o problema está mais próximo de você do que se imagina.
  6. Call Sign Chaos: Learning to Lead (Jim Mattis, Bing West) – a autobiografia de um dos militares mais carismáticos da era atual. Mattis chegou a servir no início da administração Trump, mas não durou muito tempo.
  7. Hitler was my friend: the memoirs of Hitler’s photographer (Heinrich Hoffmann) – um líder sanguinário visto sob uma ótica pouco usual. É um livro bem legal para se conhecer outros aspectos da vida de um dos piores anti-liberais do século XX.
  8. Your Next Government, from the nation state to stateless nations (Tom W. Bell) – outro livro cheio de ideias interessantes (relaciona-se ao 4o livro desta lista), que me fizeram pensar mais em jurisdições especiais, um tópico que me interessa cada vez mais.
  9. Análise Econômica do Processo Civil (Ivo Gico Jr) – Ivo é um amigo e um autor brilhante. Este livro chega em boa hora (este ano foi pródigo em livros de Law & Economics em língua portuguesa.
  10. Análise Econômica do Direito – temas contemporâneos (Luciana Yeung (org)) – Ok, eu não acabei de ler (e sou um dos autores em um capítulo), mas este eu indico para todos os interessados porque é um livro que avança vários temas novos nesta agenda de pesquisa na qual tenho tido a honra de contribuir marginalmente na última década (se eu tivesse começado a ler o Seinfeldia, de Jennifer K. Armstrong, ele estaria na lista…).

Ok, eu li pouco este ano. Só treze livros no Kindle e uns dois ou três físicos. Ano passado, meu Kindle me lembra, foram vinte e dois. Mas esta foi minha lista para o leitor (se é que sobrou algum) deste blog.