macroeconomia

Renda disponível

O pessoal do IFI nos traz novas estimativas, o que é ótimo. Desta vez, uma proxy para a renda disponível das famílias. Infelizmente, no relatório, não há um link direto para a base de dados, mas imagino que esteja lá no site deles.

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Econometria · função de produção · macroeconomia · microeconomia

Mais artigos interessantes (você que acabou de estudar Econometria…vai gostar)

A Brief History of Production FunctionsS. K. MISHRA
North-Eastern Hill University (NEHU) October 9, 2007
Abstract:
This paper gives an outline of evolution of the concept and econometrics of production function, which was one of the central apparatus of neo-classical economics. It shows how the famous Cobb-Douglas production function was indeed invented by von Thunen and Wicksell, how the CES production function was formulated, how the elasticity of substitution was made a variable and finally how Sato’s function incorporated biased technical changes. It covers almost all specifications proposed during 1950-1975, and further the LINEX production functions and incorporation of energy as an input. The paper is divided into (1) single product functions, (2) joint product functions, and (3) aggregate production functions. It also discusses the ‘capital controversy’ and its impacts.
Keywords: Production function, Cobb-Douglas, CES, Transcendental, translog, Zellner-Revankar, VES, Bruno, Kadiyala, Diewert, Kummel, Mundlak, Engineering, Kmenta, McCarthy, Fare, Mitchell, Multi-output, joint product, Data Envelopment, Household, Humbug, Cambridge capital controversy

JEL Classifications: B13, B21, B23, C13, D24, D33, E25

Working Paper Series

brasil · conjuntura econômica · macroeconomia

Conseqüências práticas do bolivarianismo

Se de um lado o governo Lula teve juízo suficiente para prosseguir na rota delineada no governo FHC, de outro, todos os demais países emergentes também abandonaram políticas macroeconômicas irresponsáveis (Venezuela e Bolívia são exceções que confirmam a regra geral).

Muito além do discurso, o prof. Pastore explica um pouco sobre a crise mundial (crise?) e a responsabilidade de se adotar políticas fiscais não-bolivarianas ou, o que dá no mesmo, não-populistas. Atente para o final do texto, no qual há um alerta importante para os eternos otimistas.

Eu apenas acrescentaria uma informação: nossa política fiscal “responsável” tem duas caras. Uma, interessante, que é a de mostrar ao investidor estrangeiro um equilíbrio razoável nas contas. Outro, cruel no médio e no longo prazo, é o do microfundamento deste ajuste, baseado numa inacreditável política de aumento dos gastos públicos federais sustentado por aumentos na carga tributária. No longo prazo, claro, todos estaremos mortos…por conta do governo. Keynes tinha razão, mas pelos motivos errados.

Economia Brasileira · falácias econômicas · macroeconomia

Desmistificando as falácias econômicas

Alex Schwartzman é o melhor na arte de destroçar as falácias econômicas da grande mídia (e de alguns blogs, claro). Veja-se este novo exemplo:

An argument that has been floated recently, to the point of meriting the dubious honor of being officially dismissed in the Copom minutes, is that the increase in foodstuff prices would have an effect on Brazilian consumption similar to the increase in oil prices in US consumption, namely that it would work as a “tax” on consumers, reducing demand, hence inflation. Whereas, as I said, committee members downplayed (correctly) the argument, the minutes did not bother to explain why the argument does not make much sense (and, mind you, I am attempting to be polite here). In light of that, I believe that going into more detail might be helpful.

Gostou? Leia o resto então.

macroeconomia · multiplicador keynesiano · Teoria econômica

Y = C + I + G

Guilherme fez um texto interessante sobre o multiplicador keynesiano. Reproduzo um trecho, com o link.

