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Um rápido exercício econométrico: a função demanda de cerveja

O exercício é limitado e há problemas. Mas vale como uma brincadeira. Os dados vieram daqui e tive que importar os dados do PIB per capita do Banco Mundial. Obviamente, uma regra de três malandra possibilitou-me calcular o PIB per capita da Inglaterra, Gales e Escócia. Pior ainda: não há paridade de poder de compra nos dados.

Não faltam problemas, certo? Mas como você vai aprender econometria se não fizer um exercício? Ciente dos vários problemas, vamos aos resultados.

Como está tudo em logaritmos, o que temos aí é uma elasticidade-preço de -1.2 e uma elasticidade-renda de 0.61. Não, não saia por aí dizendo que acha este resultado supimpa. Vai soar velho, além de bobo, já que há muitos problemas nos dados.

Mas é divertido, não? Moral: se beber, não estime.

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Cerveja em casa x Cerveja fora de casa: edição pandemia

Exercício que gostava de fazer em sala de aula era a comparação dos números-índices de subitens do IPCA. Um deles, claro, refere-se ao título deste post.

Suponha que, na pandemia, a quantidade demandada (= ofertada), no equilíbrio, de cerveja em casa tenha aumentado mais que a de cerveja fora de casa. Isso pode ter acontecido por movimentos das curvas de demanda e oferta.

Um possível exemplo: a demanda de cerveja no supermercado aumentou mais que a demanda por cerveja nos bares, ceteris paribus as respectivas curvas de oferta. Ou isso aconteceu e as curvas de oferta não se deslocaram tanto (as de bares devem ter até recuado e as dos supermercados devem ter permanecido, em média, no mesmo lugar).

Bem, não sei como as curvas se deslocaram, mas olhando o índice relativo entre cerveja no domicílio e fora dele, o ano de 2020 apresenta um padrão misto para as regiões metropolitanas e também para o Brasil.

Belém, Recife e Salvador parecem ter apresentado um aumento relativo maior no preço da cerveja comprada em supermercados na maior parte do ano de 2020. Já Belo Horizonte, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza, Curitiba e Porto Alegre apresentam oscilações mais variadas ao longo do ano.

Eu não sei como funciona a coleta de preços do IBGE diante de fenômenos como as entregas em domicílio por aplicativos de celular mas, caso isso já esteja sendo computado, os movimentos de preços do IPCA acima podem ser considerados mais fidedignos do cenário atual do comércio em que os aplicativos têm sido usados com uma frequência maior nos últimos tempos.

Ainda pensando que os aplicativos de compra por celular estejam no cômputo do índice, então existe a possibilidade de os gráficos acima estejam nos dando algum indício – ainda que indireto – sobre a presença de pessoas nos bares durante a pandemia.

Ou pode ser que a coleta de dados tenha diminuído consideravelmente por conta do bares fechados em relação aos supermercados, o que causa um problema na coleta dos dados e complica um pouco mais a análise.

De qualquer modo, quando se considera um período mais longo, fica clara a tendência de longo prazo decrescente em quase todas as regiões metropolitanas com a marcante exceção de Belém. Em outras palavras, no longo prazo, o índice de preço relativo da cerveja do supermercado em relação à do boteco vem em queda.

Ah sim, excluí das análises a Grande Vitória porque seus dados começam um pouco depois de 2012, mas o leitor pode se divertir pesquisando toda a base lá na página do Banco de Dados Sidra, no website do IBGE.

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Call for papers: Special Issue of RSP in Honor of Jorge Vianna Monteiro

RSP special issue in honor of Jorge Vianna Monteiro

Professor Jorge Vianna Monteiro was the forerunner of research in Public Choice in Brazil. In his 1981 article, Economics of Public Sector Growth (Revista de Administração Pública, v.15, n.2, p.76-89) pioneered the dissemination of government analysis from this perspective.

In addition to this article, several books published, still at the time of the PNPE/IPEA program, helped to forge a vision, as James Buchanan would say, more realistic and less romantic of the government’s role.

During the 1990s, his periodic Macroeconomic Strategy letter was a regular presence in the mailbox of several researchers, economic analysts and policy makers. The analysis of the Brazilian economy was the subject of several books and academic articles published by him in the 2000s, shortly before he retired.

His influence as a disseminator of the theory of Public Choice in Brazil is recognized and RSP is proud to launch the call for this special edition in his honor.

We hope for submissions in the following topics: (a) Jorge Vianna Monteiro’s contribution in Public Choice analysis of Brazilian government; (b) theoretical or applied Public Choice analysis; (c) theoretical or applied Constitutional Political Economy analysis. Papers that deal with Brazilian issues would be especially appreciated.

It is important to note that, for this special edition, only submissions in English will be accepted. In addition, at the time of submission, the “Special Issue Public Choice” area must be chosen.

