Econometria · economia · falácias econômicas

Previsão no ponto ou no intervalo: uma discussão inútil?

Eis a notícia. Como é de conhecimento comum aos já iniciados em Estatística ou Econometria, qualquer previsão pode ser feita no ponto ou no intervalo. Se observarmos a prática do FMI, Banco Mundial ou de qualquer outra consultoria privada nacional, observaremos que as projeções divulgadas são as pontuais.

Qual o motivo disto? Arrogância? Não. O motivo é reduzir a instabilidade natural que existe nas cabecinhas de gente como a gente. É óbvio que a inflação prevista pontualmente pode não se realizar, mas o importante é que o erro seja pequeno. E quem acha mais fácil falar em “4.5 + ou – 0.02” do que em “4.5, mas é só uma previsão estatística” na hora do cálculo do crediário que atire a pedra.

Mas, sejamos justos, o intervalo é mais preciso, né? Mais ou menos. Pois muito bem, digamos que se queira adotar intervalos de confiança para a divulgação das previsões. Por exemplo, suponha que o Banco Central quisesse mudar sua previsão de inflação para uma intervalar. Seria esta uma boa forma de diminuir a instabilidade nos mercados? O sujeito olha para a previsão e vê algo como 5.5% + ou – 0.4. A pergunta seria: “de onde veio o 0.4? Provavelmente veio de algum nível de confiança determinado.

Agora, esta é uma questão que nos remete novamente ao fato de que alguma arbitrariedade seria inevitável (agora, na determinação do nível de confiança). Se o objetivo é mostrar que o economista “é ignorante quanto à realidade”, como diz a notícia, acho que mais fácil seria dizer que a previsão é baseada em teoria estatística. Não é necessário este trabalho todo.

Claro que há sempre a patuléia da pterodoxia (e suas quintas colunas da blogosfera) que adoram dizer que “econometria não serve para nada porque o mundo é complicado”, etc. Para isto, basta, por exemplo, escolher intervalos de confiança ruins e divulgar sempre as péssimas previsões para, lentamente, minar a confiança das pessoas na Ciência Econômica. É como colocar um falso ponto em debate e, a partir daí, repeti-lo como verdadeiro para depois, sim, desmascará-lo (entre aspas). Claro que a alternativa desta gente é o debate sobre as idéias “Marshall-Kaleckinas com toques Hicksianos contra o dragão da maldade Friedmaniano” ou algo tão verborrágico quanto.

Óbvio é que uma previsão é apenas uma previsão. Mais óbvio ainda é que a econometria é baseada em estatística que, por definição, tem que ser considerada como algo que jamais nos dará respostas definitivas. Agora, dizer que o intervalo de confiança é uma forma de nos mostrar o quão ignorantes somos me parece um exagero. Eu prefiria ouvir isto de um Pedro Valls, de um Márcio Laurini, enfim, de gente que realmente trabalha com econometria e que, mais importante, entende do assunto.

Para mim, parece que o intervalo de confiança trará muito pouco ganho para o entendimento da realidade econômica. Bastava um rodapé na tabela. O que isto trará na prática é apenas mais ou menos trabalho para os encarregados destas previsões. Dou as boas-vindas ao intervalo, mas ressalto: a ignorância econômica, esta continuará se manifestando através das declarações estranhas de alguns economistas, repórteres, leigos, enfim, gente que ou tem má formação econômica, ou interesses ocultos. Simples assim.

UPDATE p.s. Aposta com o leitor: se algo sair errado, os economistas oficiais (e aliados) dirão que a culpa é do modelo. (quem quiser apostar, deixe o comentário aqui).

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falácias econômicas · falhas de governo · Inflação

(Nacional-)desenvolvimentistas estão em festa…

…afinal, para eles, toda vez que a inflação aparece, tudo vai bem. Pena que nunca foram suficientemente homens para se assumirem como “nacional-desenvolvimentistas”. Afinal, mereciam ter seus nomes listados aqui, para conhecimento da patuléia.

Aposto que os economistas oficiais estão felizes e também aposto que darão declarações com pseudo-preocupações para a imprensa.

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Textinhos que eu tenho que reproduzir na íntegra por questões educativas

Ph Ácido:

É dose

É possível o editor de um veículo especializado em economia e negócios não saber o que vem a ser balanço de pagamentos? É, sim. Tudo bem que o cara só escreva sobre aqueles temas chatos de gestão; aqueles mesmos que costumam ser objeto da chamada literatura de aeroporto. Mas o problema é que fica chato o cara perguntar em alto e bom som se “um tal de balanço de pagamentos” se escreve com caixa alta ou baixa (maiúscula ou minúscula). Fiz questão de mostrar minha cara de espanto diante de demonstração de tamanha ignorância.

