Quando disserem, pejorativamente, a você que o Prêmio Nobel de Economia não é bem o Nobel…

…você já pode se sentir menos ofendido (ou não? Descubra lendo até o fim o artigo a seguir)  ^_^

Dynamite Regulations. The Explosives Industry, Regulatory Capture and the Swedish Government 1858-1948

Josefin Sabor, Lena Andersson-Skog

Abstract
In this article, we argue that the regulation of the explosives industry in Sweden between 1858 and 1948 can give a slightly different perspective on regulatory capture. In this case it was the upstart company, the Nobel Dynamite Company, and not the established explosives companies that in negotiation with the regulator succeeded in establishing new national regulations. Through three different cases we show that the method behind this successful capture was indirect and direct with a common trait of risk minimizing for the public that developed in cooperation with the regulator. 

O artigo é aberto e você pode obtê-lo sem pagar taxas.

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Mais um número da “Regulation”

Muita coisa interessante. Aí vai o sumário:

Features

Risk

Calculating the ‘Big Kill’ CDC estimates of smoking-related deaths do not add up. By Brad Rodu (PDF, 812K )

Health & Medicine

The Failure of U.S. Organ Procurement Policy “How many deaths will it take ‘til we know that too many people have died?” By T. Randolph Beard, John D. Jackson, and David L. Kaserman (PDF, 933K )

Defense

The Terrible ‘Ifs’ U.S. defense policymakers have adopted the precautionary principle. By Benjamin H. Friedman (PDF, 650K)

Corporate Governance

The Missing Link Between Insider Trading and Securities Fraud Stockholders always lose in a securities fraud class action. By Richard A. Booth (PDF, 502K)

Has the Pendulum Swung Too Far? Post-Enron responses to corporate crime have created a climate of fear for honest corporate officers. By Howard H. Chang and David S. Evans (PDF, 403K)

Property

Anti-Conservation Incentives The Endangered Species Act is endangering species. By Jonathan H. Adler (PDF, 500K)

The Property Rights Movement and Intellectual Property A response to Peter Menell. By Richard A. Epstein (PDF, 452K)

Intellectual Property and the Law of Land A reply to Richard Epstein. By Peter S. Menell (PDF, 276K)


For the Record

Trading, Taxes, Regulation, or OPEC?, by Jim Johnston | Cap this Discussion, by S. Fred Singer | Markets and Global Warming, by Klaus Lackner and Richard Wilson

Mercatus Reports

Private Securities Exchanges, by Houman B. Shadab | Transparency, by Mark Adams and Jerry Brito
Commentary: Big Banks, Not Small Businesses, Benefit from the SBA, by Veronique de Rugy


In Review

What Do Unions Do? — A Twenty-Year Perspective, reviewed by George C. Leef | Immigrants: Your Country Needs Them, reviewed by George C. Leef

Briefly Noted

Philadelphia Story, by Kay H. Jones | A Gene-Splicing Contrivance, by Henry I. Miller

Final Word

Water on the Brain, by Marni Soupcoff | A Regulatory Play in Two Acts, by Scott Wallsten.

Conseqüências do ativismo social irresponsável

Malaria is as old as mankind and still going strong, infecting hundreds of millions (and killing between one and three million) each year. A cure was known in 17th-century Europe. But because it was brought to the continent by Catholic missionaries (who actually learned of it from South American natives), many malaria sufferers, included Oliver Cromwell, thought the medicine was part of a “Popish plot” and refused to take it. Cromwell died of the disease in 1658. It took his death, and the subsequent curing of King Charles II, to shift public opinion in favor of “quinine,” as the anti-malaria agent is now called.A similar situation confronts us today. Mankind now has all the scientific and economic tools to virtually eradicate malaria. But some influential groups are refusing to sanction one of the most effective prevention measures. Here’s the twist: in 17th-century Europe, those who rejected quinine sacrificed their own lives. Today, those who block the proven anti-malaria insecticide DDT are mainly condemning poor children in Africa.

Leia tudo que é interessante. Esta do Cromwell eu não conhecia…

O ocaso do modelo regulatório da administração da Silva?

Esta matéria mostra a importância de se ter gente competente criando incentivos em casos como o da regulação do setor aéreo. É bom ler e pensar sobre o que se faz neste país quando uma lei tem brechas. Mas há mais do que isto. Há uma discussão mais profunda sobre o próprio sentido da existência da ANAC tal como desenhada na administração do sr. da Silva.

Discutir isto envolve não apenas gente que saiba Economia, mas também Direito (e seus meandros nacionais e internacionais), conhecimento de Economia Política Não-Pterodoxa (i.e., não é repetir Marx, Kalecki ou, como está mais em moda, os “neo-schumpeterianos”. Nada disto, falamos de Buchanan, Tullock, Tabellini, enfim, gente como esta).

