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Coexistências possíveis?

The role of ignorance in the emergence of redistribution – Anke Gerbera, Andreas Nicklisch,Stefan Voigt

Abstract

Our study investigates the emergence of redistribution societies when individuals vote on distribution rules with their feet. The choice of a distribution rule is a strategic decision since individuals differ in the productivity of their investments and hence total income depends on the types of individuals who have chosen the same distribution rule. In our laboratory experiment, we find that, compared to full information, the amount of redistribution increases if individuals face uncertainty about their productivity at the time they choose a distribution rule. Moreover, we find a coexistence of libertarian and redistributive societies as well as imperfect segregation for all degrees of uncertainty, so that heterogeneous redistribution societies turn out to be sustainable throughout.

Parece que sim.

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hayek · liberalismo · não-liberalismo · sociologia

Como está a tolerância com a liberdade de expressão em nossas universidades?

O sociólogo aí acima é alguém que não vejo muito citado por aqui, por nossos sociólogos de gabinete…ou por nossos jornalistas que, aliás, hoje divulgaram uma suposta tendência à polarização da sociedade brasileira que seria preocupante. Uma tendência ao radicalismo que parece ser o resultado de uma miríade de fatores e, aposto eu, um deles, a falta de hábito de lidar com a diversidade (um hábito muito incentivado por quase 15 anos no país, por gente que pouco tinha (tem) de valores democráticos “em seu DNA”).

Parece-me que, quando você se esforça muito para calar vozes discordantes, uma virada de mesa no jogo do poder faz com que aqueles que sofreram passem a desejar aplicar a mesma repressão aos seus antigos algozes. O rancor gerado não deve ser desprezado…

Mas o início do vídeo me faz pensar no que vejo por aqui. Não é comum ver pessoas com camisas, digamos, do Bolsonaro nas universidades (e quando aparecem, surgem estranhas acusações de fascismo, etc). Será que a liberdade de expressão está sendo respeitada, praticada e incentivada no Brasil? Existe uma pesquisa séria (ou seja, com método científico, dados, aplicação honesta de métodos quantitativos) sobre o tema por aqui?

A propósito, a pesquisa é do Ipsos (mas não encontrei nada no site).

 

economia das drogas · Economia do Crime · liberalismo

“Você não é um liberal por inteiro se…” – não me importa. Dados e ciência, sim.

Há quem diga que se você defende, por exemplo, o direito da posse de armas, mas não o aborto, então você não é um liberal por inteiro. Isso pode incomodar amantes de opiniões totalitárias (no sentido de que você deve ser praticamente um religioso em termos de ideologias), mas o fato é que isso não importa muito se você tem certos critérios para formar opinião.

Veja por exemplo o caso da maconha. Conforme este artigo:

Thus, marijuana may generate about 62% more abuse and dependence per current user than alcohol does. If one focuses on just the more serious diagnosis of dependence, a little over 14% of past-month marijuana users meet the criterion for dependence, compared to only a bit under 6% of past-month alcohol users — meaning that marijuana appears to generate not just 62% but 133% more dependence per current user than alcohol.

Para mim, inclusive, isso está de acordo com minha percepção. Diante disto, eu defenderei a liberação do consumo de maconha de forma acrítica e irrestrita? Como pesquisador, não.

No mínimo, precisamos de mais estudos.

“Mas então você não é 100% liberal”. Quem lhe disse que o acordo total com as pautas que você diz ser as liberais é o critério? Algumas pessoas – amigos próximos, inclusive – ficaram incomodadas com o “liberal na economia, mas conservador nos costumes” durante as eleições. Subitamente, pessoas que se diziam isentas, que defendiam a ideia de que devemos olhar para as evidências científicas antes de aprovarmos esta ou aquela proposta, animadas com a campanha eleitoral, resolveram criticar o João Amoêdo por conta desta frase.

Passadas as eleições, ao debaterem a posse de armas, subitamente, vários liberais (“de coração”) passaram à posição de “conservadores” (“não devemos liberar as armas assim, veja bem, devemos olhar os dados”). Não julgo, mas aponto esta contradição. Ressalto: não há nada demais em ser liberal apenas em tópicos específicos (pode ser na economia ou nos “costumes”, não importa). O ponto é se você tem um critério.

Caso seu critério seja científico, o debate fará mais sentido do que se ele for religioso/doutrinário apenas. No caso da maconha, aliás, com os dados acima apenas, eu não seria tão otimista quanto ao benefício líquido social de sua liberação. Precisamos de: (a) mais teoria sobre o mercado de drogas e, (b) mais evidências empíricas.

Enquanto isso, sigo cético quanto ao benefício social da liberação das drogas e, claro, aberto aos estudos de boa qualidade teórica e empírica. Posso mudar de ideia, mas não será porque você quer que eu seja “liberal nos costumes” só porque…você quer.

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“Quem não deve, não teme”

Este é um ditado muito mal utilizado no Brasil. Normalmente os políticos, estes que escondem suas orgias em mansões e seus mensalões, usam-no para criar leis que, supostamente, visam combater a corrupção. Marcelo Soares presta um grande trabalho ao divulgar, portanto, esta notícia. Vou até reproduzir um trecho:

A ONG européia Privacy International acaba de lançar seu atlas do respeito à privacidade no mundo.

A questão é um dos lados da grande moeda da sociedade da informação: como balancear um nível cada vez maior de informação, o que permite fiscalizar melhor o poder e o crime, com a proteção da intimidade dos cidadãos, que está exposta geralmente aos mesmos mecanismos. Pense por exemplo no caso da perda de um CD governamental com dados bancários de uma grande parte da população inglesa, por exemplo.

