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O ensino de Economia

Certamente é uma discussão relevante. O trade-off, contudo, é o seguinte: ao mudar o foco para menos sofisticação teórica, o fosso entre a graduação e o mestrado/doutorado aumenta bastante.

Uma solução seria a flexibilização de currículos, com a criação de disciplinas intermediárias para os que desejam avançar para a pós-graduação.

Será que o novo ministro fará algo nesta direção?

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ensino de economia · homenagem aos monitores · monitoria

“Teaching Assistant” ou, no popular, “Meu Amigo Monitor”

 

Professor Shikida analisa plano de aulas de sua monitora

Outro dia, em um jornal, disse uma americana: “For me, teaching is life-giving”. Quem é esta moça? Mais uma das centenas de monitoras (ou, como dizem no IBMEC-MG, Teaching Assistant – TA) que auxiliam professores e alunos nas faculdades pelo mundo afora.

Monitores, como quaisquer seres humanos, possuem vida normal. Há quem lhes crie homenagens como um suposto dia internacional (ITA), mas acho que há mais a se falar sobre eles.

O papel de um monitor é similar ao do sistema de preços no mercado. Poderíamos, na verdade, perguntar-nos sobre o porquê da existência de pessoas com esta função. Assim como Coase perguntou sobre a origem da firma, podemos fazer uma analogia simples. Afinal, se estudante estuda e se professor ensina, por que existem monitores (em um excelente livro de bolso, McCloskey faz pergunta similar sobre a profissão de economista)?

A monitoria tem um papel fundamental no crescimento humano dos envolvidos no processo educacional. Se não unicamente neste aspecto, pelo menos na formação intelectual há um papel importante a ser cumprido pelo monitor. Não nos enganemos: a realidade do aluno brasileiro é uma realidade de preguiça e de cultura da desonestidade. Incentiva-se o desrespeito, a desonestidade intelectual e o mínimo de esforço (preferencialmente sobre as costas alheias). É neste ambiente que o professor e seu auxiliar mais importante, o monitor, trabalham.

Em outras palavras, o trabalho do monitor não é apenas o de auxiliar o aluno a, de fato, transformar-se em estudante. Trata-se de se lhe ensinar valores que fazem toda a diferença se você quer morar em um país menos violento e no qual as pessoas respeitem seu direito de ser “assim ou assado”. Enfim, um país nos quais sua liberdade civil, política e econômica sejam garantidos até mesmo contra chantagens de políticos safados.

Ensinar é uma experiência interessante, frustante e excitante, na qual se aprende muito sobre o abismo que existe entre o aluno mal-informado e preguiçoso e seu colega mal-informado, mas atento ao que lhe dizem sobre seu futuro e sua relação com o capital humano. O monitor é muito importante no esclarecimento dos colegas ainda sujeitos ao véu das maravilhas da vida de pouca responsabilidade.

Aos professores esforçados, que sabem o quão escasso é seu tempo, a ajuda dos monitores é muito importante. Diversos ex-monitores (e minha monitora atual) corrigiram (corrigiu) uma apostila de exercícios de microeconomia que já tem quase dez anos de “vida”. Neste processo, novos exercícios surgiram (e surgem), adaptados ao contexto da vida dos alunos ou com desafios mais interessantes.

Finalmente, monitores existem porque alunos e professores ganham com isto. A localização de problemas e sugestões de novas formas de se abordá-los é tarefa dos monitores, ainda que os mesmos só percebam isto ao longo do tempo. Só tenho a agradecer a gente como Cristina (Economia Matemática), ao Marcelo Meira e à Mariângela (Microeconomia III), ao Pedro Silva Castro (Microeconomia) e à Cristiane (Teoria dos Preços).

Aliás, hoje é aniversário da Cristiane. Parabéns a ela.