E a figura já tem anos de experiência, o que lhe rendeu um ar meio arrogante e presunçoso. Isso tudo porque conhece todos os gurus do que se convencionou chamar de “gestão de empresas” – o campo mais fértil para a proliferação da picaretagem acadêmica. E acha que isso é economia.

A Mão Visível:

A última do Pochmann

“O presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Marcio Pochmann, defendeu a adoção de jornada semanal de trabalho de três dias com expediente de quatro horas. Disse ainda que o Brasil deveria preparar seus cidadãos para começar a trabalhar depois dos 25 anos de idade. (Folha Online, 12/12/2007 http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u354096.shtml) ”

Comentário: Acho idéia excelente se aplicada ao seu próprio autor. Só ficaria melhor se ele prometesse trabalhar nenhuma hora de nenhum dia. Não há dúvida que isto aumentaria o bem-estar no país.

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A Epistemologia está nua

Alex publicou o artigo do dia. Nunca recebi tantas mensagens eletrônicas com o artigo como hoje. Vale a reprodução integral:

A miséria da epistemologia

O artigo de Luís Antônio de Oliveira Lima (“Ousando discordar da ortodoxia dos economistas”, Valor Econômico, 12/11/07) é pródigo em citações, o que mostra o salutar hábito de leitura do autor. Pena que seu entendimento destes textos não seja igualmente saudável, o que me pouparia o trabalho de rebatê-lo novamente. Isto dito, um texto com tantos problemas não poderia passar incólume.

A questão que debatemos é simples. Defendo que a escolha de uma meta de inflação mais elevada (ou mais baixa) não deve ter qualquer efeito sobre a taxa de crescimento da economia por um motivo bastante singelo: as pessoas conseguem distinguir entre alterações nominais e reais de preços. Sindicatos, por exemplo, negociam salários sabendo muito bem o que se trata de mero reajuste nominal e o que é, de fato, ganho real. Se isto é verdade, o anúncio de meta de inflação mais elevada deve ser imediatamente incorporado ao conjunto de informações dos agentes e, consequentemente, às suas expectativas, sem efeitos reais sobre a economia (chamemos isto de hipótese aceleracionista). Lima, pelo contrário, argumentou originalmente que, sim, uma meta de inflação mais alta poderia acelerar o crescimento (já em seu último artigo recuou da posição inicial, afirmando apenas que crescimento pode ser compatível com inflação mais alta).

Em apoio à sua tese Lima, citando o trabalho de Robert Barro, “observa que para taxas de inflação abaixo de 20% qualquer relação, positiva ou negativa, entre crescimento e inflação, não é estatisticamente significativa”. Lima não se deu conta, porém, que este resultado, ao contrário do que parece acreditar, não apóia sua tese. Se a taxa de inflação não tem qualquer efeito sobre a taxa de crescimento, por que alguém escolheria uma meta de inflação mais alta?

Para colocar a questão em termos mais mundanos, o número de vezes ao dia que alguém tocar a Macarena durante a primeira infância do seu filho muito possivelmente não irá afetar sua estatura na adolescência. Isto, porém, não é justificativa para tocá-la inúmeras vezes ao dia, a menos que você acredite que isto trará um aumento de bem-estar à criança (eu não acho, mas deixo isto a critério de cada pai). Da mesma forma, ainda que a inflação (abaixo de 20% a.a.) não prejudique o crescimento, qual a razão para que esta seja 8% a.a. ao invés de, digamos, 3%? Há algo de positivo na inflação mais elevada?

A bem da verdade, Lima agora diz não acreditar que inflação mais alta traga mais crescimento (ainda que em outras passagens revele persistir na crença), mas sim que inflação alta também é compatível com crescimento, assim como é a inflação baixa, ou seja, que o crescimento independe da taxa de inflação. Pergunto: no que mesmo sua posição difere da hipótese aceleracionista?

Lima, porém, não se limita a citações sobre macroeconomia e traz também a epistemologia ao debate. Segundo ele não se pode dizer que a hipótese aceleracionista seja “correta”, já que – citando Karl Popper – não há uma teoria “correta”, apenas hipóteses que se ajustam melhor ou pior aos dados. De fato, a teoria da gravidade de Newton, na leitura ingênua de Popper proposta por Lima, também não é “correta”, mas apenas uma hipótese, que, pode se ajustar melhor ou pior aos dados. Será que o filósofo pularia de uma janela com base na noção que a teoria da gravidade não é “correta” no sentido popperiano do termo?

