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“Você não é um liberal por inteiro se…” – não me importa. Dados e ciência, sim.

Há quem diga que se você defende, por exemplo, o direito da posse de armas, mas não o aborto, então você não é um liberal por inteiro. Isso pode incomodar amantes de opiniões totalitárias (no sentido de que você deve ser praticamente um religioso em termos de ideologias), mas o fato é que isso não importa muito se você tem certos critérios para formar opinião.

Veja por exemplo o caso da maconha. Conforme este artigo:

Thus, marijuana may generate about 62% more abuse and dependence per current user than alcohol does. If one focuses on just the more serious diagnosis of dependence, a little over 14% of past-month marijuana users meet the criterion for dependence, compared to only a bit under 6% of past-month alcohol users — meaning that marijuana appears to generate not just 62% but 133% more dependence per current user than alcohol.

Para mim, inclusive, isso está de acordo com minha percepção. Diante disto, eu defenderei a liberação do consumo de maconha de forma acrítica e irrestrita? Como pesquisador, não.

No mínimo, precisamos de mais estudos.

“Mas então você não é 100% liberal”. Quem lhe disse que o acordo total com as pautas que você diz ser as liberais é o critério? Algumas pessoas – amigos próximos, inclusive – ficaram incomodadas com o “liberal na economia, mas conservador nos costumes” durante as eleições. Subitamente, pessoas que se diziam isentas, que defendiam a ideia de que devemos olhar para as evidências científicas antes de aprovarmos esta ou aquela proposta, animadas com a campanha eleitoral, resolveram criticar o João Amoêdo por conta desta frase.

Passadas as eleições, ao debaterem a posse de armas, subitamente, vários liberais (“de coração”) passaram à posição de “conservadores” (“não devemos liberar as armas assim, veja bem, devemos olhar os dados”). Não julgo, mas aponto esta contradição. Ressalto: não há nada demais em ser liberal apenas em tópicos específicos (pode ser na economia ou nos “costumes”, não importa). O ponto é se você tem um critério.

Caso seu critério seja científico, o debate fará mais sentido do que se ele for religioso/doutrinário apenas. No caso da maconha, aliás, com os dados acima apenas, eu não seria tão otimista quanto ao benefício líquido social de sua liberação. Precisamos de: (a) mais teoria sobre o mercado de drogas e, (b) mais evidências empíricas.

Enquanto isso, sigo cético quanto ao benefício social da liberação das drogas e, claro, aberto aos estudos de boa qualidade teórica e empírica. Posso mudar de ideia, mas não será porque você quer que eu seja “liberal nos costumes” só porque…você quer.

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“Quem não deve, não teme”

Este é um ditado muito mal utilizado no Brasil. Normalmente os políticos, estes que escondem suas orgias em mansões e seus mensalões, usam-no para criar leis que, supostamente, visam combater a corrupção. Marcelo Soares presta um grande trabalho ao divulgar, portanto, esta notícia. Vou até reproduzir um trecho:

A ONG européia Privacy International acaba de lançar seu atlas do respeito à privacidade no mundo.

A questão é um dos lados da grande moeda da sociedade da informação: como balancear um nível cada vez maior de informação, o que permite fiscalizar melhor o poder e o crime, com a proteção da intimidade dos cidadãos, que está exposta geralmente aos mesmos mecanismos. Pense por exemplo no caso da perda de um CD governamental com dados bancários de uma grande parte da população inglesa, por exemplo.

O Brasil ficou na classificação vermelha, que significa “falha sistêmica em garantir as salvaguardas” à privacidade. O país está entre os piores do mundo em dois quesitos: garantia da privacidade e vigilância de dados médicos, financeiros e movimentos.

Vai lá ler tudo, cara!

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Quem são os corcundas?

Em prol do nacionalismo na língua portuguesa, adotarei, para a esquerda bolivariana, o alternativo “corcunda”, para respeitar as tradições históricas “deste país”. Obrigado, Diogo, pela aula de história do Brasil.

