antitruste · Organização Industrial · startups

Startups e antitruste

Questão interessante sobre startups e política antitruste.

Should there be limits on startup acquisitions by dominant firms? Efficiency requires that startups sell their technology to the right incumbents, that they develop the right technology, and that they invest the right amount in R&D. In a model of differentiated oligopoly, we show distortions along all three margins if there are no limits on startup acquisition. Leading incumbents make acquisitions partially to keep lagging incumbents from catching up technologically. When startups can choose what technology they invent, they are biased toward inventions which improve the leader’s technology rather than those which help the laggard incumbent catch up. Further, upon obtaining a pure monopoly, the leading incumbent’s marginal willingness to pay for new technologies falls abruptly, diminishing private returns on future innovations. We consider antitrust measures that could help to mitigate these problems.

bolivarianismo · Capital Humano · Organização Industrial · socialismo real · software livre

“Software” livre, o discurso bolivariano da esquerda brasileira e nós

Por coincidência dois bons blogs comentaram sobre este tema que, sim, eu já critiquei um bocado aqui. Laurini, estou com você. Aliás, diz o nosso grande econometrista:

Sábado, Dezembro 29, 2007

DRM e Linux

O DRM é demoníaco”, diz o especialista em software livre Jon “Maddog” Hall Desde muito tempo atrás eu me interesso pela chamada “economia do software” livre (e mais ainda por software livre). Ao contrário de muita gente eu sempre acreditei que software livre e proprietário poderiam subsistir, com modelos de negócio e objetivos diferentes. Um bom exemplo disso é a recente colaboração entre a Insightfull, que comercializa o S-Plus, e os produtores do software R. O R se tornou o software padrão em pesquisa estatística, por dois motivos principais – é livre, sólido e permite reproduzir os resultados de outros pesquisadores. Estes 3 fatos são fundamentais em pesquisa científica, e o terceiro é o mais importante de todos.
Mas o ponto que me interessa nesse artigo é o seguinte comentário “Contudo, é preciso criar um “ecossistema de software”. Aqui no Brasil houve um grande interesse governamental, em especial em governos ligados ao PT, pelo uso de software livre. O grande motivo dessa atração era uma mistura de uma visão de “socialismo” e ódio as empresas de software, e uma certa propaganda de redução de custos. Embora a redução de custos de operação seja significativa em grande parte dos casos, essa visão deturpada do software livre é extremamente perigosa, em primeiro lugar porque é falsa. A visão de que os programadores de software livre são “socialistas” e doam seu trabalho para a sociedade por nobres ideais é em geral falsa. As duas principais motivações dos programadores de software livre são a possibilidade de interação com melhores códigos e programadores, e em especial interesses de carreira. Uma análise destas motivações está no artigo “The Simple Economics of Open Source”, Josh Lerner e Jean Tirole, Journal of Industrial Economics. A maioria dos programadores que eu conheço é radicalmente pró-capitalista. E outro ponto contra esta visão é que o desenvolvimento de software livre é em muitos casos bancado por grandes empresas como a IBM ou a Sun.
O que me irritava nesta propaganda da adoção de software livre no brasil era o extremo oportunismo – basicamente se usava o software livre para tarefas simples como produtos de escritório, e a grande vantagem que era a possibilidade de melhor desenvolvimento técnico era simplesmente ignorada. As salas de software livre no brasil são basicamente pontos de acesso a internet, e não representam nenhuma possibilidade de desenvolvimento de software livre ou subsídio a produção de capital humano.
Era o velho oportunismo do PT em ação apenas.
O que eu gostaria de ver era ver parte do dinheiro economizado em software proprietário usado para a formação de capital humano, e quem faz isso não é o governo diretamente, e sim as grandes empresas que investem em laboratórios em associação com as universidades, como o novo laboratório bancado pela IBM na Unicamp.

posted by Márcio Laurini at 2:23 AM

O outro comentário é do Organization and Markets, e está aqui. Como se vê, há muito mais entre o céu e a terra do que supõem nossos estúpidos políticos e pseudo-cientistas (todos, todos preocupados apenas em fazer sua cabecinha…). Em um país no qual a moçada cai em golpes bobos, fica difícil explicar que “1+1 = 2” o tempo todo. Mas não é um problema do Brasil apenas. Pense nas palavras pichadas nesta universidade pelos narco-terroristas da FARC (membros do tal Fóro de São Paulo, dentre outros) .

Deixando de lado este nojo ideológico (em termos intelectuais, sociais ou humanitários) que é o discurso bolivariano, a economia da tecnologia segue como um dos temas mais interessantes da economia, como demonstrado pela própria carreira do grande Hal Varian (veja seu livro sobre economia da informação aqui).

comida japonesa · Globalização · Organização Industrial

Organização Industrial…na prática

Eis a notícia.