Exagero meu? Pelo contrário. Anos de exercício de política monetária sob a hipótese aceleracionista cimentaram a noção do que tem sido denominado “A Grande Moderação”, isto é, um período no qual taxas baixas de inflação têm convivido com baixa volatilidade do crescimento. Ao contrário do período em que bancos centrais tentaram (inutilmente) acelerar o crescimento à custa de inflação mais elevada, apenas para pouco depois serem forçados a desacelerar fortemente a atividade para controlar a inflação, gerando um padrão conhecido como stop-and-go, hoje os bancos centrais aprenderam que não precisam (metaforicamente) pular da janela para ver se a hipótese aceleracionista se ajusta aos dados.

Em outras palavras, a hipótese aceleracionista, considerada “simplista” por Lima, serviu de base para a gestão bem sucedida de política monetária que, ao redor do globo, gerou baixas taxas de inflação com reduzida volatilidade do produto, traduzindo-se em ganhos significativos de bem-estar. Como diria Milton Friedman (“The Methodology of Positive Economics”), inspirado pelo mesmo positivismo de Popper, pouco interessam as hipóteses do modelo, desde que este consiga gerar previsões válidas, entre elas sugestões de política que aumentem o bem-estar. A evidência acumulada sobre estes anos de gestão de política monetária inspirada pela hipótese aceleracionista sugere que esta cumpre, com honras, este quesito.

Isto, porém, parece ainda além da compreensão de Lima, em que pesem suas pretensões epistemológicas. Sem dúvida é curioso que alguém cite Popper e, poucos parágrafos depois, questione o “realismo” das hipóteses do modelo, incluída a suposição acerca da racionalidade dos agentes econômicos. Revela, no mínimo, pouca reflexão sobre as implicações da abordagem popperiana à ciência. Na pior das hipóteses sugere que só cita o filósofo alemão quando lhe é interessante, deixando de lado as implicações menos favoráveis à sua tese.

Em todo caso, a miséria epistemológica, mesmo grave, não é o pior aspecto do artigo. Mais séria é a falta de entendimento acerca da própria hipótese aceleracionista, em particular para alguém que pretende se posicionar como o campeão da heterodoxia, “ousando desafiar a ortodoxia dos economistas”. Ao recuar da sua posição original acerca da inflação mais alta trazer mais crescimento e afirmar que teria dito apenas que a inflação elevada (mas, imagino, abaixo de 20%) é “compatível” com crescimento Lima apenas repete inadvertidamente a hipótese aceleracionista, isto é, que o crescimento não é afetado pela taxa de inflação. O defensor da “heterodoxia” não conseguiu perceber que sua suposta crítica apenas ecoa a mesma teoria que pretende criticar. Seria irônico, mas é apenas triste.

(Publicado 5/Dez/2007)

capitalismo cartorial · falácias econômicas · rent-seeking

Manchetes alternativas: Itamaraty quer ver o déficit na balança comercial crescer

Eis a nova moda de engenharia social: controlar os microfundamentos do comércio internacional.

O secretário geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, afirmou em seminário sobre Integração na América do Sul que as exportações e investimentos de empresas brasileiras geram “muitos ressentimentos” em países da região. “Empresas brasileiras vêm comprando empresas nesses países e a recíproca não ocorre, exceto no caso do Chile e da Colômbia”, disse ele no evento na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Quero ver aqueles “empresários” que choram a cada resultado da balança comercial e seus representantes baterem neste burocrata como bateram em Gustavo Franco por anos. Não vejo a hora de ver a coerência dos amantes do capitalismo cartorial…

brasil · falácias econômicas

Papo furado

Por que não ponho meu dinheiro em banco estatal? Porque não há gente mais confusa em suas justificativas quando o resultado do mês é um prejuízo.

Uma falácia econômica básica é que “o lucro não tem função social”. O sujeito que fala isto, ou não entende direito Economia ou é um mentiroso. Não há nada além destas duas opções. Vejamos, o espertinho que diz isto, normalmente, tem dinheiro aplicado em algum banco porque, como sabemos, pobre só consegue microcrédito (e olhe lá!) para ser empreendedor em um país no qual “empreender” significa aprender a fazer caixa dois, ser desonesto ou se corromper com o fiscal da prefeitura, estado ou (des)governo federal.