Os oponentes dos liberais brasileiros eram apelidados de “corcundas”, referência à atitude de prostração perante a Coroa. Mudaram os déspotas, mas permanece o despotismo. Os “corcundas” de hoje querem submeter o povo brasileiro aos caprichos de um partido político. Acusam os dissidentes de golpismo, de inimigos do povo e da democracia. Mas, como lembrava Bonifácio, “os homens de bem não servem à Pátria associando-se a um mau sistema, antes a servem roubando a este sistema a sua preponderância e autoridade.” Os protestos nas ruas não se opõem às instituições democráticas. Os brasileiros querem preservar a democracia, denunciando aqueles que tentam usá-la como instrumento para o autoritarismo.

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Sou paleo e sou feliz

De Gustibus non est Disputandum – Trata-se de um dos paleo-blogueiros mais persistentes que se pode ver por aí. É recomendável lê-lo principalmente para se ter acesso às boas referências dadas de bandeja pelo autor. Para quem tem interesse em economia, principalmente pela de matiz liberal austríaco, está aí uma excelente e “clássica” pedida.

Quem disse isto foi o Ética Política. Curioasmente, embora eu goste dos austríacos e seja liberal, não sou um economista austríaco. Mas, ok, talvez ele esteja falando do Ari, do Pedro, ou do André…rsrsrs.

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Cultura goela abaixo nos olhos dos outros…

O que você acha de Universidades Estaduais cobrarem em seus respectivos vestibulares conhecimentos regionais? Isto é, imagine um aluno paulista indo prestar vestibular em Santa Catarina, deveria ele ser obrigado a conhecer a história de Santa Catarina? Acredito que a maioria das pessoas irá responder que não. Afinal, um aluno paulista não aprende sobre a história de Santa Catarina no segundo grau. Contudo, um aluno catarinense aprende sobre a história de seu estado. Assim, incluir no vestibular questões referentes a história de uma região beneficia alunos locais em detrimento dos que provém de outros estados.

Se é errado incluir questões regionais no vestibular, então por que somos obrigados a ler obras de escritores brasileiros? Alguns responderão que temos que ler escritores nacionais para conhecer e valorizar a cultura de nossa região. Mas se valorizar a cultura de uma região é lícito, então qual é o problema em se perguntar questões regionais no vestibular? Incluir questões sobre escritores nacionais no vestibular é tão bairrista quanto incluir questões sobre a história de uma região. Afinal, não seria melhor que aos alunos fossem indicados os MELHORES livros e autores independente da nacionalidade? Por que nossos alunos devem ter seus conhecimentos restritos a autores nacionais? Qual é o mal em ser educado no que de melhor a humanidade produziu em termos de literatura?

Continue a leitura aqui.

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Quem são os conservadores no Brasil?

Ainda sobre o mesmo texto sobre o qual eu falava…

As Veliz comments, “the cultural tradition of the Spanish-speaking peoples … proved unresponsive … to industrial capitalism” and their governments often sought to repress the market forces for change. Socialism, progressivism, and other collectivist ideologies in this sense were not a force for modernization—as many of their leading advocates preached—but a conservative movement to limit the extremely rapid pace of social transformation that capitalism was bringing about. Reflecting a fear of an unknown market-driven future, those peoples in Spain and Latin America whose values were shaped by a Spanish colonial history “appear to be sheltered (imprisoned?) by a magnificent past, unable to come to terms with a disappointing present,” reflecting a Spanish Catholic culture that for centuries manifested “an overriding affection for persons rather than a respect for things; a reluctance to sever the cords of the safety net; … a distrust of novelty and, generally, a sturdy disinclination to step outside the dependable protection of the dome, even in this, our own century of modernity” [Veliz 1994:201, 202].

Pense no seguinte: o discurso católico atual na América Latina é um discurso conservador, no sentido citado acima? Eu aposto que sua resposta é “sim, e muito”. Este é um desafio não apenas para o batalhão de militantes que se dizem qualquer coisa menos conservadores, mas também para uma vertente de liberais que pensa ser liberalismo um sinônimo do catolicismo (quando não falam de alguma suposta não-separabilidade entre ambos).

