Substituição de importações diminuirá a desigualdade…eles diziam.

Latin American earnings inequality in the long run (Cliometrica, Sep/2017)
Leticia Arroyo, Pablo Astorga Junquera
This paper traces between-group earnings inequality for six Latin American countries over two centuries based on wage and income series compiled from a large array of primary and secondary sources. We find that inequality varied substantially by country and by period, questioning the notion that colonial legacies largely dominated the evolution of inequality. There is a broader inequality trajectory over the long run in the form of an “m” pattern with peaks around 1880 and the 1990s and a trough around 1920/1930s. Export-led growth does not necessarily imply a rise in inequality, while the import-substitution industrialisation efforts did not translate into a more egalitarian distribution of income. More notably, Latin America’s experience does not exhibit the great inequality levelling as seen in the North Atlantic economies from the 1930s to the 1970s.

Parece que não foi bem assim, não?

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Corrupção ao longo da história brasileira: um histórico de não-liberalismo explícito

No Império, restringiu-se o acesso de imigrantes à terra abundante para preservar a grande propriedade agrícola. Na República Velha, embora tenha havido progresso quanto aos direitos de propriedade da terra, se criou aparato institucional que permitiu a valorização do café sob a proteção de barreiras à entrada de novos produtores. Às tarifas de importação, muito altas já no final do Império, somaram-se restrições quantitativas às importações, em resposta à grande depressão, que duraram 60 anos. Com a aceleração da inflação pós-2ª Guerra Mundial se tornou esporte nacional ter acesso ao câmbio barato e ao crédito subsidiado. A 3ª República afundou-se na agonia de um déficit crônico das contas públicas. Apesar da arrumação das contas públicas após o golpe militar – na esteira da panacéia da correção monetária -, houve continuidade na essência da política econômica: abertura assimétrica, privilegiando exportações, persistência do gosto de escolher vencedores, grande peso do Estado na economia. Os choques externos e a deterioração das contas públicas alimentaram a voragem inflacionária na economia indexada.

A estabilização de 1993-1994 marca a reversão de clara tendência de longo prazo de erosão de direitos de propriedade associada à perda de poder de compra da moeda. A conversão de reais de 1993 em mil-réis (1822-1942) requer multiplicador eloqüente: 2,75×1015. Na falta de índices de preços seculares podem ser usadas taxas cambiais para comparar diferentes períodos. A deterioração até o golpe militar foi inexorável: no Império, a desvalorização cambial anual média foi de 1,4%; na República Velha, aumentou para 3,6%; e no primeiro período Vargas, para 5,5%; para atingir 30,7% na terceira República. Houve redução sob o regime militar até 1980, mas foi limitada: 22,5% de desvalorização anual. Mas, entre 1980 e 1993, a taxa foi melancólica: 565% ao ano. Esse desempenho patético necessariamente relativizou qualquer progresso associado à evolução de políticas públicas que reduziram o escopo para a extração de “rendas de escassez”.

Excelente retrospecto este aí do Marcelo Paiva Abreu. Agora, o que será que se aprende nas escolas, quando o assunto é história? Certamente há professores sérios que não saem para a escola sem, antes, fazer o seu dever de casa (sim, parte do salário de um professor é devido a atividades extra-classe em preparação de aulas). Em outras palavras: há quem cheque os dados e as publicações científicas.

Mas há os que não têm acesso às publicações científicas e, para não ficarem mal na fita, socorrem-se nas cartilhas de partidos políticos preocupados com a doutrinação e com o imperialismo de sua visão particular da história mundial ou brasileira. O que eles ensinam aos seus filhos?

Eles admitem que há algum não-liberalismo na história brasileira mas, logo, logo, dividem a sociedade entre “bons” (= “populares”) e “maus” (= avôs dos alunos, etc). Aí chamam urubu de meu louro, isto é, chamam liberalismo de “rent-seeking” (ou usam argumentos maliciosos sobre como uma coisa gera a outra).

Enfim, este ensino médio é um “luxo”…