empreendedorismo

Empreendedorismo e a dotação de inteligência de uma nação

Eis o resumo.

Do national differences in cognitive skills (CS) predict a nation’s likelihood of generating high-quality entrepreneurs who create and expand high-value businesses? We answer this question by estimating cross-country regressions that use the Acs and Szerb Global Entrepreneurship Development Index (GEDI) and a measure of national CS. After including conventional controls we find for a sample of 60 countries that our measure of CS robustly predicts the GEDI (unconditional correlation = 0.65, standardized beta = 0.42), an index that gives weight to both entrepreneurial attitudes within a nation and the institutional and economic prerequisites for creating high-value, high-growth firms. We find that this result also holds for an alternative measure of entrepreneurship.

Interessante, não?

Cultura · empreendedorismo · história econômica · terrorismo

Cultura, Terrorismo, Empreendedorismo e Economia: breves observações

“Cultura” já foi – e segue sendo, para muita gente – o sinônimo de uma conveniente desculpa para se justificar todos os males da humanidade, ou pelo menos de parte dela. Perdeu o emprego? Culpa da cultura portuguesa. Perdeu o bonde da história? Culpa da cultura judaico-cristã. Tá sem dinheiro? Culpa dos mercados. E assim por diante.

Para começo de conversa, qualquer um que pense um pouco no tema perceberá que a cultura não é um bloco de palavras congelado no tempo. A cultura do jovem brasileiro dos anos 2000 não é a mesma do jovem brasileiro de 1700, por exemplo.

Não é que não exista relevância para a “cultura” nas hipóteses que buscam explicar o desenvolvimento (ou as barreiras ao desenvolvimento) das sociedades humanas. Há sim. Aliás, a própria “cultura” (que propositalmente não foi definida aqui…) se confunde com traços genéticos, oriundos de grupos ancestrais em sua luta pela sobrevivência tanto quanto com os cuidados de uma mãe que pretende que sua filha cresça com valores de  sua mesma religião.

Algumas definições de cultura, aliás, estão neste ótimo texto da Virginia Postrel.

Here are a couple of useful definitions of culture:

    “a way of life of a group of people—the behaviors, beliefs, values, and symbols that they accept, generally without thinking about them, and that are passed along by communication and imitation from one generation to the next.”
    “the cumulative deposit of knowledge, experience, beliefs, values, attitudes, meanings, hierarchies, religion, notions of time, roles, spatial relations, concepts of the universe, and material objects and possessions acquired by a group of people in the course of generations through individual and group striving.”

Culture includes the topics newspapers put in their “culture” sections—arts and entertainment—and the rest of the newspaper as well. It encompasses how we think and behave. It determines who we trust or fear or censure. Culture shapes who we want to be and who believe we are. It is too important to be treated as an afterthought.

Desnecessário dizer que os desdobramentos disso são importantes. Por exemplo, nem todo terrorista é fruto de uma cultura islâmica. Há traços importantes que definem um terrorista, mas nada muito simplista como o que ouve por aí. Basta verificar os dados, por exemplo, para os EUA: boa parte dos terroristas são oriundos de uma “direita” radical (*).

Outro exemplo é o empreendedorismo. Sobel e co-autores (citados aqui) destacam a importância da liberdade econômica – um alegado fator “cultural” para muitos – para o empreendedorismo. Por sua vez, Galor e co-autores falam de um processo em que traços pró-empreendedorismo seriam fruto da complexa evolução humana. Finalmente, há quem encontre evidências da exposição à testosterona no período pré-natal na formação de traços empreendedores.

