brasil · economia · Política fiscal

Sexo, dinheiro e a obesidade estatal

Comece a ler:

Robert Solow, Prêmio Nobel de Economia, disse certa vez, referindo-se a Milton Friedman: “Tudo para Milton o lembra da oferta de moeda. Já para mim tudo lembra sexo, mas, pelo menos, eu tento mantê-lo fora dos meus artigos”. Também tenho minhas obsessões e, entre as publicáveis, a questão fiscal no Brasil ocupa lugar de honra. Digo isto a propósito de dados recentemente publicados pelo Banco Mundial acerca da comparação entre diferentes países. A imprensa local deu ênfase à posição do Brasil como a décima maior economia do mundo, mas não prestou muita atenção a outro conjunto de dados, bem menos lisonjeiro, que destaca o elevado nível de gasto público no país.

Continue aqui.

Anúncios
Economia do Setor Público · economia política · Política fiscal

A política fiscal do desastre

O governo Lula se iniciou com o ministro Palocci alardeando que o governo brasileiro gastava muito e gastava mal. Isto é verdade, mas ao longo do governo Lula a qualidade da política fiscal somente piorou. O Brasil tem uma política fiscal pró-cíclica, e o crescimento acelerado dos gastos públicos vem merecendo os aplausos do presidente da República, que em recente entrevista afirmou que “a época do arrocho acabou”. Um cínico diria que isto não tem importância, porque os superávits primários vêm produzindo a queda da relação dívida/PIB, mas quem vem suportando o maior peso dessa queda são os Estados e municípios, e não o governo federal, cuja dívida líquida vem crescendo em relação ao PIB, mostrando que seus superávits primários deveriam ser maiores, e não menores. A outra razão para esse comportamento foi apontada por Claudio Haddad (Valor 19/11/2007), quando analisou o comportamento do déficit público “acima e abaixo da linha”: o governo central vem dando implicitamente subsídios nos repasses do FAT ao BNDES e elevando os custos da dívida com a esterilização da acumulação de reservas.

Leia tudo.

Economia Internacional · Política fiscal · Política monetária

Pergunta para você, estudante de Economia

As notícias nos EUA e no Brasil parecem sair de mundos distintos. Nos EUA, o ambiente de crise financeira está tornando os economistas cada vez mais preocupados com o risco de recessão (ou pelo menos desaceleração). No Brasil, na contramão, o governo baseia seu orçamento em receitas cada vez maiores, para financiar gastos crescentes. E o 3º Congresso do PT, partido do governo, em vez de delinear as reformas que considera necessárias para sustentar um crescimento sustentado, prioriza a revisão do que deu certo no passado: a privatização da Companhia Vale do Rio Doce. Será possível conciliar esses dois mundos no futuro? Provavelmente, não, mesmo que o Brasil não seja afetado por uma eventual desaceleração da economia norte-americana.

A pergunta é do Ilan. Serei justo. O presidente da Silva elogiou o falecido ditador Vargas outro dia. Não é de hoje que ele elogia ditadores (mas Pinochet, coitado, não aparece nunca em seus discursos, vai ver tem ditadura boa e ruim…). Na verdade, há muito mais tempo, ainda no primeiro mandato, ele elogiou Geisel.

A impressão que dá é que os antigos críticos do regime militar estão seguindo o mesmo caminho dos gestores da economia da época dos choques do petróleo. Vá lá que os bancos centrais, graças às teorias econômicas atuais (que os mesmos antigos críticos – atuais gestors – repudiavam), hoje são melhores na gestão econômica. Mas isto pode não ser suficiente…