Submissions are now open. Articles will be accepted until May 31, 2021.

For further questions specifically regarding this issue: claudio dot shikida at enap dot gov dot br. (Portuguese non-speakers can count on me with any help through the submission process)

RSP: https://revista.enap.gov.br/index.php/RSP/announcement/view/33

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Descanse em paz, prof. Camps

Usei este ótimo artigo para estudar para a ANPEC. Ainda bem que o digitalizaram. Com o falecimento, pelo visto, ontem à noite do prof. Camps, guardarei a versão digital do artigo como lembrança.

Foi um ótimo professor de Macro I no doutorado do PPGE-UFRGS. Um destes professores que você não encontra mais, com vasta cultura (não apenas econômica), generoso e simpático.

Meu sábado ficou mais triste.

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Dez Melhores Livros de 2020

Não ordenarei por excelência, mas sim aleatoriamente (nome do autor entre parênteses, logo após o título).

  1. Poisoner in Chief (Stepehn Kinzer) – Conta a vida de um verdadeiro cientista louco que direcionou muito dinheiro do imposto do norte-americano para a duvidosa ideia de “controle mental”. Dizem que o livro exagera o lado obscuro da CIA e que é preciso notar que a concorrência soviética não era menos pior, mas não ninguém me indicou algum livro sobre os experimentos amalucados da KGB. Agradeço qualquer indicação neste sentido. ^_^
  2. Michael Landon – The Career and Artistry of a Television Genius (David R. Greenland) – pouca gente sabe, mas sou fã de “O homem que veio do céu” e “Os Pioneiros”. Landon não era só um ator ou um diretor, mas alguém que usou sua carreira para transmitir boas ideias às pessoas.
  3. John Woo: The Films (Kenneth Hall) – Nada como ler sobre a carreira de John Woo…tão boa até que ele conheceu Hollywood. Uma pena que não faça mais filmes como Bullet in the Head, A Better Tomorrow (I e II), Hard Boiled ou The Killer.
  4. The Shenzen Experiment: The Story of China’s Instant City (Juan Du) – Charter City é o tema do ano, para mim. Este livro não é apologético como a maioria do que leio por aí sobre Shenzen. Vale a leitura.
  5. Radicalization to Terrorism: What Everyone Needs to Know (Sophia Moskalenko e Clark McCauley) – um didático guia para uma literatura que acho importante demais para entender nem tanto o terrorismo, mas a radicalização. Passe um dia lendo o Twitter para ver como algumas pessoas trilham os caminhos da radicalização e você perceberá que o problema está mais próximo de você do que se imagina.
  6. Call Sign Chaos: Learning to Lead (Jim Mattis, Bing West) – a autobiografia de um dos militares mais carismáticos da era atual. Mattis chegou a servir no início da administração Trump, mas não durou muito tempo.
  7. Hitler was my friend: the memoirs of Hitler’s photographer (Heinrich Hoffmann) – um líder sanguinário visto sob uma ótica pouco usual. É um livro bem legal para se conhecer outros aspectos da vida de um dos piores anti-liberais do século XX.
  8. Your Next Government, from the nation state to stateless nations (Tom W. Bell) – outro livro cheio de ideias interessantes (relaciona-se ao 4o livro desta lista), que me fizeram pensar mais em jurisdições especiais, um tópico que me interessa cada vez mais.
  9. Análise Econômica do Processo Civil (Ivo Gico Jr) – Ivo é um amigo e um autor brilhante. Este livro chega em boa hora (este ano foi pródigo em livros de Law & Economics em língua portuguesa.
  10. Análise Econômica do Direito – temas contemporâneos (Luciana Yeung (org)) – Ok, eu não acabei de ler (e sou um dos autores em um capítulo), mas este eu indico para todos os interessados porque é um livro que avança vários temas novos nesta agenda de pesquisa na qual tenho tido a honra de contribuir marginalmente na última década (se eu tivesse começado a ler o Seinfeldia, de Jennifer K. Armstrong, ele estaria na lista…).

Ok, eu li pouco este ano. Só treze livros no Kindle e uns dois ou três físicos. Ano passado, meu Kindle me lembra, foram vinte e dois. Mas esta foi minha lista para o leitor (se é que sobrou algum) deste blog.

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Dissertação vs Tese

Em minha dissertação, o tema foi a emancipação de municípios em MG. Já, na tese, o foco foi em instituições e desenvolvimento econômico (com alguns capítulos focando na colonização portuguesa).

Olhando para mim mesmo em dois períodos, vejo…

Nuvem de palavras (as 50 mais usadas) da dissertação
Nuvem de palavras (as 50 mais usadas) da tese

Creio que há algo em comum aí, mas não encontrei ainda. ^_^