O Brasil ficou na classificação vermelha, que significa “falha sistêmica em garantir as salvaguardas” à privacidade. O país está entre os piores do mundo em dois quesitos: garantia da privacidade e vigilância de dados médicos, financeiros e movimentos.

Vai lá ler tudo, cara!

bolivarianismo · comunismo · liberalismo · socialismo real

Quem são os corcundas?

Em prol do nacionalismo na língua portuguesa, adotarei, para a esquerda bolivariana, o alternativo “corcunda”, para respeitar as tradições históricas “deste país”. Obrigado, Diogo, pela aula de história do Brasil.

Os oponentes dos liberais brasileiros eram apelidados de “corcundas”, referência à atitude de prostração perante a Coroa. Mudaram os déspotas, mas permanece o despotismo. Os “corcundas” de hoje querem submeter o povo brasileiro aos caprichos de um partido político. Acusam os dissidentes de golpismo, de inimigos do povo e da democracia. Mas, como lembrava Bonifácio, “os homens de bem não servem à Pátria associando-se a um mau sistema, antes a servem roubando a este sistema a sua preponderância e autoridade.” Os protestos nas ruas não se opõem às instituições democráticas. Os brasileiros querem preservar a democracia, denunciando aqueles que tentam usá-la como instrumento para o autoritarismo.

blogosfera · Blogs de economia · liberalismo

Sou paleo e sou feliz

De Gustibus non est Disputandum – Trata-se de um dos paleo-blogueiros mais persistentes que se pode ver por aí. É recomendável lê-lo principalmente para se ter acesso às boas referências dadas de bandeja pelo autor. Para quem tem interesse em economia, principalmente pela de matiz liberal austríaco, está aí uma excelente e “clássica” pedida.

Quem disse isto foi o Ética Política. Curioasmente, embora eu goste dos austríacos e seja liberal, não sou um economista austríaco. Mas, ok, talvez ele esteja falando do Ari, do Pedro, ou do André…rsrsrs.

brasil · Cultura · liberalismo · regionalismo

Cultura goela abaixo nos olhos dos outros…

O que você acha de Universidades Estaduais cobrarem em seus respectivos vestibulares conhecimentos regionais? Isto é, imagine um aluno paulista indo prestar vestibular em Santa Catarina, deveria ele ser obrigado a conhecer a história de Santa Catarina? Acredito que a maioria das pessoas irá responder que não. Afinal, um aluno paulista não aprende sobre a história de Santa Catarina no segundo grau. Contudo, um aluno catarinense aprende sobre a história de seu estado. Assim, incluir no vestibular questões referentes a história de uma região beneficia alunos locais em detrimento dos que provém de outros estados.

Se é errado incluir questões regionais no vestibular, então por que somos obrigados a ler obras de escritores brasileiros? Alguns responderão que temos que ler escritores nacionais para conhecer e valorizar a cultura de nossa região. Mas se valorizar a cultura de uma região é lícito, então qual é o problema em se perguntar questões regionais no vestibular? Incluir questões sobre escritores nacionais no vestibular é tão bairrista quanto incluir questões sobre a história de uma região. Afinal, não seria melhor que aos alunos fossem indicados os MELHORES livros e autores independente da nacionalidade? Por que nossos alunos devem ter seus conhecimentos restritos a autores nacionais? Qual é o mal em ser educado no que de melhor a humanidade produziu em termos de literatura?

Continue a leitura aqui.

Cultura · Desenvolvimento econômico · história econômica · liberalismo

Quem são os conservadores no Brasil?

Ainda sobre o mesmo texto sobre o qual eu falava…

As Veliz comments, “the cultural tradition of the Spanish-speaking peoples … proved unresponsive … to industrial capitalism” and their governments often sought to repress the market forces for change. Socialism, progressivism, and other collectivist ideologies in this sense were not a force for modernization—as many of their leading advocates preached—but a conservative movement to limit the extremely rapid pace of social transformation that capitalism was bringing about. Reflecting a fear of an unknown market-driven future, those peoples in Spain and Latin America whose values were shaped by a Spanish colonial history “appear to be sheltered (imprisoned?) by a magnificent past, unable to come to terms with a disappointing present,” reflecting a Spanish Catholic culture that for centuries manifested “an overriding affection for persons rather than a respect for things; a reluctance to sever the cords of the safety net; … a distrust of novelty and, generally, a sturdy disinclination to step outside the dependable protection of the dome, even in this, our own century of modernity” [Veliz 1994:201, 202].

Pense no seguinte: o discurso católico atual na América Latina é um discurso conservador, no sentido citado acima? Eu aposto que sua resposta é “sim, e muito”. Este é um desafio não apenas para o batalhão de militantes que se dizem qualquer coisa menos conservadores, mas também para uma vertente de liberais que pensa ser liberalismo um sinônimo do catolicismo (quando não falam de alguma suposta não-separabilidade entre ambos).

A questão da sua fé em Deus é, exclusivamente, sua. Não há dúvida quanto a isto. Agora, se a doutrina católica, tal qual transplantada para a América Latina produz algum efeito sobre a atitude média do latino-americano em relação ao funcionamento dos mercados é uma outra questão completamente diferente e, talvez, mais importante do que uma reles discussão sobre Deus, Marx ou Darwin. Pelo menos no que diz respeito ao desenvolvimento econômico.