Neste último caso, aliás, percebe-se que as pesquisas avançam para uma direção em que a “cultura” já não pode mais ser tratada de uma única forma, seja em debates rasos ou em seminários de pesquisa. Para economistas, em particular, passou o tempo em que, justificadamente, recusava-se o simplismo de se usar a cultura como culpada por tudo (ao invés dos incentivos, como mostra, maravilhosamente, Zanella e co-autor neste artigo de história econômica comparada). Já podemos identificar a cultura – ou traços culturais – como incentivos em vários estudos mas o leitor deste blog já sabe disso…

(*) Radical mesmo. Não é como no Brasil em que alguém que leia Roger Scruton é rotulado de direita radical, o que, aliás, diz muito sobre o problema que muitos têm com o conceito de tolerância (aliás, sobre isso, ver este artigo e, claro, o que o motivou).

emporiofobia · empreendedorismo · instituições · trust

Confiança, mercados, etc

Veja só a conclusão desta revisão da literatura sobre confiança (trust):

(…) social and political trust are critical social achievements for sustaining a diverse social order, but social trust is more important than political trust. Second, liberal democratic market-institutions play a modest role in sustaining social trust, and a large role in sustaining political trust. We can conclude, then, that liberal-democratic market societies are part of a positive causal feedback loop that sustain trusting social orders with diverse persons who disagree.

Outro ponto ótimo para se refletir:

Some argue that political trust is declining in many North American and Western European nations due to rising inequality and various widely observed events and governmental failures, such as Watergate or other corruption scandals. Others argue that as people grow richer and more educated they become more discerning observers of political events, and come to have higher expectations of democracy. “At the same time that people have become less trustful of government,” Russell Dalton of the University of California at Irvine has written, “other opinion surveys show continued and widespread attachment to democracy and its ideals, which may have strengthened in recent decades.”

Pense nisso, por exemplo, em nível municipal. Cidades que possuem diferentes indicadores de confiança social (social trust) e de confiança na política (political trust) poderiam também ser cidades com diferentes graus de emporiofobia.

Mais ainda: como as cidades não foram fundadas na mesma data, cada uma delas se encontra, ceteris paribus, em momentos diferentes de suas histórias. Cidades muito novas podem ter baixo grau de rent-seeking, por exemplo. Contudo, seu potencial pró-mercado pode sofrer com a ação de grupos de interesse olsonianos ao longo do tempo.

Sim, como quase todos os fenômenos sociais, também os níveis de confiança e outras variáveis compartilham de uma endogenia (se é que posso dizer dessa forma…) que dificulta bastante os estudos na área.

Nada que não mereça um pouco mais de leitura e reflexão, claro.

empreendedorismo · histórias em quadrinhos

Cultura corporativa e criação

Ambas as empresas agora operam sob sistemas editoriais orientados (…). Já se foram os dias em que os roteiristas da Marvel podiam escrever uma história sob efeito de alucinógenos estranhos nos anos 1970 e conseguir publicá-los contanto que fosse dentro do prazo.

(…)

O que é esquecido é que a maior parte dos bilhões de dólares que as corporações estão tão desesperadas para proteger foi criada por artistas que seguiam seus instintos e lançavam coisas legais. [Tucker, Reed. “Pancadaria”, Fábrica231, Rio de Janeiro, 2018, p.268-9]

Ler sobre a evolução empresarial da D.C. e da Marvel leva à inevitável reflexão sobre como empresas passam por estas fases. Imediatamente me vem à mente o caso do ensino superior.

Faculdades (privadas e públicas, ainda que os incentivos sejam distintos) geralmente crescem e alcançam este ponto que pode significar a morte da criatividade ou não do corpo docente. Talvez este seja o lado ruim da padronização (deve haver uma espécie de curva de Laffer entre a padronização do ensino e a criatividade…).

Profissionais talentosos, contudo, conseguem superar estas dificuldades…como se vê no livro de Tucker.

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culinária · empreendedorismo

Sobre biscoitos da sorte e empreendedorismo

Lembra do meu diálogo com a Claudia Midori? Ele continua nos comentários deste texto. Eu havia divulgado uma idéia minha que – obviamente – não seria original (na minha turma de mestrado da USP havia uma piada muito boa assim: se você tiver alguma boa idéia, alguém já teve antes. Este é um exemplo de expectativas racionais…): a dos biscoitos da sorte com recados personalizados.