Mais ainda, não é apenas ter gente séria – e aí o modelo de nomear político que perdeu eleição é uma besteira…de quem nomeia – mas também saber que a própria regulação em si é, ainda, uma polêmica na teoria Econômica.

Isto é o mais irônico da história, sabe? Pterodoxos adoram justificar suas medidas de política econômica fantasiosas com o argumento de que “não é só a teoria X (X = mainstream, ortodoxa, neoclássica) que importa, mas sim a visão Y (Y = qualquer outra coisa que o sujeito pense ser a panacéia ou “o que Keynes realmente quis dizer”)”. Fazem-no quase com fervor religioso. Mas eles nunca aceitam o argumento da não-regulamentação avançado por um subconjunto de Y, os austríacos ou, sei lá, o bom e velho George Stigler. Nestas horas, claro, só existe a teoria Y que justifica seus empregos como consultores ou seus 5 minutos de fama na TV.

Fala-se muito de pluralismo entre os pterodoxos (cuja correlação com os apoiadores do sr. da Silva é mais ou menos de 0.9871), mas, na prática, como diziam eles mesmos, a teoria é outra. Enquanto isto, leitores desinformados continuam a ser apenas bucha de canhão das loucuras desta gente. Eu seria mais curioso em minhas leituras e mais inquisidor. Deve-se sair da armadilha da doutrinação dos ensinos básico e médio, que prega uma única visão de história como sendo a correta afim de avançar os interesses de uma parte da sociedade. Seja crítico que já ajuda. Se você se transformar num clone do sr. da Silva, digo eu, pelo menos foi por meio de estudo sério. Se perceber que não é por aí, poderá ou não concordar comigo. Mas não cairá no papo dos discursos fáceis…

Regulação

A cultura da regulação é muito pouco desenvolvida no Brasil. Uma evidência óbvia: não existe, aqui, uma revista como esta. Aliás, o último número parece bem interessante. Reproduzo o índice:

Cover Story

Neither Renewable Nor Reliable Increased dependence on ethanol would place the United States at the mercy of a highly volatile energy source. By James Eaves and Stephen Eaves. (PDF, 621K )

Features

Defense

Should We Bring Back the Draft? Is the All-Volunteer Force a “mercenary army”? By Walter Y. Oi. (PDF, 663K )

Telecommunications & Technology

Antecedents to Net Neutrality After the long fight to end the “common carrier,” why are we trying to resurrect it? By Bruce M. Owen. (PDF, 397K )

Environment

Combating Global Warming Is taxation or cap-and-trade the better strategy for reducing greenhouse emissions? By Ian W.H. Parry and William A. Pizer. (PDF, 580K )

Insurance

Facing Mother Nature New laws and policies in the wake of Hurricane Katrina seem intended to scapegoat insurance companies rather than protect the public. By Martin F. Grace and Robert W. Klein. (PDF, 754K )

Research & Development

Intellectual Property and the Property Rights Movement Should intellectual property be accorded the same protections as tangible property? By Peter S. Menell. (PDF, 445K )

Corporate Governance

‘Left Behind’ after Sarbanes-Oxley Could Sarbanes-Oxley discourage honest corporate officers and entice dishonest ones? By Craig S. Lerner and Moin A. Yahya. (PDF, 691K )

The Divergence of U.S. and UK Takeover Regulation Who writes the rules for hostile takeovers, and why? By John Armour and David A. Skeel, Jr. (PDF, 575K )


For the Record

Shareholders vs. Managers. By James D. Heiple (PDF, 301K )

Mercatus Reports

Executive Order 13422 | Regulators’ Budget | Commentary: Considering Net Neutrality by Joseph A. Rotondi. (PDF, 415K )

Ainda o escândalo do leite

Um leitor deste blog fez um comentário indignado sobre as externalidades negativas causadas por esta gente. Vale a reprodução integral:

