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Sobre como o governo quer diminuir seu acesso à informação (e atrapalhar sua evolução econômica)

Phillipe Berman deu a dica.

Trecho:

Enquanto aqui na selva os deputados tentam escolher o que você assiste na sua televisão a cabo, Robert Jensen e Emily Oster mostram como esse tipo de entretenimento e informação é benéfico em comunidades pobres e rurais.

Pronto. Agora é só esperar até que o governo consiga, novamente, diminuir as liberdades individuais. O preço disto? Bem alto, principalmente no longo prazo.

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Discurso de abertura do Encontro de Liberais que começa…hoje!

Por motivos pessoais – muito bons, diga-se de passagem – não pude ir ao encontro de liberais que começa hoje, em Brasília. Mas o Adolfo teve a bondade de reproduzir, no blog, o discurso de abertura. Segue:

Discurso de Abertura do Encontro de Pensadores Liberais: Mudar o Mundo

Mudar o mundo é fácil; difícil é mudá-lo na direção certa. Hitler, Stalin, e vários outros mudaram o mundo, mas não creio que o tornaram um local melhor. Todos eles eram movidos por nobres objetivos, e todos fracassaram. Eram movidos por ideais, acreditavam estarem fazendo o melhor para seu povo. Contudo, os conduziram para a fome, miséria e destruição. Ser movido por ideais nobres não basta para tornar o mundo um lugar melhor. Mais importante do que o fim visado é o meio utilizado. Não existe um fim digno de se almejar quando os meios para alcançá-lo são ilícitos. É neste ponto que fracassam todos os inimigos da sociedade aberta, se esquecem de que os fins NUNCA justificam os meios. O desrespeito pelos meios, objetivando um bem futuro, é uma característica comum aos maiores fascínoras da humanidade.

Um homem não deve matar seu vizinho para se apoderar de sua propriedade. De maneira semelhante, não é lícito a uma sociedade sacrificar parte de seus cidadãos em prol de outros. Mesmo que os sacrifícios sejam feitos por uma minoria, em vantagem de uma maioria, não é direito do Estado exigir mais de determinados grupos do que de outros. Tão logo o Estado desrespeite esse princípio básico encerra-se a democracia e começa-se a ditadura. Tão logo o governo passe a tomar medidas restritivas à minoria, para satisfazer um desejo das maiorias, encerra-se o respeito característico de um sistema democrático. Contudo, numa sociedade baseada no voto universal, como escapar da ditadura da maioria? Como evitar que, para perpetuarem-se no poder, governantes satisfaçam cada vez mais uma maioria à custa do desrespeito por uma minoria indefesa?

A pergunta acima já foi feita milhares de vezes por filósofos, cientistas políticos, economistas e intelectuais preocupados com o futuro da humanidade. Respostas foram dadas, nenhuma delas perfeita, e continuam ainda sendo propostas. Não almejo aqui resolver essa questão. Proponho apenas um subterfúgio, proponho uma pergunta mais simples: o que possibilitou que pessoas bem intencionadas tomassem decisões cruéis, injustas e ainda assim mantendo-se no poder? Como ideais tão nobres, como a felicidade geral, transformaram homens comuns em ditadores sanguinários? A resposta é simples: excesso de poder. O excesso de poder na mão de poucos homens é a maior causa de genocídios da história de nosso planeta.

A democracia não é um fim em si mesma. A democracia só é importante pois ela é um instrumento para garantir a liberdade individual. Mas a democracia só é efetiva para garantir a liberdade enquanto o poder do Estado for pequeno. Um regime democrático pode ser tão sanguinário quanto qualquer ditadura. Para tanto basta que o poder do Estado seja grande o suficiente. Um liberal compreende isso. Um liberal compreende que só estará a salvo da discricionaridade do Estado enquanto este permanecer pequeno. É por este motivo que um liberal é contra um Estado grande e influente. Nós liberais sabemos de todas as ineficiências econômicas geradas pela intervenção estatal. Mas nossa objeção contra um Estado grande não é econômica, é moral.

Animador. Animador.

