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Cultura, Terrorismo, Empreendedorismo e Economia: breves observações

“Cultura” já foi – e segue sendo, para muita gente – o sinônimo de uma conveniente desculpa para se justificar todos os males da humanidade, ou pelo menos de parte dela. Perdeu o emprego? Culpa da cultura portuguesa. Perdeu o bonde da história? Culpa da cultura judaico-cristã. Tá sem dinheiro? Culpa dos mercados. E assim por diante.

Para começo de conversa, qualquer um que pense um pouco no tema perceberá que a cultura não é um bloco de palavras congelado no tempo. A cultura do jovem brasileiro dos anos 2000 não é a mesma do jovem brasileiro de 1700, por exemplo.

Não é que não exista relevância para a “cultura” nas hipóteses que buscam explicar o desenvolvimento (ou as barreiras ao desenvolvimento) das sociedades humanas. Há sim. Aliás, a própria “cultura” (que propositalmente não foi definida aqui…) se confunde com traços genéticos, oriundos de grupos ancestrais em sua luta pela sobrevivência tanto quanto com os cuidados de uma mãe que pretende que sua filha cresça com valores de  sua mesma religião.

Algumas definições de cultura, aliás, estão neste ótimo texto da Virginia Postrel.

Here are a couple of useful definitions of culture:

    “a way of life of a group of people—the behaviors, beliefs, values, and symbols that they accept, generally without thinking about them, and that are passed along by communication and imitation from one generation to the next.”
    “the cumulative deposit of knowledge, experience, beliefs, values, attitudes, meanings, hierarchies, religion, notions of time, roles, spatial relations, concepts of the universe, and material objects and possessions acquired by a group of people in the course of generations through individual and group striving.”

Culture includes the topics newspapers put in their “culture” sections—arts and entertainment—and the rest of the newspaper as well. It encompasses how we think and behave. It determines who we trust or fear or censure. Culture shapes who we want to be and who believe we are. It is too important to be treated as an afterthought.

Desnecessário dizer que os desdobramentos disso são importantes. Por exemplo, nem todo terrorista é fruto de uma cultura islâmica. Há traços importantes que definem um terrorista, mas nada muito simplista como o que ouve por aí. Basta verificar os dados, por exemplo, para os EUA: boa parte dos terroristas são oriundos de uma “direita” radical (*).

Outro exemplo é o empreendedorismo. Sobel e co-autores (citados aqui) destacam a importância da liberdade econômica – um alegado fator “cultural” para muitos – para o empreendedorismo. Por sua vez, Galor e co-autores falam de um processo em que traços pró-empreendedorismo seriam fruto da complexa evolução humana. Finalmente, há quem encontre evidências da exposição à testosterona no período pré-natal na formação de traços empreendedores.

Neste último caso, aliás, percebe-se que as pesquisas avançam para uma direção em que a “cultura” já não pode mais ser tratada de uma única forma, seja em debates rasos ou em seminários de pesquisa. Para economistas, em particular, passou o tempo em que, justificadamente, recusava-se o simplismo de se usar a cultura como culpada por tudo (ao invés dos incentivos, como mostra, maravilhosamente, Zanella e co-autor neste artigo de história econômica comparada). Já podemos identificar a cultura – ou traços culturais – como incentivos em vários estudos mas o leitor deste blog já sabe disso…

(*) Radical mesmo. Não é como no Brasil em que alguém que leia Roger Scruton é rotulado de direita radical, o que, aliás, diz muito sobre o problema que muitos têm com o conceito de tolerância (aliás, sobre isso, ver este artigo e, claro, o que o motivou).

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Ideologia explica o apoio mútuo de grupos?

Substantively, our central finding is that ideology is an important determinant of alliance composition in the Syrian civil war. Groups that were ideologically similar cooperated more frequently than those who were ideologically dissimilar: according to our models, a one unit increase in ideological distance corresponds to about a 14 percent decrease in the likelihood of rebel tactical cooperation. Syrian groups in the middle of the ideological spectrum were willing to cooperate with groups at the end of the spectrum, but groups at the end of the ideological spectrum were less willing to cooperate with each other.

O estudo original está aqui.