Fico impressionado com a falência dos órgãos públicos em cumprir com sua responsabilidade. O ministério da agricultura possui laboratórios para analisar alimentos, a ANVISA deveria fazer o papel de vigilância, enfim, no caso do leite há muito tempo que se observam abusos e que mostra que nada se faz a respeito.
A ANVISA ontem me causou espanto a declaração de uma infeliz que está ocupando um posto lá, pois afirmou que a única coisa certa é de que ninguém vai morrer por causa disto. Bem, partindo de uma pessoa normal, mostraria a ignorância no assunto, porém partindo de alguém que está “ocupando” um cargo de responsabilidade mostra o grau de ignorância e estupidez, pois vigilancia sanitária não pressupõe somente cuidar daquilo que mata e sim da integridade sanitária de qualquer produto e principalmente de evitar riscos à população. Adicionar soda caustica e agua oxigenada para matar bacterias e prolongar o leite longa vida é crime, pois não é necessário em empresas idoneas esta prática. Quantas pessoas passaram a ter problemas gastricos em função disto e sequer sabem o motivo, pior é que a sabedoria popular manda tomar “um copo de leite” pois é bom para o estomago.
Fico chateado em saber que não estamos somente tendo o apagão aéreo, o da dengue, o das estradas, o da educação, fico chateado em descobrir que estamos à mercê de tudo, sem que o estado cumpra o seu papel que não é somente o de arrecadar impostos e sim zelar pelo bem estar coletivo.
Infelizmente isto é o BRASIL

Eis uma boa pergunta: se pessoas passaram a ter problemas por conta disto, quem pagará a conta? Haverá tratamento para todas as pessoas que, comprovadamente, passaram a ter sua saúde afetada por conta da adulteração? Se sim, quem pagará e como? Mais do que um interesse teórico, creio que é uma questão humana bem séria.

Claro, a questão da regulação mal feita me faz perguntar outra coisa: com tantos apelos por parte de pterodoxos e porta-vozes do pensamento bolivariano (todos no governo?) que dizem que nosso governo é raquítico porque, ahn…, o gasto público por quilômetro quadrado é um dos menores do mundo, por que a ANVISA não detectou isto antes? Não há esta desculpa de “é tudo feito por amostragem”. Basta fazer a amostragem bem feita. Mais ainda: o governo vem crescendo initerruptamente há dois mandatos presidenciais, pelo menos. Não falta gente. Há muita gente no governo. Concursos públicos para agências regulatórias? Passe na banca mais próxima de sua casa e confira: o governo contrata sem parar. Não, gente, nenhum lugar do mundo tem 100% da PEA empregada no Estado. Minto, há Cuba e a Coréia do Norte, modelos bolivarianos perfeitos. Só que, lá, é bem possível que a adulteração de produtos tenha se tornado norma pública…

Ligações perigosas

O discurso “social”, a cada dia, perde um pouco de sua máscara. Veja só esta:

Catorze dos 51 gerentes de unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMAs) da capital paulista, todos funcionários públicos, recebem um salário complementar de entidades parceiras sem fins lucrativos que eles deveriam fiscalizar.

Daí a importância de um modelo regulatório sério. Quem fiscalizará os fiscalizadores? Se levarmos este raciocínio ao absurdo, não teremos solução. Logo, você precisa formatar os incentivos.

Ah sim, é previsível que todo grupo de interesse se organize (as ONGs têm a ABONG) e, claro, veremos nos próximos dias algumas discretas queixas contra o “poder da grande imprensa”, como se um jornal pequeno fosse sinônimo de “imparcialidade”. A cabeça deste pessoal funciona assim: “se eu edito um boletim e divulgo, sou muito mais crível do que o grande jornal”. Como se o Brasil só tivesse ladrão rico. Sacou?

Ontem me contaram uma história ótima. Em Belo Horizonte havia uma peça de teatro e os sujeitos garantiram vagas porque contrataram um serviço privado. A prefeitura de Belo Horizonte proibiu e deixou todos na mão, porque afirmou que o serviço privado prejudicava o serviço dos “guardadores voluntários de carros”, os mesmos que, sem uma moedinha, podem arranhar o seu carro com – pelo visto – a complacência da prefeitura.

Este é o discurso “social”, sem máscaras. E é por isto que de “social” eu nada tenho e nunca terei.

Poder de monopólio

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) rejeitou hoje a proposta de acordo do shopping Iguatemi pela qual este eliminaria uma das duas cláusulas dos contratos que mantém com lojistas como forma de superar disputas com outros shoppings de São Paulo. Uma das cláusulas que desagradam os concorrentes é a de exclusividade total do lojista com o Iguatemi, e a outra é a exigência de que o empresário não abra nenhuma loja da mesma rede em um raio de dois quilômetros de distância do shopping.

Leia mais aqui.

Como você pode ver, aquela história do livro-texto sobre a existência de substitutos próximos e a relação disto com a definição prática de monopólio não é papo furado.

Agora, só para pensar: se o sujeito abre uma loja no shopping, porque abriria uma outra em menos de dois quilômetros? Talvez a discriminação de preços seja atrativa, mas o que me deixa pensativo são os dois quilômetros. Por que não três quilômetros? Comentários?