economia da arte · Humor

Only Thoughts are Tax Free

Carl Spitzweg, Gedanken sind zollfrei - -

Pintura de Carl Spitzweg. Curiosa pois, conforme este trecho da autobiografia de Hoffmann, o fotógrafo de Hitler:

“It was from a Munich art dealer that Hitler acquired the picture Thought is Free of Tax, which is one of the best known of Spitzweg’s paintings and depicts a scene at a frontier station.” [Start reading this book for free: http://a.co/5WUQQKE]

Desnecessário dizer que a ironia da coisa toda é impagável. Há ainda, no mesmo capítulo, uma interessante história de como Hitler tentou criar um mecanismo de incentivos para que obras de arte que ele admirasse fossem parar em suas mãos (ou em seus museus). Tudo começou com a tentativa de Göring em presentear Hitler com um quadro que ele mesmo havia se recusado a comprar (por conta do elevado preço resultante do leilão).

“On one occasion, Hitler refused to buy a picture, Bismarck, by Lenbach, because he thought that the price, thirty thousand marks, was too high. Shortly afterwards, the picture was put up for auction at Lange’s in Berlin. ‘Get it!’ ordered Göring. And when the third hammer-stroke fell, he was seventy-five thousand marks out of pocket over the deal! I happened to be there when Göring presented the picture to Hitler as a birthday present. The latter was astonished to receive as a gift a picture that he himself had refused to buy; but when he heard the price paid, he flew into a real rage. The net result was that he instituted ‘The Führer’s First Refusal’. By order, no picture of historical and artistic merit could be sold without the previous consent of the Führer. If Hitler were interested in any picture, he would direct Posse, the Director General of the Dresden Gallery, and when he died, his successor, to fix the price.”

Pois é. Mas o plano de Hitler não funcionou. Diante de outra obra de arte, que Hitler queria para si, Göring deu um lance mais alto, arrematando-a. Hitler pensou que, novamente, Göring iria presenteá-lo mas isso não aconteceu. Pior, ironicamente, disse que cumpria ordens do führer, já que o quadro não sairia da Alemanha. Desnecessário dizer que Hitler ficou muito irritado.

A moral da história, se alguma há, é que pensamentos – inclusive ideias – podem ser livres de impostos, mas ideias ruins têm seu preço.

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Humor na Alta Cultura

Variantes regionais de um discurso estranho

“A arte mineira da próxima década será heróica e será regional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente mineira, posto que profundamente vinculada às aspirações do povo mineiro, ou então não será um trem bão”.

“A arte mineira da próxima década será heróica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será queijeira com doce de leite e igualmente saborosa e vinculante, ou então não será nada, sô.”

“A arte carioca da próxima década será heróica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será morena com biquíni e sol ardente com biscoito Globo e limãozinho, ou então não será nada.”

“A arte gaudéria da próxima década será heróica e será regional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional com o churrasco e será igualmente trilegal, posto que profundamente vinculada às aspirações do povo gaúcho, ou então não será só um chimarrão estragado”.

 

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Piadinha econométrica do dia

lucasSuponha um experimento (quase-)natural em que um país (ou um conjunto de países), subitamente, adote uma tecnologia de implementação/avaliação de políticas públicas feitas com regressões descontínuas, desenhos de experimentos, diff-diff, pareamento, enfim, todos estes métodos que estão em voga (sim, com instrumentos bons, escolhidos segundo os testes mais parrudos da literatura, etc).

Suponha também que um economista (ou um grupo de economistas) resolve medir o impacto no bem-estar das pessoas gerado por esta mudança usando esta mesma tecnologia e descobre que, na verdade, nada daquilo gerou impacto algum. Nada, zero, nadinha (já considerando questões de validação externa e interna, etc).

Pergunta malvada: um artigo com estes resultados seria publicado num journal top de linha ou seria boicotado pela academia por anos e anos? ^_^

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A hipótese nula é que este mini-texto é engraçado

Você matou a aula de Estatística mas tem dois colegas – Nicodemos e Parmênides – que foram e anotaram as definições de erro tipo I e II. Um deles é mais distraído que o outro mas você supõe que Nicodemos tenha anotado corretamente e está se preparando para a prova final quando então lhe ocorre o seguinte pensamento:

Erro tipo I: – É verdadeira a hipótese de que Nicodemos tenha anotado as corretas definições de erros tipo I e II, mas você rejeita esta hipótese.

Erro tipo II – É falsa a hipótese de que Nicodemos tenha anotado as corretas definições de erros tipo I e II, mas você não rejeita esta hipótese.

Refletindo um pouco, você conclui (sem realizar teste algum) que faltar à aula e depender do caderno alheio é, realmente, uma droga!

p.s. como professores também podem se confundir com slides, melhor ler o livro (e uma anedota similar se aplica).