A questão da sua fé em Deus é, exclusivamente, sua. Não há dúvida quanto a isto. Agora, se a doutrina católica, tal qual transplantada para a América Latina produz algum efeito sobre a atitude média do latino-americano em relação ao funcionamento dos mercados é uma outra questão completamente diferente e, talvez, mais importante do que uma reles discussão sobre Deus, Marx ou Darwin. Pelo menos no que diz respeito ao desenvolvimento econômico.

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Discurso de abertura do Encontro de Liberais que começa…hoje!

Por motivos pessoais – muito bons, diga-se de passagem – não pude ir ao encontro de liberais que começa hoje, em Brasília. Mas o Adolfo teve a bondade de reproduzir, no blog, o discurso de abertura. Segue:

Discurso de Abertura do Encontro de Pensadores Liberais: Mudar o Mundo

Mudar o mundo é fácil; difícil é mudá-lo na direção certa. Hitler, Stalin, e vários outros mudaram o mundo, mas não creio que o tornaram um local melhor. Todos eles eram movidos por nobres objetivos, e todos fracassaram. Eram movidos por ideais, acreditavam estarem fazendo o melhor para seu povo. Contudo, os conduziram para a fome, miséria e destruição. Ser movido por ideais nobres não basta para tornar o mundo um lugar melhor. Mais importante do que o fim visado é o meio utilizado. Não existe um fim digno de se almejar quando os meios para alcançá-lo são ilícitos. É neste ponto que fracassam todos os inimigos da sociedade aberta, se esquecem de que os fins NUNCA justificam os meios. O desrespeito pelos meios, objetivando um bem futuro, é uma característica comum aos maiores fascínoras da humanidade.

Um homem não deve matar seu vizinho para se apoderar de sua propriedade. De maneira semelhante, não é lícito a uma sociedade sacrificar parte de seus cidadãos em prol de outros. Mesmo que os sacrifícios sejam feitos por uma minoria, em vantagem de uma maioria, não é direito do Estado exigir mais de determinados grupos do que de outros. Tão logo o Estado desrespeite esse princípio básico encerra-se a democracia e começa-se a ditadura. Tão logo o governo passe a tomar medidas restritivas à minoria, para satisfazer um desejo das maiorias, encerra-se o respeito característico de um sistema democrático. Contudo, numa sociedade baseada no voto universal, como escapar da ditadura da maioria? Como evitar que, para perpetuarem-se no poder, governantes satisfaçam cada vez mais uma maioria à custa do desrespeito por uma minoria indefesa?

A pergunta acima já foi feita milhares de vezes por filósofos, cientistas políticos, economistas e intelectuais preocupados com o futuro da humanidade. Respostas foram dadas, nenhuma delas perfeita, e continuam ainda sendo propostas. Não almejo aqui resolver essa questão. Proponho apenas um subterfúgio, proponho uma pergunta mais simples: o que possibilitou que pessoas bem intencionadas tomassem decisões cruéis, injustas e ainda assim mantendo-se no poder? Como ideais tão nobres, como a felicidade geral, transformaram homens comuns em ditadores sanguinários? A resposta é simples: excesso de poder. O excesso de poder na mão de poucos homens é a maior causa de genocídios da história de nosso planeta.

A democracia não é um fim em si mesma. A democracia só é importante pois ela é um instrumento para garantir a liberdade individual. Mas a democracia só é efetiva para garantir a liberdade enquanto o poder do Estado for pequeno. Um regime democrático pode ser tão sanguinário quanto qualquer ditadura. Para tanto basta que o poder do Estado seja grande o suficiente. Um liberal compreende isso. Um liberal compreende que só estará a salvo da discricionaridade do Estado enquanto este permanecer pequeno. É por este motivo que um liberal é contra um Estado grande e influente. Nós liberais sabemos de todas as ineficiências econômicas geradas pela intervenção estatal. Mas nossa objeção contra um Estado grande não é econômica, é moral.

Animador. Animador.

