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iPhone e a discriminação de preços

Cada dia que passa enxergo mais exemplos do que vemos em sala de aula no cotidiano. Quem fala que economia é uma ciência puramente teórico, não sabe a besteira que está falando.

O exemplo de hoje é o caso da Apple, que reduziu ontem (terça) o preço do iPhone em 200 dólares. Por que que adotaram  tal medida? Resposta óbvia: porque esperam lucrar mais com isso. Vamos à explicação. Lembra da sua aula de introdução à micro? Pois bem, a explicação disso tudo está nas palavras do seu professor.

A Apple é monopolista do iPhone. Como não existe substituto (quase) perfeito para o iPhone (o aparelho é fantástico; as fotos são de qualidade altíssima e você navega na internet como se estivesse em um computador; além de ser um celular), a Apple pode escolher o preço que maximizará seu lucro. Mas qual seria esse preço? Se ela escolher um preço muito alto, como fez inicialmente ($599), poucas pessoas iriam comprar o produto. Se escolher um preço muito baixo, muitas pessoas estariam dispostas a pagar um pouco mais pelo produto, e a companhia perderia assim oportunidade de lucrar mais. O que fazer então?

Aham! Aí você lembra do caso do monopolista descriminador de preços: aquele que extrai todo o excedente possível, aquele que seu lucro é  o máximo possível. Mas como que a Apple fez isso?

 

Gráfico - discriminação de preço

Fácil. Ela estabeleceu um preço inicial considerado alto (p1). Aqueles pessoas que “fariam de tudo” por um iPhone foram lá e compraram o aparelho e ficaram muito felizes. A Apple também ($$) (área vermelha, supondo custo =0). Como já se passaram 3 meses após o lançamento, o número de pessoas dispostas a pagar $599 (p1) diminuiu bastante.

Para continuar vendendo bem , a empresa apenas diminui o preço (p2). Com novo preço, muitos novos consumidores irão comprar o produto, pois seu preço de reserva (valor máximo que estão dispostos a pagar por um bem/serviço) é maior ou igual ao novo preço.

Sendo assim, a Apple espera vender mais e extrair um lucro maior (área vermelha + azul) que se adotasse somente um preço e por isso o faz.

Eu disse espera? Sim. Escolhas dos agentes são baseadas em expectativas (racionais), mas isso é assunto para outro post.

Acho que fui claro o suficiente nas explicação. E aí, o que acham?

 

microeconomia · monopólio · regulação

Poder de monopólio

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) rejeitou hoje a proposta de acordo do shopping Iguatemi pela qual este eliminaria uma das duas cláusulas dos contratos que mantém com lojistas como forma de superar disputas com outros shoppings de São Paulo. Uma das cláusulas que desagradam os concorrentes é a de exclusividade total do lojista com o Iguatemi, e a outra é a exigência de que o empresário não abra nenhuma loja da mesma rede em um raio de dois quilômetros de distância do shopping.

Leia mais aqui.

Como você pode ver, aquela história do livro-texto sobre a existência de substitutos próximos e a relação disto com a definição prática de monopólio não é papo furado.

Agora, só para pensar: se o sujeito abre uma loja no shopping, porque abriria uma outra em menos de dois quilômetros? Talvez a discriminação de preços seja atrativa, mas o que me deixa pensativo são os dois quilômetros. Por que não três quilômetros? Comentários?