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Enquanto se defende o aumento do funcionalismo público por conta de quilômetros quadrados…

…o IPEA manda embora (já havia sido antencipado aqui, lembra?) alguns de seus melhores economistas. Há quem diga que o motivo é político (ou mesmo por discordância de idéias com os “pluralistas heterodoxos”). Como nenhum deles se pronunciou, não sou eu quem o farei (mas o Pedro tem uma boa opinião sobre o tema).

Mas chamo a atenção do leitor para o que tenho alertado aqui sempre: trata-se da economia política que envolve a formulação de políticas públicas. Há vários sinais de politização de qualquer aspecto da nossa vida (a carta quinzenal do Jorge que divulguei ontem, há anos, mostra isto), fruto, claro, da oferta e demanda de atividade rent-seeking na sociedade. Primeiro, economistas acadêmicos buscam fama fora da academia, escorando-se em políticos, cargos públicos, fugindo, como o diabo foge da cruz, da sua tarefa: pesquisa. Do lado do governo, alguns lhes oferecem o poder de julgar seus pares com suas infindáveis “diretrizes” ou “regulamentos”, outros lhes oferecem cargos em centros decisórios não-relacionados com a avaliação dos pares e, claro, tudo isto é financiado com aumentos da carga tributária. Vale dizer: o governo cresce cada vez mais.

Como é, Claudio? O governo cresce? Mas e nossos valorosos empresários? E os profissionais liberais?

Mas é do interesse do “capitalista” que o governo cresça? Ora, bolas, claro que é. Em uma sociedade rent-seeking, os incentivos são para que o empresário puxe o saco do burocrata, e não o do consumidor. Como o governo possui o monopólio na criação de leis, é bom puxar seu saco, dar-lhe apoio político ou, sei lá, dar-lhe um por fora, ou mesmo ajudar-lhe em algum suposto (como gosta a imprensa, “suposto”) mensalão. Afinal, assim se consegue um monopólio aqui ou ali. Isto, que temos no Brasil, é um capitalismo diferente, parecido com o que havia na Alemanha nazista ou na França mercantilista. Veja aí este monte de empresários que adoram subsídios fazerem um discurso contra a CPMF e, após um breve encontro de alguns deles com o presidente, saírem convencidos do oposto.

Algo caracterizado pela existência, sim, do setor privado, mas também por um imenso poder político do governo, com intensa censura/monitoramento da dissidência (com a desculpa que há democracia porque o povo tem “laptop de 100 dólares”…com acesso à internet…censurada) e uma criação de valores que, honestamente, eu não ensinaria nem ao filho de meu pior inimigo. Tal e qual a China bolivariana.

Não quer dizer que esta “demissão” seja uma parte desta grande história da esquerda brasileira para reviver seu fracassado golpe de 1964 em 2007. Mas, é bom lembrar, depois de Gramsci, a luta política passa pelo que, em Minas, diz-se como “estar a se comer pelas beiradas”. Ou seja, aos poucos, sem alarde, você ocupa espaços. É uma forma – assumida pela própria existência dos braços “culturais” dos partidos políticos (Instituto isto, Fundação aquilo, etc) – de luta para impor seu modo de ver sobre a sociedade através da propaganda. Eu disse “impor”? Vai ver li muito o tal Chomsky. Na verdade, só impõe aquele que não acredita na liberdade individual (que não se dissocia da sua liberdade econômica, exceto por um malabarismo contorcionista bem complicado). Certamente um liberal não gosta disto. Já um não-liberal…

Ah sim, isto tudo pode ser justificado se pensarmos que existem, claro, escassos economistas pluralistas por quilômetro quadrado no Brasil.

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