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Sábado sensacional em Brasília (reproduzido na íntegra)

ENCONTRO LIBERAL – Programação

Programação do Encontro de Pensadores Liberais:

Data: 01 e 02 de dezembro de 2007 (sábado e domingo)
Local: Universidade Católica de Brasília, campus II (ASA NORTE – SGAN 916)

01/12/2007 – Sábado:

12:00 – 13:00 horas: Inscrição no local do evento (gratuita).
As inscrições também podem ser feitas pela internet, para tanto basta enviar um e-mail para: sachsida@hotmail.com. Qualquer dúvida ligue para (61) 8459-0343.

MESAS REDONDAS
13:00 às 14:45: Idéias Liberais para o sistema educacional
14:45 às 15:00: Intervalo
15:00 às 16:45: Idéias Liberais para o sistema de saúde
16:45 às 17:00: Intervalo
17:00 às 18:45: Idéias Liberais para a previdência
20:00 horas: Confraternização

02/12/2007 – Domingo:
9:00 às 10:45: Palestra com o Prof. Dr. Nelson Lehmann
“Fundamentos Liberais nas obras de Platão, Aristóteles e Santo Agostinho”
10:45 às 11:00: Intervalo

DEBATE
11:00 às 12:45: Quais deveriam ser os fundamentos de um PARTIDO LIBERAL?
13:00 horas: Encerramento.

O formato do encontro foi definido para contemplar uma ampla gama de assuntos e minimizar custos de participação. Assim, interessados em participar do Encontro que residam fora de Brasília terão que arcar com apenas 1 (uma) diária de hotel.

Aos residentes fora de Brasília que necessitem de hospedagem, por favor entrem em contato comigo pelo e-mail: sachsida@hotmail.com. Eu tentarei conseguir preços promocionais junto aos hotéis da cidade. Também estou providenciando transporte para os que chegarem de fora de Brasília. Apenas me enviem um e-mail informando o horário de chegada e providenciarei o transporte até o hotel e até o local do encontro.

Isso é tudo que eu posso fazer, sei que não é muito. Mas conto com vocês, principalmente para ouvir suas idéias e sugestões. Sei por experiência própria o quão cansados estamos de falarmos sozinhos, essa é nossa chance de nos organizarmos, essa é nossa chance de trocarmos idéias e experiências com pessoas que pensam como nós. Pessoas que defendem a liberdade individual – a liberdade de escolha, o livre arbítrio – como valores máximos de nossa existência.

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Falácia econômica: o falso dilema entre liberdade e segurança

Outro dia falei aqui sobre a besteira que é supor que existe um trade-off entre liberdade e segurança. Bem, não é que Robert Higgs, também já citado aqui, várias vezes, lançará um livro explicando isto aos incautos? Vejamos um trecho da sinopse do novo livro:

Synopsis

“Those who would give up essential Liberty, to purchase a little temporary Safety, deserve neither Liberty nor Safety,” wrote Benjamin Franklin. Attempting to gain security by sacrificing liberty is also a foolish action, some would add, because it only increases the potential for harm.

In Neither Liberty nor Safety: Fear, Ideology, and the Growth of Government, economist and historian Robert Higgs illustrates the false trade-off between freedom and security by showing how the U.S. government’s economic and military interventions reduced the civil and economic liberties, prosperity, and genuine security of Americans in the 20th century. Extending the theme of Higgs’s earlier books, Neither Liberty nor Safety stresses the role of misguided ideas in the expansion of government power at the expense of individual liberty. Higgs illuminates not only many underappreciated aspects of the Great Depression, the two world wars, and the postwar era, but also the government’s manipulation of public opinion and the role that ideologies play in influencing political outcomes and economic performance.

Higgs tem insistido neste ponto há anos. Acho importante que haja gente assim, como sempre diz o Adolfo (Sachsida), interessada em manter vivas as idéias boas em épocas de abundante ignorância. Muitas vezes, a preguiça mental é racional, como vemos nos estudos de dissonância cognitiva em economia (Akerlof, Caplan) e irracionalidade racional (Caplan). Se você gosta do tema, deveria ver a bibliografia deste artigo (e o próprio, que é para leigos).