Incentivos importam – o caso dos pseudônimos

Brasil, anos 20, Rio de Janeiro, meio jornalístico. Ufa! Mas aí está o cenário. Determinada revista que vivia de humor, resolve pagar por contribuição. Envie uma piada e, se aceita, você ganha uma grana. Ou:

“(…) por contribuição publicada pagará, a título de animação, três mil-réis”.

Incentivos importam, não?

“Alguns conseguiam faturar bastante com o esquema, recorrendo a uma ampla variedade de pseudônimos”.

Os trechos são da p.115 de “Entre sem bater”, de Claudio Figueiredo, editado por Casa da Palavra e lançado em 2012. É, é o mesmo livro sobre a vida do Barão de Itararé que citei antes.

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Incentivos funcionam (mais uma prova cabal)

Este aí maximizou sem dó, nem piedade:

A college student withdrew from school after winning the five million yuan (S$988,180) jackpot in a lottery in China’s eastern city of Nanjing, local media reported yesterday.

Difícil dizer que incentivos não funcionam, não é? Você pode até dizer que ele não deveria ter feito isto, etc. Mas o fato é que o homo economicus existe e responde direitinho aos incentivos, tal como nos livros-textos de Microeconomia. Leia a notícia toda e descubra porque “socialismo real” é o termo adequado para notícias que mostram governos que morrem de inveja de loterias.

Incentivos: perguntas para você

Considere o seguinte:

A Portuguesa ganhou aliadas poderosas para voltar à elite do futebol brasileiro: as padarias paulistas. Diretores do sindicato e da associação das panificadoras (Sindipan e Aipan) fundaram um movimento para ajudar o clube a fugir da grave crise financeira. “É o PPP, Padarias Pró-Portuguesa”, explica Antero Pereira, presidente do Sindipan e da Aipan.

Mais de 50 padarias já aderiram ao projeto. “Mas é pouco ainda, já que temos 4 mil panificadoras em São Paulo”, lembra Pereira, torcedor da Lusa desde 1968 – “quando cheguei ao Brasil, com 14 anos”. Cada padaria entrará com um valor mínimo de R$ 250,00 – alguns torcedores, garante Pereira, já falaram em contribuir com R$ 1 mil. Um prêmio para os jogadores caso o time consiga o acesso à Série A. “Mas vamos pagar independentemente se a Portuguesa subir ou não”, fala Pereira. “Sabemos dos problemas do clube e vamos ajudar financeiramente, para a Lusa voltar a ser um dos maiores (clubes) de São Paulo”, acredita. 

Perguntas: (i) você acha que pagar algo desvinculado ao desempenho é um bom incentivo? (ii) faz diferença, para sua resposta anterior, se o valor está abaixo de algum mínimo ou não?

Espaço aberto para respostas nos comentários.

Lei seca diminui o crime?

Segundo este estudo, não é bem assim. Aí vai o resumo:

As leis e portarias municipais restringindo o horário de funcionamento dos bares têm contribuído para colocar a segurança pública e o problema da criminalidade na pauta dos debates em todo o país, como jamais visto em períodos sem crimes de grande comoção pública. Diadema antecipou de forma meritória a tendência de redução de homicídios no Estado de São Paulo e foi um dos primeiros municípios a adotar a lei. Embora a cidade tenha conseguido reduzir os homicídios desde 1999 e adotado a lei somente em julho de 2002, uma centena de municípios – e agora alguns Estados – por todo o país, vem aprovando medida equivalente sem considerar de
forma mais detalhada o conjunto de ações que levaram Diadema a lograr o sucesso na redução dos assassinatos. Esse trabalho avaliou o real efeito da lei de restrição do horário de funcionamento dos bares na redução dos homicídios em Diadema, comparando a performance da cidade e de outras cidades paulistas entre 1999 e
2005. Mostra que Diadema, pelos méritos de sua comunidade, lideranças e policiais, reverteu o quadro de violência desde muito antes da “lei seca” e prosseguiu muito depois desta. Análises comparativas com outros municípios de mais de 100 mil habitantes do Estado mostraram também que dentre outras experiências com lei ou portaria similar a queda média foi a mesma de cidades de tamanho equivalente ou de regiões inteiras sem “lei seca”, como da Baixada Santista.

Quer estudar menos? Faça campanha para que se adote um cachorro ao invés de pedir um irmãozinho

Todo mundo quer, eu sei. Ok, você achou que eu ia falar de incentivos. É verdade que tem tudo a ver com incentivos, mas há mudanças de parâmetros que não são incentivos, digamos, propositalmente criados por alguém com o objetivo de fazer o sujeito estudar menos.

Veja, por exemplo, este caso:

One out of five college students did comparatively little studying to prepare for college entrance exams in their last year of high school from 2005 to 2006, a nationwide survey by a University of Tokyo research group showed Saturday.

Overall, half spent less than two hours a day in their final year preparing for the traditionally crucial exams, the survey showed.

The results indicate that entering a good college is becoming a less competitive event due in part to the declining birthrate. This in turn is reducing high school students’ motivation to enter “exam hell,” the traditionally prolonged period of intensive exam preparation, the group said.

