falácias econômicas · falhas de governo · Inflação

(Nacional-)desenvolvimentistas estão em festa…

…afinal, para eles, toda vez que a inflação aparece, tudo vai bem. Pena que nunca foram suficientemente homens para se assumirem como “nacional-desenvolvimentistas”. Afinal, mereciam ter seus nomes listados aqui, para conhecimento da patuléia.

Aposto que os economistas oficiais estão felizes e também aposto que darão declarações com pseudo-preocupações para a imprensa.

Inflação · Política monetária · Teoria econômica

Inflação

Isto aqui me lembra as coisas que o Homo Econometricum curte.

A propósito, uma discussão recente sobre regra de Taylor, nos EUA, bem interessante, é a do Frederick Mishkin, citada no blog do Mankiw.

Inflação nunca foi minha praia, mas há quem goste.

Claudio

p.s. vou assinar meu nome até que Ari, André e Fábio comecem a escrever aqui. Como cada um tem seu próprio “profile”, você, leitor, saberá quem é cada um facilmente. Eu, claro, sou o “claudio” (acabo de mudar…não preciso mais assinar! 🙂 ).

Inflação

Metas de inflação

Metas de Inflação e o Ciclo Político-Econômico no Brasil Atual

Em recente artigo, Alexandre Schwartsman faz uma crítica à indefinição das metas pelo Banco Central, última – inacreditável – obra dos atuais formuladores da política monetária. Embora concorde com ele em linhas gerais, temo que muitos interpretem o artigo de forma incorreta. Afinal, se o Banco Central não é capaz de nos dar uma meta – claramente definida – então isto mostraria que os gestores de política econômica são irracionais ou negligentes.

Neste caso, não acho que esta seja a melhor explicação. Durante os últimos anos, os consumidores ganharam com a virtuosa combinação da estabilização econômica (herdada dos 8 anos de governo FHC) e o bom desempenho da economia mundial (que, graças à globalização, tem gerado efeitos positivos em nossa economia). Agora, dizem alguns, é hora de acabar com esta “farra dos consumidores”. Empresários, principais fontes de fundos para campanhas eleitorais, estão inquietos com o câmbio. Câmbio real, diga-se de passagem, como sempre assinalam os representantes da indústria nacional. Há um desconforto com a economia globalizada e com o mercado cambial: moeda forte valoriza o câmbio e isto, sabe-se bem, atrapalha, em algum grau, a vida do exportador.

Vejamos o quadro completo: o governo gaba-se de arrecadar muito, zomba da combalida e indisciplinada infra-estrutura aérea (outro dia foi-nos dito por uma mesma autoridade governamental que filas nos aeroportos e recordes de arrecadação eram resultado do mesmíssimo crescimento econômico), além de caprichar nos gastos públicos com o recente aumento para várias categorias de empregados públicos. Em resumo, temos uma meta indefinida, um aumento de gastos financiado por um aumento de impostos e, claro, um PAC que não decola porque os controladores estão de greve, os radares não funcionam ou, sei lá, há muito nevoeiro. Há também uma suposta crise institucional, mas nossos caras-pintadas, hoje, estão com bons empregos (ou são assessores de políticos) e não querem se incomodar com isto. Afinal, quem é o maior empregador hoje? A dica é: o governo controla quase 40% da economia (medida pela carga tributária em percentual do PIB).

Para mim, este quadro caracteriza um claro ciclo político-econômico, só que visto sob a ótica de um período de oito anos (ótica compatível com a impossibilidade de nova reeleição): ao zelo do início de mandato com a inflação, segue-se, agora, uma política frouxa em relação às metas – já que, metas indefinidas, imprecisas, não podem ser chamadas de metas. Além disso, a preocupação com os gastos públicos diminuiu pois, dentre outras, o governo percebeu que a sociedade não reage, na mesma velocidade, contra aumentos na carga tributária. Além disso, é fácil adoçar a boca de alguns atores sociais de peso – como os empresários – com propostas de políticas industriais para este ou aquele setor.

Conclusão: é hora de se esquecer as metas, “liberar” o banqueiro central para baixar os juros o que gera pressões para uma desvalorização da taxa de câmbio nominal, estimulando a atividade econômica o que, por sua vez, trará consigo as indesejáveis (para alguns) pressões inflacionárias. Ao final, o resultado é que uma parcela da sociedade será favorecida às custas da outra (que já surfou muito com a inflação sob controle gerada pelo sistema de metas). Em qualquer caso, sempre há uma “bolsa-família”, uma “quota” ou alguma outra política de isenção tributária para um setor ou outro que, vista isoladamente, parecerá muito boa para o respectivo público-alvo.

Finalmente, eu concordo com Alexandre Schwartsman: houve uma mudança significativa na política econômica. Mas poucos parecem ter percebido o que isto realmente significa..ainda.

Claudio
p.s. Agradeço ao Vinicius por corrigir meu escorregão ao trocar a taxa de câmbio de R$/US$ por US$/R$ em uma versão anterior disto.

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Inflação

Para a galerinha da macroeconomia brasileira

Sai Fraga, entra Meirelles. A condução da política monetária mudou? Bem, se você ignorar a última (in)definição da meta de inflação para 2008 (os autores não analisam uma série tão longa assim…), aparentemente não houve mudança. Como você sabe? Bem, alguém fez o trabalho sujo de coletar os dados, pesquisar a econometria mais adequada e testar a hipótese. Algo que não se faz no boteco (e é por isto que as discussões de economia no boteco não são nada relevantes, embora possam ser boas para término de amizades).

Determinants of Monetary Policy Committee Decisions: Fraga vs. Meirelles

Paulo Chananeco F. de Barcellos Neto
Marcelo Savino Portugal

The aim of this paper is to assess the stability of the suboptimal Taylor-type monetary policy framework in the decisions made by the Brazilian central bank after the adoption of the inflation targeting system. Comparisons of the rules followed by two central bank chairmen between 1999 and 2006 demonstrate that the determinants of the decisionmaking process underwent some changes. Despite this body of evidence, all functional structures proved to be compatible with an inflation targeting system, indicating continuity in the conduct of such regime in Brazil.

Claudio

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