Se tem dinheiro no banco, quer um retorno no final do mês, pelo menos maior que a inflação (chamamos isto de “retorno real”). Se não tem um retorno real minimamente positivo, reclama com a patroa (ou bate nela, o que, convenhamos, é bem pouco “social”) e enche o saco inventando histórias sobre como Bush e a Opus Dei (junto com Geraldo Alckmin) roubam dinheiro dos poupadores e levam para o Iraque (ou algo mais fantasioso…).

O fato é que o lucro de um banco tem uma única função social: remunerar os que trabalharam para que este lucro ocorresse. Então, sim, há o salário do gerente, do caixa do banco e de quem colocou dinheiro nas mãos dos especialistas em ganhar dinheiro: os poupadores (como nosso bronco acima, espancador de mulheres).

Mais ainda, quando um bancário faz greve, ele, no fundo, está a dizer – embora minta dizendo que não é nada disto – que o banco tem que ter lucro porque senão o salário dele não sobe. Sim, meu caro, greve de bancário é greve por salário e o salário dele está vinculado ao desempenho do banco. Dou um exemplo para os leitores não-liberais. Um exemplo mais simples. Suponha um militante cujo objetivo é implantar o socialismo no bairro. Seu desempenho, junto ao comitê central do partido (ou, se preferir, “núcleo duro”) é medido pelo número de doutrinados que ele faz. Quanto mais fanáticos, inclusive, melhor (massa de manobra nunca é demais).

Entendeu? Quanto mais militantes, maior o ganho do primeiro militante. É uma velha técnica de administração (aliás, burguesa) de premiar o desempenho. Quanto menos militantes convertidos ao credo socialista, menor o desempenho do partido nas eleições e, portanto, a chance do militante ser repreendido ou mesmo ignorado pelos seus pares como um simples imbecil que não é capaz de converter nem a sogra aumenta.

Simples, não?

Agora, cá para nós, se o dito amiguinho não conseguir cumprir sua missão histórica (porque “divina” é “fanatismo”), normalmente reagirá como todo espertinho: jogará a culpa nos outros. Ou tentará dizer que seu desempenho só foi pior porque seu amigo militante, do mesmo bairro, roubou-lhe sua quota bovina de militantes potenciais. Consequência? Pedirá pelo monopólio de conversão doutrinária no bairro.

Papo furado assim é que me cansa.

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Enquanto se defende o aumento do funcionalismo público por conta de quilômetros quadrados…

…o IPEA manda embora (já havia sido antencipado aqui, lembra?) alguns de seus melhores economistas. Há quem diga que o motivo é político (ou mesmo por discordância de idéias com os “pluralistas heterodoxos”). Como nenhum deles se pronunciou, não sou eu quem o farei (mas o Pedro tem uma boa opinião sobre o tema).

Mas chamo a atenção do leitor para o que tenho alertado aqui sempre: trata-se da economia política que envolve a formulação de políticas públicas. Há vários sinais de politização de qualquer aspecto da nossa vida (a carta quinzenal do Jorge que divulguei ontem, há anos, mostra isto), fruto, claro, da oferta e demanda de atividade rent-seeking na sociedade. Primeiro, economistas acadêmicos buscam fama fora da academia, escorando-se em políticos, cargos públicos, fugindo, como o diabo foge da cruz, da sua tarefa: pesquisa. Do lado do governo, alguns lhes oferecem o poder de julgar seus pares com suas infindáveis “diretrizes” ou “regulamentos”, outros lhes oferecem cargos em centros decisórios não-relacionados com a avaliação dos pares e, claro, tudo isto é financiado com aumentos da carga tributária. Vale dizer: o governo cresce cada vez mais.

Como é, Claudio? O governo cresce? Mas e nossos valorosos empresários? E os profissionais liberais?

Mas é do interesse do “capitalista” que o governo cresça? Ora, bolas, claro que é. Em uma sociedade rent-seeking, os incentivos são para que o empresário puxe o saco do burocrata, e não o do consumidor. Como o governo possui o monopólio na criação de leis, é bom puxar seu saco, dar-lhe apoio político ou, sei lá, dar-lhe um por fora, ou mesmo ajudar-lhe em algum suposto (como gosta a imprensa, “suposto”) mensalão. Afinal, assim se consegue um monopólio aqui ou ali. Isto, que temos no Brasil, é um capitalismo diferente, parecido com o que havia na Alemanha nazista ou na França mercantilista. Veja aí este monte de empresários que adoram subsídios fazerem um discurso contra a CPMF e, após um breve encontro de alguns deles com o presidente, saírem convencidos do oposto.