A questão interessante é: será que os estudantes de países que passem por esta transição demográfica tendem, em média, a estudar menos? De outra forma, qual seria a elasticidade-envelhecimento populacional da alocação de tempo para estudos?

Como eu estudo?

A boa “Economia Aplicada”, da USP, no início, tinha uma seção que se chamava: “como eu pesquiso”. Outro dia, aqui, eu citei o que dizia o Philipe Berman sobre a importância do auto-estudo.

Queria complementar e ampliar um pouco o que eu disse (outros comentários sobre o tema são bem-vindos).

Eu sempre assisti às aulas – lógico que falhava a uma ou outra (ou saía para beber água no meio de algumas) – mas eu nunca fugi da responsabilidade: as bibliotecárias me conhecem até hoje. Eu sempre me enfurnei em bibliotecas (inclusive aos sábados) quando precisava estudar.

Na minha visão, todo mundo tem um potencial semelhante para o aprendizado. Entretanto, cada qual tem um ritmo distinto. Se você não cobrar, tem sujeito que só aprenderá, digamos, Cálculo I aos seus 70 anos de idade. Portanto, sim, você pode não ir à aula e estudar em casa. Mas a segunda parte (“estudar em casa”) não pode ser apenas uma fantasia.

Tem gente que consegue estudar ouvindo rádio. Eu nunca consegui. Uma música em volume bem baixinho, vá lá. Talvez o mais adequado seja o sujeito sentar-se em posição anatomicamente correta, concentrar-se (como se estivesse no início de uma aula destas artes marciais) e, com o mesmo espírito de crescimento espiritual que demonstra na academia de Judô, enfrentar o livro.

É importante lembrar uma coisa: procure sempre estudar sozinho primeiro. “Conhecer-te antes do teu inimigo” ou algo assim. Você jamais saberá quais seus limites e dificuldades se não tentar sozinho, sem papai, mamãe ou amiguinhos (como dizem no colégio). Somente depois de um enorme esforço de auto-aprendizado é que se deve procurar colegas, monitores ou, sei lá, o professor.

Meu próximo e-book, já aviso, será sobre isto. Uma pequena apostila com dicas e conselhos de alguém que, na adolescência, sabia que era ruim e devorava livros de dicas sobre como estudar. Várias delas eu acabei assimilando e não me lembro mais de onde as li. Vejamos se consigo deixar alguma mensagem útil para os mais novos.

Alguém tem observações sobre o tema? Os blogueiros daquela história do sushi são convidados a desenvolver o mesmo tema (e me avisar!!).

Incentivos

Falando em crianças – ninguém falou em crianças, mas quem se lembra disto no intervalo do almoço? – eis alguns incentivos soviét…digo…russos para o aumento da população russa:

Na luta contra baixas taxas de natalidade, o governador do Estado russo de Ulyanovsk, Sergei Morozov, incentiva casais a tirarem folga nesta quarta-feira, 12, e trabalharem na concepção de crianças.

O incentivo não fica nisso: Morozov oferece ainda vários prêmios aos casais que tiverem bebês em exatamente nove meses, no dia nacional da Rússia, o 12 de junho. Os bebês nascidos no dia da Rússia ganham carros, televisores e outros agrados.

Esse é o terceiro ano consecutivo que Ulyanovsk, na região central da Rússia, premia os pais de bebês nascidos em 12 de junho. Neste ano, o grande prêmio foi um carro 4×4.

(…)O presidente russo, Vladimir Putin, também já anunciou incentivos para incentivar os casais a terem mais filhos. O segundo e o terceiro filho podem ganhar US$ 9 mil (mais de R$ 17 mil) em auxílios para educação ou compra da casa própria.

Incentivos importam. Você tinha dúvidas?

O Paradoxo da Informação e a Economia que, sim, é onipresente

Deve uma empresa investir em tecnologias novas de informação sempre? Ou há custos? Esta matéria tem algumas pistas importantes para se responder esta pergunta.

 

O autor coloca o problema da seguinte forma:

 

Mr Thorp describes the ‘information paradox’ as the conflict between the widely-held belief that more information, and more investment in IT to provide that information, is a ‘good thing’, and the frequent reality that organisations cannot demonstrate a connection between investments in IT and business.

A proposta do tal Mr. Thorp envolve:

This will also enable the organisation to design programmes that maximise the potential of the project, and ensure that the IT dollars spent are linked to the broader objectives of the business. Managers across the other business functions can thus see the value and will agree with the objectives of the project, which ultimately reduces the risks and increases the rewards of the IT investment.

Organisations will also need to shift from a mindset of free-for-all competition among projects to a disciplined portfolio management approach. This approach allows the top management teams to work with a large number of programme leaders to decide on the resources to commit to various initiatives.

The decision-making process will then become less cluttered with decisions over individual IT projects as everyone shares the same overall business objectives.

Ok, leia o resto no link original. Note a importância de conceitos como “custo de oportunidade”, “alinhamento de incentivos”, “risco”, “competição pelo orçamento”. Quem já estudou um livro inteiro de Microeconomia sabe que estes conceitos aparecem lá de forma bem didática. Alguns reclamam da falta de um exemplo do mundo dos negócios. Esta reclamação, agora, não faz mais sentido. Basta ler o artigo acima.