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Novamente o terrorismo

Com tantos “especialistas” de fêiçibúki, talvez o gráfico abaixo nem faça tanta diferença assim, né?

terror_aha

De qualquer forma, ele está neste estudo recentíssimo do Cato Institute. O que temos? Bem, alguém poderá dizer que há uma mudança de tendência em 2009, no caso de ataques terroristas não-islâmicos, embora pareça haver algo similar no caso dos ataques islâmicos. A diferença de médias é gritante, mas eu ainda gostaria de ver o gráfico com as taxas de variação.

p.s. para quem gosta de análise de regressão, o apêndice tem lá um material para se divertir.

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Tudo pelo soci…digo…pelo terror

Um assunto pouco discutido e que a imprensa nacional divulgou recentemente foi o fato de o Brasil, após um ano de estudos, ter desistido do projeto de tipificar o terrorismo como crime na legislação penal. Com esta decisão, limita-se apenas a repudiá-lo, conforme consta no texto constitucional, mesmo após estimativas internacionais de que tais atos delituosos deverão recrudescer nos próximos anos. Entre os argumentos utilizados, o de que uma lei antiterror, entre outros aspectos, atingiria os movimentos sociais, notadamente em ações como invasões de hidrelétricas e barragens, determinados prédios públicos, terras da União e bloqueios de rodovias.

Leia todo o artigo. Agora, engraçado mesmo é o pessoal reconhecer que (vári)os movimentos “sociais” praticam atos, digamos, bem próximos aos atos que o caracterizariam como terrorismo. Ou seja, há uma nítida má vontade de se aplicar a lei apenas para favorecer um grupo aliado que adora atos humm…terrori..digo, sociais.

Se fosse um governo militar, claro, a choradeira seria incrível. Mas como é um governo de esquerda, só o partido nazista é que deve ser proibido ou vigiado. Terror, para muita gente, é permitido conforme a ideologia.

Péssima decisão tomada pela administração da Silva. Inquietante é que gente da alta burocracia se cale diante disto. O debate, mais do que nunca, é necessário. Se a esquerda governante e seus burocratas não desejam trazer a público a discussão de uma legislação sobre terrorismo (onde estão os fanáticos defensores dos “referendos” agora??), nós, da sociedade produtiva, podemos muito bem preencher este papel.

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Economia do Terrorismo

O Selva Brasilis hoje surtou – no bom sentido – e falou sobre terrorismo duas vezes. Nós fomos infectados pelo seu vírus. Eis aqui uma terceira notícia sobre o tema. Trecho:

An index company and a security advisory firm have teamed up to create a series of screened indexes to help investment plan sponsors meet “terror-free” investing goals as more states adopt these strategies.

OAS_RICH(“Middle”);FTSE Group, a London-headquartered global index company, and Conflict Security Advisory Group, an independent research provider based in Washington today signed an agreement to create The FTSE CSAG Terror-Free Index Series, scheduled for release in 2008.

Vejamos quantos alunos de Finanças se interessam pelo tema.

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11 de setembro: what makes a terrorist?

Hoje, 11 de setembro de 2007, faz 6 anos em que as “torres gêmeas” e o Pentágono foram atacados. 6 anos se passaram e a “economia dos terroristas” se desenvolveu (dê uma olhada nisso e nisso).

Mas você sabe o que torna uma pessoa terrorista?

A primeira resposta que vêm à cabeça é baixo nível de educação, pobreza e ser muçulmano. Então dê uma olhada nisso:

“poverty does not breed terrorism, once you look at the data.” Furthermore, I show that terrorists are more likely to be drawn from the ranks of the well-educated than they are from the uneducated and illiterate masses. And I find little evidence that terrorism is more prevalent among Muslim nations or nations with low GDP per capita and high infant mortality.

Ou seja, o que normalmente se pensa dos determinantes do terrorismo não é verdade.

Qual seria então os determinantes?
Da mesma fonte anterior:

What makes a terrorist, then, is someone with a fanatical commitment to pursuing a grievance combined with the perception that there are few alternatives available other than terrorism for pursuing that grievance – and a terrorist organisation or cell willing to deploy a would-be terrorist.

Interessante né?!

Num dia tão importante para a história da humanidade, as pessoas devem saber o que causou aquele pânico todo há 6 anos atrás. As “explicações populares” são mitigadas. Cabe a nós mostrar a verdade.