Algo caracterizado pela existência, sim, do setor privado, mas também por um imenso poder político do governo, com intensa censura/monitoramento da dissidência (com a desculpa que há democracia porque o povo tem “laptop de 100 dólares”…com acesso à internet…censurada) e uma criação de valores que, honestamente, eu não ensinaria nem ao filho de meu pior inimigo. Tal e qual a China bolivariana.

Não quer dizer que esta “demissão” seja uma parte desta grande história da esquerda brasileira para reviver seu fracassado golpe de 1964 em 2007. Mas, é bom lembrar, depois de Gramsci, a luta política passa pelo que, em Minas, diz-se como “estar a se comer pelas beiradas”. Ou seja, aos poucos, sem alarde, você ocupa espaços. É uma forma – assumida pela própria existência dos braços “culturais” dos partidos políticos (Instituto isto, Fundação aquilo, etc) – de luta para impor seu modo de ver sobre a sociedade através da propaganda. Eu disse “impor”? Vai ver li muito o tal Chomsky. Na verdade, só impõe aquele que não acredita na liberdade individual (que não se dissocia da sua liberdade econômica, exceto por um malabarismo contorcionista bem complicado). Certamente um liberal não gosta disto. Já um não-liberal…

Ah sim, isto tudo pode ser justificado se pensarmos que existem, claro, escassos economistas pluralistas por quilômetro quadrado no Brasil.

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Leia o trecho, pense, depois leia o resto: não tem erro

Poucas coisas me alegram tanto quanto escrever esta coluna. Tenho que dizer, porém, que, até hoje, nada se compara à satisfação de ler a reação de João Sicsú a meu último artigo, não apenas por confessar publicamente ter subestimado a inteligência do público, mas principalmente pela sua incapacidade de contrapor qualquer argumento aos pontos que destaquei. Sua única resposta foi afirmar, envolto em pretensa ironia, que sou bobo, feio, mau e chato, o que, cá entre nós, é muito pouco, até para Sicsú.

De fato, o máximo que consegue é repetir o mesmo argumento nanico: temos poucos fiscais de impostos relativamente à área e à população (em breve vai fazer a mesma conta com relação ao perímetro e, fracassando esta, com relação à profundidade da plataforma continental). Peço, pois, perdão ao leitor por ter que explicar o óbvio, mas parece haver mesmo certa dificuldade de compreensão.

Alex não se cansa de ensinar economia…

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Bons motivos para seu pessimismo com a selva

Quem disse:

Vi um cartaz na faculdade hoje e achei interessante a proposta: os Feds regionais promovem, uma vez por ano, um concurso para estudantes de graduação onde estes, em última instância, simulam uma reunião completa do FOMC (o Copom deles). Os estudantes devem montar uma apresentação com uma exposição clara sobre a conjuntura do país, estabelecer os principais problemas e, por fim, dizer qual deve ser a trajetória dos juros que o Fed deveria escolher como consequência dos problemas apontados.

No Brasil, acho que o máximo que chegamos a ter foi o Concurso de Monografias, de 2003, e as ações do “BC e Universidade”, onde funcionários do Banco dão palestras sobre as principais funções de um Banco Central.

Imagino o dia em que chegaremos a ter uma promoção como esta, e… Não, na verdade, eu não imagino o dia em que chegaremos a ter algo neste sentido: do jeito que estão as universidades no país, vai aparecer uma meia dúzia de bobo-alegres, erguendo cartazes contra a privatização da Vale, dizendo que o BC dá dinheiro para os banqueiros, e apresentando, por fim, o trabalho como se fosse um jogral (alguém se lembra do significado disto, ou já ouviu esta palavra na vida? Quem conhece, sabe exatamente o que eu estou falando). Tudo para, no fim, dizerem que o resultado foi manipulado para dar o prêmio para alguma das grandes universidades em economia que fosse alinhada com o pensamento neo-liberal privatizante. No limite, chegaríamos a uma CPI… Deixa para lá.

Acertou. Foi ele.

falácias econômicas

Mais desmistificação

Na semana passada o IBGE divulgou as contas nacionais relativas ao segundo trimestre de 2007, revelando uma expansão de 5,4% do PIB na comparação com o mesmo período do ano passado, a taxa mais vigorosa neste conceito desde o segundo trimestre de 2004. À luz destes números mesmo os mais teimosos detentores do Oscar de efeitos especiais em economia têm que se render às evidências acerca do ritmo da produção, o que não significa, porém, que tenham aprendido a lição.