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Dica para pesquisadores

Enquanto o governo destrói a vida de seus pesquisadores, lá no IPEA, eu me lembrava do que disse Jean-Laurent Rosenthal, numa de suas aulas lá na UCLA (google it, boy!): “a pesquisa tem que ser sua. Se for preciso, colete você mesmo os seus dados. Ou então você só fará pesquisas que o governo quer”. A idéia é simples: se você só depende de fontes oficiais para fazer pesquisa, você não tem uma pergunta, você é, sim, um mero reprodutor de idéias alheias. Claro, sempre é possível que você sinceramente goste de trabalhar com dados oficiais do mercado de trabalho, por exemplo. Mas muita gente, por preguiça ou falta de convicção mesmo, deixa de lado bons temas de pesquisa porque…teriam que coletar os próprios dados.

O que acontece no IPEA, claro, é mais grave. É dizer que pluralismo, cantado em verso e prosa pelos pterodoxos tipo H(eterodoxos), sempre foi uma mentira. E os pterodoxos tipo O(rtodoxos) ficam todos caladinhos ou acham que é normal que isto ocorra porque você tem um “modelo formal que gera uma proposição positiva compatível com o evento”. Ora, pitombas, sempre se pode fazer um modelo que gere uma proposição testável compatível com algum evento da realidade. Mas isto não significa que você deva bancar o espertinho e cruzar os braços.

Mas voltemos aos problemas menores, aqueles nos quais os pesquisadores ainda podem pesquisar seus temas livremente, com a independência que o verdadeiro pluralismo requer. Neste caso, há muita gente que, honestamente, procura fazer artigos mais sérios, sólidos, com metodologia decente, sem estas histórias estranhas de batuta ideológica que vemos no IPEA-fiel-ao-Mangabeira (onde está Dani Rodrik agora, com suas críticas ferinas? E Paul Krugman, o que diria disto?).

Para estes pesquisadores, eis a dica do dia.

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Ainda a Economia Política do IPEA

Sachsida conta mais detalhes:

Há muito tempo o IPEA vem contratando consultores heterodoxos. Há muito tempo a visão UNICAMP domina o IPEA. Isso não é fato recente. O que é recente é que agora esta visão está mais explícita. Mas vamos olhar para o passado: nos concursos públicos de 1995, 1996 e 1997 o pesquisador tinha que saber ao menos os manuais básicos de macroeconomia (Blanchard e Fisher ou Romer), microeconomia (Mas-Collel) e econometria (Green) para ser aprovado no concurso do IPEA. Desde então o formato do concurso para acesso ao IPEA mudou muito, favorecendo cada vez mais a corrente heterodoxa. O que os diretores anteriores fizeram para impedir isso? Quando fui aprovado para trabalhar no IPEA no concurso público de 1996, quase fui demitido na segunda fase do concurso por causa de minhas opiniões sempre liberais. Não me lembro de ter visto algum diretor do IPEA indignado com aquela perseguição. Já há algum tempo o IPEA Brasília NÃO PUBLICA textos para discussão em inglês. O que os diretores antigos fizeram contra esse absurdo? O IPEA apesar de ser um instituto de pesquisa NUNCA premiou pesquisadores que tivessem artigos publicados em periódicos científicos. O que os diretores antigos fizeram para sanar esse problema? O IPEA gastou razoável quantidade de recursos publicando o “livro do ano”. Publicação difícil de ser defendida em termos acadêmicos. O que os diretores anteriores fizeram para evitar ou minimizar isso? Em resumo, há muito tempo a visão dominante no IPEA é uma visão contrária ao liberalismo e ortodoxia. Muitos dos que estão reclamando agora são os mesmos que nada fizeram para impedir isso.

Vou ser bem claro: eu sou contra o que esta acontecendo no IPEA hoje. Mas o que esta acontecendo hoje começou há uns 10 anos atrás. Tenho alguns colegas no IPEA-Rio que tem reclamado muito, mas pergunto: o que o IPEA-Rio fez para evitar isso?

Perfeito o comentário: os próprios diretores cruzaram os braços e se deixaram levar pela gostosa rede macunaímica. Ou são muito distraídos. Ou gostam de apanhar.

A blogosfera tem reagido muito pouco a respeito. Mas há gente revoltada, como o ph ácido e o selva. O engraçado é que não há um único pio dos tais “movimentos sociais”. Nem ONG’s, nem UNE, nem CNBB, nada. É disto que é feito o poder dos tiranos: da conivência não só dos aliados, mas também dos democratas.

