microeconomia · Teoria econômica

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Mais uma.

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ANAC · falhas de governo · modelo regulatório bolivariano · pterodoxia · regulação · Teoria econômica

O ocaso do modelo regulatório da administração da Silva?

Esta matéria mostra a importância de se ter gente competente criando incentivos em casos como o da regulação do setor aéreo. É bom ler e pensar sobre o que se faz neste país quando uma lei tem brechas. Mas há mais do que isto. Há uma discussão mais profunda sobre o próprio sentido da existência da ANAC tal como desenhada na administração do sr. da Silva.

Discutir isto envolve não apenas gente que saiba Economia, mas também Direito (e seus meandros nacionais e internacionais), conhecimento de Economia Política Não-Pterodoxa (i.e., não é repetir Marx, Kalecki ou, como está mais em moda, os “neo-schumpeterianos”. Nada disto, falamos de Buchanan, Tullock, Tabellini, enfim, gente como esta).

Mais ainda, não é apenas ter gente séria – e aí o modelo de nomear político que perdeu eleição é uma besteira…de quem nomeia – mas também saber que a própria regulação em si é, ainda, uma polêmica na teoria Econômica.

Isto é o mais irônico da história, sabe? Pterodoxos adoram justificar suas medidas de política econômica fantasiosas com o argumento de que “não é só a teoria X (X = mainstream, ortodoxa, neoclássica) que importa, mas sim a visão Y (Y = qualquer outra coisa que o sujeito pense ser a panacéia ou “o que Keynes realmente quis dizer”)”. Fazem-no quase com fervor religioso. Mas eles nunca aceitam o argumento da não-regulamentação avançado por um subconjunto de Y, os austríacos ou, sei lá, o bom e velho George Stigler. Nestas horas, claro, só existe a teoria Y que justifica seus empregos como consultores ou seus 5 minutos de fama na TV.

Fala-se muito de pluralismo entre os pterodoxos (cuja correlação com os apoiadores do sr. da Silva é mais ou menos de 0.9871), mas, na prática, como diziam eles mesmos, a teoria é outra. Enquanto isto, leitores desinformados continuam a ser apenas bucha de canhão das loucuras desta gente. Eu seria mais curioso em minhas leituras e mais inquisidor. Deve-se sair da armadilha da doutrinação dos ensinos básico e médio, que prega uma única visão de história como sendo a correta afim de avançar os interesses de uma parte da sociedade. Seja crítico que já ajuda. Se você se transformar num clone do sr. da Silva, digo eu, pelo menos foi por meio de estudo sério. Se perceber que não é por aí, poderá ou não concordar comigo. Mas não cairá no papo dos discursos fáceis…

macroeconomia · multiplicador keynesiano · Teoria econômica

Y = C + I + G

Guilherme fez um texto interessante sobre o multiplicador keynesiano. Reproduzo um trecho, com o link.

Um exemplo de uma teoria que se tornou um mito foi a idéia do “Multiplicador Keynesiano”. O leitor deste blog provavelmente já conhece essa teoria. O “gasto”, seja de consumo ou investimento, geraria um “efeito dominó” por toda a economia que teria um impacto maior sobre a renda do que o volume de gasto incial. Por trás disso, existe a idéia de que o gasto de uma pessoa é a renda de outra. Se um indivíduo tem 100 reais e gasta 80 na padaria, poupando os 20 reais restantes, o padeiro, passaria a ter 80 reais, que dos quais pouparia 16 reais e gastaria 64 no açougue, por exemplo. O açogueiro, por sua vez, poupa 12,8 e gasta 51,2 no alfaiate e assim sucessivamente. Diz-se que nessa situação o multiplicador é 5, ou seja, um gasto inicial de 100 causará um aumento na renda de 500 reais.

Essa idéia sempre me incomodou. Como que simplesmente gastar irá fazer a sua renda aumentar? Se pensarmos no nível do indivíduo, esse argumento parece uma tolice sem tamanho. Se eu quero aumentar meu poder aquisitivo (aumentar minha renda), eu tenho três opções: a primeira é arranjar um emprego que pague mais, ou seja, eu preciso realizar uma atividade na qual eu tenho um desempenho melhor. Uma atividade onde sou mais produtivo. A segunda opção seria a de poupar parte da minha renda e emprestá-la para alguém. Eu não preciso emprestar diretamente, pois posso fazê-lo através de um banco. Fazendo isso, no futuro, eu possuirei um poder aquisitivo maior. A terceira alternativa para aumentar meu poder aquisitivo é me endividar. Se eu quero consumir agora, eu posso pedir emprestado o dinheiro de alguém que está poupando. Essas são as únicas maneiras de aumentar minha renda. Nenhuma delas envolve “gasto”.

