O problema do ensino brasileiro

Se países mais pobres que o nosso conseguem colocar alunos melhor classificados nos exames internacionais, ceteris paribus, qual seria a causa de nosso miserável desempenho? Adolfo Sachsida tem uma hipótese aqui. Aliás, eu acho que esta hipótese deveria ser testada. Lembra da armadilha das idéias? Pois é…

Anúncios

Falácia econômica: o falso dilema entre liberdade e segurança

Outro dia falei aqui sobre a besteira que é supor que existe um trade-off entre liberdade e segurança. Bem, não é que Robert Higgs, também já citado aqui, várias vezes, lançará um livro explicando isto aos incautos? Vejamos um trecho da sinopse do novo livro:

Synopsis

“Those who would give up essential Liberty, to purchase a little temporary Safety, deserve neither Liberty nor Safety,” wrote Benjamin Franklin. Attempting to gain security by sacrificing liberty is also a foolish action, some would add, because it only increases the potential for harm.

In Neither Liberty nor Safety: Fear, Ideology, and the Growth of Government, economist and historian Robert Higgs illustrates the false trade-off between freedom and security by showing how the U.S. government’s economic and military interventions reduced the civil and economic liberties, prosperity, and genuine security of Americans in the 20th century. Extending the theme of Higgs’s earlier books, Neither Liberty nor Safety stresses the role of misguided ideas in the expansion of government power at the expense of individual liberty. Higgs illuminates not only many underappreciated aspects of the Great Depression, the two world wars, and the postwar era, but also the government’s manipulation of public opinion and the role that ideologies play in influencing political outcomes and economic performance.

Higgs tem insistido neste ponto há anos. Acho importante que haja gente assim, como sempre diz o Adolfo (Sachsida), interessada em manter vivas as idéias boas em épocas de abundante ignorância. Muitas vezes, a preguiça mental é racional, como vemos nos estudos de dissonância cognitiva em economia (Akerlof, Caplan) e irracionalidade racional (Caplan). Se você gosta do tema, deveria ver a bibliografia deste artigo (e o próprio, que é para leigos).

O governo brasileiro é a favor dos spams

Achava que não pudesse existir coisa pior do que spam na minha caixa de e-mail. Pois hoje o governo me mostrou que, sim, existe: spam com mensagens analfabetas que eu pago para receber. Sintetizando a história, o governo resolveu colocar a “Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República” para trabalhar, e criou um pequeno e-mail que é mandado (contra a minha vontade, diga-se. Será que cabe um processo por spam?) para alguns órgãos federais. Não sei se todos os meus colegas do banco recebem, mas sei que, todo o santo dia, tanto no período de trabalho quanto agora no doutorado, está lá a propaganda na minha caixa postal.

Pois bem. Hoje, a mensagem se superou: não apenas eu recebo a mensagem contra a minha vontade, mas também descobri que a pessoa que escreve os textos, recebendo grana dos meus impostos, precisa de reforço na gramática. Além disso, o responsável pela revisão dos textos, que também é pago com o dinheiro dos meus impostos, deve precisar de um oculista. Tudo isto por causa do título da mensagem abaixo.

Se você chegou até aqui, não leu toda a mensagem do Ângelo. Pois bem, clique e leia. Há algum tempo eu pensei na relação entre o governo (aquele que deveria, lembra?, livrar-nos do temido empresário ganancioso gerador de falhas de mercado e de outras mazelas) e o “spam” (veja aqui e aqui). Bem, minha hipótese era um pouco distinta deste absurdo que relata o Ângelo mas, veja só como faz falta, agora, um setor privado cioso de suas liberdades e desejoso de exercer seus direitos e cumprir com seus deveres. Houvesse empresários e consumidores assim, em maioria, já haveria protestos contra o uso ilegal do “spam” por parte do único monopólio brasileiro na emissão de moeda e na criação de leis, o Estado.

E olha que a maioria dos membros do partido do sr. da Silva olha com antipatia as semi-independentes agências regulatórias e pedem por sua extinção e/ou substituição por um modelo bolivariano/socialista/estatizante.

Quanto aos jovens, bem, os ricos estão a tratar da matança dos pobres com seu consumo de drogas ilegais em detrimento do verdadeiro conhecimento, aquele obtido na escola. Os mais velhos, aqueles que deveriam dar o exemplo, acham que a escola deve não apenas instruir seus filhotes (mimados?) como também educá-los. Por sua vez, os professores, aqueles que deveriam apenas instruir e que ganharam o direito de doutrinar os filhotes dos consumidores, sob o cansaço do diretor da escola (ou sob seu beneplácito) com as infindáveis “diretrizes do iluminado ministério para o ensino nacional (e afins)”, deitam e rolam sob o comando de gente que acha que, afinal, um outro mundo é possível. Um no qual a liberdade individual é uma “coisa burguesa”.

Já vi este filme antes. Himmler e Guevara são dois jeitos de se mudar o mundo na visão deste povo. Obviamente, como o mundo não pode ser mudado conforme o desejo de dois grupos diferentes ao mesmo tempo, há concorrência entre estas visões e cada uma afirma, com juramento de padre católico progressista (embora isto, hoje em dia, tenha um tom perigosamente pedófilo), que o outro é que é o “feio, sujo e malvado”.

É a vida, eu sempre serei um cético…