Vejamos os desdobramentos disto. Sinto dizer, mas a blogosfera que vê “Alckimin-e-Opus-Dei-juntos-embaixo-do-colchão” precisa parar de bancar a besta e pensar mais sobre o que tem ocorrido. Só porque eu não concordo com fulano ou beltrao, não quer dizer que não haja uma conspiração em curso. E uma conspiração feia, de má qualidade e que só ganha espaço quando a boa qualidade fica lá, paradinha, achando tudo lindo.

Mesmo dentro do jogo democrático – que é o que todo liberal defende – é muita passividade. É duro dizer isto porque admiro muita gente do antigo IPEA, mas, sim, a culpa é de vocês também, caras. A sorte é que, ao contrário de muita gente, vocês ainda conseguem uma temporada nos EUA ou uma transferência para outros órgãos do governo. Mas isto é hoje. Amanhã, como diria John Rawls, você pode estar do outro lado da distribuição não apenas econômica, de renda, mas também do jogo político. Judeus, em 1933, fizeram aposta similar. Uns ficaram, outros saíram. Deu no que deu.

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Os valores democráticos da esquerda brasileira

Lamarca é um herói para esta gente. Che Guevara também. E ai daquele que ousar fazer uma piadinha. Na democracia da esquerda brasileira, isto é motivo para uma fatwa. É por isto que eu vou comprar a continuação do grande livro da década dos 90, muito pouco lido nos cursos superiores nos quais os professores, lamentavelmente, preferem-se na posição em que Napoleão perdeu a guerra para seus algozes doutrinadores.

Obviamente, deve ser porque temos poucas livrarias por quilômetro quadrado no Brasil. ^_^

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Nova aquisição

Existe uma história interessante sobre um filósofo marxista, o tal Lukács, que teria se humilhado perante o altar dos bolivarianos da época da Guerra Fria. Coisas de socialismo real, como sabemos. Nunca tive o prazer de ler algum livro (aceito indicações) sobre os julgamentos forjados dos soviéticos e de seus capachos espalhados pela Europa Central nos anos de chumbo no qual muita gente foi torturada por defender o, digamos, “individualismo”.

De qualquer forma, um tema que me fascina desde sempre é esta relação do ser humano com as atrocidades. Como pode um sujeito com anos de estudo se transformar numa máquina de moer carne humana? Como é possível um pai de família se comprometer com o extermínio de milhares na Ucrânia – como fez Stalin – e depois de um banho de sangue sair por aí com sua motocicleta – como Guevara – sem a menor dor na consciência?

O mal, o ser humano e toda esta hipocrisia. O uso político da ciência ou o uso da ciência para o democídio. Sim, são várias faces da mesma moeda.

Por isto não resisti, hoje, na livraria. Na falta de mais livros sobre os assassinos comunistas, tenho que me contentar com seus primos nacional-socialistas. Verei se é ou não um bom livro. No mínimo será interessante ver o que Hess, Göring e o estúpido Schirach disseram ao psiquiatra Goldensohn. Será que o Filisteu tem dica de leitura neste caso? ^_^

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Totalitarismo de estrela rosa e amarela..há diferença?

Quantas vezes já ouvi dos amantes do totalitarismo tipo-S (socialistas) que eles eram absolutamente diferentes dos amantes do totalitarismo tipo-NF (nazi-fascista) porque os últimos se dedicaram a exterminar os judeus? Bem, um monte de vezes. E isto a despeito do livro de Alain Besançon, A Infelicidade do Século, no qual o autor faz a pergunta óbvia: por que os crimes dos tipo-S são menos condenados do que os do tipo-NF?

Pode ter a ver com a aliança de final de guerra entre os aliados e a ditadura marxista, a URSS, sem dúvida. Algo como: “quem brincou com Ribbentrop também pode brincar conosco”. Contudo, segundo Allen (2002), os nossos amigos nazistas, nos idos de 1937-8, isto é, antes da guerra, quando o negócio era exterminar a oposição, encheram os campos de concentração (você sabia que este tipo de campo é uma invenção soviética na qual Hitler se inspirou?) de não-judeus. Qual a diferença disto para o socialismo real da era soviética (e norte-coreana ou cubana atuais)? Nenhuma.

A não ser, claro, que você acredite que basta subir em uma motocicleta e sair por aí com uma arma nas cintura para legitimar um governo totalitário e não outro.

Ah sim, o livro é o The Business of Genocide – the SS, slave labor, and the concentration camps, de Michael T. Allen, Chapel Hill, 2002.