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Como está a tolerância com a liberdade de expressão em nossas universidades?

O sociólogo aí acima é alguém que não vejo muito citado por aqui, por nossos sociólogos de gabinete…ou por nossos jornalistas que, aliás, hoje divulgaram uma suposta tendência à polarização da sociedade brasileira que seria preocupante. Uma tendência ao radicalismo que parece ser o resultado de uma miríade de fatores e, aposto eu, um deles, a falta de hábito de lidar com a diversidade (um hábito muito incentivado por quase 15 anos no país, por gente que pouco tinha (tem) de valores democráticos “em seu DNA”).

Parece-me que, quando você se esforça muito para calar vozes discordantes, uma virada de mesa no jogo do poder faz com que aqueles que sofreram passem a desejar aplicar a mesma repressão aos seus antigos algozes. O rancor gerado não deve ser desprezado…

Mas o início do vídeo me faz pensar no que vejo por aqui. Não é comum ver pessoas com camisas, digamos, do Bolsonaro nas universidades (e quando aparecem, surgem estranhas acusações de fascismo, etc). Será que a liberdade de expressão está sendo respeitada, praticada e incentivada no Brasil? Existe uma pesquisa séria (ou seja, com método científico, dados, aplicação honesta de métodos quantitativos) sobre o tema por aqui?

A propósito, a pesquisa é do Ipsos (mas não encontrei nada no site).

 

desestatização da moeda · economia monetária · hayek

A desestatização da moeda

Diz um comentarista neste blog:

Professor Claudio,

como não tenho um e-mail para te enviar enviar essa questão, escrevo aqui então.

A questão é: Sou estudante de direito, e tenho que apresentar a monografia de direito, que será a respeito da emissão privada de dinheiro, como quer Hayek, desestatização do dinheiro.

Até aí tudo bem, salvo um problema: o professor que orienta o projeto de monografia (que não é o que me orientará na monografia em si) é completamente cético quanto à isso. Acredito eu que tenha ele boas intenções, mas não coopera muito.

Assim, em toda aula de TCC tenho que mover uma montanha para prosseguir no projeto. Mas não irei desisitir de forma alguma.

Gostaria de saber o seguinte: como não tem ninguem que realmente me oriente (que conheça o assunto), será que poderia tirar contigo algumas dúvidas que porventura apareçam pelo caminho?

Mesmo que não concorde com o tema da emissão privada, a visão de um economista ajudaria em muito, pois os que existem há muito tempo se renderam ao pensamento keynesiano e não quero perder meu tempo com eles.

Abraços, Guilherme.

Primeiro, Guilherme, obrigado. Eu gostaria de ter o tempo necessário para ajudá-lo mas não posso prometer muito. Entretanto, eu acho que você tem um tema interessante em mãos. Primeiro, você precisa da bibliografia. Quem são os caras? Sem dúvida, o começo de tudo é com Hayek. Mas há George Selgin e Lawrence White que você não pode deixar de ler. De jeito nenhum.

Bom, dito isto, há alguns pontos que podem te ajudar. Você precisa entender um pouco sobre moeda, lastro e moeda fiduciária. Ben McCallum tem um livro de Economia Monetária de nível intermediário-avançado, em inglês (procure por Benneth McCallum) em que, em um dos capítulos, ele resume o padrão ouro que é muito importante para você entender o princípio da Lei de Gresham (quando existem padrões bimetálicos) que é importante para você (talvez seja até o calcanhar de Aquiles desta teoria). Vá anotando estes conceitos aí. A outra coisa importante é a discussão acerca dos currency boards que tem muito a (de)ver à esta idéia do Hayek.

Aliás, eis aqui uma observação para alunos de Economia. Em uma época, um amigo meu, o Emanuel, lecionava Economia Monetária e mostrou o texto do Hayek (na verdade, mostrou uma citação do Hayek em uma apostila que fiz, que resumia o modelo do padrão-ouro do Barro, tal como didaticamente exposto por McCallum). Aí um aluno apressado – sempre há um assim – soltou algo como: “- Ah, mas por que estudar isto? Isto não existe. Não serve para nada”.

O erro do aluno é achar que a realidade só se entende…com a realidade. Como ir à Lua em um foguete se você não entende de Física? E, cá entre nós, quer algo mais abstrato que Física? Só a Matemática. E como fazer Física sem Matemática?

Pois é. A mesma coisa se aplica neste caso. O que, aparentemente, não parece servir para nada pode ser importante para você amanhã. Você sequer sabe o que pensará daqui há um segundo. Por que é que devo acreditar que você é esperto o bastante para entender economia sem recorrer a um único conceito teórico?

Mas voltemos à pergunta do Guilherme. Guilherme, minha área, hoje em dia, não é mais a Economia Monetária. Mas, no seu lugar, eu começaria com o material/autores que te indiquei. O que conheço de “desestatização da moeda” é o que está em Hayek e mais as referências acima. Procure por textos de Selgin e White e você, sem dúvida, encontrará material interessante. Não sei se posso te ajudar muito por causa do tempo que é, realmente, escasso. De qualquer forma, é um tema interessante e é provável que mais gente apareça aqui para comentar e, quem sabe, ajudar-te?

Espero ter ajudado um pouco.