Pois é. Olha o que Claudia disse nos comentários:

Qto aos bolinhos, a empresa Hakuna Matata faz os biscoitinhos da sorte com a mensagem que a empresa escolher -e eles ganham dinheiro com isso!

Agora meu empreendedorismo se limita a ter tido a mesma idéia e a divulgá-la no Brasil. ^_^

culinária · curiosidades · empreendedorismo · Sushi

E por falar em sushi…

A Claudia Midori, do Comidinhas, ficou intrigada com a pergunta sobre o sushi e eu a respondi, lá mesmo nos comentários. Mas aí eu fiquei com vontade de ler mais o blog das duas jornalistas. Afinal, elas estão em Hong Kong agora e a comida chinesa, sempre desconfiei, deve ser mais diversificada do que parece.

Eis que achei isto:

Ontem fui na Kee Wah Bakery para comprar os deliciosos egg rolls, mas fui em vao. Nada de egg rolls. A cidade inteira esta tomada de mooncakes. Mooncake para todos os lados. Ontem provei um no City Super, tirei ate umas fotinhos, mas colocarei no blog quando voltar.

Os bolinhos cabem na palma da mao, sao fofos, de diversos recheios e para todos os bolsos. Os bolinhos sao caros, alguns absurdamente caros. Ja vi bolinhos com precos exorbitantes, digno de uma viagem a Lua, rs! Cada um pode sair por 20 dolares!

Engracado o preco do bolinho… os chineses comem ele para trazer fortuna, mas gastam rios de dinheiro comprando os mooncakes. Tudo bem, no Natal o peru tambem fica mais caro, mas os bolinhos sao absurdamente caros!

O mais bonitinho dos bolinhos eh que todos tem escrito em mandarim fortuna e vida longa. No hotel que estou hospedada tem mooncake por HK$ 148 (US$ 21)! Pelo preco, poderia ate ter folha de ouro, mas eh farinha, gema e acucar, mais nada.

Curiosidade, a reporter chinesa explicou para mim que na China – nao entendi o periodo, mas eh remoto – os bolinhos eram usados para envio de mensagens secretas entre membros de grupos rivais.

Aí está um bom exemplo para se entender oferta e demanda. Como pode um bolinho que só tem farinha, gema e açúcar ser tão caro? Simples: basta haver gente que esteja disposto a pagar o preço que pedem. É como um jogador de futebol: o Romário e eu também somos apenas água e carne (e provavelmente o fígado dele é melhor que o meu). Mas para tê-lo em um time, pagam muito mais do que eu apenas sonharia em pedir (e, bem, não sou o melhor jogador de futebol já visto…).

E note também a interessante história dos bolinhos no final do texto. Isto é que é economia de escopo: o mesmo bolinho gera dois bens (serviços) distintos. Você engana a fome e ainda manda um recado sacana para um inimigo.

Eis aí uma idéia para quem tem restaurante e grana para fazer bolinhos personalizados (garanto que dá dinheiro). Crie o seguinte serviço: biscoito da sorte com recado. O cara chega, vê uma menina interessante, e manda um biscoito da sorte para ela. Claro que você cobra por este serviço porque tem escrever o bilhetinho e colocá-lo dentro do biscoito.

Você ainda poderia sofisticar mais – e cobrar mais, claro – elaborando biscoitos da sorte personalizados e vendendo-os para os clientes mais chatos (aqueles que gostam de arriscar alto). Eu, por exemplo, tenho certeza que receberia um biscoito em formato de coração, com uma mensagem pedindo por uma tórrida noite de amor, enviado pela Angelina Jolie. ^_^

Estas idéias de recadinhos sempre funcionam em bares badalados mas lembre-se que, naqueles filmes antigões, sempre tem um Bogart no balcão recebendo olhares e/ou oferecendo bebidas coloridas para a Gilda da vez.