A função de produção Cobb-Douglas é…de Wicksell

wick2Provavelmente isso é ignorância minha, mas algum professor me disse que a função de produção Cobb-Douglas havia sido inventada por ambos. Então, agora, tentarei me redimir com qualquer um que tenha ouvido de mim que Cobb e Douglas foram os caras que criaram a função.

Hoje, conversando com alguns alunos após o final da aula, discutíamos a elasticidade de substituição constante e o assunto ficou em minha cabeça (quando aluno quer discutir um tema divertido, a gente acaba prolongando os pensamentos na direção do tema).

Em casa, ao ler o bom e velho Brems (Quantitative Economic Theory – A Synthetic Approach), um livro de 1968 que sempre me acompanha, vi que o correto é que Cobb e Douglas foram os primeiros a estimar a função (o artigo clássico está aqui). Adivinhe quem propôs a função?

Conforme Brems, foi ele! Quem? O homem da regra da unanimidade (que Buchanan reputava como um dos pais da Public Choice), o cara dos insights sobre taxa de juros natural. Sim, ninguém mais, ninguém menos que…Knut Wicksell (o nome que está impresso na minha camisa da seleção sueca ^_^).

De fato, como indicado por Brems, na p.128 do clássico livro de Wicksell, você encontra a funçãozinha. Fui lá conferir e…bem, olha ela aí embaixo, toda serelepe.

wick1

Reciclagem de textos

Tenho uma série de “posts” de que me orgulho: a de história do pensamento econômico brasileiro (vai aí na caixinha de “search” e dá uma olhada). Um deles, em especial, diz-me mais sobre a natureza do pensamento econômico no Brasil do que qualquer história oficialesca dos sindicatos varguistas de economistas brasileiros. Trata-se deste aqui.

Aliás, Vargas voltou a ser um ditador elogiado, recentemente, pelo sr. da Silva. Lamentável. Vargas, Costa e Silva,…qual a diferença? Nenhuma. Pelo menos nenhuma no que diz respeito ao que os mesmos pensavam sobre democracia e ditadura. Talvez o sr. da Silva devesse pensar calmamente antes de fazer certas declarações…

De qualquer forma, eis aí mais uma vantagem deste novo blog em relação ao antigo: permalinks.

Claudio

Socrates e a arte gerencial (tudo que sei…é que nada sei?)

Aqui vai o link para o texto citado abaixo.

Socrates on Management: An Analysis of Xenophon’s Oeconomicus

GEORGE BRAGUES
University of Guelph-Humber June 2007

Abstract:
Socrates is said to have brought philosophy down from the heavens to the earth and is thereby recognized as the founder of Western moral and political philosophy. But in launching this subject, did the 5th century BC Greek philosopher also inaugurate the study of management and business ethics? Our answer is yes.

Socrates’ inquiry into management, featured in Xenophon’s Oeconomicus, contains valuable insights still relevant to the contemporary world. In that foundational work of Western economic thought, Socrates is portrayed attempting to expound the science and art of management to an eager student. He develops this topic, in no small part, by actively seeking out a successful practitioner, engaging him in conversation and probing him with questions.

The Socratic perspective brought to light holds that business cannot be separated from social responsibility and ought to be oriented around a conception of profit that goes beyond monetary figures and embraces the satisfaction of rationally grounded human wants. Socrates also insists that management is a respectable calling which both men and women can legitimately pursue. A good manager, too, is defined by a functionally relevant set of virtues with a view to personal flourishing and moral excellence. Ethical conduct comes to sight as a core component of management.

Claudio

Continuar lendo

E diz a historiadora do pensamento econômico

Finally, the dissertation suggests that the influence of physics on the development of economic theory has been less significant than it is commonly believed. (…) On the whole, it seems that the use of mathematics was mainly due to the internal needs of economic theorizing, and was not a passive imitation of physics.

Muito pterodoxo deve estar de cabelo em pé.

A dica é do Pura Economia.

Claudio

Continuar lendo

O heterodoxo ancestral: John Law


Fonte: esta.

Ao nos debruçarmos sobre estas controvérsias em busca do primeiro grande heterodoxo, e ao encontrar John Law, o financista escocês que conquistou a França com seu Banque Royale, talvez tenhamos achado a síntese de todos eles. [Gustavo Franco, O Plano Real, 1995, p.330]

Eis aí o herói dos economistas heterodoxos (tupiniquins, creio).

Eu fico com Adam Smith, obrigado.

Claudio

Continuar lendo

O problema do intelectual latino-americano, especificamente do brasileiro

Bastante esclarecedor este trecho:

“No levantamento, realizado por Charles Hale, do pensamento social e político latino-americano no meio do século que findou em 1930, apenas um intelectual, dentre os cerca de noventa citados, possuía doutorado, o mexicano Manuel Gamio. Esse fato pode servir como explicação alternativa para a fragilidade da tradição de pesquisa, em contraposição à teorização abstrata e à indiferença para com a coleta sistemática de dados, tão característica do estilo pensador“. [Joseph Love, A construção do terceiro mundo, Ed. Paz e Terra, 1998 p.352].

A referência do autor, eu a devo à Gustavo Franco, em seu excelente “O Desafio Brasileiro”, citado em um dos posts anteriores.

O que é realmente muito bom neste trecho é que esta é o tal pensador de que fala Love é muito comum nos debates atuais. Isto foi tema de uma conversa entre eu e outros alunos da pós-graduação do PPGE-UFRGS com o filósofo Alberto Oliva, da UFRJ. Ele dizia algo similar ao pensamento de Love. Era mais ou menos assim: se a ciência brasileira fosse tão positivista, como alguns dizem, deveríamos ter mais dados coletados de forma sistemática do que os que podemos encontrar, por exemplo, nos EUA. E não é verdade que no Brasil seja tal como nos EUA. Mudou muito desde 1930? Mudou, tem IBGE e tal. Mas a conversa com Oliva foi em 2000 ou 2001. Logo, há indícios de que ainda estamos muito dependentes dos “bacharéis” ou, alternativamente, dos pensadores.

Outro ponto que o parágrafo acima traz à discussão é o seguinte: economistas sérios não podem prescindir do estudo dos dados, sob a ótica teórica. Não devem se deixar levar pelo que Gustavo Franco chama de parnasianismo. Ele tem razão. O leitor que acompanhou a entrevista do André Carraro, aí embaixo, sabe do que estou falando. E não estou falando novidade.

O mais interessante do livro de Love (ainda começando a ler) é a citação dele de Manoilescu, um romeno pouco conhecido – creia-me! – dos historiadores do pensamento econômico nacional. Não se trata de um grande teórico (ou um sujeito consistente em suas visões), mas é um autor que ajuda a explicar muito de nossas raízes intelectuais no campo econômico. Pessoalmente, prefiro Mircea Buescu.

Continuar lendo