Enquanto estes analistas se entregavam ao nada saudável esporte de negar os dados, o exame mais cuidadoso da forma como a economia reage às políticas monetária e fiscal já indicava uma aceleração clara da atividade em 2007. Impossibilitados agora de persistir na negação da realidade, tais analistas – convenientemente “esquecendo” a alegação anterior, que o país passava por acentuado processo de “desindustrialização”, com queda do investimento – agora brandem o aumento do investimento, quase 10% nos últimos quatro trimestres, como prova definitiva de que não enfrentaremos pressões inflacionárias. Dado este crescimento, segue a cantiga, não haveria razões para se preocupar com o crescimento da demanda, pois a capacidade produtiva da economia também se expandirá.

Leia tudo.

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Desmistificando as falácias econômicas

Alex Schwartzman é o melhor na arte de destroçar as falácias econômicas da grande mídia (e de alguns blogs, claro). Veja-se este novo exemplo:

An argument that has been floated recently, to the point of meriting the dubious honor of being officially dismissed in the Copom minutes, is that the increase in foodstuff prices would have an effect on Brazilian consumption similar to the increase in oil prices in US consumption, namely that it would work as a “tax” on consumers, reducing demand, hence inflation. Whereas, as I said, committee members downplayed (correctly) the argument, the minutes did not bother to explain why the argument does not make much sense (and, mind you, I am attempting to be polite here). In light of that, I believe that going into more detail might be helpful.

Gostou? Leia o resto então.

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Quem é a favor de mais arrecadação gosta de subsídios?

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) defendeu que o governo aproveite o espaço fiscal obtido com a elevação da arrecadação para adotar medidas de estímulo ao crescimento econômico. Pelos cálculos do Iedi, essa folga representa 2% do Produto Interno Bruto (PIB) – 1,1 ponto com o aumento da carga tributária e 0,9 ponto pela redução dos gastos com juros.

Leia mais sobre a proposta do IEDI aqui. Aproveite e leia novamente o que o Adolfo disse ontem. Outro dia eu mesmo comentei aqui uma das últimas cartas quinzenais do Jorge Vianna Monteiro na qual ele expressava – corretamente – sua desconfiança da tal campanha da FIESP contra a CPMF. Se é contra a CPMF, é contra subsídios? Se é, então, sim, leitor, pode ser que seja um liberal. Mas se acha que subsídio é bom, não é liberal, embora o povo da esquerda insista em lançar esta confusão na mente de seus eleitores.

Faz parte do discurso dos não-liberais acusar seus inimigos de liberais (como o faz, descaradamente, há mais de 50 anos, a esquerda) ou de comunistas (como o faz, descaradamente, há quase tanto tempo quanto, os grupos de interesse de empresários).

Já ouviu falar da sociedade rent-seeking? Pois o Brasil é um exemplo que se encaixaria em qualquer livro-texto sobre o tema.

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Desabafo de um aluno sério

Após meu ingresso na universidade como estudante de economia, muitas idéias que habitavam minha cabeça foram sendo substituídas, algumas foram sendo remoldadas e outras foram nascendo. Como a maioria dos jovens colegiais, tinha a vontade de mudar o mundo, alterar a situação dos famintos, dar cobertores aos que passam frio. No entanto, aos poucos fui percebendo que, mesmo sempre tendo boas intenções, os meios que defendia para alcançar esses nobres objetivos eram equivocados. Simples e fáceis de se botar em prática, mas equivocados.

Continue a ler até o final.

Philipe, não fique triste não. Todos nós já passamos por isto. A diferença, como você observa no final do texto, encontra-se na conservação do caráter de alguns e em seu abandono, por outros.

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A tragédia do discurso oficial

O que você pensaria se Delfim Netto, nos bons anos de chumbo, diante da proposta da oposição de lhe cortar receitas de tributos, dissesse que isto prejudicaria os programas sociais? Eu sei o que você pensaria. Palavras como “chantagista”, “mentiroso”, “falso”, “safado” e outras que bloqueariam este blog em bons lares deste país estariam sambando em sua mente.

Mas, e se os tempos forem outros?

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que seria trágico para o País se a renovação da CPMF não for aprovada pelo Congresso Nacional. “Teríamos de desativar programas como o Bolsa Família e reduzir o superávit primário. A emenda 29 (que estipula a destinação de recursos para a Saúde) teria de ser discutida”, afirmou Mantega.

Trágico, não?