Um exemplo de uma teoria que se tornou um mito foi a idéia do “Multiplicador Keynesiano”. O leitor deste blog provavelmente já conhece essa teoria. O “gasto”, seja de consumo ou investimento, geraria um “efeito dominó” por toda a economia que teria um impacto maior sobre a renda do que o volume de gasto incial. Por trás disso, existe a idéia de que o gasto de uma pessoa é a renda de outra. Se um indivíduo tem 100 reais e gasta 80 na padaria, poupando os 20 reais restantes, o padeiro, passaria a ter 80 reais, que dos quais pouparia 16 reais e gastaria 64 no açougue, por exemplo. O açogueiro, por sua vez, poupa 12,8 e gasta 51,2 no alfaiate e assim sucessivamente. Diz-se que nessa situação o multiplicador é 5, ou seja, um gasto inicial de 100 causará um aumento na renda de 500 reais.

Essa idéia sempre me incomodou. Como que simplesmente gastar irá fazer a sua renda aumentar? Se pensarmos no nível do indivíduo, esse argumento parece uma tolice sem tamanho. Se eu quero aumentar meu poder aquisitivo (aumentar minha renda), eu tenho três opções: a primeira é arranjar um emprego que pague mais, ou seja, eu preciso realizar uma atividade na qual eu tenho um desempenho melhor. Uma atividade onde sou mais produtivo. A segunda opção seria a de poupar parte da minha renda e emprestá-la para alguém. Eu não preciso emprestar diretamente, pois posso fazê-lo através de um banco. Fazendo isso, no futuro, eu possuirei um poder aquisitivo maior. A terceira alternativa para aumentar meu poder aquisitivo é me endividar. Se eu quero consumir agora, eu posso pedir emprestado o dinheiro de alguém que está poupando. Essas são as únicas maneiras de aumentar minha renda. Nenhuma delas envolve “gasto”.

Eis aí uma boa pergunta. Eu também aprendi que este multiplicador era algo que funcionava e, quando fui para a matéria que tratava do Desenvolvimento Econômico…bem…o professor, um daqueles raivosos pterodoxos, disse, com todas as letras, que o modelo de Solow era uma bobagem porque neoclássico. Então, após mais alguns anos, sofrendo muito no mestrado e no doutorado, eu finalmente pude aprender sobre o Desenvolvimento. E aí, eu olhava para aquela propensão marginal a poupar e ficava pensando: mas como é que pode isto ser bom no longo prazo se é ruim no curto? Quem, em sã consciência, pouparia?

A explicação do Guilherme tem toda a cara de crítica austríaca (ele gosta destas coisas, rs rs), aliás, lembra muito as tentativas de Roger Garrison de trabalhar o modelo keynesiano básico com a idéia dos estágios de produção de Hayek (eis aí um livro realmente interessante de se ler, Time and Money).

Entretanto, não é preciso ser austríaco para se sentir incomodado com o multiplicador keynesiano. O que me parece um grande problema desta versão keynesiana de livro-texto é a falta de microfundamentação. Se você já tiver visto o livro (avançado) de Economia Monetária do Carl Walsh, verá lá o modelo IS-LM de Bernanke e Blinder. Se não me falha a memória, lá, o modelo ganha microfundamentação e a explicação do modelo tem muito mais sentido econômico. Quando Bernanke e Blinder recriam o IS-LM, incorporam o canal de crédito que permite ao banqueiro privado pensar em termos de custo de oportunidade entre diversos tipos de empréstimo.

É interessante e difícil pensar neste tipo de problema porque, sim, o multiplicador existe se as relações propostas por Keynes existem tal como ele as formulou, ou seja, é uma simples contabilidade de agregados. Mas basta pensar que a teoria precisa de especificação do comportamento dos agentes – para fazer sentido – e o multiplicador passa a fazer menos sentido.

Mais ainda: se você não sabe, digamos, como é tomada a decisão individual de poupar ou não (a boa e velha Equação de Slutsky…), você não sabe se o multiplicador calculado com os dados ultra-agregados realmente impacta a realidade no montante previsto.

Este texto do Guilherme me deu vontade de parar um pouco hoje e pensar em uma resposta crítica não-austríaca ao multiplicador. Bom texto, Guilherme. Talvez tenha aberto um debate interessante com os keynesianos fundamentalistas, com gente mais séria, mas não austríaca, e com nosso próprio aprendizado. Aliás, este é o maior inimigo de cada um: ele mesmo.