Eis aí uma boa pergunta. Eu também aprendi que este multiplicador era algo que funcionava e, quando fui para a matéria que tratava do Desenvolvimento Econômico…bem…o professor, um daqueles raivosos pterodoxos, disse, com todas as letras, que o modelo de Solow era uma bobagem porque neoclássico. Então, após mais alguns anos, sofrendo muito no mestrado e no doutorado, eu finalmente pude aprender sobre o Desenvolvimento. E aí, eu olhava para aquela propensão marginal a poupar e ficava pensando: mas como é que pode isto ser bom no longo prazo se é ruim no curto? Quem, em sã consciência, pouparia?

A explicação do Guilherme tem toda a cara de crítica austríaca (ele gosta destas coisas, rs rs), aliás, lembra muito as tentativas de Roger Garrison de trabalhar o modelo keynesiano básico com a idéia dos estágios de produção de Hayek (eis aí um livro realmente interessante de se ler, Time and Money).

Entretanto, não é preciso ser austríaco para se sentir incomodado com o multiplicador keynesiano. O que me parece um grande problema desta versão keynesiana de livro-texto é a falta de microfundamentação. Se você já tiver visto o livro (avançado) de Economia Monetária do Carl Walsh, verá lá o modelo IS-LM de Bernanke e Blinder. Se não me falha a memória, lá, o modelo ganha microfundamentação e a explicação do modelo tem muito mais sentido econômico. Quando Bernanke e Blinder recriam o IS-LM, incorporam o canal de crédito que permite ao banqueiro privado pensar em termos de custo de oportunidade entre diversos tipos de empréstimo.

É interessante e difícil pensar neste tipo de problema porque, sim, o multiplicador existe se as relações propostas por Keynes existem tal como ele as formulou, ou seja, é uma simples contabilidade de agregados. Mas basta pensar que a teoria precisa de especificação do comportamento dos agentes – para fazer sentido – e o multiplicador passa a fazer menos sentido.

Mais ainda: se você não sabe, digamos, como é tomada a decisão individual de poupar ou não (a boa e velha Equação de Slutsky…), você não sabe se o multiplicador calculado com os dados ultra-agregados realmente impacta a realidade no montante previsto.

Este texto do Guilherme me deu vontade de parar um pouco hoje e pensar em uma resposta crítica não-austríaca ao multiplicador. Bom texto, Guilherme. Talvez tenha aberto um debate interessante com os keynesianos fundamentalistas, com gente mais séria, mas não austríaca, e com nosso próprio aprendizado. Aliás, este é o maior inimigo de cada um: ele mesmo.

Inflação · Política monetária · Teoria econômica

Inflação

Isto aqui me lembra as coisas que o Homo Econometricum curte.

A propósito, uma discussão recente sobre regra de Taylor, nos EUA, bem interessante, é a do Frederick Mishkin, citada no blog do Mankiw.

Inflação nunca foi minha praia, mas há quem goste.

Claudio

p.s. vou assinar meu nome até que Ari, André e Fábio comecem a escrever aqui. Como cada um tem seu próprio “profile”, você, leitor, saberá quem é cada um facilmente. Eu, claro, sou o “claudio” (acabo de mudar…não preciso mais assinar! 🙂 ).

Teoria econômica

Falta um plebiscito sobre piscinas?

Eis um bom exemplo do que espera o leitor de Freakonomics: piscinas são mais perigosas do que armas para crianças com menos de três anos (registro gratuito). Vale a pena ler a entrevista. Levitt é um destes novos talentos que a gente tem de ler e pensar muito antes de criticar (ou seja, o cara é bom mesmo).

E você pode escrever diretamente para o autor usando o seu próprio blog. Um exemplo das discussões lá é este.

Claudio

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Teoria econômica

Sugestão de leitura para leigos que querem ser menos leigos no assunto

Vários já disseram que todo brasileiro se mete a técnico de futebol e economista. Bom, sobre o último caso eu posso falar um pouco. E o que mais me chama a atenção, neste caso, é que há muitas críticas incorretas e muitas pertinentes sobre como um economista faz economia.

A melhor leitura sobre o assunto é “The Secret Sins of Economics” de Deirdre McCloskey. Se eu pudesse obrigar todos os alunos de Economia do mundo a lerem este livro (em macroeconomês: “se eu fosse o planejador benevolente”), eu o faria. Como não posso, fica aqui o convite.

Na página indicada acima, você encontra o livro (que é bem pequeno) para download…de graça. Ah, claro, sobre a autora (antigo “autor”), veja esta matéria.

Claudio

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