Trechos:

BUSINESS has been so brisk that customers who want to eat at the Raffles Terrace in Tokyo has to book a table two days in advance.

And Raffles Terrace has only just opened for business – two months ago, to be precise.

(…)

According to Ms Loh, breaking into the Japanese market and doing business there hasn’t been all that difficult for O B.

‘We are fortunate that there isn’t a main competitor yet, so we have the first mover advantage.’

Another factor in its favour is that Raffles Terrace in Japan is a franchised operation, according to industry observers. It may have been a different story if O B had made a direct entry and set up its own outlet.

Ms Loh admits that despite the initial advantage Raffles Terrace enjoys, O B has to work at sustaining it.

‘The market is very competitive and we cannot be complacent,’ she says. ‘We continuously better ourselves to retain and expand our market share.’

(…)

O B was started in 1998 ‘in the thick’ of the Asian crisis, when its founders Ricky Chew and Lambert Yeo took advantage of the relatively low property prices to set up business offering Mediterranean seafood dining concept.

(…)

Questões:

1. O que é “first mover advantage”?

2. Como você explicaria a estratégia empresarial da firma em termos da elasticidade da demanda?

3. Franchising e lucratividade: qual a relação deste binômio com a assimetria informacional? (E sobre que assimetria estamos falando? Informações sobre o que, exatamente?)

Mais sugestões de perguntas?

Organização Industrial

Quanto vale um charutão? Pergunte a George Stigler

George Stigler é um falecido – e sagaz – economista que me ensinou mais com seus livros do que muita pterodoxia na faculdade. Uma das lições que ficaram na história do pensamento econômico (aposto que seu professor não ensina nada dele, né?) é a tal “teoria da captura”.

Em resumo, Stigler desconfiava da captura das agências reguladoras pelos regulados. Tanto isto é importante que qualquer agência séria (sob um governo sério) tem várias restrições sobre os “presentes” que os reguladores podem ganhar dos regulados (sejam eles dois bezerros, uma Land Rover ou algo similar).

Aí, depois desta rápida aulinha, eu vou no blog da Tia Cris e leio:

“A conselheira Denise Abreu, por exemplo, é irmã de Olten Ayres de Abreu Júnior. O que faz Olten? Adivinhou quem respondeu que ele presta serviços à TAM — que se mobilizou, diga-se, em favor da nomeação de irmã. Josef Barat, também diretor da Anac, é dono da Planam Consult, empresa privada que já prestou consultoria à TAM e à Gol.”

É o tipo da coisa que não me alegra, embora Stigler possa estar rindo de mim lá no céu.

Claudio

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Organização Industrial

Batistas, Samurais e Mulheres


Fonte: CDJapan

O desenho aí em cima tem um episódio genial que certamente causaria sentimentos confusos numa feminista tipo 1 (aquela que adora se parecer com a visão estereotipada de uma feminista, certamente bem diferente de uma Wendy McElroy). Por que?

1. A samurai mulher adora sakê.
2. Ela encontra um entreposto no qual as pessoas são proibidas de vender /comprar sakê porque dizem que é uma bebida maligna. A pobreza do lugar se reflete na paisagem: um povoado de casas destruídas.
3. O cara que proíbe (a autoridade pública local) lucra com isto vendendo sakê de baixa qualidade.
4. Ao descobrir a trama, a samurai saca sua espada (o que incentiva crianças à violência, o que é um argumento, no mínimo, complicado) e acaba com o bando de monopolistas.

Além de me agradar por não ser politicamente correto, há um paralelo importante deste episódio (que não foi financiado pela inexistente indústria de armas japonesa) com um clássico artigo de Escolha Pública, de Bruce Yandle, sobre como a regulação econômica pode surgir a partir de interesses distintos (“Baptists and Bootleggers”). Numa versão adaptada à discussão sobre regulação ambiental, há, inclusive, este artigo.

De qualquer forma, o desenho é fortemente recomendável e pode ser visto no canal ANIMAX, com o nome de “Ran, The Samurai Girl”. 🙂

Claudio

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Organização Industrial

Pontualidade brasileira

O DAC possui várias estatísticas interessantes sobre o setor aéreo. Uma delas é o índice de pontualidade. Se você é daqueles que sofre no aeroporto, eis sua chance de descobrir o quanto seu companheiro de sala de espera está pior ou melhor que você.

Para ver a evolução do índice em 2004, clique aqui. A fonte dos dados (e a tabela) você encontra no DAC.

Primeira lição: nem sempre pontualidade é sinônimo de bons resultados financeiros…

Claudio

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